11 outubro 2014

RYOKAN? SIM OU NÃO?

Por Claudia Liechavicius

Viajar, por si só, já é uma experiência maravilhosa. Mas, quando a experiência de desbravar outra cultura inclui um contato mais íntimo com as tradições daquele povo fica ainda mais interessante. Nossa memória volta repleta de histórias que não saem jamais da lembrança. 

Pensando assim, resolvemos que a hospedagem em Kyoto (Japão) deveria ser num ryokan para que pudéssemos mergulhar de cabeça na cultura local.

Esses pequenos hotéis costumam funcionar em prédios antigos do período Edo. Eles têm decoração tradicional japonesa com bambu, madeira, biombos e tatames. São atendidos pelas mesmas famílias há anos e mantém vivos muitos hábitos peculiares dos japoneses, como banhos comunitários e tirar os sapatos ao entrar. Dizem que há mais de 50 mil ryokans no Japão, mas que apenas 1.500 deles recebem estrangeiros por terem uma estrutura em estilo mais privativo do que comunitário, especialmente no que se refere aos banheiros.

Cortinas de bambu e jardins impecáveis não podem faltar em um ryokan.

Optamos pelo Ryokan Hiiragiya primeiramente pela localização. Ele está no centro antigo de Kyoto desde 1818. A proposta do ryokan, que vem sendo administrado pela mesma família há algumas gerações, é criar um ambiente de paz e serenidade ao viajante, em pleno centro de Kyoto. Você pode optar por ficar na ala nova ou no prédio principal (antigo). O prédio principal antigo tem 21 quartos e a ala nova tem 7 quartos. Recomendo fortemente que fique na ala nova pois tem aspecto muito melhor e por incrível que pareça tem preços mais baixos. Só para dar uma ideia: uma diária de hospedagem no prédio antigo varia de 30 a 90 mil yens e na ala nova de 35 a 60 mil yens. É caro sim. Mais caro do que um hotel convencional. No entanto, inclui café da manhã e jantar Kaiseki (preparado com os ingredientes frescos da estação).

Refeição Kaiseki.

De modo geral, os hóspedes devem chegar no período da tarde, ao redor das 15 horas, para ter tempo de se acomodar, tomar um banho relaxante e se preparar para o jantar que é servido cedo. Eles comunicam isso na reserva.

Já na entrada dá para perceber algumas diferenças. Um recepcionista espera pelos hóspedes no saguão de entrada com um par de chinelos para cada um. Eles devem ser trocados pelo sapato sujo que vem da rua. O saguão costuma ser limpíssimo e está sempre molhado para receber quem chega, com boa energia. A seguir, a proprietária (chamada de okamisan) vem dar as boas vindas pessoalmente e uma funcionária conduz ao quarto, onde o chinelo deve ser novamente tirado e deixado do lado de fora. Outro detalhe interessante do chinelo: no local onde fica o vaso sanitário há outro chinelo para ser usado apenas lá dentro.

Os quartos tem o chão coberto por um tatame. Não tem cama durante o dia e sim uma pequena mesa com cadeiras sem pés onde fica sempre um serviço de chá com biscoitos e doces japoneses (wagashi). A cama só é montada à noite, em futons.  Se chegar cansado de tarde e quiser tirar aquele cochilo vai ficar só na vontade, pois não tem onde deitar. A cama fica desdobrada, guardada no armário e só é montada depois do jantar.

É interessante que os móveis são todos tão pequenos que a gente se sente na casa dos Sete Anões. Meu marido que é muito alto, sofreu. As pernas não cabiam embaixo da mesa e a cabeça batia em todas as portas.

Nosso quarto era equipado com TV, ar condicionado, telefone e um péssimo sinal de wifi. A velocidade absurda da internet de Tóquio não existe em Kyoto.

 Quarto da ala nova preparado para o dia.

Quarto da ala antiga durante o dia.

De noite, o que parecia uma sala se transforma num quarto.  

Numa caixa, num canto do quarto, costumam ficar os quimonos ou yukatas. É simpático usar o quimono enquanto estiver hospedado no ryokan. O traje sinaliza que a pessoa está num momento de lazer e descontração. A maneira correta de fechar o yukata é passando o lado esquerdo sobre o direito. Para os budistas, a amarração feita ao contrário, significa morte. Portanto, preste atenção e se preciso peça ajuda. Depois, amarre com a faixa.

Funcionárias do ryokan vestindo o yukata.

O banheiro de muitos ryokans costuma ser comunitário. No Hiiragiya é privativo. O vaso sanitário fica separado do local de banho. A banheira privativa chamada de rotenburo costuma estar sempre pronta e com água muito quente. Chega a ser difícil de entrar, tal a temperatura. Aos poucos o corpo acostuma e vai relaxando. Eles não usam sabonete ou shampoo na banheira, pois a água pode ser usada por outra pessoa. Ao lado da banheira costuma ter um chuveiro para que a pessoa se prepare e esteja limpa para entrar na banheira.

Banheira privativa da ala antiga do ryokan Hiiragiya.

Rotenburo da ala nova do hotel Hiiragyia.

Bancada da ala nova da sala de banho do Ryokan Hiiragiya.

As refeições podem ser servidas no quarto ou em salas reservadas. O café da manhã pode ser ocidental ou oriental. O oriental é quase um almoço. Já, o jantar Kaiseki costuma ser servido cedo, num ritual bem lento. Cada prato é apresentado pela funcionária, que muitas vezes fica observando para auxiliar na maneira de preparo e procedimento. O Kobe beef, carne ultra macia, de uma região próxima à Kyoto foi a iguaria mais marcante de Kyoto. 

À noite, fique atento pois na maioria dos ryokans há um horário em que as portas se fecham. Costuma ser ao redor das 23 horas. Para entrar depois disso é preciso combinar um horário para que a porta seja aberta ao hóspede.

A experiência foi fantástica apesar do preço alto. O único ponto contra é que o ritmo da viagem lentifica um pouco. As refeições oferecidas pelo hotel demoram e o jantar é servido cedo. O que recomendo é que a hospedagem em um ryokan seja apenas por uma noite. Muitas pessoas fazem isso. Depois, mude para um hotel ocidental. Assim, você terá mais elasticidade com o tempo e poderá experimentar outros restaurantes. 

Ryokan? Sim! Uma experiência fantástica.

Ryokan Hiiragiya
www.hiiragiya.co.jp
Kyoto - Japão

Leia também as matérias sobre KYOTO  e TÓQUIO.

02 outubro 2014

A VELHA KYOTO

Por Claudia Liechavicius

Caminhar por Kyoto significa circular por muitos séculos da história do Japão. Fundada no século I, a cidade foi a capital da corte imperial até ser substituída por Tóquio, em 1868. Além disso, também foi o centro da religião, dos samurais, das gueixas, da música, da dança e do teatro japonês. Por sorte, foi poupada dos bombardeios da Segunda Guerra Mundial.

Dizem que mantém intacto ao redor de 20% dos tesouros nacionais do Japão, incluindo mais de 1.700 templos budistas e 300 santuários xintoístas. Todos esses tesouros estão espalhados pelos arredores da cidade e com um olhar atento é possível mergulhar de cabeça no passado. Digo com um olhar atento porque Kyoto não é uma cidade de beleza aparente. Não é fácil de ser explorada. O centro da cidade, em si, não tem grandes encantos. Pra falar bem a verdade, não é uma cidade bonita. Os lugares interessantes ficam distantes uns dos outros e cada um deles engloba um contorno específico característico da herança feudal.

Dá para passar um fim de semana, um mês ou um ano explorando a grande quantidade de palácios, jardins zen, templos, santuários, parques e também cabe incluir aqui os restaurantes, já que a tradição da culinária local é fortíssima. De modo geral, as pessoas costumam ficar entre 3 e 5 dias em Kyoto. É preciso tomar taxi, metrô, trem, ônibus, caminhar bastante ou alugar carro para dar conta das distâncias. E, por outro lado, gente não falta. Todos os locais são sempre lotados de turistas. Afinal, o turismo é a grande base da economia de Kyoto. O legado é maravilhoso e realmente merece ser visto por muita gente. 


Templo de Kiyomizu sempre abarrotado de gente.

Em Kyoto optei por ficar hospedada em um ryokan para mergulhar na tradição japonesa. Fiquei as quatro noites no mesmo hotel dormindo em futons, tomando banho "onsen" (numa banheira de madeira), sendo servida por uma gueixa designada para me atender e isso prendeu um pouco o ritmo da viagem. O ryokan escolhido foi o Hiiragiya. Excelente, se a hospedagem for na ala nova. O ponto é bem central e fácil de circular a pé pelo centro antigo. Mas, como o hotel oferece café da manhã e jantar servidos com toda a tradição local, as refeições tomavam muito tempo e não tive a chance de experimentar muitos outros restaurantes. No próximo post vou falar sobre a experiência de um ryokan.

FICA A DICA: Minha sugestão é ficar hospedado em um ryokan apenas uma noite para ter essa vivência (foi o que vi várias pessoas fazendo por lá) e as demais noites em hotéis de cadeias ocidentais, uma vez que os ryokans são caríssimos e você não vai querer desperdiçar o que lhe é oferecido ali com tanta pompa e circunstância.

 Hiiragiya Riokan. Numa casa muito antiga e tradicional do centro antigo de Kyoto.

 Assim, os dias começavam cedo com o café da manhã sendo servido as 7 horas. Depois disso era hora de circular pelos templos. Dois ou três de manhã, pausa para o almoço e mais dois ou três de tarde. O horário da maioria deles é até as 16: 00 ou 17:00 horas. No final do dia, a ordem era circular um pouquinho pela cidade para depois jantar ou vice-versa.

É fácil pular de templo em templo, perder o foco dos principais, misturar tudo na cabeça e fazer uma confusão danada. Pois, são muitos. No entanto, alguns são imperdíveis e ficam guardados na memória para sempre. Por isso, é preciso fazer um roteiro cuidadoso estabelecendo prioridades para o tempo que se tem disponível.

PRINCIPAIS TEMPLOS E SANTUÁRIOS DE KYOTO

TEMPLO TENRYU-JI DE ARASHIYAMA E A FLORESTA DE BAMBU

Como a distância entre as principais atrações é grande, nem todo mundo tem a chance de conhecer essa região maravilhosa que é mais rural e aos pés de uma montanha. Eu tinha visto algumas fotos da Floresta de Bambu que circunda o templo de Tenryu-ji e fiquei curiosa para ver de perto. Um lugar que parecia mágico e misterioso pelas fotos. E, realmente, era isso tudo. Fiquei apaixonada pelo que vi. Caminhos estreitos se estendem entre o silêncio dos bambuzais que só é perturbado pelo vento.

Meninas sempre sorridentes vestindo seus quimonos circulam entre os bambus de Kyoto.

Floresta de Bambu.


 Cenas da Floresta de Bambu, Arashiyama, Kyoto.

No meio do bambuzal fica o templo Tenryu-ji, cujo nome significa "templo do dragão celestial", foi construído no século XIV sobre o local onde havia existido o primeiro templo zen japonês. O templo faz parte de um complexo formado por muitos pavilhões e casas de um vilarejo, sendo que a maior parte das construções foi destruída em incêndios e guerras. Hoje, é considerado o primeiro no ranking dos cinco maiores templos zen-budistas de Kyoto. Tem um dos jardins zen mais importantes da região. Ele foi construído no formato de um símbolo da escrita japonesa chamado de Kokoro que significa "coração iluminado". É considerado Patrimônio Cultural da Humanidade.

Templo Tenryu-ji e seus jardins impecáveis.

Interior do templo Tenryu-ji.

Em meio aos jardins repletos de bonsais, outro pavilhão do templo Tenryu-ji.

A rua que conduz ao templo é repleta de casas muito antigas chamadas de machiya - que eram as residências dos comerciantes nos tempos feudais. Hoje, suas fachadas são preservadas pela UNESCO e algumas foram transformadas em lojas e restaurantes. A rua é belíssima. Dá vontade de parar na frente de cada casa e ficar horas olhando atentamente os detalhes.

Rua de casas antigas que conduz ao templo Tenryu-ji, em Kyoto.

A maneira mais fácil de chegar é de trem. O templo fica à oeste do centro e se chega em meia hora. A estação é cercada de ruas simpáticas cheias de lojas com produtos muitas vezes indecifráveis, artesanato local e sorveterias especializadas em sabores estranhos como feijão e chá verde.

Muito comum encontrar meninas em trajes típicos circulando por Kyoto. 
Essa foto foi tirada na estação de trem de Arashiyama.

O templo fica aberto diariamente das 8:30 as 17:00 hs. O valor da entrada é de 500 yens + 100 para visitar o interior do templo. Não deixe de ir.

DICA PARA AGILIZAR OS DESLOCAMENTOS: No segundo dia contratei um motorista e consegui a proeza de visitar vários locais maravilhosos com o padrão da gentileza nipônica e ainda recebi explicações em inglês. Mas, o preço foi salgado: 300 dólares para 6 horas. Ainda assim, com o calor do verão japonês valeu muito a pena. Deu tempo até para almoçar num restaurante bem tradicional, o Tankit, com direito a culinária washoku (comida tipicamente japonesa feita com os ingredientes da estação). Nesse dia visitei seis locais belíssimos:
  • Santuário xintoísta Kitano Tenman-gu
  • Pavilhão Dourado do Templo de Kinkakuji 
  • Templo  Ryoanji e seus jardins
  • Templo de Ninna-ji
  • Templo Sanjusangen-do (impressionante)
  • Templo Kiyomizu-dera

SANTUÁRIO XINTOÍSTA KITANO-TENMANGU

Esse santuário não é muito turístico. Foi uma sugestão do motorista e eu diria que foi uma experiência fantástica, principalmente pelas explicações recebidas. O local é frequentado pela população local, especialmente por estudantes ávidos por conseguirem boas notas e aprovação nos exames escolares. O santuário cultua Tenjin-san, a divindade do aprendizado. Entre árvores enormes, é possível caminhar calmamente à sombra, numa paz e num silêncio espetaculares.

Santuário Kitano-Tenmangu.

Descobri ali que os japoneses têm um enfoque prático e politeísta sobre religião. Usam-na como instrumento para solicitar aos deuses que concedam sucesso nos negócios, aprovação nas provas escolares, felicidade nos relacionamentos, harmonia em família, recuperação de doenças e até mesmo proteção ao dirigir. Templos budistas e santuários xintoístas convivem lado a lado em total sintonia.

O xintoísmo é a religião mais antiga do Japão. O termo "shinto" significa caminho dos deuses. Tem como conceito central as divindades Kami que regem todas as coisas da natureza. Os Kamis podem ser deuses maiores ou menores e são adorados em milhares de jinjas (altares) que têm o tamanho de sua grandeza. Por isso, num mesmo santuário há altares de diversos tamanhos dedicados à diferentes divindades. Alguns são guardados por raposas, outros por vacas, por cachorros, por estátuas em forma de falo... 

Altares maiores demonstram a grandeza das divindades que representam. 

Repare nos barris de saquê usados como oferenda. 
O saquê representa a pureza por ser um líquido transparente e cristalino.

A área principal e central de um santuário se chama honden e ali somente é permitida a entrada do sacerdote. O local onde se pode orar é o haiden, ou seja, o salão de culto. Os fiéis ficam em pé em frente ao salão haiden puxam a corda de um sino para deixar os deuses em alerta, oferecem dinheiro em uma caixa, batem palmas duas vezes, se curvam, batem palmas outra vez e então fazem sua oração. É um ritual interessante de se observar.  

 Momento de oração no santuário Kitano-Tenmangu, Kyoto.

Para se reconhecer um santuário xintoísta basta encontrar um torii que é um portão que marca a entrada do recinto sagrado. Alguns são feitos em madeira natural, outros são pintados de vermelho, mas sempre tem dois varões no alto.


Torri demarcando a entrada de um templo xintoísta.

Essa visita poderia ter sido feita à qualquer outro santuário xintoísta de Kyoto. Afinal, são mais de 300 na cidade. O diferencial foi a vivência de circular por ali com uma pessoa que faz parte daquele contexto no dia-a-dia. Essa interação é o que faz a viagem valer a pena. Conhecer pessoas, mergulhar em mundos paralelos e absorver um pouquinho da cultura local é fascinante.

TEMPLO DE KINKAKU-JI

O templo zen budista Kinkaku-ji também conhecido como Pavilhão Dourado é um legado medieval inacreditável. Ele faz parte de um complexo de prédios chamado de Rokuon-ji construído pelo terceiro xogum do período Muromachi, Ashikaga Yoshimitsu. Ele abriu mão de seus deveres oficiais para se dedicar ao sacerdócio, aos 37 anos. (Xoguns eram comandantes do exército designados pelo imperador.) No entanto, ele não abriu não de seu poder e o Pavilhão Dourado passou a ser a ser sua moradia. O local, comprado por ele, antes era um simples vilarejo.

Pavilhão Dourado, do templo Kinkaku-ji, Kyoto.

Ao morrer, ele determinou que todo o complexo deveria se tornar parte do templo porque os jardins e prédios ocupavam o que chamava de "A Terra Pura de Buddha".

Desde 1994 é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade.

A foto com o reflexo do Pavilhão Dourado no lago é um dos cartões-postais de Kyoto.

Como era comum na época, o Pavilhão Dourado foi destruído por um incêndio em 1950 e por sorte refeito, pois sua beleza é estonteante. Cada um dos três andares foi construído num estilo diferente. O primeiro representa a aristocracia imperial do século XI e é branco, diferente dos demais até na cor. O segundo, em estilo bukke, reverencia a aristocracia militar (muito usado nos castelos dos samurais) e o terceiro é zen budista. As paredes do segundo e terceiro andares do templo são cobertas por placas folheadas à ouro. O brilho intenso chega a ofuscar os olhos e com a neblina constante do verão fica até difícil fotografar. Em cima, uma fênix de bronze guarda o templo sagrado.

A fênix de bronze é um dos motivos de tantos olhares ao Pavilhão Dourado.

O complexo é todo cercado por jardins muito bem cuidados e ainda conta com um lago, Kyoko-chi. O projeto paisagístico é muito harmonioso. No trajeto de saída, observe o pequeno templo Fudo Hall, a Cadeira do Samurai e a Casa de Chá Sekkatei.

A água é um dos elementos fundamentais num jardim zen budista.

Esse é um dos templos mais visitados de Kyoto. Vive abarrotado de turistas. O valor da entrada para adultos é de 400 yens. Vale a pena chegar cedo. Mas, é um pouco longe do centro. De carro leva pouco mais de 30 minutos. Metrô e ônibus também conduzem até o templo e levam em torno de 40 minutos.

TEMPLO RYOAN-JI 

A fama maior desse templo, construído em 1450 na casa de campo do clã Tokudaiji, é o jardim de pedras em estilo Karesansui. Muito peculiar. O chão é todo trabalhado em cascalho branco com o esmero que apenas os japoneses conseguem. Sobre ele há 15 pedras ornamentais organizadas em cinco contextos de 4, 3 ou 2 pedras cercadas por musgos. É uma marca registrada do zen-budismo.

Jardim de pedras zen-budista do templo Ryoan-ji.

O jardim em si é relativamente simples e bem pequeno. Mede 30 metros de comprimento por 10 de largura. Não tem árvores nem arbustos. Apenas cascalho, pedras e musgo. Muito se fala por lá sobre o significado da posição das pedras e seus mistérios. O que ouvi do motorista que se tornou "guia" ao acaso é que o jardim tem 15 pedras arrumadas de modo que só 14 delas possam ser vistas a partir de qualquer ângulo em que se olhe. Reza a lenda que somente aqueles que já atingiram a iluminação espiritual são capazes de ver a última pedra, com o terceiro olho. Isso faz parte da filosofia zen. Muita gente fica ali sentada no chão em volta do jardim meditando, buscando a iluminação e contemplando os mistérios divinos.

Difícil é conseguir um lugar para sentar no jardim do templo Ryoan-ji.

O jardim de pedras é pequeno, mas é a grande estrela apesar de haver outro jardim enorme, ao redor do Lago Kyoyochi repleto de patinhos mandarins, toriis, pontes e cachoeiras. Desde 1994, o templo Ryoan-ji é considerado Patrimônio Cultural da Humanidade.

Pelas trilhas ao redor do Lago Kyoyochi, Kyoto.


TEMPLO NINNA-JI

Esse não é definitivamente um dos lugares mais visitados de Kyoto. Seu charme está exatamente aí. É discreto apesar de já ter sido um grandioso complexo formado por mais de 60 templos, muitos dos quais foram destruídos em incêndios. Guarda memórias preciosas da seita Shingon que é uma das maiores escolas budistas japonesas, descendente do budismo tibetano. 

Portão principal do templo Ninna-ji.

O templo de Ninna-ji foi construído pelo imperador Uda, em 888, inicialmente com a função de ser o palácio residencial. Mais tarde passou a abrigar uma importante escola budista. Hoje é protegido pela UNESCO e considerado Patrimônio Cultural da Humanidade. 

O complexo ocupa uma área muito vasta que para ser totalmente percorrida precisa de mais de uma hora. Eu me detive apenas na ala central onde estão o Salão Principal, o pagode de cinco andares, um dos portões de entrada, um jardim do período Edo, alguns pequenos templos e muitas estátuas budistas. Se tiver com bastante tempo para explorar Kyoto vale incluir no programa. Caso a viagem seja corrida há outros locais mais interessantes.

 Pagode do templo Ninna-ji.


Pequeno templo do complexo de Ninna-ji.

 Salão Principal da Escola Omuro de Budismo Shingon. 

Uma das estátuas budistas que podem ser vistas nos jardins do templo Ninna-ji.

TEMPLO SANJUSANGEN-DO

Se eu tivesse que eleger o templo que mais me impressionou em Kyoto, certamente escolheria o Sanjusangen-do. Fiquei hipnotizada ao entrar no templo e me deparar com o imenso salão central repleto de imagens praticamente idênticas de Kannon, milimetricamente alinhadas. Não conseguia andar. Fiquei perplexa. Parada. Olhando deslumbrada. É realmente impressionante. Pena que não possa ser fotografado. Então, usei duas fotos da internet para ilustrar. Mas, nada se compara à sensação de estar ali presente. É um daqueles lugares mágicos de onde você não tem vontade de ir embora tal a energia. Dizem que ele tem efeito quase-alucinante nos visitantes. Concordo plenamente.

Templo Sanjusangen-do. 
Foto de Michel Michán.

 Templo de Sanjusangen-do
www.burgessbroadcast.org/japan/sanjusangendo.htm

Kannon é a deusa da misericórdia, da compaixão, da piedade. Ela ouve os lamentos de todos os seres e é venerada em vários países da Ásia. Ela está para a Oriente assim como Maria está para o Ocidente. A imagem central e principal foi talhada em 1254, por um artista chamado Tankei, aos 82 anos. A riqueza de detalhes impressiona. Sobre a cabeça da deusa há outras dez cabeças e inclusive uma miniatura de Buddah. A partir dessa imagem central há outras 1.000 ocupando o vasto salão. Enormes, todas iguais esculpidas em cipreste japonês. Porém, foram feitas por artistas diferentes e cada uma delas têm sua individualidade. É de arrepiar. Além das 1001 estátuas de Kannon há outras 28 imagens alinhadas na frente delas como guardiãs.

Por outro lado, o salão que abriga as 1001 estátuas de Kannon, é a estrutura mais longa do mundo e foi construído em 1164. Tem 120 metros e 33 espaços entre as colunas de sustentação. O nome do templo vem daí. Sanjusangen-do significa "hall com 33 espaços entre colunas".

O valor do ingresso é 600 yens. Absolutamente imperdível.

Jardim do Templo Sanjusangen-do.

TEMPLO KIYOMIZU-DERA

Esse imponente templo budista é o segundo mais antigo de Kyoto. Ele recebe peregrinos de várias seitas que vem oferecer suas orações à deusa Kannon há mais de mil anos.

Antigamente, os peregrinos faziam um estranho e macabro ritual. Eles se jogavam da varanda principal do templo ao fazer uma promessa. Aqueles que sobrevivessem à queda teriam seus pedidos realizados. Bem estranho. Hoje, claro que isso não é mais permitido.

O templo recebe diariamente uma grande legião de visitantes. É um dos mais lotados de Kyoto. Ele faz parte dos Monumentos Históricos da Antiga Kyoto e é protegido pela UNESCO. Além disso, em 2007, foi votado pelos japoneses para concorrer como uma das Novas Maravilhas do Mundo Moderno. Foi selecionado entre os 21 finalistas, mas não ficou entre os sete locais escolhidos.

Sua localização é privilegiada à beira de uma encosta e próxima de uma queda d'água. Seu nome vem daí. Kiyomizu significa "água pura". O visual que se tem lá de cima é lindo com a cidade como pano de fundo.

Muitos peregrinos visitam o Templo Kiyomizu-dera todos os dias

O Salão Principal é todo de marcenaria japonesa feito em madeira encaixada sem pregos. A estrutura está apoiada sobre 139 pilares e 90 vigas de 13 metros de altura, num despenhadeiro debruçado sobre um jardim. De frente para o Salão Principal tem um pagode vermelho de três andares muito fotogênico.


O salão principal de Kiyomizu-dera é o maior destaque do complexo. 

Pagode de Kiyomizu-dera.

Um pequenino templo chamado de Jishu é outra atração importante no complexo. Ele é dedicado ao deus do amor, Okuninushi. 

O valor do ingresso é 300 yens e o templo fica aberto até as 18:00 horas.

PALÁCIO IMPERIAL DE KYOTO

 Como Kyoto foi a capital do Japão por muito tempo era de se esperar que houvesse um belo Palácio Imperial na cidade. E tem. Bem no centro, numa área verde enorme. O Parque Imperial é imponente, cheio de pinheiros e com jardins bem cuidados. No entanto, visitar o palácio em si é quase como visitar a ala destinada ao Japão, na Universal Studios. O palácio foi totalmente refeito após ter sofrido sucessivos incêndios. Quase nada sobrou das construções originais. Tudo é novinho, recém pintado e sem uso. Nada acontece por ali além de visitas guiadas. É preciso agendar a visita antecipadamente e entrar na companhia de um guia. A visita é lenta e chata. Leva-se mais de duas horas de um tempo precioso que poderia ser gasto com lugares mais interessantes. Vou ser bem sincera foi o que menos gostei na cidade.

A visita começa pelo portão Okurumayose por onde entravam as pessoas convidadas ao palácio. Depois, vem o prédio chamado de Shodaibunoma onde havia três quartos para hospedar alguns convidados oficiais. A seguir, vem o prédio mais importante do complexo, Shishinden, que era usado para as cerimônias mais importantes, como as de coroação. Esse prédio é o principal símbolo do Palácio Imperial de Kyoto.

Okurumayose, um dos portões de entrada do Palácio Imperial de Kyoto.

 Shishinden, prédio dedicado às coroações imperiais de Kyoto.

Mais à frente está a residência do imperador, Seiryoden. Mas, é uma pena que nada possa ser visitado por dentro. Dá para ver o quarto de longe, a partir do jardim.

Aposento do imperador, Seiryoden

Um dos locais mais interessantes do complexo é o Kogosho. O prédio era usado para conferências, eventos importantes e para receber os shoguns. É cercado por por um belo jardim, Oikeniwa Garden. Ao lado, fica o prédio destinado aos estudos, Ogakumonjo.

Kogosho, prédio usado para conferências no Palácio Imperial de Kyoto

 O jardim Oikeniwa é um dos locais mais bonitos do Palácio Imperial de Kyoto.

Além do Seiryoden, outro prédio usado para as atividades diárias do imperador era o Otsunegoten. Essa é a maior construção do complexo, com 15 quartos. Foi usado até a transferência da capital para Tóquio, em 1869. 

Otsunegoten, prédio dedicado as atividades diárias do imperador.

O que valeu da visita guiada foram as explicações detalhadas sobre a história de Kyoto. Mas, os grupos são grandes, com quase 40 pessoas e a visita de uma hora é lenta e cansativa. Para quem gosta de visitas em grupo é perfeito. Não é meu caso.

É preciso agendar um horário antecipadamente e é necessário levar o passaporte para retirar os ingressos. As visitas são agendadas para as 10 ou 14 horas gratuitamente.

TEMPLO GINKAKUJI

Esse templo zen-budista, construído em 1482, também é conhecido como "Pavilhão de Prata". Ele é considerado um marco para a cultura japonesa, pois ali iniciaram as bases do que se considera o estilo de vida moderno dos japoneses. Simboliza o renascimento artístico, o ápice do refinamento da pintura à tinta, do teatro nô, da cerimônia do chá e da arte dos arranjos de flores.

 Mapa do Templo de Ginkaku-ji, Kyoto. 

O Templo de Ginkaku-ji ou Pavilhão de Prata foi construído para servir como local de retiro do xogum Yoshimasa. A intenção era que seguisse o padrão de arquitetura do Templo Kinkaku-ji ou Pavilhão de Ouro em homenagem ao seu avô e que tivesse as paredes cobertas por placas de prata. 

Pavilhão de Prata

A questão interessante é que o Kinkaku-ji é realmente coberto por placas de ouro, mas o Ginkaku-ji não teve tempo de ser coberto de prata. A Guerra de Onin acabou com o sonho do shogum de seguir os passos do avô. Então, o que se vê é um belo templo de cores escuras que tem cada andar em um estilo diferente e no topo a proteção fica por conta de uma fênix de bronze dedicada à Kannon.

E, se a sonhada cobertura de prata nunca se concretizou pelo menos ficou o nome "Templo de Prata" que algumas pessoas dizem se referir atualmente mais ao jardim do que ao templo propriamente dito.

O jardim além de ter plantas cuidadas com a perfeição japonesa tem uma parte de areia acinzentada, chamada de Ginshadan, que é um dos pontos altos do templo. Não tem um grão de areia fora do lugar. As curvas e ondulações são milimetricamente trabalhadas. De cada ângulo que se observe o jardim, diferentes desenhos se formam. Bem em frente ao Templo de Prata, um morro de areia chama atenção. É uma representação do Monte Fuji. 

Ginshadan, jardim de areia do Templo de Prata.

Ginkaku-ji fica numa área montanhosa ao norte de Kyoto, é cercado por uma área verde linda, sossegada, cheia de paz e marca o início de uma trilha chamada de "Caminho dos Filósofos". O percurso se estende por dois quilômetros ao longo de um canal repleto de cerejeiras e plátanos. Pelo caminho há várias lojas de artesanato, cafés e restaurantes.

Floresta ao redor de Ginkaku-ji

SANTUÁRIO FUSHIMI INARI

Mesmo sendo relativamente longe do centro de Kyoto, esse santuário xintoísta merece uma visita, pois é um dos principais cartões-postais de Kyoto.

Corredor de toris do Santuário Fushimi

Milhares de toris vermelhos perfeitamente alinhados são dedicados a Inari, divindade do arroz e do saquê e já serviram de pano de fundo para o filme Mémórias de uma Gueixa.

Muitas meninas vestidas de quimonos circulam por Fushimi.

Os santuários Inari são guardados por raposas e protegem os comerciantes. Cada um dos toris ali existentes foi doado por um comerciante da região. São quase dois quilômetros de corredores que sobem pela encosta do morro. Para percorrer todos os corredores é preciso dispor de tempo. Pelo menos duas horas de subidas e descidas, sem contar com as paradas para as fotos que são muitas tal a magia do santuário. 

Entrada do Santuário Fushimi.

Dizem que o santuário, ao sul de Kyoto, teve sua construção iniciada no século VIII, mas muitas das edificações que hoje se encontram no complexo são mais modernas, dos séculos XVI e XVII. 

Muita gente circula diariamente por ali pedindo por prosperidade nos negócios. Há uma enorme quantidade de talismãs e tábuas votivas repletas de orações penduradas nos santuários, chamadas de omamori.

 Talismãs para pedir prosperidade no Santuário Fushimi.

Esse é outro daqueles lugares de onde você não quer ir embora. Tem uma energia fantástica. Dá vontade de ficar horas subindo e descendo entre os toriis e fotografando sem parar. Encantador. 

Apesar de não ser no centro de Kyoto dá para chegar em menos de meia hora indo no trem JR Nara que sai da Estação Central. 


Fushimi é imperdível!

 SANTUÁRIO SHIMOGAMO-JINJA

Eis aqui um cantinho mágico de Kyoto onde a paz invade a alma. O Santuário Shimogamo-jinja existe desde o século VI, antes de Kyoto se tornar a capital do Japão. É um dos santuários mais antigos da cidade e está catalogado entre os 17 Monumentos Históricos da Antiga Kyoto. Foi designado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. É dedicado à divindade do trovão e protege a cidade.
 
Toriis sinalizam as entradas do Santuário Shimogamo-jinja.

O santuário fica ao norte de Kyoto, num lugar considerado de energia especial, por estar entre dois rios. Além disso, a área é muito arborizada. Um belo convite à uma caminhada entre pontes, toriis, locais sagrados e lojinhas.

Santuário Shimogamo-jinja. Maravilhoso.

Observe esses mantos brancos e vermelhos usados no santuário. Eles fazem parte da tradição do sacerdócio xintoísta - Kannushi - cujos valores são transmitidos ainda hoje de família para família. A sua principal função é servir de elo entre os deuses Kami e os fiéis através da execução de ritos de purificação e proteção.

 Roupa Kannushi, no santuário Shimogamo-jinja.

NIJO CASTLE

Por mais de mil anos Kyoto foi a capital imperial do Japão e seu centro de poder era o Palácio Imperial. Porém, num período de 250 anos, o poder ficou nas mãos dos shoguns da família Tokugawa que comandavam a partir de Edo (Tóquio). Mas, quando estavam em Kyoto, sua base era o Castelo de Nijo. O castelo fica num ponto bem central da cidade, numa área plana e foi construído no século XVI, como símbolo de poder e riqueza. Já, na entrada, o Portal Karamon mostra sua imponência nos frontões folheados a ouro.

 Portal Karamon, entrada do Castelo de Nijo

O castelo é muito valorizado pela ornamentação do seu interior que foi feita por pintores da Escola Kano. Entre os principais motivos das pinturas estão animais (tigres, panteras, gansos e garças) e plantas (pinheiros, bambus e cerejeiras). Num dos salões há vários bonecos sentados no chão representando uma cena de senhores feudais prestando homenagem ao shogum. Faz a gente voltar no tempo.

Um aspecto interessante do castelo é o assoalho que foi projetado para reproduzir o som de um rouxinol quando alguém pisasse. Conforme as pessoas vão caminhando pelos corredores, o chão vai rangendo e cantando. 

 Os Salões Ninomaru do Castelo de Nijo são ligados por passagens cobertas de madeira.

Os jardins do castelo são extremamente bem cuidados e o lago é decorado com uma grande quantidade de pedras. 

O valor do ingresso para adultos é de 600 yens. 

 Jardins do Castelo de Nijo.

MEUS CINCO LUGARES PREFERIDOS EM KYOTO
  1. Templo Sanjusangen-do
  2. Santuário Fushimi Inari
  3. Santuário Shimogamo-jinja
  4. Templo Tenryu-ji e Floresta de Bambu
  5. Templo de Kinkaku-ji

PELO CENTRO DE KYOTO

Numa viagem à Kyoto a prioridade fica por conta dos templos, castelos, santuários e palácios que se encontram nos arredores. O centro da cidade, na verdade, não tem nada de muito especial nem é bonito. Mas, no intervalo entre um passeio e outro dá para programar algumas caminhadas pelas ruas.

Pelas ruas de Kyoto.

O centro antigo é cortado pelo rio Kamo. Do lado direito do rio há uma vasta área comercial com lojas de aspecto simples, que vendem de tudo. Tudo mesmo. Roupas, sapatos, comidas, artesanato, chás, objetos de decoração, biscoitos... São muitas galerias interligadas, todas parecidas. É quase um labirinto, fácil de se perder sem um mapa na mão. A rua central, nesse comércio de galerias, se chama Sanjo e a área comercial recebe o nome de Sanjo Shopping Arcade. A área de alimentação se chama Nishiki Food Market e vale uma observação atenta. É tudo muito diferente do que estamos acostumados a comprar no Ocidente. E, com as legendas em japonês, a dificuldade de leitura é total. Além disso, nas galerias há pequenos templos e santuários e o Museu de Kyoto.

Nishiki Food Market, no centro de Kyoto, uma aventura interessante.

À beira do rio Kamo fica o Pontocho, uma região que enche de gente ao entardecer em busca de um dos tantos restaurantes debruçados sobre o rio. O Pontocho é um banco de areia espremido entre dois braços do rio e começou a se desenvolver como uma área mais "liberal" da cidade. Ainda hoje tem uma casa de chá onde gueixas servem os clientes (exatamente como você está pensando), além de ser um reduto gay. Nos meses mais quentes do ano, de junho à setembro, os restaurantes do Pontocho colocam suas mesas em plataformas de madeira suspensas, tipo palafitas, que eles chamam de yuka.
 
 Restaurantes de Pontocho sobre plataformas yuka.

Do lado esquerdo do rio fica o bairro das gueixas, Gion. Foi ali que vi uma única gueixa caminhando apressada e tensa atrás de um homem engravatado. Uma pessoa tocou no braço dela pedindo para tirar uma foto. Ela fez cara de desespero e sinalizou que não com a cabeça. Continuou naquele passinho pequeno, com as faces branquíssimas, os lábios perfeitamente delineados de vermelho e o cabelo arrumadíssimo tentando acompanhar seu senhor. Linda. Foi a única gueixa que vi. Mas, logo sumiu na multidão.

Gion, o bairro das gueixas. Mas, as gueixas já são figuras escassas por ali.

Gion tem sua história iniciada nos tempos feudais quando os peregrinos frequentavam a região em busca de alimentos. Depois, foram surgindo muitas casas de chá e a região ganhou fama de ser um "paraíso de entretenimento". Dessa época ainda há o teatro Minami-za (vale a pena conferir a programação mensal), também vale a pena conhecer o santuário Yasaba, andar pelo Parque Maruyama, circular pelas ruelas antigas e ver a enorme figura de Kannon de 24 metros, Rozen Kannon perto do templo Kodai-ji.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Moeda: yen

Fuso horário: 12 horas à frente do Brasil.

Visto: é necessário ter visto emitido pelo Consulado do Japão para entrar no país.

Para dirigir: os carros têm mão inglesa.

Língua: japonês. Em Kyoto o inglês é menos falado do que em Tóquio. 

Indicação de ryokan: Hiiragiya

Leia também sobre TÓQUIO 

Assim é Kyoto!

Essa foi minha segunda vez em terras nipônicas. Mas, ainda tenho muito que ver por lá. Ficou na minha lista: Hakone, Nara (que pode ser visitada num bate-e-volta a partir de Kyoto), Hiroshima, Ilha de Hokaido e por aí continua. Podem dar outras sugestões de lugares para entrar nessa lista.

Espero voltar em breve!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...