O LUXO DO CRISTALINO LODGE NA FLORESTA AMAZÔNICA



Imagine a beleza de ver um casal de araras vermelhas riscando o céu e fazendo arruaça enquanto ao longe um pica-pau começa seu trabalho ritmado num tronco de árvore, ao mesmo tempo em que o som de um bugio ecoa pela mata. Se para alguns a proposta de encarar a vida na selva pode parecer assustadora, para outros soa como uma verdadeira experiência de luxo.

    

          
Paraíso dos birdwatchers. 

Mas nesse caso, o luxo não significa ar condicionado, televisão de tela plana, wi-fi bombando, muito menos ter um mordomo de luvas brancas. E sim, viver a vastidão da floresta no ritmo lento das horas, ouvir o canto dos pássaros ao longe, nadar na água limpa dos rios, ver os animais cruzando livres seu caminho, ter um barqueiro local para chamar de seu, um guia experiente para conduzir pelas trilhas, uma horta orgânica para abastecer sua mesa e ficar hospedado confortavelmente num dos bangalôs rústicos do CristalinoLodge, cuidados com tremendo carinho por Dona Vitória, uma mulher de fibra que do alto dos seus 73 anos comanda uma equipe afinada pelo respeito à natureza.

Cristalino Lodge.

Mapa das trilhas.

Tudo começou pelas mãos de Ariosto da Riva, um visionário, pai de Dona Vitória, que resolveu desbravar a Amazônia Mato-grossense e, na década de 70, fundou a cidade de Alta Floresta. 


RPPN Cristalino.

Tive o prazer de conhecer Dona Vitória, que seguiu os passos do pai e idealizou nos anos 90 o projeto do Cristalino Lodge, em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural, que segundo ela é seis vezes maior do que a ilha de Fernando de Noronha, e está inserida no Parque Estadual Cristalino (criado em 2.000 ao redor da RPPN). 

Um projeto pioneiro de implantação de atividade de ecoturismo, tão especial, que já foi catalogado pela National Geographic como um dos 25 melhores lodges do mundo, em 2011 recebeu o Prêmio Ashoka, em 2008 foi o vencedor do prêmio World Savers Awards realizado pela Condé Nast Traveler e tem o selo SUL Hotels. Precisa mais?


Deque do Cristalino Lodge.

A região onde fica o Eco Lodge é riquíssima tanto em termos de flora como fauna. Para se ter uma ideia, um terço das espécies de aves catalogadas no Brasil podem ser vistas aqui, ao redor de 600 espécies de pássaros, além de mamíferos (macaco, anta, capivara, porco-do-mato cateto e queixada, onça-pintada, ariranha, lontra...) e uma profusão de borboletas. Por isso, se tornou o principal destino de observação de aves da Amazônia. É o reduto favorito dos birdswatchers do mundo todo.

A riqueza da vida na Amazônia.

Só não vá pensando que os pássaros estarão todos pousados nos galhos das árvores pertinho da sede do hotel e que os mamíferos estarão deitados na porta do seu bangalô, pois você pode sair frustrado. Estamos falando de uma área vasta de mais de 7 mil hectares da Amazônia Mato-grossense e de um projeto consciente na implementação de atividades de ecoturismo onde os animais não são alimentados para atrair a atenção do turismo.

Capivaras são presença constante nas dependências do Cristalino Lodge.

O Cristalino Lodge é o lugar ideal para quem quer se emaranhar na vastidão da Floresta Amazônica e ao mesmo tempo ficar hospedado com muito conforto e respeito à mãe natureza.

Rio Teles Pires.

O hotel conta com uma super infra estrutura tanto em termos de acomodação como em relação aos guias altamente qualificados e equipados para garantir sua segurança na aventura de explorar a biodiversidade da floresta. Sim. Vai ter cobra, vai ter aranha, vai ter muito inseto. E isso faz parte da riqueza do ecossistema. Basta usar roupas adequadas, botas, repelente e seguir os ensinamentos de quem conhece os segredos da floresta.

    
Botas e perneiras fazem parte da indumentária ideal para fazer trilhas na mata.
E, lembre-se, nada de cores chamativas. Faça parte do contexto.

São apenas 18 bangalôs espaçosos (que variam de padrão standard a superior), isolados em plena selva, com janelões protegidos por telas, feitos com materiais naturais, com boa ventilação, sustentáveis, com tratamento de resíduos e aquecimento solar. A decoração rústica em madeira dá um charme especial. Peças de artesanato, feitas na região, dão um toque especial. Em alguns bangalôs, uma área de banho ao ar livre traz um astral de aventura, mas tem outro banheiro interno protegido por tela para não entrar nenhum mosquitinho sequer, caso bata medo de ter que compartilhar o chuveiro com um macaco abusado.

Quartos rústicos e confortáveis do Cristalino Lodge.

Do lado de fora, na varanda, uma rede convida ao relax no meio da mata. Vez ou outra uma capivara ou um pássaro vem fazer companhia.

No balanço das horas.

O acesso ao eco lodge é difícil e isso garante a exclusividade. De Cuiabá é preciso voar por uma hora até Alta Floresta, tem apenas um vôo diário da companhia aérea Azul, rodar uma hora de carro por estrada de terra e mais meia hora de barco a motor.

É longe e é lindo!

A chegada é pelo rio Cristalino. Um deque flutuante que sobe e desce, conforme o rio dança na época da seca ou das chuvas, dá as boas vindas aos hóspedes. Vale lembrar que o período chuvoso vai de outubro a abril.

Nesse mesmo deque tem dois grandes ombrelones e estrutura para quem quiser tomar um banho de rio ou curtir um “dolce far niente” ao longo do dia.

Deque do Cristalino Lodge.

A área social do hotel é muito aconchegante, tem dois salões, uma lojinha e uma biblioteca com muitos livros sobre as espécies típicas da região. Ao chegar fui direto para o salão principal onde Dona Vitória esperava com o datashow já ligado para fazer uma palestra sobre seu projeto pioneiro. Detalhe: a apresentação foi em inglês, pois a quantidade de pesquisadores do mundo todo que aportam na região é enorme.

Passarela de acesso ao bar, biblioteca, lojinha e restaurante.


Muitos cantinhos aconchegantes para descansar.

Ao fundo a lojinha do hotel que vende artesanato feito na região.

Entre o salão principal e o refeitório fica o bar. Ele é aberto para a mata, onde uma lareira é acesa ao cair da noite. Sentar para beber alguma coisa antes do jantar, ver o céu estrelado e ouvir os “causos” contatos pelos guias é imperdível. Foi nessa hora que o guia Gilmar me apresentou a uma aranha caranguejeira moradora do pedaço. Tamanho aproximado: minha mão. Saber que esse tipo de aranha não é capaz de fazer mal ao ser humano é importante. O conhecimento afasta o medo.

Varanda aberta do bar.

Depois do jantar maravilhoso, que tem como estrelas as saladas orgânicas vindas da horta do hotel e os peixes de rio, é hora de dormir. Cedo!  Pois no dia seguinte você vai querer pular da cama ainda antes do sol nascer para ver a floresta acordar e garanto que vai experimentar um turbilhão de emoções e sensações. Um misto de excitação com sono e apreensão é só o começo.


Imensidão da Amazônia.

No escuro, com uma lanterna na mão e perneiras como proteção contra as cobras, um guia experiente te conduz pela trilha cerrada da mata em direção a torre de observação de 50 metros. Passos atentos sobre as folhas secas são a chave do segredo para espantar o receio de pisar em algum bicho. Cada barulho na mata é um sobressalto no trecho de um quilômetro que conecta o hotel ao observatório da altura de um prédio de 15 andares.

Observatório na floresta.

Lá do alto, os ouvidos e os olhos se enchem de encantamento quando os primeiros raios de sol começam a colorir o dia e a algazarra dos animais inicia numa sinfonia perfeita. Assim, aos poucos, a floresta vai ganhando vida enquanto a névoa que se forma sobre ela, começa a desaparecer.

Você estará muito metros acima da copa das árvores, num silêncio profundo que será quebrado somente pelo show da mãe natureza. Não tenha pressa. Curta cada segundo desse momento mágico e inesquecível.

Pouco depois das 5 horas o dia começa a clarear na floresta.

A neblina da manhã dá um ar misterioso.

Depois de mais de duas horas observando a rotina dos animais na floresta, com o auxílio de binóculos, é hora de voltar para tomar um belo café da manhã. Tapiocas deliciosas, omeletes preparados na hora, bolos feitos com produtos locais, sendo a castanha-do-Pará uma das estrelas, frutas da estação, sucos naturais. É tudo feito com carinho pela fantástica equipe do hotel que faz os hóspedes se sentirem em casa.

Café da manhã do Cristalino Lodge.

A Castanha-do-Pará é presença constante.

Quando o sol estiver a pino, o calor vai convidar a um banho de rio no deque flutuante, um passeio de caiaque ou um role de stand up paddle. O barulho da água e o canto dos pássaros vão acompanhar seu momento. Se der sorte, talvez veja uma ariranha descendo o rio ou quem sabe algumas antas atravessando de um margem para outra, mas saiba que isso não é uma certeza. A região é muito vasta, os animais têm muito espaço para circular livremente e certamente vão preferir ficar longe de qualquer movimento considerado “risco” para eles.

Passeio de caiaque no rio Cristalino.

E assim os dias vão se sucedendo, entre trilhas na mata para birdwatching (são mais de 10 trilhas que passam de 30 quilômetros), subidas nas duas torres de observação para ver o sol nascer, passeios de barco nas águas escuras e limpas do rio Cristalino e do Teles Pires para sentir a vida da floresta e procurar um jacaré ou outro escondidinho por ali.

Rio Teles Pires.

Não deixe de fazer a Trilha da Castanheira. Uma trilha de três quilômetros cheia de paradas interessantes. No caminho, você vai passar por um lamaçal chamado de "saleiro", onde os porcos selvagens fuçam na lama repleta de minerais, se tiver medo dos animais, há uma pequeno observatório que lembra uma guarita de salva-vidas de praia. Suba nele. Mais à frente, o guia bate no tronco de um singelo arbusto e diz “observe as formigas que sairão por esse furo, mas não toque nelas pois são venenosas e sua picada é dolorosa”. São as "Formigas-de-Fogo". Em instantes, o tronco se enche de formigas e a gente vai embora. A próxima parada é num formigueiro imenso preso a uma árvore. Dessa vez o guia pede para colocarmos as mãos sobre o formigueiro e deixar as formigas subirem. Tive receio. Mas, todos fizeram isso e logo esfregaram as mãos para se ver livres das bichinhas. A surpresa foi um cheiro parecido com citronela no ar. Lição: quando estiver perdido na mata procure por esse repelente natural. Mas, cuidado para não meter a mão no formigueiro errado! No final da trilha, a imensa castanheira de quase mil anos nos esperava para a foto. Imponente. Ela tem 46 metros de altura. Para abraçá-la é preciso de sete a oito pessoas. Já passava das 4 horas da tarde e a escuridão começava a tomar conta. A mata é densa e deixa passar apenas 20% da claridade. Hora de ir embora.

Escolha entre as tantas trilhas que o hotel oferece.
Em qualquer uma delas a gente se sente pequeno diante da força da natureza.

Quando cansar haverá um cantinho para um pitstop, de olhos sempre atentos. Claro!

Aprendi muito nesses quatro dias. Sobretudo sobre os mistérios da floresta, seus recursos, o ciclo da vida. A proposta é a interação com a natureza nesse santuário de tremenda riqueza biológica que merece reverência.

Nosso Brasil é cheio de encantos.

ASSISTA O VÍDEO ABAIXO E SE APAIXONE


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COMENTÁRIOS

  1. OI CLAUDIA
    QUE VIAGEM LINDA!
    SÓ VC MESMO PARA NOS MOSTRAR ESTES CANTINHOS DO NOSSO BRASIL!!
    OBRIGADO
    VS

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  2. VS,
    Nosso Brasil é lindo demais. E esse é um do hotéis mais exclusivos do Brasil. Merece uma visita com certeza. :)

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  3. Muito bacana o relato dessa viagem !!!!! Já coloquei na minha lista dos desejos pra conhecer. Abço,

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    Respostas
    1. A Amazônia é impressionante. Um lugar de uma vastidão imensa que faz a gente se sentir pequeno. :)

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