10 dezembro 2014

ENFIM KO PHI PHI

Por Claudia Liechavicius

Definitivamente, a culpa é dele. Quem mandou Leonardo de Caprio escolher aquele pedacinho de paraíso para filmar "A Praia"? Ele espalhou o segredo. Ko Phi Phi virou celebridade e agora sofre com a fama. O que era idílico e sereno no sul da Tailândia há 14 anos, agora é disputado palmo a palmo por centenas de turistas.

Praia de Laem Tong onde fica a Sea Gypsy Village, a região mais sossegada de Ko Phi Phi.

São raros os lugares onde você ainda consegue ficar sossegado. É gente circulando por todo lado desde o amanhecer até o por do sol. Então, se decidir ir à Ko Phi Phi você já sabe que deve ser generoso e vai ter que dividir sua paz tranquilamente com pessoas dos quatro cantos do mundo ávidas por umas férias inesquecíveis.

Ataque turístico em Maya Beach, Ko Phi Phi. Não tem nem como sentar na areia. 
Quer saber o horário dessa foto? Oito e meia da manhã. A galera chega cedinho. 

UM PEDACINHO DO PARAÍSO

Tirando a multidão, Ko Phi Phi é tudo aquilo que a gente imagina. Uma ilha escandalosamente bonita. Na verdade, o que se chama de Ko Phi Phi é um arquipélago formado por seis ilhas. As duas ilhas maiores são as famosas Phi Phi Don e Phi Phi Leh e as outras quatro ilhotinhas menores são desabitadas: Mosquito, Bamboo e as Bidas (que são duas).

O arquipélago é cercado pelo mar mais transparente que existe, num degrade de tons azul-esverdeados que chega a ofuscar os olhos.

As ilhas têm imponentes falésias de pedra calcárea que fazem parte de um parque nacional desde 1983 e são área de proteção ambiental.

Mapa de Ko Phi Phi.

Ko Phi Phi é acessível apenas pelo mar, a partir de Phuket (48 quilômetros) ou Krabi (42 quilômetros). O trajeto pode ser feito de lancha rápida ou de ferry. A maioria das pessoas opta pelos ferries por serem muito mais em conta, apesar de demorarem o dobro do tempo. O ferry custa ao redor de 450 bahts (30 reais) e as lanchas entre 2.000 e 4.000 bahts.

Dá uma olhada no site: phiphi-ferry.com

Mapa da Tailândia. 

SUSTO NO MAR

Agora vou contar o aperto que passei. Optei por ir de lancha rápida oferecida pelo hotel Zeavola - onde fiquei hospedada por três dias em Ko Phi Phi - e me arrependi. Não pelo hotel, e sim pela lancha. Além do preço da lancha ser muito mais alto do que o ferry as lanchas são menores e o mar pode virar a qualquer instante por influência das monções. Foi o aconteceu! Saí de Phuket por volta das 14 horas numa tarde ensolarada com outras 10 pessoas que iam para o mesmo hotel. De repente, o tempo fechou. Uma tempestade pegou a lancha bem no meio do caminho. O marinheiro não conseguia ver um palmo à frente do nariz. Precisou ligar o GPS para se localizar. Tensão geral! Capas de chuva e toalhas foram distribuídas. A chuva era tão forte que entrava por todos os lados. As malas ficaram totalmente molhadas. Algumas famílias tinham crianças pequenas e os pais ficaram muito apreensivos. O clima pesou literalmente. Ondas enormes começaram a se formar ao redor do barco. Por sorte, dava para ver outras ilhas ao longe e havia muitos coletes salva-vidas debaixo dos bancos. Mas, o barco teve que ser desligado e ficou parado no mar embalado apenas pelas ondas até a chuva acalmar. Isso durou menos de meia hora, mas pareceu uma tarde inteira. Finalmente, o céu começou a limpar, a chuva diminuiu e a lancha retomou seu caminho guiada pelo GPS. Chegamos em Ko Phi Phi debaixo de chuva e um trator veio auxiliar no desembarque dos passageiros e das malas. Não foi nada tranquilo. Se estivéssemos num ferry de grande porte certamente o impacto da tempestade teria sido bem menor. Então, fica a dica. Ferry é melhor e mais barato do que lancha.

Tempestades são frequentes no sul da Tailândia e podem atrapalhar suas férias no paraíso. 

Passado o susto da viagem, o tempo abriu totalmente e tivemos dois dias lindos para explorar Ko Phi Phi.

Mosquito Island, em Ko Phi Phi.

CURTINDO KO PHI PHI

Mesmo tendo lido muito sobre esse destino antes da viagem tive certa dificuldade em entender o contexto enquanto não cheguei lá.

Pois bem, Ko Phi Phi fica exatamente no meio do caminho entre Phuket e Krabi como já falei acima. É acessível apenas de barco e muita gente opta por fazer apenas um bate-e-volta para conhecer a ilha. Nesse tipo de passeio, o roteiro tem como principal atração a praia onde foi rodado o filme de Leonardo di Caprio. Portanto, Maya Beach vive lotada. Depois, o barco circula pela ilha, dá mais uma ou duas paradas e volta para Phuket ou Krabi. Imagino o quanto seja cansativo, pois só para chegar em Ko Phi Phi são quase duas horas, mais outra hora para rodar a ilha. Ou seja, você vai passar mais tempo sacolejando numa lancha apertada do que curtindo o paraíso.


A famosa Maya Beach, em Ko Phi Phi.

Então, a melhor opção é ficar hospedado em Ko Phi Phi por alguns dias para desfrutar com calma desse cenário maravilhoso.

Phi Phi Don é onde estão concentrados os hotéis, restaurantes, bares e vilarejos. Tem um população pequena de 3500 habitantes. A maioria dos hotéis fica nas praias de Ton Sai e Lodalum. Para quem gosta de movimento esses são os lugares mais animados para ficar. E tudo é feito a pé. Não há carros na ilha. Apenas alguns tratores, poucas bicicletas e raras motos que andam pelas praias, pois não há ruas nem estradas na ilha. Só alguns caminhos pela areia ou de pedras.

 Lodalum Bay ao amanhecer..

Ton Sai é a praia de onde partem os ferries para Phuket e Krabi.

No entanto, se sua escolha é pelo sossego recomendo escolher a praia de Laem Tong. É afastada do centrinho da ilha. O acesso só pode ser feito de barco ou com longas caminhadas. Então, só circula por ali quem está hospedado na Sea Gypsy Village, onde há alguns hotéis e poucos restaurantes.

A tranquila praia de Laem Tong.

Com essa foto dá para se ter uma boa ideia de como é a ponta norte de Ko Phi Phi. 
À esquerda, Laem Tong e à direita, Lanna Bay.

O hotel que recomendo é o Zeavola, em Laem Tong. Puro charme. Um hotel pé na areia com poucos bangalôs. Tranquilo. Com ótimo café da manhã e um restaurante muito gostoso. Os quartos têm decoração bem rústica que combina perfeitamente com o astral da ilha.

Quarto do hotel Zeavola.

O dia em Ko Phi Phi deve começar cedo. Há muitas praias para se explorar no arquipélago e tem programa para todos os estilos: snorkeling, mergulho de profundidade, caiaque, SUP, exploração de cavernas, montanhismo ou simplesmente curtir um "dolce far niente".

Geralmente, tudo começa com o agendamento de um programa de cinco horas de barco, em grupo, no hotel. Para aqueles que preferem um pouco mais de independência e privacidade, a melhor saída é contratar um barco local "long tail" para rodar pela ilha conforme a sua vontade. O valor da diária costuma ser ao redor de 2000 bahts para um casal. Dá para negociar e conseguir chegar em 1.500.

Sugestão de passeio oferecido pelo hotel Zeavola.

Inegavelmente, a estrela maior é a praia de Maya Beach, em Phi Phi Leh. Sua beleza é estonteante e isso é inegável. Porém, tendo em vista a quantidade avassaladora de "companheiros" que desembarcam a todo instante por ali, vale dar uma conferida, tirar algumas fotos e rumar para outras águas mais tranquilas.

A sempre lotada Maya Beach, em Phi Phi Leh.



Maya Beach é um sonho. Ah... se fosse tranquila.

Ainda em Phi Phi Leh é obrigatório dar uma parada nas baías de Loh Sanah e Pi Leh. Essas enseadas tem águas muito calmas e convidativas. Muitos barcos fazem um pit stop para a galera dar um mergulho. Para quem gosta de scuba diving, nas Bida Islands tem muitos peixes coloridos, tartarugas, mantas e tubarões. Fique atento também para ver a Viking Cave ao retornar para Phi Phi Don. Dizem que nas paredes da caverna há várias pinturas antigas de embarcações Vikings. 

Baía de Loh Sanah é ótima para snorkeling.

Baía de Pi Leh, em Ko Phi Phi Leh. Maravilhosa!

Viking Cave.

Depois de conhecer Phi Phi Leh e mergulhar nas Bidas é hora de circular pela ilha maior, Phi Phi Don. As praias mais movimentadas são Ton Sai e Lodalum. Mas, as melhores são as mais vazias. A praia em frente ao hotel Zeavola, Laem Tong é uma das mais gostosas da ilha. Transparente. De temperatura muito agradável e perfeita para snorkeling.

Laem Tong, uma das melhores praias para a turma da paz. 

Nui Bay é calma para um mergulho e tem lugares interessantes para scuba diving perto da "Pedra do Camelo". Quando a maré está baixa dá para explorar pequenas cavernas formadas nas falésias. 

Nui Bay, em Phi Phi Don. Observe a pedra com o formato de um camelo. 

Outra praia interessante é a Yong Ka Sen. Ela também é chamada de Monkey Beach. O nome diz tudo. Muitos macacos vivem ali. Eles adoram circular entre os banhistas para conseguir alguma comida e se divertir roubando os pertences dos mais descuidados. No entanto, em alguns horários do dia a maré enche e a areia praticamente some.

Falésias alaranjadas espetaculares no trajeto para Yong Ka Sen Beach.

Logo abaixo de Yong Ka Sen observe outra caverna escondidinha, a Wang Long Cave. Altas falésias de um lado e outro deixam uma pequena passagem para uma pequena lagoa com uma prainha. Só dá para chegar com a maré alta.

Wang Long Cave, em Phi Phi Don.

Também vale a pena conhecer as pequenas ilhas que ficam ao norte de Phi Phi Don: Bamboo (Ko Phai) e Mosquito (Ko Yung). Elas ficam muito próximas uma da outra. A Bamboo é mais baixa e espalhada. Tem muitas prainhas de areia branca. Já, a Mosquito é bem mais alta e formada por falésias enormes. Dizem que tem esse nome por ter nuvens de mosquitos ao entardecer.

 Mosquito Island, Ko Phi Phi.

Bamboo Island.

RESUMINDO O QUE VALE A PENA VER EM KO PHI PHI

1. Em Ko Phi Phi Don 
  • Nui Bay (praia charmosa em frente a Pedra do Camelo)
  • Lodalum Bay (onde fica o centrinho, bem movimentada)
  • Yong Ka Sen Bay (praia dos macacos)
  • Wang Long Cove (caverna entre as falésias)
  • Ton Sai Beach (a praia mais movimentada, de onde partem os ferries)
  • Laem Tong Beach (praia tranquila, ao norte, onde fica o hotel Zeavola)
2. Em Ko Phi Phi Leh
  • Maya Beach (locação do filme "A Praia", abarrotada de gente sempre)
  • Loh Sanah Bay (enseada deliciosa para snorkeling)
  • Pi Leh Bay (um dos lugares mais bonitos de Phi Phi)
  • Viking Cave
3. Mergulhar nas Bidas que são desabitadas

4. Curtir as prainhas da Bamboo Island

5. Conhecer a Mosquito Island e suas falésias enormes. 


COMO FUNCIONAM OS FERRIES EM KO PHI PHI

Os ferries partem diariamente em vários horários para Phuket e Krabi do pier de Ton Sai. Os barcos são grandes e nem sempre são novos e confortáveis. Leve pouca bagagem, pois ninguém vai te ajudar a carregar nada. Sua mala ficará empilhada com muitas outras na entrada do barco. Esteja preparado para o caos tanto na entrada do ferry como na saída. 

Se seu hotel não for em Ton Sai, como era meu caso, você precisará pegar um "long tail" para chegar ao pier. Lembre-se que nesse trajeto sua bagagem invariavelmente ficará molhada. Se o dia estiver calmo, com pouco vento, considere-se uma pessoa de sorte.  

Esteja preparado e leve tudo na esportiva. Essa bagunça faz parte do programa!

Pier de Ko Phi Phi Don, na baía de Ton Sai. 

E assim vai sua querida malinha no ferry. 

CONCLUINDO

A pergunta que muitas pessoas têm feito é: "Vale a pena ficar hospedado em Ko Phi Phi?".

Sim. Opte por ficar hospedado dois ou três dias em Ko Phi Phi. A ilha é espetacular, mesmo com a muvuca. Em programas tipo bate-e-volta você vai cansar e nem vai aproveitar como deve a tranquilidade das prainhas mais calmas e charmosas. Circule com um "long tail" contratado por dia só para você e fuja dos horários de ataques turísticos. 

Mas, se pretende ficar hospedado em algum outro local para fazer apenas uma visita à Ko Phi Phi, sugiro ficar em Railay, em Krabi. As falésias da região são espetaculares e ainda não é tão lotado como Phuket. Phuket não vale a pena. Cheio demais, longe das ilhas mais bonitas e sem grandes atrativos. 

É isso!

Ko Phi Phi.



30 novembro 2014

PINTANDO O MEU QUADRO SOBRE PHUKET

Por Claudia Liechavicius

Fazia tempo que as praias do sul da Tailândia vinham atiçando minha curiosidade. Phuket. Ko Phi Phi. Krabi. Ko Samui... Esses nomes soavam feito música aos meus ouvidos. Confesso que eu olhava no mapa, lia sobre a região, via fotos, conversava com os amigos e não conseguia pintar o “meu” quadro. Cada um dizia uma coisa. As informações não batiam. Alguns pareciam maravilhados com o que chamavam de “paraíso”. Outros se mostravam assustados com a palavrinha “tsunami”. Os safadinhos riam ao contar sobre os shows de “ping pong” com as demonstrações inusitadas de pompoarismo e onde as moças ofereciam todo tipo de “massagem”. Já, a galera do sossego apontava Leonardo di Caprio como o culpado pelos ataques turísticos. Diante disso, não restava outra alternativa senão conferir com meus próprios olhos.

A charmosa prainha Laem Sing (abaixo)  e ao fundo a praia de Kamala.

PRIMEIRO É PRECISO ENTENDER A REGIÃO

O sul da Tailândia é um estreito que tem de um lado o Mar de Andaman onde ficam Phuket, Ko Phi Phi e Krabi e do outro o Golfo da Tailândia, que tem em Ko Samui sua principal estrela, além das também badaladas Ko Tao e Ko Phangan. Olhando no mapa, tudo parece pertinho. Mas, na verdade para se locomover de uma ilha para outra é preciso ir de barco e os trajetos nunca levam menos de uma hora e meia. Os deslocamentos são demorados e muitas vezes sem conforto. 

Mapa do sul da Tailândia.

Tanto no mar como no golfo há centenas de ilhas espetaculares formadas por imensas rochas  muito peculiares cercadas por águas cristalinas em diversos tons de azul. Além disso, o mar tem temperatura muito convidativa, o que atrai milhares de turistas, especialmente europeus fugindo do rigoroso frio do inverno que coincide exatamente com a alta temporada das ilhas do Mar de Andaman. Portanto, não pense que você vai ter esse paraíso exclusivamente para você. Não vai mesmo! Esteja preparado para não se frustrar. É gente saindo pelo ladrão. E, gente de todas as tribos. 

Patong é a praia mais concorrida de Phuket. Pensou que ia ter praias só para você? Se enganou...

DOS HIPPIES AO TSUNAMI

Na verdade, antes do Leonardo di Caprio desembarcar em Ko Phi Phi com toda a sua trupe para gravar o filme A Praia, que foi o que realmente lançou a região ao estrelato, os hippies já haviam descoberto Phuket, nos anos 70. E tudo ia de vento em popa até que o tsunami de 2004 deu uma bagunçada no paraíso. Isso já faz dez anos, é difícil que aconteça novamente. Mesmo assim, ao olhar tantas placas de frente para aquele marzão azul indicando rotas de evacuação é impossível controlar os pensamentos e não lembrar dos arroubos da natureza. Pois, tremores de terra acontecem naqueles mares e ondas gigantes podem se formar novamente. Mas, o trauma já passou e os turistas voltaram com força total. E que força!!! Maior do que um tsunami.

Ups. Essas placas dão frio na barriga. Especialmente, quando vira o tempo.  

Ao redor de Phuket é que ficam as tais ilhotas paradisíacas que valem a viagem. Mas, esteja preparado para os deslocamentos. Para ir a James Bond Beach, por exemplo, é preciso andar de carro por uma hora e depois mais uma hora de barco. Para um bate e volta à Ko Phi Phi são 40 minutos de carro mais duas horas de barco. E, lembre-se, o mar está sujeito a virar a qualquer momento. Os ventos das monções são traiçoeiros. Escolha embarcações seguras e sempre com GPS.

A INFLUÊNCIA DAS MONÇÕES

Um dos pontos mais importantes na programação de um viagem é justamente escolher a melhor época. Esse cuidado deve ser redobrado quando o destino é "praia" e, triplicado quando se trata de um país sujeito aos caprichos das "monções", como é justamente o caso da Tailândia. Leia "monções" como: ventos fortes + chuva intensa por períodos prolongados. Imagine a frustração de viajar quase 20 horas de avião pensando que vai desembarcar no paraíso, pegar uma semana de chuva intermitente e ainda ficar tenso com a possibilidade de um tsunami. Portanto, fica a dica, escolha a época da viagem com muito carinho.

IMPORTANTE: É interessante observar que a melhor época para se conhecer as praias de um lado e do outro, ou seja do Mar de Andaman e do Golfo da Tailândia, são diferentes. Para ir à Phuket, Ko Phi Phi e Krabi a melhor época vai de novembro a fevereiro. E, para ir à Ko Samui de fevereiro a abril

Saiba que o tempo pode virar em segundos, mesmo fora do período de monções. E... você pode precisar ser resgatado no mar por um trator em plena chuva.

PHUKET, APENAS UMA BASE PARA A EXPLORAÇÃO DA REGIÃO

Escolhi Phuket, no mar de Andaman para começar minha exploração pelo sul da Tailândia. Phuket está 900 quilômetros ao sul de Bangkok e é considerada a maior ilha do país. Na verdade, é uma ilha como Florianópolis, conectada ao continente por uma pequena ponte. Nem parece uma ilha. É enorme e cercada de praias lotadas. Para ir de norte a sul se leva mais de uma hora dependendo do trânsito. E o trânsito é caótico. Na minha percepção, Phuket deve ser um destino escolhido apenas para servir como base para se explorar a região (levando-se em consideração que suas praias não são tão interessantes assim e a aglomeração é desanimadora). E, ainda assim, pensando bem provavelmente eu escolheria como base Krabi se fosse novamente pro sul da Tailândia (o que acho pouco provável). 

Mapa de Phuket.

Phuket é vendida como o destino mais luxuoso e fervilhante da Tailândia. E vou te contar que eles se vendem muito bem. Vôos diretos partem em muitos horários dos dois aeroportos de Bangkok. Preste atenção de qual aeroporto você vai sair, especialmente se tiver a intenção de deixar alguma bagagem no aeroporto. Pois, carregar malas pelas ilhas é a maior roubada do mundo. E, Bangkok tem dois aeroportos: Suvarnabhuni BKK (maior deles) e o Don Mueang DMK (menor). Fique esperto para não se enrolar no retorno.

AS PRAIAS DE PHUKET

Para conhecer a ilha, que é grande, é preciso alugar uma carro de mão inglesa, uma moto ou contratar um motorista de taxi por hora. Minha opção foi o aluguel de um taxi por 15 dólares/hora. É preciso um dia inteiro para explorar tudo e escolher a sua praia. Do lado oeste da ilha concentram-se as melhores praias.

A praia mais sossegada é Mai Kao, no Parque Nacional Sirinart. Uma praia extensa, vazia, perfeita pra longas caminhadas em paz. Ali concentram-se alguns dos melhores hotéis de Phuket. A seguir vem as praias de Laguna, Surin, Laem Sing (uma enseada escondidinha, linda) e Kamala. Conforme se vai descendo, o número de pessoas vai aumentando nas praias.

 Mai Kao é para quem quer sossego em Phuket.

Em Surin o templo é mais interessante do que a praia.

Laem Sing, um cantinho escondido e delicioso em Phuket.

A bagunça corre solta, dia e noite, no centro-oeste da ilha. A praia de Patong é o ponto de encontro mais animado. Digamos que tenha grande semelhança com Copacabana. Por vários motivos: é a mais movimentada, a mais conhecida, a mais extensa, tem hotéis de todos os tipos, comércio bem desenvolvido. É onde a noite ferve e  o turismo sexual se revela sem nenhum constrangimento. Não consegui ficar nem meia hora por ali. A noite é uma loucura entre boites, casas de massagem e shows de “lady-boys”. Na Bangla Road tudo é permitido. Tudo mesmo. Literalmente, essa não é a minha praia. Como diria Renato Russo: “festa estranha com gente esquisita...”.

Patong Beach, Phuket.

No sul da ilha vale conhecer Karon, Kata Beach, Kata Noi, Rawai e a extensa praia de Chalong que tem um astral mais familiar. Se for hora  do almoço vale fazer uma pausa no pier de Chalong, no restaurante Kan Eang (e vou ser bem sincera, o restaurante vale mais pelo visual que se tem de Chalong do que pela comida). E para finalizar, por do sol em Nai Harn Beach.

Baía de Chalong. Endereço do restaurante Kan Eang. 

ONDE IR EM PHUKET

Realmente, Phuket é bem democrática. A ilha oferece programas para todas as pessoas, de todas as idades e com todas as intenções. Além das praias, da noite badalada de Bangla Road, dos cabarets de Patong, da irreverência de Phuket Town, dos shows de "lady-boys", há muitos templos lindos (Wat Chalong é o mais importante), o recente Big Buddha, o parque de águas FantaSea para quem viaja com crianças, passeios de elefante, apresentações de Muay Thai, Jardim Botânico, Zoológico, Borboletário, Parque de Pássaros, Cachoeira Ton-Sai, Parque de Tigres (onde eles juram que não dopam os tigres, mas tenho sempre minhas dúvidas?!?) e massagens de todo tipo.

O Big Buddha fica no alto da Montanha Nakkerd, em Phuket. Tem 45 metros de altura.

No caminho para o Big Buddha há vários lugares onde se pode passear ou alimentar os elefantes. 

Vale lembrar que antes do turismo explodir em Phuket, a ilha era ponto de encontro de mineradores e comerciantes vindos de vários países da Ásia: chineses, nepaleses, indianos... A herança deixada pelas ruas mostra rastros de prostituição, jogatina, ópium. Soi Rommanee era o distrito da luz vermelha. Continua como um forte ponto de atração turística e parece que influenciou bastante o astral de Phuket. Troque o Ph da palavra por F e tenha uma tradução perfeita do que esperar dessa "ilha da fantasia".

Soi Rommanee, em Phuket Town. 

UM CANTINHO PRA CHAMAR DE MEU

O norte da ilha é onde se pode ficar com mais tranquilidade. Há hotéis mais familiares e menos tumulto. Fiquei hospedada no Anantara e gostei muito. (Se Phuket não teve muito a minha cara pelo menos o hotel era um oásis.) São 91 bangalôs super luxuosos, enormes e muito bem decorados em estilo thai rústico-elegante. Cama com dossel e almofadões de seda dão um clima super aconchegante. O janelão de vidro do quarto se abre diretamente sobre a piscina. Dentro da piscina tem uma banheira de água quente que no final do dia aguardava preparada com sais de banho, velas e pétalas. Ainda há um gazebo sobre o mangue repleto de flores de lótus perfeito para um descanso, para um momento de meditação ou mesmo para curtir uma boa leitura. Um charme. O hotel é super romântico. À noite, os caminhos são iluminados por tochas. Esse foi o ponto alto de Phuket.

Hotel Anantara, um oásis em Phuket.  

 Quarto ultra aconchegante e com decoração perfeita.

Cada quarto do hotel Anantara tem um gazebo sobre um lago repleto de flores de lótus. 

Ao entardecer tochas e velas iluminam o hotel todo. 

UM RESTAURANTE IMPERDÍVEL EM PHUKET

 Outro ponto alto nessa região é o restaurante super rústico, simples, barato e maravilhoso Kin Dee, da chef Ton Pinappa. Ela foi eleita como uma das melhores chefs do país. Merecidamente. Tudo no restaurante é delicioso. Esse vai ficar na minha lembrança como uma das boas experiências de Phuket. Ela costuma dar aulas de culinária para quem quiser aprender um pouquinho sobre a alquimia tailandesa por um preço ao redor de 200 reais por pessoa.

ASSIM FICOU O MEU QUADRO

Definitivamente, matei a curiosidade de conhecer Phuket. Passei três dias num lugar que eu diria "viu... está visto". Não pretendo voltar. Trouxe ótimas lembranças do hotel Anantara, um oásis onde fiquei no norte da ilha, longe da muvuca. Adorei o restaurante Kin Dee, a praia Laem Sing, os templos e os parques de elefantes. No mais, tive dificuldade de encontrar as praias paradisíacas que ouvi falar. Será que estou exigente demais pelo fato de ter Angra com suas 365 ilhas e Búzios com suas prainhas charmosas a apenas duas horas de carro da Cidade Maravilhosa? O fato é que essa não é a minha praia. Não gosto de lugares cheios. E além disso, prefiro o dia do que a noite. Vida noturna definitivamente não me enche os olhos, principalmente quando a marca é o turismo sexual. Se sua intenção for escolher um lugar para servir como base para a exploração das ilhas opte por Krabi. Mas, se seu forte é vida noturna e se você gosta de praias repletas de gente, essa pode ser "a sua praia".

Assim é Phuket.

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