21 maio 2015

UM DIA EM POZNAN

Por Claudia Liechavicius


Poznan é uma cidade polonesa relativamente pequena. Tem menos de 550 mil habitantes. No entanto, tradicionalmente é conhecida como um pólo de negócios. Recebe muita gente de outros países com interesse comercial. Por isso, figura como uma das mais importantes do país.

O coração de Poznan pulsa ao redor da Praça do Mercado na Cidade Velha (Stary Rynek) que tem ares de cidade de interior. Uma graça. Pequenas casas coloridas geminadas cercam o prédio da antiga prefeitura, que é uma das principais estrelas da cidade. Foi construído no século XVI em estilo renascentista pelo arquiteto italiano Giovanni Baptista Quadro. Ao meio dia dois cabritos brancos aparecem na torre e dão 12 cabeçadas um no outro. Agora, ali funciona o Museu Histórico de Poznan.



Praça do Mercado e suas lindas casas coloridas, em Poznan.

Antigo prédio da prefeitura que hoje é o Museu Histórico de Poznan.


Como o país é extremamente católico, igrejas não faltam para visitar na Polônia. São muitas. Uma das mais importantes do país fica em Poznan. É a Catedral e Basílica de São Pedro e São Paulo. Ela é a catedral polonesa mais antiga. Foi construída em 969 com duas torres gêmeas, na Ilha da Catedral chamada em polonês de Ostrów Tumski. Poznan foi o primeiro bispado da Polônia. 

 Catedral de Poznan, na Ilha da Catedral, um pouco afastada do centro

Outra igreja graciosa por sua fachada e cores fortes é a Basílica de São Estanislau. Ela é uma das igrejas barrocas mais importantes da Polônia. Foi construída como templo jesuíta no século XVII. Fica no Centro Antigo, ao lado do Colégio Jesuíta.


Basílica de São Estanislau, Poznan.


Basílica de São Estanislau e Colégio Jesuíta.

Igrejas não faltam em Poznan. Para onde quer que se olhe tem uma torre à vista.

Poznan também tem dois castelos que foram usados pelos reis poloneses. Um deles é o Castelo Real. Ele não é muito antigo. Foi construído em 1910. Nem é muito importante. Mas, fica num ponto bem central e está sendo reformado para manter viva a história da cidade. O outro é o Castelo Imperial, de 1905. Já foi usado como universidade e ocupado pelos nazistas. Foi bastante danificado durante as guerras. Hoje é um complexo formado por restaurantes, bares e museu.

Castelo Real, Poznan.

Andando uns quinze minutos a partir da Praça Stary Rynek se chega num parque que chama atenção em Poznan por sua história. É o Citadel Park. Ele ocupa uma vasta área que um dia foi uma fortaleza prussiana cercada por muralhas, torres de observação e decks com artilharia. Em 1945, durante a Segunda Guerra, foi quase totalmente destruído.

Hoje, o parque virou uma espécie de memorial e área de lazer. Conta com dois museus: Museu do Exército e Museu de Armamentos. Além de ter um grande obelisco russo no topo de uma escadaria dedicado aos soviéticos que lutaram ali, cemitérios com soldados de várias nacionalidades mortos durante os combates e muitas obras de arte espalhadas pelos vastos gramados. A obra mais impactante é a "Unrecognized" de Magdalena Abakanowicz. São 112 figuras de ferro com 2 metros de altura cada, sem rosto. Quem já foi a Chicago talvez perceba a similaridade com a obra da mesma artista instalada no Grant Park, no Castelo Imperial. 



 "Unrecognized" de Magdalena Abakanowicz.

Parque das Rosas, no Citadel Park. 


Há muitas obras de arte  espalhadas pelo Citadel Park.


Restos das muralhas que cercavam a fortaleza.  

Para quem gosta de cerveja, Poznan tem uma cervejaria que é considerada uma das mais modernas da Europa e pode ser visitada, a Lech Browary Wielkopolski.

Poznan também tem uma vida cultural rica com uma Opera House, muitos teatros e galerias de arte.

INDICAÇÃO DE HOTEL


Gostei muito do divertido Hotel Boutique City Solei a duas quadras da Praça do Centro Antigo. Bem localizado e super charmoso. Cada quarto tem a decoração inspirada em um país. Todos os quartos são diferentes. O meu era era indiano. Super colorido, bem iluminado e alto astral. Banheiros modernos. Café da manhã delicioso com os pães ainda quentes, recém feitos e atendimento muito atencioso. 

INDICAÇÃO DE RESTAURANTES



Na Polônia a ordem é comer comida polonesa. Certo? Então, aí vão dois restaurantes bem locais e deliciosos. Oberza Pod Dzwonkiem e Pysna Chatka. Os dois são pertinho da praça. Fáceis de achar. 

COMO CHEGAR

A cidade tem aeroporto e estação de trem. Os trens são excelente opção. Se você estiver vindo de Varsóvia, a capital, são 300 quilômetros. De Wroclaw são pouco mais de 200 quilômetros.

Poznan, uma cidade cheia de história. 
A Polônia é forte e guerreira. Indico para quem gosta de viagens impactantes. 

17 maio 2015

VARSÓVIA, A CAPITAL DA POLÔNIA

Por Claudia Liechavicius

Varsóvia, a capital da Polônia já viveu dias cinzentos, tristes e conturbados. Passou por muitas disputas territoriais. Presenciou cenas de horror durante a perseguição dos judeus. Quase foi posta abaixo num confronto contra os nazistas, em 1944. Sofreu nas mãos de ferro dos soviéticos. Teve mais da metade do seu território desmantelado no pós-guerra e, apesar de tudo isso consegue sorrir feliz.

Engana-se quem pensa que vai encontrar uma capital sisuda. As pessoas são simpáticas em todos os lugares. O alto-astral da Cidade Velha toma conta com suas casas coloridas. Tudo foi reconstruído tijolo por tijolo exatamente como no século XVII. Por isso, a cidade recebe uma avalanche de turistas ávidos por verem seus tesouros recuperados.

O filme “O Pianista” de Roman Polanski, que retrata um pouco da vida no gueto judaico de Varsóvia, dá uma ideia da destruição que assombrou a cidade.

Agora, a vida pulsa pelas ruas. Cafés, bares, restaurantes com mesas nas calçadas vivem lotados. A noite é animada. Uma garotada bonita circula de bicicleta e patins até altas horas. Varsóvia é segura. Bem cuidada. Limpa. Convidativa. Tem um transporte público eficaz, barato, civilizado, usado por todos. Wifi liberado pela cidade inteira.

Varsóvia é uma cidade feliz, colorida, cheia de gente nas ruas.

PARA SE LOCALIZAR

A Polônia tem muitos vizinhos: Bielorrússia, República Tcheca, Alemanha, Lituânia, Russia região de Kalingrado, Eslováquia e Ucrânia. Dá para imaginar como deve ter sido confuso definir essas fronteiras.

Mapa da Polônia e seus vizinhos.

SUGESTÃO DE ROTEIRO PARA UMA SEMANA NA POLÔNIA

Amsterdam – Varsóvia de KLM voo de 1 hora e meia
3 noites em Varsóvia no tradicional hotel Bristol
Varsóvia – Poznan de trem – duração da viagem 3 horas
1 noite em Poznan no simpático hotel Boutique City Solei
Poznan – Wroclaw de trem – duração da viagem 2 horas e 20 minutos
2 noites em Wroclaw no aconchegante hotel Boutique Granary
Wroclaw – Cracóvia de trem - duração 3 horas e meia
2 noites no super hotel Boutique Stary
Cracóvia – Londres de British Airlines voo de 2 horas

A CIDADE VELHA E A CIDADE NOVA

A maior concentração de turistas é na Cidade Velha chamada de Stare Miasto em polonês. Mais exatamente, na praça. Impossível não ficar horas olhando os detalhes delicados das casas cheias de cor. Tudo ali foi destruído na Segunda Guerra e refeito com tamanha fidelidade que em 1980 a UNESCO declarou como Patrimônio Mundial da Humanidade. É o único lugar histórico reconstruído que consta nessa lista. 

Praça da Cidade Velha, em Varsóvia. 

A Cidade Velha data do século XIII. Na época, havia um castelo e um povoado, cercados por uma muralha. Com o tempo, outras construções foram sendo acrescentadas. Ande pelas ruelas sem pressa e conheça a Basílica de São João Batista com sua fachada linda. Ao lado está o Santuário de Nossa Senhora das Graças. Na ruela em frente fica a igreja de San Martin

A direita, a Basílica de São João Batista com a fachada parecida com um órgão e ao lado o santuário de Nossa Senhora das Graças. 

As ruas são muito estreitas e quase não tem ângulo para se fotografar a linda igreja de San Martin.

Observe que há muitas igrejas católicas na Polônia. O país é extremamente religioso. Numa pequena praça escondida por ali tem um sino marcando o local onde havia um cemitério paroquial. Dizem que dar 3 voltas caminhando ao redor do sino trás boa sorte.

Canonjia, a praça do sino. 

Depois de caminhar bastante sente num restaurante ou café da Praça do Mercado para curtir o vai e vem do povo. Observe que bem no meio da praça tem a estátua de uma sereia. Ela é um dos símbolos de Varsóvia. Mas, não é a única sereia do pedaço. Há muitas sereias em Varsóvia. Tem outra enorme num viaduto, algumas nas fachadas das casas, outra na entrada da farmácia mais antiga da cidade e até mesmo no escudo de Varsóvia tem uma. Algumas versões tentam explicar a lenda das sereias. Uma delas diz que certa vez uma sereia chegou à cidade vinda do mar Báltico e resolveu sair da água para descansar. Um comerciante a capturou com a intenção de ganhar dinheiro e a deixou presa num local sem água. Os pescadores ouviram seu choro e comovidos a libertaram. Agradecida, ela prometeu ajudar em tudo que eles precisassem. Desde então, ela faz parte da defesa da cidade.

Sereia, símbolo de Varsóvia.

Ainda na praça visite o Museu da História de Varsóvia. Então, atravesse os antigos muros de defesa da cidade, Barbakan, e você chegará na Cidade Nova chamada em polonês de Nowe Miasto. No entanto, de nova só tem o nome. Essa parte de Varsóvia data do século XIV e na época funcionava como outra cidade. Agora, além de muitas igrejas, monumentos e museus, a Cidade Nova tem uma vida cultural intensa e uma noite animada. Vale sentar para descansar da caminhada no Parque de Fontes Multimídia. É um lugar frequentado pelos moradores da cidade. À noite, nos meses mais quentes do ano, há um espetáculo multimídia de águas, luzes e som.

As muralhas, Barbakan, separam a Cidade Velha da Cidade Nova.

 Cenas do dia-a-dia na Cidade Nova, em Varsóvia
A esquerda, os noivos poloneses e a direita a Igreja do Espírito Santo.

 Praça da Cidade Nova, ao fundo a Igreja de São Casimiro.

 O Parque de Fontes Multimídia é um dos pontos de encontro dos poloneses nos dias quentes.

Ao lado da Cidade Nova ficava o Gueto dos Judeus que foi praticamente posto abaixo pelos nazistas, em 1943. Vale a pena visitar o Museu da História dos Judeus Poloneses, a única sinagoga remanescente e os pedaços que restaram do muro do gueto. A história é triste e pesada. Milhares de judeus foram brutalmente mortos pelo exército de Hitler. Outro museu que conta sobre a história da perseguição dos judeus é o Museu da Insurreição, pertinho da Estação Central. Ele é novo. Foi inaugurado para comemorar os 60 anos da Revolta de Varsóvia de 1944 num prédio antigo que era uma central elétrica de bondes.

Museu da Insurreição. 

ROTA REAL

Um bom modo de conhecer a cidade é trilhar a Rota Real. Ela liga as três residências reais: Castelo Real, Parque Real Lazienki e Palácio Wilanów, numa linha reta onde estão os principais lugares a serem visitados. Mas, a rota é muito longa. Não dá para fazer toda a pé. O trecho inicial que vai do Castelo Real, na charmosa rua Krakowskie Przedmiéscie até a Palmeira Imperial, uma escultura em forma de árvore no cruzamento das ruas Nowy Swiat e Al. Jerozolienski pode ser percorrido a pé. Depois disso, basta tomar o ônibus 116, por 4,40 zlotys. O bilhete vale por 75 minutos. Vá até o ponto final do ônibus que é onde fica o Palácio Wilanóv e na volta pare no Parque Lazienki.

 Castelo Real, Varsóvia.

O ponto de partida da Rota Real é o Castelo Real que fica na Cidade Velha. Ele serviu como residência dos reis e sede do Parlamento. Nesse castelo foi proclamada a primeira constituição da Europa e a segunda do mundo, em 1791. A primeira foi a dos Estados Unidos, em 1787. Os poloneses tem muito orgulho desse fato. Conversei com um rapaz na rua que sabia em detalhes a história do país e disse que a Polônia sempre respeitou os direitos do povo e que eles tinham que lutar pela sua liberdade. Durante a Segunda Guerra, o castelo foi totalmente destruído pelos nazistas e reconstruído durante o regime comunista, utilizando os pedaços que puderam ser aproveitados. Hoje funciona como museu.

Coluna do Rei Segismundo III sempre cercada de turistas. 

Na praça, em frente ao palácio, fica a Coluna do Rei Segismundo III. Ela foi feita em 1644. É o monumento laico mais alto de Varsóvia. Foi feito pelo rei Vladislao IV em homenagem ao seu pai que transferiu a capital da Cracóvia para Varsóvia. A praça é um dos pontos mais lotados de turistas. Tem um mar de gente. No verão, disse o concierge do hotel, que andar por ali beira o impossível. Portanto, escolha bem a época da viagem. Os meses de abril, maio, setembro e outubro são um pouquinho mais tranquilos e com boas temperaturas. No inverno faz muito frio, neva e as pessoas costumam ir para as montanhas esquiar. A cidade fica vazia. Não é uma época muito atrativa, especialmente por ser uma cidade que pede boas caminhadas.

A direita, o telhado da igreja Santa Ana e ao fundo, depois do rio Vístula, o moderno estádio Narodowy. 

Mais alguns passos e se chega na Igreja Santa Ana. Ela é considerada uma das mais importantes do país, pois foi ali que o Papa João Paulo II iniciou a primeira peregrinação à sua pátria. Suba ao campanário da igreja para ter uma visão privilegiada da Cidade Velha.

Suba no campanário da igreja Santa Ana para se deleitar com o visual.

A seguir, o grande poeta polaco Adam Mickiewicz é homenageado com num enorme monumento que fica praticamente ao lado do Palácio Presidencial por onde já passaram Lech Walesa e vários outros nomes importantes na política do país.

 Palácio Presidencial em dois momentos diferentes, de dia e à noite.

Monumento em homenagem a Adam Mickiewicz.

Tudo que citei até agora fica no mesmo quarteirão. E foi por isso que escolhi o histórico hotel Bristol, pela localização. Ele fica colado ao Palácio Presidencial e pertinho de tudo. De um lado, a Cidade Velha, a Cidade Nova e o bairro dos judeus. Do outro, a área comercial mais movimentada da cidade e a universidade. O hotel é bem tradicional. Já celebrou muitos eventos elegantes da sociedade polonesa e recebeu figuras importantes como John Kennedy, Richard Nixon e Woody Allen. Os quartos são clássicos. Banheiros recentemente reformados e café da manhã super charmoso num salão aberto para um pátio interno.

Hotel Bristol.

Voltando para a caminhada, nas ruas internas próximas ao hotel Bristol ficam: a Praça do Teatro com a Ópera Nacional; a Praça de Pilsudski com o Monumento ao Soldado Desconhecido e o Jardim Sajón (uma área verde enorme e cheia de esculturas); e, a Galeria Nacional de Belas Artes. A cidade é muito verde. Os parques são floridos e bem cuidados.

Jardim Sajón. 

 Monumento ao Soldado Desconhecido.

Nessa caminhada muitas igrejas se sucedem. Mais de noventa por cento dos poloneses são católicos. Uma igreja importante é a de São José do Patrocínio. Chopin quando jovem tocava órgão durante as missas da igreja. Os bancos na frente dela tocam músicas de Chopin. Para isto basta apertar o botão, sentar e ouvir. Muito bacana.

Igreja São José do Patrocínio.

Andando mais alguns passos está a Universidade de Varsóvia. É um dos mais importantes centros de estudos do país. É um complexo formado por vários prédios históricos. Shows de música moderna reúnem os estudantes nos finais de semana.

Universidade de Varsóvia.

Quase em frente à universidade fica a Igreja de Santa Cruz. O coração de Chopin e do escritor polonês Wladyslaw Reymond que foi agraciado com um Nobel de Literatura estão guardados ali.

Também observe, nessa região, o Monumento a Nicolau Copérnico, outro polonês ilustre. Ele foi o astrônomo que fez uma das descobertas mais importantes para a humanidade. Ele desenvolveu a Teoria Heliocêntrica do sistema solar contrariando a Teoria Geocêntrica vigente na época. Colocou o sol como centro do sistema solar e não a terra. Se tiver interesse visite o Centro de Ciências de Copérnico num prédio moderno, todo colorido.

Monumento a Nicolau Copérnico.

O Museu de Chopin é outro museu multimídia interessante da cidade. Tem uma coleção completa sobre as obras do compositor. O museu é incrível. Vale uma visita. 

Museu de Chopin.

Essa é uma área movimentada da cidade, cheia de restaurantes e lojas. Uma caminhada pela Nowy Swiat é uma delícia, especialmente quando ela encontra com as ruas Folksal e Chmielna. Ande até encontrar a Palmeira Imperial, uma árvore que parece real mas na verdade é uma palmeira de plástico feita por uma artista local. Ela tem 15 metros de altura, foi colocada no cruzamento das ruas Nowy Swiat e Al. Jerozolienski. No início despertava opiniões controvertidas. Agora foi incorporada a paisagem e marca o final da área comercial mais movimentada de Varsóvia. 

Observe a Palmeira Imperial. É uma obra de arte e não uma árvore real.

Depois, um ônibus da linha 116 vai ajudar bastante. Em 20 minutos você estará no Parque WilanówEsse parque foi construído no século XVII e abriga o maior palácio de Varsóvia. Foi feito para servir como residência ao rei Juan III. É espetacular. Seus aposentos podem ser visitados. Além do belíssimo palácio e de jardins muito bem cuidados, no parque também tem uma igreja, um pequeno museu e um mausoléu.

 Palácio Wilanów. 

Igreja de Santa Ana.

Na volta, pare no Parque Lazienski, uma área verde deliciosa para uma caminhada. Ele tem um castelo que foi construído para servir como residência de verão do rei Estanislau. É um dos maiores complexos de palácios e parques da Europa.

CURIOSIDADES

  • O Palácio da Cultura e da Ciência é um prédio acinzentado gigantesco que domina a paisagem e divide opiniões. Foi construído pela União Soviética no período de dominação. Já esteve em vias de ser destruído, mas continua em pé assombrando os poloneses. Dá para subir até o 30o andar e ter uma boa vista panorâmica da cidade. Os poloneses dizem ser o melhor mirante da cidade por não ter o mostrengo de Stalin na mira. Ao fotografar o prédio, um senhor de uns 70 anos que passava me disse que essa foto era totalmente dispensável, pois não representava a cultura local e que a cidade tinha coisas muito melhores.

Palácio da Cultura e da Ciência, um prédio pouco apreciado pelos poloneses. 

Do 30andar do Palácio da Cultura e da Ciência se tem a melhor vista panorâmica de Varsóvia. 
Dá para ver toda a cidade e perceber que não é pequena.

  • Ainda hoje em Varsóvia há mais de 150 lamparinas a gás que são acendidas manualmente ao cair do dia e apagadas pela manhã. A maior concentração delas está no parque Lazinskowsky. Na Cidade Nova tem uma em frente a estátua da Virgem Maria. 

  • Paredes grafitadas marcam algumas ruas da cidade. São feitas por artistas locais e costumam ter temas relacionados com a cultura local, como cenas que incluem Chopin, o célebre filho da cidade.
Paredes grafitadas em Varsóvia.

PARA SER SIMPÁTICO

Vale ensaiar umas palavrinhas em polonês para ver um sorriso estampado no rosto das pessoas.

Sim – Tak
Não – Nie (se diz niê)
Oi – Czéc (se diz chéch)
Por favor – Prosze (se dia proshê)
Obrigada – Dziekuje (se diz jincuia)

Isso já basta. A língua é muito difícil. Palavras enormes com letras cheias de acentos diferentes. Até para ler os nomes das ruas é difícil e engraçado. Rende boas risadas.


Tentando bater um papo com o amigo polonês. 

RESTAURANTES

Uma refeição polonesa deve incluir uma sopa que pode ser uma zurek feita com salsicha e batata ou uma barszcz de beterraba. Depois, experimente os tradicionais pierogis que são pasteizinhos cozidos na água e servidos com manteiga ou algum outro molho e as panquecas de batata.

O sanduíche polonês que se vê por todo canto se chama zapiekanki. É feito com uma baguete aberta coberta com queijo derretido e cogumelos.

Para experimentar a cozinha local, o restaurante Dawne Smaki é bem interessante. Fica na movimentada rua Nowy Swiat 49. Mas, tem mesas num pátio interno super simpático longe do barulho da rua.

Outro que gostei foi o Dom Polski. Tem dois endereços na cidade.

Bem popular é o Zapiecek, uma cadeia enorme. Tem oito endereços em Varsóvia. Fácil de achar em qualquer canto. Tem pierogis com vários recheios e molhos. Parece um restaurante da vovó.


Restaurante Zapiecek na Cidade Nova.

TRANSPORTE PÚBLICO

Varsóvia tem excelente serviço de metrô, ônibus e bondes. A passagem custa 4,40zt e pode ser usada por 75 minutos. Taxis são baratos. Do aeroporto para o centro antigo, por exemplo, o valor é 50zt em taxis normais e 80zt em carros maiores.

CITY SIGHTSEEING

Para quem prefere dar uma circulada inicial para se situar, Varsóvia tem um daqueles ônibus vermelhos de dois andares em que você pode subir e descer nos principais pontos de interesse. O valor do ingresso para 1 dia é 60zt e para 2 é 80zt. Na verdade, para ser sincera, acho que nem precisa, pois no centro histórico o ônibus não entra e para ir às outras áreas da cidade o transporte público é excelente e bem barato.

TREM OU AVIÃO?

Varsóvia tem dois aeroportos, o aeroporto Chopin que fica a 10 quilômetros do centro e o novo Modlin que fica distante e é menor, usado para os vôos da Ryanair.

A Estação de Trem Warszawa Centralna fica numa região bem central.

Todas as cidades que visitei Varsóvia, Poznan, Wroclaw e Cracóvia tem aeroporto e estação férrea.

Para chegar à Polônia avião é boa opção. Já, para viajar dentro do país, os trens são mais interessantes pois são pontuais, baratos, as estações são novas, limpas e são sempre perto do centro, portanto agilizam os deslocamentos. Todos os trechos internos que fiz de trem tiveram duração ao redor de três horas. Mas, passa rápido. As estradas são lindas na primavera. Campos de canola amarelinhos e pequenos vilarejos acompanham os trilhos do trem.

LÍNGUA

Polonês. Às vezes dá para entender uma palavra ou outra, apesar de ser muito difícil. Inglês é falado por muita gente, principalmente pelos mais jovens.

FUSO HORÁRIO

5 horas a frente do horário do Brasil

MOEDA

Zloty - 1 zt vale 0,85 real (cotação de maio de 2015)


A Polônia é um país muito turístico. No entanto, não é muito visitado pelos brasileiros. A ideia de conhecer a Polônia me acompanhava havia algum tempo. Meu avô era lituano e minha avó alemã. Os dois países fazem fronteira com a Polônia. Quando criança ouvia muitas histórias sobre as guerras da região, via meu avô passar as tardes de sábado preparando pierogis e minha avô fazia as mesmas panquecas de batata que comi em Varsóvia. Por isso, sempre tive curiosidade de conhecer um pouco mais sobre a história e cultura desse país tão forte que literalmente renasceu das cinzas. Os alemães comandados por Hitler assombraram os judeus poloneses e mataram 6 milhões de polacos. A seguir, vieram os russos com suas mãos de ferro. Em 1990, Lech Walessa foi eleito presidente e finalmente, as coisas começaram a melhorar. A história é pesada, mas faz parte do passado. Hoje, o país hoje é feliz e colorido. Uma viagem incrível.


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