30 junho 2015

DELFT, A CIDADE DAS PORCELANAS

Por Claudia Liechavicius

Conhecida no mundo todo pela produção de porcelana azul e branca, que infelizmente não consegui visitar porque era domingo e a fábrica  estava fechada, Delft parece uma mini Amsterdam com seus canais. Além disso, serviu como pano de fundo para o filme Moça com Brinco de Pérola que retrata a vida do pintor Johannes Vermeer, filho ilustre da cidade holandesa, e foi protagonizado por Scarlet Johanson.


Por do sol em Delft. 

Delft tem menos de 100 mil habitantes. É pequenina, romântica, alegre, simpática e muito antiga. Nasceu no século XI e prosperou graças  à indústria têxtil e às cervejarias. Tudo ia bem até que sofreu com um grande incêndio e quase foi varrida do mapa no século XVII. Foi reconstruída e ainda hoje o centro histórico mantém os ares de outrora.

Centro de Delft com muitas lojas e restaurantes. 

Queijo não pode faltar, afinal estamos falando da Holanda. 

As lojas de porcelana são famosas em Delft. 

A vida pulsa ao redor da antiga praça Markt que tem de um lado a Prefeitura e do outro a Nieuwe Kerk. Essa igreja é muito interessante pois foi construída, ampliada e reformada ao longo de oito séculos por isso vários estilos convivem em harmonia. Nela estão sepultados membros da família real holandesa. Já, a Prefeitura foi projetada por Hendrick de Keyser em estilo renascentista, mas foi construída ao redor de uma torre gótica do século XIII. Essa mistura de estilos arquitetônicos é o que torna a cidade tão atraente.

Markt, o ponto de encontro de Delft.

De um lado da Markt fica a Prefeitura

E do outro lado da praça fica a Nieuwe Kerk. 

A igreja é alta e sua torre pode ser vista de diversos pontos da cidade.

Visite ainda a Oude Kerk, a Igreja Antiga onde estão sepultadas figuras importantes como o inventor do microscópio, Antonie van Leeuwenhoek; o antigo açougue Koornbeurs decorado com cabeças de animais; e os museus Stedelijk Museum Het Prinsehof, antigo convento que foi palco da história da cidade e Vermeer Centrum Delft que guarda as obras do artista.


Já deu para perceber que vale a pena fazer um pit stop de algumas horas em Delft. A cidade dista apenas 62 quilômetros de Amsterdam e merece uma visita.

Delft.

25 junho 2015

HAARLEM NUM BATE-E-VOLTA

Por Claudia Liechavicius

Às margens do rio Spaarne, Haarlem é a charmosa capital financeira da Holanda do Norte. Não é grande, apesar ter sido uma poderosa província no passado. É a oitava maior cidade do país e ótima para um bate-e-volta a partir de Amsterdam, pois fica a apenas 20 quilômetros.

Pelas vielas de Haarlem.

No século XIII, a cidade era um grande centro de produção de roupas e contava com doze portas de entrada. Elas serviam para controlar o transporte das mercadorias. No entanto, no século XVI foi saqueada pelos espanhóis e incendiada. Muita coisa foi destruída. Apenas algumas dessas entradas continuam intactas. À oeste está a Amsterdamse Poort, de 1355. Parece um castelinho. Linda.

Porta oeste da cidade de Haarlem, Amsterdamse Poort

O principal atrativo de Haarlem é o centro histórico repleto de ruas adoráveis que partem da Grote Markt, a praça que serve como ponto de encontro dos moradores da cidade e dos turistas. Na Grote Markt fica a Câmara Municipal, o Vleeshal (antigo mercado de carnes que hoje é o Museu Frans Hals), o Hoofdwacht (guarita do século XVII), a Grote Kerk (catedral) e muitos restaurantes.

Grote Markt e ao fundo, à esquerda, está a Câmara Municipal com uma estátua que simboliza a Justiça segurando uma espada e uma balança, em um nicho no terceiro andar

 Grote Markt e a Estátua de Laurens Coster que segundo dizem em Haarlem foi o criador da impressão, alguns anos antes de Gutenberg. Será? Fica a dúvida...

A casa laranja é o antigo mercado de carnes Vleeshal que hoje é um museu de arte moderna.

 Na Grote Markt também fica a enorme igreja de Sint Bravo conhecida como Grote Kerk. A entrada da catedral é pela lateral, por dentro de uma loja. Diferente e interessante. Antigamente, onde tem essa loja havia várias casinhas singelas que eram alugadas para sustentar a igreja. Ao entrar na nave principal o que salta aos olhos primeiro é o teto de madeira trabalhado que se junta ao belíssimo órgão de tubos decorados em tons de vermelho, prata e dourado. Mozart deu um recital usando esse instrumento, em 1766.

Grote Kerk e seu famoso órgão.

Andando alguns quarteirões a partir da praça é possível visitar o Moinho de Adriaan às margens do rio. Esse moinho de vento foi construído em 1778 para produzir cimento, tinta e tabaco. Por muitas décadas foi um dos moinhos mais importantes da Holanda. No entanto, seu destino foi trágico e ele sofreu um incêndio em 1932. Setenta anos mais tarde ele foi reconstruído e atualmente pode ser visitado. É muito fotogênico.

Moinho De Adriaan. 

Outra característica marcante do passado da cidade eram os asilos para idosos, pobres e doentes chamados de hofjes. Eles surgiram no século XVI e eram cuidados pelos comerciantes mais ricos. Um deles foi transformado no Museu Histórico do Haarlem, em 1995 e fica no pátio em frente ao Museu Frans Hals.

Outro museu que vale a pena visitar é o Museu Teylers dedicado a arte, ciência e tecnologia. Ele foi o primeiro museu público da Holanda, fundado em 1778.

Haarlem certamente vai agradar os apreciadores de cerveja. A cidade tem muitas cervejarias, mas uma das mais famosas é a Jopen que existe desde 1407.

E para acompanhar a cerveja vá de queijo holandês (se é que queijo combina com cerveja, mas vamos apostar que sim, especialmente na Holanda). A produção de queijo no país é uma tradição e nas lojas de queijo de Haarlem o cheiro atiça a fome a cada esquina. 

 Não deixe de provar os queijos holandeses

Haarlem é uma graça de cidade e fica pertinho de Amsterdam. De carro ou de trem chega-se em menos de trinta minutos. Pense com carinho nesse bate-e-volta.

Haarlem.

13 junho 2015

OS MOINHOS DE ZAANSE SCHANS

Por Claudia Liechavicius

Impossível pensar na Holanda e deixar de fora seus moinhos de vento. Eles são uma das marcas registradas do país e fazem parte da paisagem desde o século XI.

Os moinhos eram usados com diversos fins como moer milho, serrar madeira e extrair óleo. Mas sua principal função desde os primórdios é a retirada do excesso de água das regiões pantanosas para torná-las habitáveis e produtivas.

Há 3 mil anos as casas holandesas eram construídas em terrenos altos para não inundarem quando a água subisse. Mais tarde, entre os séculos IV ao VIII, as coisas começaram a evoluir e diques passaram a ser cavados ao redor das casas e das plantações como forma de proteção. Então, no século XI, com o grande crescimento da população, os moinhos de vento começaram a ser utilizados para que as pessoas conseguissem um melhor aproveitamento das terras tendo controle sobre o nível da água.

Moinhos de Zaanse Schans.

Para se ver moinhos ainda em funcionamento como antigamente, um lugar interessante é Zaanse Schans, o centro turístico que reproduz a vida de um típico vilarejo holandês do século XIX. São 6 moinhos, muitas casas de madeira verdes e marrons com lojas que fabricam produtos típicos como tamancos de madeira e queijos, além de um museu que conta sobre a montagem do local, restaurantes, cafés e até um hotel. É tudo conectado por pequenas pontes sobre canais. 

As simpáticas casas de madeira de Zaanse Schans, na região de Zaan.

Moinhos, casas, ovelhas, pontes e canais para mostrar como era a vida no século XIX.

Na verdade, as casas e moinhos que agora formam o complexo foram trazidos de outros locais e agrupadas às margens do rio Zaan, mas são originais. É um dos pontos turísticos mais visitados da Holanda. Muita gente torce o nariz para esse tipo de "museu recriado a céu aberto". No entanto, isso não tira o seu charme. O lugar é extremamente simpático e fotogênico. Num dia ensolarado então, nem se fala. É realmente uma volta no tempo.

As cores de Zaanse Schans. 

Cafés, restaurantes e lojas compõe o cenário de Zaanse Schans. 

Quer saber se vale a pena visitar? Vale sim. Em primeiro lugar porque é bem pertinho de Amsterdam. Dá para ir de carro, de ônibus ou trem em pouco mais de meia hora. E, em segundo lugar porque foi montado respeitando exatamente os padrões da época, com a preocupação de manter a história viva sob supervisão do arquiteto Jaap Schipper. 

Moinho de Especiarias, em Zaanse Schans.

Moinho de Tintas e Moinho Serraria.

Quando venta, os 6 moinhos começam a girar. É lindo. Tudo o que eles produzem é vendido ali mesmo: azeite, tinta, mostarda...  Zaanse Schans não é um lugar estático. É vivo. Tudo funciona como no passado: a farmácia, a padaria, a destilaria, a fábrica de chocolates, a fábrica de queijos, a de tamancos e os moinhos. A entrada no complexo é gratuita, paga-se apenas para entrar em alguns locais.

Visitar Zaanse Schans é programa para um dia inteiro. Dá para ir de manhã, caminhar pelo vilarejo, conhecer os moinhos, entrar nas casas museus, ver a fabricação de queijos e chocolates, sentar para tomar um café com stroopwafel, visitar o Zaans Museu. Depois, saia para almoçar em Zaan. Basta atravessar a ponte andando ou de carro e escolher um restaurante por ali.

 Há muitos restaurantes gostosos do outro lado do rio Zaan basta atravessar pela ponte ou de barco.

Moinho de vento, Zaan.

E, se ainda sobrar tempo aproveite para conhecer os arredores. Tem cidades muito bonitinhas na região. 

Zaadam.

COMO CHEGAR

A distância de Amsterdam à Zaanse Schans é de apenas 22 quilômetros. É pertinho. Dá para ir de trem partindo da Centraal Station e chegando na estação Koog-Zaandijk (20 minutos + 15 de caminhada). Os ônibus da linha 391 Connexion partem a toda hora da Centraal Station para Zaanse Schans e levam 40 minutos. Também dá para ir de carro em aproximadamente 20 minutos e essa opção dá mais liberdade de locomoção. Além disso, para os mais animados dá para ir de bicicleta em pouco mais de uma hora ou de barco. 

HOTEL

Para quem quiser ficar hospedado em Zaanse Schans tem a opção de um Bed & Breakfast bem simpático chamado Heerlijck Slaapen

Quer saber se eu gostei de Zaanse Schans? Amei. 
Mesmo sendo bem turístico. Vá sem medo. É pertinho de Amsterdam e muito simpático. 

29 maio 2015

BONDE, BARCO OU BICICLETA?

Por Claudia Liechavicius

Que Amsterdam é bastante ousada, liberal e erotizada não dá para negar. Quem comenta que está indo para lá sempre ouve alguma brincadeira relacionada a sexo ou drogas. Isso é inerente a cidade. Portanto, matar a curiosidade e dar uma circulada pelo Bairro da Luz Vermelha e pelos famosos cafés esfumaçados é parte do programa. No entanto, o grande barato da cidade são seus canais concêntricos repletos de barcos, as centenas de pontes, os museus, as ruelas abarrotadas de bicicletas e os bondes coloridos circulando pelos trilhos. Basta escolher o seu meio de transporte preferido para sair explorando a cidade que fica abaixo do nível do mar e é uma verdadeira obra de engenharia.

E então? Vai de bonde? 

Barco?

 Ou bicicleta?

HOLANDA NO MAPA

Embora a sede do governo da Holanda seja em Haia, sua capital é Amsterdam. Ela também é a maior cidade da Holanda, a mais visitada e a mais psicodélica. Tem personalidade forte, língua rude e uma população, digamos... pouco gentil. Os holandeses se vangloriam por sua cultura liberal e muitas vezes polêmica. O país é pioneiro em estabelecer uma política tolerante com o uso das drogas "leves", tratar a prostituição como outra profissão qualquer, reconhecer legalmente o casamento homossexual, autorizar a realização de eutanásia e liberar o aborto. Muitos vizinhos torcem o nariz para esse comportamento tão de vanguarda.

Quem mora em Amsterdam vive cercado de água por todos os lados.
A cidade está situada na junção dos rios Amstel e Ij em terrenos baixos protegidos por diques e é toda recortada por canais.


O centro de Amsterdam tem o formato de uma ferradura.
A maioria dos pontos turísticos está nos bairros Oude Zidje e Nieuwe Zidje.

O Bairro dos Museus, um pouco mais afastado e mais moderno, abriga os dois museus mais importantes da cidade: Van Gogh e Rijksmuseum.

E POR FALAR EM MUSEUS

São muitos museus em Amsterdã. Mais de 50. E, de todo tipo. Escolha os que têm o seu perfil para visitar.

Casa de Anne Frank. Essa brava menina foi uma das milhões de vítimas da perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra Mundial. Sua família morava na Alemanha de Hitler quando ele atormentou os judeus com sua política anti-semita. Para tentar sobreviver, eles se mudaram para a Holanda. Mas, os alemães invadiram o país e a família se manteve escondida no sótão do armazém de um sócio de seu pai por dois anos até serem denunciados e presos. Levados à um campo de concentração todos morreram pouco antes do fim da guerra, com exceção do pai que sobreviveu à Auschwwitz e morreu em 1980. Durante o tempo em que viveu na casa, Anne Frank escreveu um diário retratando seus pensamentos e a sensação de isolamento que assolava a família. Ela tinha o sonho de ser escritora. E, assim, aconteceu. Seu diário se transformou num livro publicado em diversas línguas.

O museu é imperdível. Se der para escolher um só por falta de tempo, o Museu Anne Frank será uma escolha acertada. A fila de entrada é sempre enorme, mas é possível comprar o ingresso com antecedência e entrar com hora marcada sem padecer na fila. Um detalhe: o museu não pode ser fotografado. O endereço é Prinsengracht 263. Telefone 020- 5567100. www.annefrank.org

A Casa de Anne Frank fica ao lado da Westerkerk. O som do sino da igreja era uma das poucas referências externas que a família tinha enquanto vivia em isolamento. E, é nessa igreja também que está o túmulo de Rembrandt.

Museu de Van Gogh. Fica num prédio moderno, da década de 70, baseado num projeto do arquiteto Gerrit Rietveld, do movimento De Stijl (movimento que produziu obras simples que se tornaram ícones da arte abstrata do século XX, como a Cadeira Vermelha e Azul, do próprio Gerrit Rietveld e Composição em Vermelho, Preto, Azul, Amarelo e Cinza, de Mondriaan e influenciaram a escola Bauhaus e o modernismo).

O museu abriga grande acervo do artista que viveu tão pouco e deixou uma obra espetacular. São mais de 200 quadros e 500 desenhos de diversas fases do artista, além das cartas que ele escrevia ao seu irmão mais novo, Theo, negociante de obras de arte em Paris. Van Gogh nasceu em 1853, só começou a pintar aos 27 anos e se suicidou aos 37 anos. Uma grande perda. Endereço: Paulus Potterstraat 7. Ingresso: 17 euros.

Os pontos altos do museu são: Auto-Retrato (acima), Vaso com Girassóis, O Quarto em Arles e Trigal com Corvos.


Rijksmuseum. É um marco na cidade. O enorme museu foi inaugurado em 1885 e abriga um acervo de arte holandesa inigualável. Sua fachada é gótica, feita em tijolos decorados e azulejos coloridos. As peças mais importantes do museu são Ronda Noturna (de Rembrandt), Enchente no Dia de Santa Isabel (de artista desconhecido) e A Criada da Cozinha (de Vermeer). Endereço: Stadhouderskade 42.

Para conhecer o Rijksmuseum é preciso bastante tempo.


Stedelijk Museum. Foi criado para abrigar a coleção particular de obras de arte de Sophia de Bruyn que foi doada à cidade. Mais tarde, outras obras de Picasso, Matisse, Mondriaan e Monet passaram a fazer parte do acervo.

Casa de Rembrandt. Ele viveu parte de sua vida nessa casa, onde fazia suas obras e também lecionava. Sua mulher morreu e deixou um filho, Titus, na companhia do pai. Era no térreo que ele vivia com a família. O estúdio ficava no primeiro andar e as aulas eram dadas no sótão. A casa abriga um grande acervo de gravuras e desenhos do artista. Endereço: Jodenbreestraat 4.

Museu Judaico. É um complexo formado por 4 sinagogas construídas pelos judeus entre os séculos XVII e XVIII. Durante a Segunda Guerra elas foram esvaziadas voltando a funcionar em 1987 como museu. Elas são interligadas por passagens internas. Endereço: Jonas Daniel Meijerplein 2-4.


Museu da Maconha. Documenta a história da maconha desde as primeiras civilizações asiáticas que usavam a planta medicinalmente e no seu vestuário há mais de 8 mil anos. Também mostra como a fibra da maconha já foi usada para fabricar cordas para a indústria naval e como remédio para dor de ouvido. Além disso, é claro que não pode faltar o acervo das propriedades alucinógenas do produto. Fica na Oudezijds Achterburgwal 148.

Museu do Sexo. Não podia faltar essa pérola em Amsterdã. É um lugar surreal. Não dá para descrever. Além do Museu do Sexo, nessa linha também tem o Museu Erótico. Isso é Amsterdam.


BAIRRO DA LUZ VERMELHA


Muitos curiosos transitam espantados ao longo do canal Singel espiando as mulheres quase nuas que se exibem para os clientes. Elas são de todo tipo: morenas, loiras, ruivas, altas, baixas, gordas, magras, jovens, maduras... E, não gostam de ser fotografadas. Elas se escondem.

As janelas com cortinas costumam ficar abertas quando as moças estão disponíveis...

... e fechadas quando estão trabalhando.

O Red Light District ou Bairro da Luz Vermelha existe desde o século XIII quando os marinheiros chegavam ao porto ávidos por companhia feminina. A prostituição ali cresceu e se instalou com tanta força que depois de várias tentativas frustradas de eliminar as moças do local, o ofício acabou sendo tolerado e por fim legalizado.

Atualmente, a região é ponto turístico de Amsterdam. Muitos visitantes circulam pelo labirinto de ruelas cheias de sex shops, cafés, shows de sexo explícito, restaurantes e vitrines de prostitutas. O lugar até parece festivo de tanta gente. Eu diria que é uma experiência antropológica.


O Teatro Casa Rosso funciona non stop desde 11 horas da manhã até a madrugada com shows eróticos. O valor do ingresso é 40 euros sem bebidas e 50 com 2 drinks. As mulheres ganham um pirulito bem autêntico na entrada. www.casarosso.nl

OS SMOKING COFFEESHOPS 

Definitivamente, esses não são aqueles inocentes cafés nos quais costumamos entrar durante uma viagem para descansar um pouco e recarregar as baterias para depois seguir caminhando. Longe disso. De inocentes não têm nada. Nem mesmo é permitida a entrada de menores. Os smoking coffeeshops são os famosos bares onde a maconha é vendida e fumada livremente. Uma bandeirinha verde na porta sinaliza que ali a erva está liberada para ser consumida com moderação. E não só maconha. O cardápio é enorme e também inclui haxixe e outras drogas, na forma de bolinhos e biscoitos. A quantidade de matéria-prima com que foi confeccionada a guloseima é sempre uma incógnita. Portanto, cuidado para não se empolgar e passar da medida.


Os smoking coffeeshops costumam ter som alto, iluminação colorida e fachada extravagante. O Bulldog (Leidseplein 13) e o Grasshoper (Oudebrugsteeg 16) são bastante conhecidos.


Como souvenier pirulitos e balas de maconha e haxixe são vendidos em algumas lojas de Amsterdam.


Além desse tipo de coffee shops também têm os brown cafés, assim chamados por causa das paredes escuras de tanta nicotina. Argh! Ali as pessoas se reúnem para tomar cerveja, gim holandês (jenever) ou fazer uma simples refeição.




UMA CIDADE DE DUPLA PERSONALIDADE




Amsterdam é uma belíssima cidade planejada que convive em harmonia com um mundo marginal. É essa mistura do lado A com um sombrio lado B que a torna tão interessante aos olhos de quem passa. Foi sua história quem deu as tintas e pintou esse perfil inusitado. A cidade surgiu como uma aldeia de pescadores em 1200 e rapidamente cresceu como porto comercial importante. Era uma época onde havia muitos conflitos nos países vizinhos e ela logo desenvolveu um conceito de neutralidade e liberdade de expressão.



O século XVII foi a chamada "Idade de Ouro de Amsterdam". Mais três grandes anéis de canais foram construídos com belas casas. E a cidade foi de vento em popa até o século XVIII quando Luis Napoleão, com um péssimo governo, travou seu progresso e industrialização.


Durante a Primeira Guerra o país conseguiu se manter neutro. Tentou ter a mesma postura na Segunda Guerra, mas os alemães atacaram o país e o maltrataram. Depois disso, Amsterdam passou por vários problemas sociais e sua tradicional tolerância atraiu refugiados hippies e o tráfico de drogas. Nos anos 80 essas famílias foram retiradas da cidade e o crescimento voltou. 


Amsterdam é uma cidade tranquila que equilibra bem os lados A e B.

PERCORRA A CIDADE SEM PRESSA

E para explorar o melhor da cidade, que são suas ruas, pontes, praças e casas charmosas ao longo do anel de canais, nada como alugar uma bicicleta e sair pedalando. Mas, tome cuidado com a velocidade com que as pessoas circulam em suas bikes. Se preferir, caminhe!

Frontões e cornijas. Amsterdã é considerada uma cidade de arquitetura discreta. O charme de seus prédios está nos frontões (enfeites em cima da porta principal) e cornijas (molduras decorativas dos telhados). Como a cidade foi construída em terreno instável, as construções tinham que ser baixas para ter menos peso, feitas em arenito ou tijolos leves e a individualidade das casas ficava por conta da criatividade dos proprietários.

Cada casa tem seu estilo próprio embora todas se pareçam.

Pontes e canais. Os três principais canais da cidade são Prinsengracht (Canal da Princesa), Herengracht (Canal do Senhor) e Keizersgracht (Canal do Imperador). A terminação "gracht" se refere à canal. No total, a cidade é formada por 90 ilhotas, separadas por 100 quilômetros de canais que são conectados por 400 pontes. As casas ao longo do Canal da Princesa foram quase todas construídas na "Idade de Ouro de Amsterdã" e vale a pena prestar atenção a igreja Noorderkerk, ao mercado Noordermarkt, a Casa de Anne Frank (da qual já falei acima) e a Westkerk.

Passeios de barco também são uma boa alternativa para percorrer os canais, especialmente nos dias mais quentes.


Praças. As praças Dam, Leidsplein e Rembrandtplein não podem ser deixadas de lado. A Dam é a parte mais antiga da cidade. Foi onde os pescadores se fixaram inicialmente. Ali vale a pena conhecer o Palácio Real, o Monumento Nacional (erguido em memória aos heróis da Segunda Guerra), a loja de departamentos De Bijenkor e o shopping Magna Plaza (pela arquitetura, não pelas compras). A Leidsplein tem vida noturna animada em seus tantos bares, cafés e restaurantes. No inverno a praça ganha uma pista de patinação no gelo. A Rembrandtplein é outro ponto magnético de Amsterdam com bares e pubs. No centro da praça tem uma área perfeita para descansar das pedaladas ou caminhadas.


Rembrandtplein.

Palácio Real na Praça Dom.

TRAZENDO UMA LEMBRANÇA NA MALA 


Ao pensar na Holanda o que vem logo à cabeça são: moinhos de vento, casinhas coloridas, tamancos de madeiras, tulipas de todas as cores, queijo Gouda e bicicletas.

Engana-se quem pensa em Amsterdam não tem um moinho de vento. Tem sim!

E os queijos? Hummmm.

Os tamancos de madeira são vistos por todo lado.

Os tamancos da foto acima foram clicados na Nieuwendijk Kalverstraat que começa na estação ferroviária central. A rua é cheia de lojinhas de roupas e souveniers.

Pertinho dali fica "The Nine Streets" que se estende desde Singel até Prinsengracht com lojas mais alternativas e brechós.

Para fazer compras ao estilo Rodeo Drive é preciso ir a PC Hooftstraat, quase na região dos museus.


Uma grande loja de departamentos (quase uma Harrod's) é a De Bijenkorf, na praça Dam.


Um shopping interessante é o Magna Plaza em estilo gótico, quase na praça Dam. Nem precisa fazer compras no Magna Plaza, pois ele é tão bonito que basta apreciar sua arquitetura.

AS GULOSEIMAS HOLANDESAS

Para ser bem sincera, eu diria que a culinária local não tem nada de especial. Simplesmente, come-se bem.

Pelas ruas, duas guloseimas engorduradas chamam a atenção: croquetes de parede e cones de batata frita.

Os croquetes de parede são salgadinhos vendidos em lanchonetes e feitos em vários sabores. De curiosidade vale experimentar. Eles custam 1 euro. São baratos e bem grandes. Você coloca a moeda na máquina e abre a portinha referente ao sabor que tiver escolhido para pegar seu super croquete. Bem interessante.

O croquete de parede é um salgadinho tipicamente holandês.


A comida da Holanda é pesada, como na maioria dos países muito frios. Cones de papel repletos de batata frita quentinha precisam ser experimentados pelas ruas. Tem muitas calorias, mas em viagem vale passar da medida e esquecer desses detalhes um pouquinho.

Além das batatas e dos croquetes vale a pena provar o arenque, comer muito queijo Gouda acompanhada por uma cerveja Heineken.

A Heineken oferece um tour para quem quiser conhecer a história da cervejaria que mostra o processo de fabricação das cervejas, com direito à degustação. Diariamente, das 11:00 as 19:00 hs, na Stadhouderskade 78. www.heinekenexperience.com

RESTAURANTES

Num forte medieval do século XV, com iluminação feita por candelabros repletos de velas, o Restaurante-Café In de Waag conquista pelo clima romântico. Como ele fica praticamente a uma quadra do Bairro da Luz Vermelha, vale dar uma bisbilhotada na região e depois sentar para jantar. É bom fazer reserva, pois ele vive cheio. Fica na Nieuwmarkt, 4, telefone 422.7772. www.indewaag.nl


Foto noturna do Restaurante In de Waag.

Outro restaurante muito interessante é o D'Vijff Vlieghen. Numa casa do século XVII, de ambiente requintado, enfeitada com gravuras de Rembrandt nas paredes, o restaurante serve comida holandesa. Fica na Spuistrat, 294, telefone 530. 4060 - www.thefiveflies.com

INDICAÇÃO DE HOTEL


Intercontinental Amstel Amsterdam. Às margens do rio Amstel, o hotel que se tornou um ícone da cidade abriu suas portas em 1867. Foi o primeiro grande hotel de Amsterdã e se orgulha por ter recebido hóspedes ilustres, de nobres à artistas. Recentemente passou por uma grande obra e ficou fechado por dois anos para reforma. Os quartos são espaçosos, com decoração romântica e os banheiros cheios de mimo. O café da manhã é serviço num salão lindo, todo envidraçado, de frente para o rio. Fica um pouquinho distante do centro histórico - uns 15 minutos de caminhada. Gostei muito. Endereço: Professor Tulpplein 1. Telefone 31 20 6226060. www.amsterdam.intercontinental.com

Hotel Intercontinental Amstel Amsterdam, um dos mais tradicionais da cidade.


Os quartos são muito aconchegantes e o serviço impecável. 

Outro hotel super interessante é o Museum Suites. Ele tem apenas 4 suites bem espaçosas e cuidadosamente decoradas numa área tranquila, residencial e elegante. Fiquei na suite Van Gogh com uma varanda enorme voltada para uma área verde espetacular. Fica a dois quarteirões dos museus Van Gogh e Rijks. Não é um hotel tradicional. É uma casa do século XIX totalmente reformada para se tornar um hotel. O café da manhã é servido num salão lindo com hora marcada. Todos os hóspedes sentam à mesa juntos. O café é delicioso. Recomendo totalmente. 

BATE-VOLTA

Pertinho de Amsterdam, em 20 minutos de trem chega-se aos moinhos de Zaanse Schans.

Zaanse Schans.

A cidade de Delft se chega em uma hora.

Delft.

O parque de tulipas Keukenhof (www.keukenhof.nl) fica a uma hora de ônibus e só abre de meados de março a maio. É preciso consultar as datas em que estará aberto para acertar na mosca.

Tulipas nos arredores de Keukenhof.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES


Idioma: holandês, mas todo mundo fala inglês

Moeda: euro

Fuso horário: + 4 horas em relação a Brasília (mas, quando estamos com horário de verão a diferença de fuso é + 3 horas)

Gorjeta: de 10 a 15%, mas ninguém fica constrangido de não dar se o serviço for ruim.

I Amsterdam Card: é um cartão de 24 horas, 48 horas ou 72 horas que dá direito a transporte público ilimitado, estacionamento, descontos de 25% em restaurantes, passeio de barco pelos canais e entrada em quase todos os museus (com exceção de Anne Frank House).



E você? Já foi à Amsterdam? Conta pra gente sua opinião sobre a cidade.

Obs: Esse texto foi atualizado em maio/20155 na minha última viagem para Holanda. 
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