O VALE SAGRADO DOS INCAS

Por Claudia Liechavicius

O Vale Sagrado é um lugar mágico onde a vida rural se revela a cada curva da estrada, em cidadezinhas pitorescas, às margem dos  rios que correm caudalosos - sendo o principal, o rio Urubamba - e, nos vales das montanhas dos Alpes Peruanos.

Foi ali, pertinho de Cuzco, que muitos Incas viveram e deixaram suas marcas em sítios arqueológicos, nas feições do povo, na agricultura, na cultura e nos costumes. As cenas da vida quotidiana são coloridas e cheias de sorrisos. Circular, pelo menos um dia, pelo Vale Sagrado é um dos pontos altos de uma viagem ao Peru.

Uma índia caminha pela estrada carregando gravetos.

Logo adiante, outra senhora carrega um fardo de capim.


Lhamas enfeitadas com as cores da bandeira do Império Inca andam por todos os lados com seus donos.

COMO VISITAR O VALE SAGRADO

Na Plaza de Armas, em Cuzco, há muitas agências de turismo que oferecem passeios pelo Vale Sagrado. Algumas pessoas preferem contratar um taxi para ter mais liberdade com horário e para determinar onde querem ir (vale lembrar que os taxis são na maioria das vezes velhos, pouco confortáveis e sem ar condicionado). Melhor é alugar um carro por um dia (120 dólares). Os carros também não são muito novos, mas cumprem seu papel com perfeição. O trajeto é fácil e bem sinalizado. Os hotéis têm bons mapas e os funcionários explicam tudo em detalhes. 

Vale Sagrado. Foto tirada numa parada no Mirador de Taray.

Mapa do Vale Sagrado.

POR ONDE COMEÇAR

Muitos são os locais interessantes do Vale Sagrado. Sítios arqueológicos, mercados de artesanato, cidadezinhas charmosas, picos nevados, pastoreio, salina, criação de lhamas e alpacas. Basta escolher o que lhe interessa. Os principais locais de visitação são:

  • Pisac
  • Moray
  • Maras
  • Chinchero
  • Ollantaytambo

E, nos arredores de Cuzco ficam os sítios arqueológicos:

  • Saqsaywaman
  • Qenqo
  • Pukapukara
  • Tambomachay (que já citei no post anterior sobre Cuzco).

Pisac é um lugar muito pitoresco e pertinho de Cuzco. São apenas 33 quilômetros de estrada. O vilarejo é conhecido por ter um mercado de artesanato na praça principal do povoado que funciona diariamente, (mas, terças, quintas e domingos é bem maior), uma missa dominical cantada em quéchua e uma das ruínas mais importantes do Vale Sagrado. As ruínas ficam a 3300 metros de altitude.

Ruínas de Pisac.

Crianças, sempre coloridas e sorridentes, brincam nas ruínas de Pisac.

DICA: No caminho entre Cuzco e Pisac não deixe de fazer uma parada em Awana Kancha (que fica a 23 quilômetros de Cuzco e 10 de Pisac). Ali funciona um centro de artesanato, com moças peruanas que mostram técnicas de tecelagem tradicionais da região e com lã de alpaca, tem uma loja fantástica (a mais caprichada do Vale Sagrado) e criação de lhamas e alpacas. É interessante. Vale a pena conhecer.

São muitas as tonalidades de fibra de alpaca usadas nos produtos manufaturados de Awana Kancha.

Uma tecelã mostra seu trabalho.


Tapeçaria típica do Peru com figuras espelhadas e em sentido oposto.


Para almoçar vá ao Hotel Vale Sagrado, em Urubamba. O hotel é lindo e dos janelões do restaurante se vê o rio Urubamba correndo apressado. Lugar perfeito para fazer uma pausa no meio do dia. De Pisac até Urubamba são mais ou menos 40 quilômetros. E, no caminho fica a Estação Termal de Calca.

Hotel Vale Sagrado, em Urubamba.

À tarde visite as ruínas de Ollantaytambo, que está a uns 80 quilômetros de Cuzco (e uns 20 km adiante do Hotel Vale Sagrado) e de onde você começará a retornar, claro que sem deixar de passar pela Salina de Maras, pelo centro experimental agrícola de Moray e se sobrar tempo por Chinchero

Ollantaytambo tem um complexo de ruínas composto por uma fortaleza, um centro religioso e uma área de residências no alto de um desfiladeiro, como era o costume dos Incas. É provável que tenha sido tanto um centro religioso, como militar e agrícola. O acesso é feito por uma escadaria de pedras a partir de um vilarejo muito simpático, às margens do rio Urubamba e com uma estação de trem que parte para Águas Calientes e Machu Picchu.

Ruínas de Ollantaytambo.

Depois, vá até a Salina de Maras, um dos lugares que mais me impressionou no Vale Sagrado. Ver uma salina tão longe do mar, numa altitude tão grande é incrível. Da terra brota uma fonte com água salgada e quente que é canalizada para a extração do sal. E, além disso, a estrada de acesso é cheia de pessoas fazendo o pastoreio de seus rebanhos em campos verdejantes com morros nevados ao redor. Lugar belíssimo!

 
Salina de Maras. Impressionante!!!

Depois de Maras, andando mais 9 quilômetros por uma estrada de terra bem rudimentar é a vez de se deslumbrar com Moray. Ela é a única ruína com esse tipo de formação. Compreende um grande conjunto de círculos perfeitos, com quatro galerias ligeiramente elípticas, sendo que a maior tem 150 metros de profundidade. Dizem que as condições desse solo são especiais e que o local tem essa configuração por causa de um meteoro que caiu ali. Os Incas faziam experimentos com o cultivo, especialmente de milho e batata. 

 Moray, zona de cultivo experimental dos Incas.

 A quantidade de tipos de milho e batata é enorme no Peru. Herança dos Incas.

O trajeto é lindo de Maras à Moray. 

Campos verdes, picos nevados e muito pastoreio.

O Vale Sagrado é mágico!!!

Leia também sobre Cuzco e Machu Picchu.







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