24 abril 2015

NAPA VALLEY EM DOIS DIAS

Por Claudia Liechavicius

Menos de 100 quilômetros separam San Francisco da poderosa região vinícola californiana de Napa Valley. É muito perto. Perfeito para curtir dois dias regados a vinhos e espumantes espetaculares. Ir à San Francisco e não dar um pulinho em Napa Valley é um pecado.

O vale ganhou forças na década de 70, ao bater alguns vinhos franceses tradicionais em uma competição na França. Então, entrou para a primeira divisão na arte de produzir vinhos. E não parou mais. Tem uma combinação de solo, relevo, clima e umidade perfeitos para o cultivo das parreiras. Hoje recebe mais de quatro milhões de visitantes por ano ávidos por degustar as boas safras da região. Qualidade e inovação são as marcas de Napa. Ali são produzidas algumas uvas consideradas patrimônio nacional como a zinfandel. Além disso, são feitas combinações inusitadas que conquistam os apreciadores de vinho. 

Mercado da vinícola V. Sattui, em Napa Valley.

A viagem pode começar pela Golden Gate ou pela Bay Bridge. Passada a ponte, o azul do mar vai ficando para trás e logo imensos parreirais passam a dominar o cenário. Eles são entrecortados pelas cidadelas de Napa, Yountville, Oakville, Rutherford, Santa Helena e Calistoga,  além de centenas de vinícolas.

Parreirais e vinícolas se sucedem ao longo da CA-29 e da Silverado Trail

A primeira e maior cidade a aparecer no caminho é Napa. Ela nomeia a região, mas está longe de ser a parte mais interessante da viagem. Napa recebe esse nome apenas por estar às margens do rio Napa. Não tem nada de especial. O melhor está por vir. Seguindo pela CA-29 logo começam a se suceder vinícolas e mais vinícolas numa quantidade que impressiona.

Mapa de Napa Valley com algumas das mais de 300 vinícolas da região.

De Napa (a primeira cidade da região) até Calistoga (a última) são apenas 42 quilômetros repletos de lugares encantadores para se conhecer e degustar vinhos e espumantes maravilhosos. É tudo pertinho e muito bem sinalizado. Os hotéis e os centros de informações têm material muito bem feito e atualizado sobre toda a região.

Napa, a primeira cidade do vale.

Um pouquinho antes de chegar em Napa, uma parada obrigatória para quem gosta de um belo espumante é a Domaine Carneros by Taittinger. O castelinho no alto da colina cercado de videiras por si só já chama atenção. Impossível passar e não ter vontade de visitar.

A empresa se estabeleceu em Napa Valley em 1987. É relativamente recente, mas já nasceu com sobrenome importante vindo da região de Champagne, na França. Seus vinhos espumantes são reconhecidos mundialmente pela excelente qualidade.

Todas as vinícolas da região são abertas à visitação, gratuitamente. Se você quiser fazer um tour para conhecer em detalhes a propriedade, o cultivo das uvas, o preparo dos vinhos e degustar alguns produtos da casa então é preciso pagar uma taxa e fazer um agendamento prévio.

Domaine Carneros.

Essa foi a primeira parada estratégica para aquecer os tambores e entrar no clima romântico-etílico do vale. Mais alguns quilômetros e chegamos a Yountville, cidade que escolhemos para servir como base para explorar a região. Escolha perfeita. Acertadíssima. Melhor impossível. Dica de um amigo que mora em Palo Alto e conhece muito bem Napa Valley.

Entrada de Yountville.

Correio de Yontville.

Prefeitura de Yontville.


Yountville é florida, limpíssima, segura e romântica demais.

Yountville é quase uma cidade cenográfica de tão bonitinha. Tem apenas uma rua e é repleta de casas muito bem cuidadas, coloridas, de um ou dois andares. Uma graça. Na beira das calçadas parreiras e hortas fazem a vez de jardins. As hortas de Thomas Keller e do hotel Bardessono são geniais. Você consegue ver o que vai comer ao passear pela cidade. O conceito "da horta para a mesa" é levado muito à sério. Tudo fresquíssimo. Colhido na hora.

Horta de Thomas Keller, na beira da calçada de Yontville

Além disso, Yountville tem uma tremenda concentração de restaurantes maravilhosos. Ad Hoc, Bouchon e The French Laundry são apenas três opções do aclamado e estrelado chef Thomas Keller.

The French Laundry é o restaurante mais sofisticado de Thomas Keller e precisa de reserva com boa antecedência.

O Bouchon é um bistrô francês delicioso que precisa de reserva, mas não é tão concorrido como o anterior.

Ad Hoc só abre para o jantar e serve apenas um prato que muda diariamente. 

E não para por aí. Além desses, tem muitos outros deliciosos. Experimentei o delicioso Bistrô Jeanty e o italiano descontraído Bottega, que adorei. Outras indicações que recebi, mas não cheguei a experimentar foram: Reed, Mustard Grill, Hurley'sLucy, R+D Kitchen e Brixx. Comer bem é muito fácil em Napa Valley.

Bistro Jeanty, maravilhoso para um almoço em Yountville.

Escolhi o hotel Bardessono para minha primeira experiência em Napa. E foi simplesmente, adorável. O hotel tem 62 quartos espaçosos com lareiras. A decoração é clean e minimalista. O banheiro é imenso, tem uma super banheira e espaço para se colocar uma mesa de massagem quando solicitado. Os lençóis são de linho orgânico. Hortas e parreiras enfeitam todas as áreas externas. As verduras servidas no restaurante do hotel são plantadas ali mesmo, por eles. A piscina fica no segundo andar e o visual no por do sol é lindo e concorrido no verão. O restaurante Lucy é indicado como excelente opção. Indico totalmente o hotel. O preço é alto e condiz com o serviço oferecido. É um hotel para se curtir Napa Valley em grande estilo.

 Hotel Bardessono.

Continuando pela CA-29 é até difícil escolher em qual vinícola entrar primeiro e onde parar. Afinal, são mais de 400 vinícolas. Com um mapa da região na mão, vale ir dirigindo devagar e entrar onde o coração mandar. 

Robert Mondavi é um dos nomes mais antigos do vale. É conhecido como "o pai do vinho californiano". Portanto, é uma parada quase obrigatória já que é o responsável por boa parte da fama da região. A vinícola é muito bem cuidada e recebe boa quantidade de visitantes. Se destaca tanto pelos vinhos como pelas obras de arte. Uma frase célebre de Mondavi diz "Vinho, comida e arte. A união dos três enobrece a qualidade de vida". A propriedade é repleta de obras de arte. 

 Vinícola Robert Mondavi.

Outra vinícola bastante interessante tanto pela história como pelo charme das instalações é a Inglenook, do cineasta italiano Francis Ford Coppola. A propriedade é muito antiga. Foi adquirida por uma família californiana de sobrenome Niebaum, em 1800. Eles começaram construindo um Chateau de pedras para sua vinícola. Seus vinhos logo se tornaram famosos e ajudaram a impulsionar a fama de Napa Valley. Em 1964 a propriedade teve problemas, parte dela foi vendida e a produção de vinhos foi interrompida. Em 1975, Coppola e sua esposa compraram a propriedade, rebatizaram com o nome original de Inglenook e agora, além de produzir belos vinhos, eles também mantém um museu com a filmografia da família. Tudo cuidado com muito carinho.

Vinícola Inglenook.

The Chiles House foi construída em 1846, em Inglenook, é uma das casas mais antigas do vale. 

E então, ao longo da estrada as vinícolas se sucedem. Uma colada na outra. Opus One, Nickel & Nickel, Turnbull, Cakebread, Swanson, Sequoia Grove, Follie Johnson, St. Supery, Peju, Elizabeth Spencer...

Vinícolas de todos os tipos enfeitam as estradinhas de Napa Valley

A V. Sattui é outra vinícola que merece uma visita. Ela é bem cuidada, florida, com instalações antigas, cheia de cantinhos gostosos para um momento de paz e tem uma delicatessen cheia de guloseimas perfeitas para se fazer um picnic bem ao estilo local.

 Vinícola V. Sattui.

 Delicatessen da V. Sattui.

Fazer picnic é uma tradição em Napa Valley. Um bom vinho acompanhado de queijos, pães, sanduíches ou fiambres pode ser divertido. Muita gente opta por fazer uma refeição leve na hora do almoço e jantar num dos tantos restaurantes estrelados do pedaço. Entre as delicatessens destacam-se a Dean & Deluca, a Oakville Grocery, a V. Sattui e a Bakery Bouchon.

Bakery Bouchon sempre com fila enorme na porta

Alguns quilômetros acima e surge a cidade de Santa Helena. Ela é a maiorzinha delas. Mesmo assim tem praticamente uma rua só. Mas, seu charme não chega nem aos pés de Yountville. Para ser bem sincera, nem dá muita vontade de parar. Nada de especial. Mas, se quiser fazer uma refeição por ali há muitas opções: Cucina di Rosa, Market, Press, Terra, Tra Vigne, Cindy's.

A simplicidade de Santa Helena. 

Pouco acima de Santa Helena fica a charmosa vinícola Beringer. Ela é a vinícola mais antigas da região em funcionamento constante, desde 1856. Foi fundada por dois irmãos alemães. Vale a pena parar para conhecer as instalações muito bem cuidadas e degustar bons vinhos Cabernet Sauvignons e Chardonnays.

O castelinho da Beringer.

De repente desponta na estrada um casarão de pedra. É o The Culinary Institute of America, em Santa Helena, onde aspirantes a chefs circulam em seus uniformes brancos. Dá para fazer aulas de culinária no instituto ou simplesmente visitar.

 The Culinary Institute of America.

Então, chega a última cidade do vale, Calistoga. Ela tem um jeitinho de faroeste americano. Mais antiguinha. Muitos cafés, restaurantes e bares tipo "wine and oyster". Ela é a cidade mais ao norte, portanto fora de mão para servir como base. Mas, essa região tem características interessantes por influência do vulcão Monte Helena. Tem geyseres, uma área de águas minerais, banhos termais e a vinícola Chateau Montelena considerada uma das mais bonitas da região.

Para retornar, volte pela paralela Silverado Trail onde há mais uma centena de vinícolas bacanas, entre elas a Mumm Napa, a ZD Wines, a B Cellars, Cade, Silverado Winery.

Calistoga

COMO CHEGAR

De carro dá para ir pela Golden Gate, seguir pela 101 e daí para frente acompanhar as placas com excelente sinalização pela 37 e depois 12 até chegar na CA 29. Também dá para ir pela Bay Bridge seguir pela 80 até Vallejo, depois 37 até encontrar a CA 29.

Uma outra maneira de se visitar Napa Valley é no Wine Train. Mas, esse programa serve apenas para um bate-e-volta. Quem quer conhecer melhor o vale e degustar com calma os vinhos da região precisa um pouco mais de tempo e independência.

COMO CIRCULAR PELO VALE

O ideal é alugar um carro, subir pela CA-29 e descer pela paralela Silverado Trail conhecendo as principais vinícolas e cidades da região.

No entanto, estamos falando da meca dos vinhos californianos. Para quem pretende beber, o carro já deve vir com um motorista. Dirigir alcoolizado nos Estados Unidos dá uma multa pesada com suspensão da carteira de habilitação e até prisão. O policiamento não é ostensivo. Mas, você não vai querer estragar a viagem. Então, programe-se e tenha cautela.

QUAIS CIDADES VISITAR

Napa é a primeira cidade, a que dá nome à região.
Yountville é a mais charmosa.
Oakville é mínima.
Rutherford você passa e quase nem vê de tão pequena.
Santa Helena é a maior cidade do vale.
Calistoga é a última.

QUAIS VINÍCOLAS VISITAR

São muitas. Difícil escolher. Inglenook, Domaine Carneros by Taittinger, Domaine Chandon, Robert Mondavi, V. Sattui, Cade WineryBeringer, Castelo di Amorosa, Chateau Montelena,  Mumm Napa, B Cellars, ZD Wines...

RESTAURANTES ESTRELADOS EM NAPA VALLEY

The French Laundry *** - Yountville
The Restaurant at Meadowood *** - Santa Helena
The Restaurant Auberge du Soleil * - Rutherford
Bouchon * - Yountville
La Toque * - Napa
Solbar * - Calistoga
Terra * - Santa Helena

MELHOR ÉPOCA 

Teoricamente, a melhor época para se visitar uma região produtora de vinho é durante a colheita. Isso acontece geralmente em setembro/outubro. No entanto, essa é a alta temporada e fica tudo cheio. Visitei Napa Valley em abril e adorei. As parreiras estavam começando a ficar bonitas, as cidades estavam floridas, os hotéis estavam relativamente vazios, as reservas nos restaurantes foram fáceis e a temperatura estava perfeita, entre 15 e 20 graus. 

ONDE FICAR

Minha indicação é certamente o hotel Bardessono. Espetacular. Perfeito para viagens românticas.

Hotel Bardessono, serviço impecável e respeito pela natureza

Outros hotéis legais são o Meadowood Resort e o Auberge du Soleil.

O Auberge du Soleil fica num vale lindo. 
Mesmo que não fique hospedado no hotel é um bom lugar para fazer um brinde no por do sol.

OUTROS LUGARES PARA SE CONHECER NAS REDONDEZAS

Sonoma County com suas vinícolas.
Napa Premiun Outlet para aqueles que não dispensam umas comprinhas.
Yosemite Park, um pouco mais distante.

QUANTO TEMPO FICAR

Fiquei dois dias em Napa Valley e foi ótimo. Se tivesse ficado três dias teria sido melhor ainda. Daria tempo para fazer um passeio de balão ao amanhecer, experimentar outros restaurantes e conhecer outras vinícolas. Se o tempo for escasso até um bate-e-volta vale a pena.


Espero ter conseguido passar um pouquinho do astral mágico do Napa Valley para vocês.
Imperdível!!!! 


11 abril 2015

PELAS LADEIRAS DE SAN FRANCISCO

Por Claudia Liechavicius

Com uma bela taça de vinho tinto na mão, não poderia faltar um brinde ao retorno à San Francisco. E, claro que sem pressa. Exatamente no ritmo californiano. Ali a vida passa de um jeito todo especial entre ladeiras, muitas ladeiras, parques, mar e museus.

As ladeiras dão um toque especial a San Francisco.

San Francisco é descontraída na medida exata. Cultua um estilo hipster de ser. Uma galera estilosa, descolada e inovadora convive em harmonia com o astral tecnológico dos milionários do Vale do Silício. Tem restaurantes fantásticos e saudáveis que valorizam o conceito “da horta para a mesa”. No centro, ladeiras famosas com casas vitorianas marcam a arquitetura. Para circular, bondes coloridos andam pelas ruas dando um ar retrô. Além disso, foi o berço da geração beat, do movimento hippie e assume sem preconceito casais gays. É cheia de personalidade. Como diz Lulu Santos “na Califórnia é diferente, irmão...”.

 Os bondes elétricos coloridos circulam por toda a cidade. 

É fácil entender porque todo ano mais de 15 milhões de pessoas visitam a cidade seja por diversão ou à trabalho.

Razões não faltam para visitar San Francisco e foi com muito prazer que retornei a essa cidade que sempre fez parte da minha formação profissional. Para quem não sabe, sou fonoaudióloga especialista em voz e muitos foram os congressos que me levaram até lá. Mas, dessa vez voltei apenas para curtir o Spring Break e desacelerar ao modo do “oeste americano”.

Para relaxar da viagem longa, 9 horas Rio-Atlanta + 5 horas Atlanta-LA + 2 horas LA-San Francisco, boa ideia pode ser um jantar num dos tantos restaurantes deliciosos da cidade que valorizam a sustentabilidade e a sazonalidade dos ingredientes orgânicos no cardápio. A onda verde é levada à sério na cidade. Quer algumas sugestões? 

Contei com a ajuda de dois amigos que entendem muito do riscado para fazer minha lista. A Chef Roberta Sudbrack indicou: 
  • Bar Tartine (ambiente descontraído, cozinha simples e saborosa, tudo é feito na casa, é um must na cidade.), 
  • Coi Restaurant (cozinha moderna, restaurante pequeno, menu degustação muda diariamente), 
  • Cotogna (super concorrido, ótima cozinha, reserva difícil, um must), 
  • Flour + Water (italiano simpático, adorado pelos locais, cozinha fresca e vibrante), 
  • Foreign Cinema (melhor brunch da cidade), 
  • Frances (cozinha de mercado, fresca e deliciosa, chef famosa em SF), 
  • Rich Table (reserva difícil, excelente, cozinha moderna, ingredientes orgânicos), 
  • State Bird (cozinha asiática moderna, excelente dim sum). 
Agora vamos às indicações do Chef Claude Troisgros:
  • Boulevard (alta gastronomia, para uma noite especial), 
  • Michael Mina (top 10 na Califórnia, muito bom), 
  • Absinthe (já foi eleito o melhor restaurante da Califórnia), 
  • Bourbon Steak (steak house com cozinha moderna), 
  • Sam’s Grill (restaurante antigo de SF, frutos do mar, mesas ficam em cabines fechadas), 
  • Chez Panisse (bistrô em Berkeley, do outro lado da ponte).

Então, o dia seguinte pode começar com uma caminhada pelo lugar mais movimentado do pedaço, o Fisherman’s Warf. O pier é cheio de lojinhas, cafés e restaurantes. No Pier 39 ficam os simpáticos leões marinhos que merecem uma visita apesar de ter um cheirinho estranho. 

Os leões marinhos brincam e tomam sol sem medo de serem observados por uma enorme plateia.

O acesso à Marina e ao Fisherman's Warf pode ser de bonde tradicional ou bonde elétrico. Os bondes tradicionais são a cara da cidade, mas vivem abarrotados de turistas e custam bem mais caro do que os elétricos. Para circular num dos antigos bondes o valor é 17 dólares pelo bilhete de um dia ou 6 dólares para um trecho. Os bondes elétricos custam 2.25 dólares por quatro horas e abrangem rotas mais longas, além de serem usados pelos locais. Já, a bicicleta é um meio de transporte para os fortes em San Francisco. Afinal, as ladeiras são uma constante e são super ladeiras. Pense bem nisso antes de se aventurar de bike pela cidade. Alugar carro é boa opção em San Francisco.

Os bondes tradicionais são sempre lotados. As filas são enormes.

Um programa interessante é ir ao presídio de Alcatraz onde Al Capone ficou preso. O acesso à ilha é de ferry partindo do píer 33. A visita também pode ser noturna se quiser com mais emoção.

 Presídio de Alcatraz.

Se você estiver na cidade num sábado de manhã vá ao Ferry Building, um prédio histórico de San Francisco que fica no Píer 1, onde acontece a Farmer’s Market. Mercados são sempre um belo modo de entrar em contato com a cultura local. Ali são vendidos alimentos frescos, orgânicos e produzidos dentro dos parâmetros de agricultura sustentável. As carnes são naturais, de animais  criados sem hormônios. Tem muitas barraquinhas à beira da baía com comidas saudáveis que prezam a sazonalidade. O restaurante vietnamita Slanted Door do chef Charles Phan é bastante concorrido. Essa é apenas uma das opções. Tem de tudo. Dá para escolher à vontade. Nos outros dias, mesmo sem a Farmer's Market, também vale a visita ao Ferry Building.

Ferry Building, no Pier 1.

Um dos principais ícones de San Francisco é a Crooked Street com suas curvas fechadas, numa ladeira absolutamente íngrime, no final da Lombard Street. Uma legião de turistas disputa o melhor lugar para registrar o momento. Vá cedo se quiser ter mais exclusividade.

Crooked Street, no final da Lombard Street.

Ainda perto da Lombard Street dê um pulo ao Beat Museum, em North Beach, um museu de vanguarda, alternativo, bagunçado que guarda parte da história de San Francisco. Beat foi um movimento literário que iniciou no final dos anos 50 por iniciativa de um grupo de jovens intelectuais ávidos por sair da "caretice" da época. Eles queriam se expressar com liberdade e escreviam movidos a drogas, jazz e sexo fora dos padrões. O Beat inspirou os hippies. Mas, não espere muita coisa. A entrada custa 8 dólares. Na saída aproveite para comer no Little Italy que fica nessa região. Aliás, a cidade é muito democrática e receptiva. Tem Chinatowm, Japantown, Little Italy e outras comunidades.

Vale se embrenhar pela confusão de Chinatown entre lojas, templos e restaurantes. Programe uma pausa para uma foot massage e para uma xícara de chá de jasmim. Mas, se quiser um astral zen vá até a Japantown.

Chinatown.

Japantown.

Aproveite também a proximidade com o Telegraph Hill para subir as escadarias da Coit Tower e ter uma vista privilegiada da cidade.

Coit Tower.

Também vá para o outro lado da cidade que é bastante especial. Caminhe por Haight-Ashbury, o paraíso do movimento hippie e pelo Lower Haight, versão menos colorida do enclave hippie. Hoje, a onda hippie se foi, mas ficaram os letreiros psicodélicos nas casas coloridas lembrando os anos 60, o local onde viveu Janis Joplin, as lembranças dos shows de rock de graça regados à drogas alucinógenas e amor livre. Tudo no jeitão paz e amor. A região é frequentada por uma galera doidona tipo “maluco beleza”. Não se preocupe, eles estão curtindo a onda deles e mesmo com uma aparência estranha, não incomodam ninguém.

Caminhe sem pressa pela Haight Street e observe a explosão de cores.

Uma bela surpresa a cada esquina na Haight Street. Entre no clima.

 Olhe tudo sem pressa. Lojas, letreiros, paredes, fachadas. É uma festa para os olhos.

Pertinho fica o Parque Golden Gate, com uma imensa área verde. Ele é maior do que o Central Park de Nova York. Tem muitos lagos, cascatas, um zoológico, um jardim japonês, o Young Museum, o Conservatório de Flores e a Academia de Ciências da Califórnia onde tem um museu de História Natural, um aquário e um planetário. A Academia de Ciências da Califórnia é um lugar bastante procurado. O ingresso custa 35 dólares. A hora da refeição dos pinguins é um dos pontos altos. O planetário exibe filmes curtos, com superprodução. O prédio da Academia foi planejado para não usar ar condicionado e adota a energia solar. Tem muita luz natural, espaços arejados e teto onde vivem muitas espécies de plantas nativas da região. O cuidado com o meio ambiente é primoroso. A água da chuva é coletada e aproveitada. Quando cansar faça uma pausa para relaxar na cafeteria do chef Charles Phan, o mesmo chefe do Slanted Door, restaurante citado acima.

Young Museum, no Golden Gate Park.

Academia de Ciências da Califórnia. 

Conservatório de Flores. 

Jardim Japonês.

Outro museu importante na cidade e aliás um dos mais importantes da Califórnia é o Museu de Arte Moderna. Ele fica perto do complexo de entretenimento Yerba Buena Park. Nessa região também fica o disputado Dotties sempre com filas enormes na porta para o café da manhã concorridíssimo.

Se der tempo vá de bonde F line ao Castro, reduto mundial do movimento gay repleto de bandeiras com as cores do arco-íris. Até as faixas de pedestres são coloridas. Há bons restaurantes na região.

 Castro, reduto gay de San Francisco.

Use a linha F do bonde elétrico para ir ao Castro.

Para conseguir aquela foto clássica das Painted Ladies (ou “Senhoras Coloridas”) vá até o Alamo Square Park e se divirta com o visual das casinhas em primeiro plano tendo ao fundo o skyline da cidade com arranha-céus modernos. Então, desça pela Hayes Street - que fica numa das esquinas do parque - olhando as vitrines simpáticas das lojas. Observe a Aether, marcas de roupas esportivas que funciona dentro de containeres empilhados, num projeto de Thierry Gaugin, aluno de Philippe Starck. Faça uma pausa num restaurante, café ou sorveteria da Hayes. O La Boulange é bem disputado com doces franceses e café orgânico. Outro café concorrido é o Blue Bottle.

Painted Ladies, no Alamo Square Park.

Aproveite que está no bairro residencial de Hayes Valley visite o SF Jazz Center que teve o projeto de três andares inspirado em igrejas e clubes de jazz, o belíssimo City Hall e o Symphony Hall.

City Hall, San Francisco. 

Symphony Hall.

Não pode faltar uma travessia pelo principal cartão postal da cidade, a Golden Gate. Dá para ir de carro, de bicicleta, de ônibus ou até a pé para quem gosta de caminhar. Vale atravessar a ponte e ir até a simpática cidade de Sausalito, na volta almoce no Chez Panisse em Berkeley, do outro lado da ponte.

Golden Gate e a cidade de San Francisco ao fundo.

Já que está do outro lado da ponte, considere visitar o parque Muir Woods declarado Monumento Nacional que fica 18 quilômetros ao norte da Golden Gate. O parque é lindo. Sequoias gigantes dominam a paisagem. Difícil ver a copa das árvores de tão altas. No chão, entre as árvores, o clima favorece o crescimento de trevos enormes. O lugar é considerado tão especial que as pessoas são convidadas a andar em silêncio reverenciando a natureza na trilha chamada de Cathedral Grove.

Muir Woods.

Para finalizar, é notável que San Francisco vive dentro de um conceito sustentável. Mas, estamos falando de uma cidade dos Estados Unidos onde o consumo é um convite quase irrecusável. Portanto, um lugar legal para ir às compras é na Union Square, onde estão as grandes lojas de departamento ou nos arredores da praça, nas ruas Post, Geary, Ellis e O’Farrell onde estão as boutiques menores. Um pouquinho mais distante fica o Premiun Outlet.

Union Square é um dos lugar para quem quer fazer umas compras. 

E, se ainda sobrar um tempo para circular pelos arredores de San Francisco opções não faltam:

  • Napa Valley que pode ser visitado de carro ou Wine Train
  • Sonoma
  • Yosemite Park
  • Muir Woods, o parque das sequoias
  • Sausalito

San Francisco é muito especial. 
Reserve pelo menos 4 dias para se perder pelas ladeiras da cidade.

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