13 fevereiro 2015

A PRIMEIRA VEZ NO VIETNÃ A GENTE NUNCA ESQUECE

Por Claudia Liechavicius

É inevitável. Quando o nome “Vietnã” entra em pauta, mesmo sem querer, a primeira coisa que vem à cabeça é a lembrança da guerra e de um país dividido entre americanos (que apoiavam o Vietnã do Sul) e russos (que apoiavam o Vietnã do Norte).

As feridas são muito recentes. Ainda estão cicatrizando. Faz apenas 40 anos que os Estados Unidos retiraram suas tropas do Vietnã colocando um ponto final numa das guerras mais sangrentas da humanidade. Foram os russos comunistas que ajudaram a expulsar os invasores americanos que queriam conter o avanço do comunismo. Um país partido ao meio. Os próprios vietnamitas brigando entre si numa ira que só acalmou em 1973. Eu ainda era criança e lembro dos comentários horrorizados e das cenas apavorantes transmitidas pela televisão. Morreram quase 60 mil soldados americanos e 3 milhões de vietnamitas.

Mas, o interessante é que ao pisar no Vietnã tudo muda imediatamente de figura. A impressão de ser um país sisudo, acinzentado e militarizado passa a ser pano de fundo. Pelas ruas barulhentas e movimentadas das grandes cidades, todos sorriem. O caos impera no trânsito e ninguém perde o humor. Mostram uma alegria contagiante. São receptivos e parecem nem lembrar do passado recente.

 As pessoas são muito amáveis, especialmente no interior do Vietnã.
Observe o pão francês. Uma das heranças da ocupação francesa.

Nos campos, no meio das plantações de arroz, pessoas simples, cobertas dos pés à cabeça, com seus chapéus em forma de cone, acenam felizes para quem passa. Posam sem cerimônia para fotos. Na região costeira, os pescadores se divertem enquanto organizam seus barcos, botes e redes.

Pescadores de Nha Trang.

BELA MISTURA CULTURAL

É um povo feliz e multicultural. Suas bases culturais se formaram ao longo de muitos séculos por influência da dominação chinesa, japonesa, francesa e americana. E todos esses intrusos voltaram para casa derrotados pela astúcia dos guerreiros vietnamitas. Mas, deixaram um belo legado. Os quase mil anos de ocupação chinesa podem ser vistos nos costumes, nas crenças, na alimentação e na arquitetura, apesar da relação com a China ter sido sempre conturbada, tipo amor e ódio. Dos americanos herdaram o interesse pelo idioma. O inglês é falado por toda parte, principalmente pelos mais jovens que não viveram a guerra e não tem tantas travas com o passado. Dos japoneses vem o tofu e o uso dos hashis. Os franceses  influenciaram tanto na arquitetura como (e, especialmente) na culinária.

 Panquecas de arroz deliciosas preparadas de modo tradicional no hotel Amanoi, Vietnã.

A comida vietnamita é espetacular. Delicada, saborosa e temperada na medida com ervas aromáticas. Uma mistura da França, China e Japão com um toque tailandês e que deu muito certo. No cardápio peixes, porco, frango, pato, frutas e legumes sempre acompanhados de muito arroz e regados com molhos a base de soja, curry, ervas e coco. Comidas de rua são uma constante. Por todo o lado, lá estão as barraquinhas. E eles comem muito na rua. Porém, nem tudo é perfeito. O que entristece é ver os cachorrinhos engaiolados esperando pelo abate. Dá vontade de chorar vendo a carinha deles.

Cena frequente no Vietnã. De partir o coração.

RELIGIÃO

A religião não é uma marca muito forte do Vietnã. Países comunistas costumam ter incentivo do ateísmo. Aos poucos, as velhas crenças estão ganhando força. Antigamente, eles adotavam uma religião tripla que misturava budismo, taoísmo e confucionismo. Também tem adeptos do catolicismo e do hinduísmo. Agora pode tudo desde que não cause ameaça ao governo socialista.

 Igreja Notre Dame de Ho Chi Minh.

UM PAÍS EM FORMA DE "S"

Atualmente, são 90 milhões de pessoas que vivem nesse país estreito e comprido, em forma de S, na península da Indochina. Na sua parte mais estreita tem apenas 50 quilômetros de leste à oeste. Seus vizinhos são Laos, Cambodia e China. No norte, as estrelas são a charmosa e bagunçada Hanói; a estupenda Baía de Halong e Sapa com suas minorias étnicas (são mais de 50 grupos étnicos espalhados pelo país, entre eles os Kinh, Boa, Cham e Khmer). Na região central fica a cidadela fortificada Hue; a histórica mercantil Hoi An, Patrimônio da Humanidade; a região costeira de Nha Trang e Phan Rang. Já, ao sul está a antiga Saigon, hoje Ho Chi Minh, capital econômica do Vietnã e o delta do Mekong.

Mapa do Vietnã.

Mesmo tendo sido um dos países mais pobres do mundo, o Vietnã é um país em transformação. Deixou pra trás o sofrimento, vem recuperando sua economia e desponta como um próspero destino turístico desde que se abriu para receber visitantes, em 1990. Eles souberam se beneficiar com as marcas que despertaram no mundo de nação dilacerada pela guerra.


O Vietnã já conta com muitos hotéis de luxo para aumentar o turismo. Esse é o spa do Amanoi. 

Passei apenas 10 dias no Vietnã e confesso que o tempo foi muito curto. Consegui conhecer apenas Hanói, Halong Bay, Nha Trang, Phan Rang e Ho Chi Minh. Foi bom como “primeira exploração” e considerando que a viagem incluía também Tailândia e Camboja num total de 25 dias.

Meu roteiro completo nessa viagem pela Ásia foi o seguinte:

ROTEIRO ÁSIA

RIO – BANGKOK: Emirates Airlines com escala em Dubai (6 dias em Bangkok no hotel executivo bem localizado Centara Grand)
BANGKOK – HANOI: Thai Airways, tempo de vôo 1h50m. (3 dias em Hanói no Sofitel Legend Metropol maravilhoso)
HANOI – HALONG BAY de carro  3 horas (2 dias de barco privado da Legend Halong Exclusive Charters, em Halong Bay – o ideal é ficar 3 dias)
HALONG BAY – HANOI: 40 minutos de hidroavião da Hai Au novinho com piloto americano super seguro e prático com conexão imediata para Nha Trang.
HANOI – NHA TRANG: Vietnam Airlines, tempo de vôo 1h15m  (3 dias no Hotel Amanoi novíssimo, espetacular)
NHA TRANG – HO CHI MING: Vietnam Airlines, tempo de vôo 2hs (um dia apenas, foi pouco, o ideal são três dias)
HO CHI MING – SIEM REAP: Vietnam Airlines (3 dias, mas achei pouco, teria ficado facilmente uma semana no delicado e especial Amansara)
SIEM REAP – PHUKET: Air Ásia, 3 hs de vôo com escala em Bangkok, três dias no Anantara, o hotel é espetacular, mas Phuket é bem caidinha)
PHUKET – KO PHI PHI de barco 1 h30m (três dias no hotel Zeavola super simpático, pé na areia)
KO PHI PHI – KRABI de barco 1h30m (apenas um dia, poderia ter ficado três dias)
KRABI – BANGKOK: Thai Airways, 1h20m
BANGKOK – RIO: com escala em Dubai, de Emirates

VISTO

Nem pense em chegar no Vietnã sem visto. É preciso providenciar o visto antecipadamente. O ideal é fazer ainda no Brasil, na Embaixada do Vietnã. Também é possível fazer pela internet uma semana antes de entrar no país. Conforme a data de entrada se aproxima o valor vai subindo e as taxas sobem consideravelmente. Além disso, o passaporte precisa ter validade mínima de seis meses e é preciso apresentar certificado internacional de vacina contra febre amarela.  

IDIOMA

Vietnamita, mas o inglês é falado por muita gente, principalmente pelos mais jovens.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

No Vietnã chove muito o ano inteiro e o clima varia de norte a sul. No norte é frio no inverno, de novembro a janeiro. Assim, para conhecer Hanói e Halong Bay os vietnamitas dizem que agosto e setembro são os melhores meses. No entanto, esses meses costumam ter muitos furacões. Dizem que a media são 6 por ano. Pois, de maio a outubro, o país sofre com as monções. No sul, é muito quente no verão, de maio a julho. Portanto evite a região nessa época. No entanto, é exatamente essa a alta temporada no norte e na região central.

Halong Bay.

Os próximos posts serão dedicados a Hanoi, Halong Bay, Nha Trang e Ho Chi Minh. Em breve. 



06 fevereiro 2015

O REINO ENCANTADO DO CAMBODIA

Por Claudia Liechavicius

Tímidos, os primeiros raios de sol tentavam ultrapassar uma fina camada de nuvens que pairava sobre o que um dia foi a capital do poderoso Império Khmer. Uma multidão à beira do lago, em silêncio profundo, reverenciava aquele momento sublime, como que em transe. Pacientes. Curiosos. Olhares em êxtase esperando a luz do dia invadir o grande templo de Angkor, no centro de Siem Reap, no Cambodia, para descobrir um pouquinho de seus segredos. 

Uma multidão espera ansiosa pelo despertar de Angkor Wat. 

Todos a postos com suas câmeras fotográficas nas mãos. Eis que as cortinas de um novo dia se abrem e o templo se exibe imponente. Sagrado. Majestoso. Sereno. Indescritível. Repleto de histórias. 

O espetacular Angkor Wat. 

UM PASSADO GLORIOSO E SANGRENTO

O Reino do Cambodia foi o maior centro político e religioso do Sudeste Asiático durante seis séculos, de 802 à 1432. Seu vasto território englobava parte da Tailândia, Vietnam, Myanmar, Laos e ia até a Malásia. Mas, sua história é bastante tumultuada. Nada pacífica. Guerras sangrentas marcaram profundamente essas terras e deixaram o povo sofrido.

Mapa da enorme região ocupada pelo Império Khmer. 

Mapa atual do Cambodia. 

O século IX foi o começo de tudo quando o rei Jayavarman II se declarou "Chakravartin", o Rei do Mundo. E, o Império Khmer floresceu. Nada singelo, o rapaz. Mas, ele realmente teve muita força e abriu as portas para uma era de dominação que deixou um legado histórico incrível num império governado por uma sucessão de reis. 

As fundações de Angkor vem dessa época. Quando o rei que adorava Shiva construiu um templo em forma de montanha-piramidal para representar o monte Meru, a sagrada morada dos deuses hindus. Seu sucessor aumentou mais um pouco o império. Até que o rei Yasovarman I, que reinou de 889 a 910, transferiu a capital de Roluos para Angkor. Então, uma quantidade enorme de templos e palácios de pedras foram construídos num raio muito pequeno. O legado é espantoso. São mais de 100 templos. Um ao lado do outro. É de enlouquecer. Surpreendente. Sendo que os dois complexos maiores são Angkor Wat e Angkor Thom. 

Angkor Thom, Bayon.

Porém, tudo nessa vida é cíclico. Angkor entrou em declínio e acabou sendo esquecida. Os templos foram abandonados e a mata tomou conta. Isso foi um tremendo golpe de sorte. Ajudou na preservação desse tesouro.

Quatro séculos depois, exploradores franceses encontraram Angkor protegida pela natureza. O antigo Império Khmer começou a ser restaurado até que os conflitos do século XX sacudiram fortemente a região. 

Templo Ta Prhom onde foi filmado Tomb Raider, com Angelina Jolie.

A Guerra do Vietnam - que começou em 1954 - atingiu duramente o Cambodia. Os vietnamitas usavam o território do Cambodia como zona de passagem e os Estados Unidos atacavam com bombas. Isso fez surgir o Khmer Vermelho, Partido Comunista da Kampuchea que aterrorizou o Cambodia de 1975 a 1979. A bandeira do grupo era uma sociedade livre de influências estrangeiras e capitalistas. O partido ordenou uma reforma agrária radical sustentada por torturas e execuções em massa. Foram os responsáveis por um dos regimes mais chocantes e sanguinários do mundo. Eles tomaram Phnom Penh, em 1975, e deixaram o país devastado com um genocídio considerado o pior da história, com mais de 2 milhões de mortos.

O Khmer Vermelho foi expulso pelos vietnamitas, mas continuou resistindo com pequenos grupos de guerrilheiros até 1990 quando foi assinado um acordo de paz. Em 1998, morreu o líder político Pol Pot refugiado em um vilarejo distante. 

É uma história muito recente. Minas terrestres continuam provocando acidentes mesmo depois de todas as limpezas do território. As feridas estão cicatrizando aos poucos, depois de anos de sofrimento. O país começa a vislumbrar a paz com a nova realidade política.

Apesar da pobreza ainda aparente, os cambojanos têm voltado a sorrir. E o turismo nesse momento é um poderoso aliado que emprega 75% da população de Siem Reap.

Crianças cambojanas brincam pelas ruas enquanto vendem lembranças aos turistas. 

E, por incrível que pareça, em Siem Reap a aglomeração de turistas não chega a incomodar. É comovente ver um país que já foi abandonado à própria sorte encontrar um modo tão nobre e singelo de se levantar. Seu passado glorioso. Hoje, eles compartilham com o mundo esse legado espetacular deixado pelos antepassados e que ficou adormecido como num conto de fadas, debaixo da selva, durante tantos anos de guerras. 

COMO CHEGAR EM SIEM REAP

Siem Reap é o principal ponto para quem quer explorar os templos do antigo Império Khmer. Fica na região noroeste do Cambodia. Apesar de ser a cidade mais conhecida, não é a capital política e sim Phnom Penh. Mas, podemos dizer que Siem Reap é a capital cultural do país.

Pelas ruas de Siem Reap, Cambodia. 

Os aviões descem no simpático Aeroporto Internacional de Siem Reap. Usei a Vietnam Airlines para chegar ao país (vindo de Ho Chi Ming) e a Air Asia para sair (indo para Phuket). Também dá para voar de Siem Reap Airways, China Southern Airlines, Jetstar, Bangkok Airways, Malasya Airlines,  Lao Airlines e outras.

DICA: Alguns desses voos são muito baratos, ao redor de 40 dólares ou até menos. Compre passagem executiva, que ainda assim sai barato e você terá várias regalias como sala vip, embarque antecipado, serviço de bordo diferenciado e desembarque em vans exclusivas. Os voos low-cost costumam cobrar pela bagagem. Tenha bom senso e viaje pela Ásia apenas com um volume pequeno. O calor constante nessa parte do mundo ajuda a reduzir a bagagem.

O VISTO DE ENTRADA

Os documentos necessários para entrar no Cambodia são:
  •  passaporte com validade de no mínimo 6 meses, 
  • certificado internacional de vacinação contra febre amarela, e 
  • visto - que pode ser feito no próprio aeroporto, pois não há consulado do Cambodia no Brasil. É preciso pagar uma taxa de 30 dólares, preencher os formulários e levar uma foto 2x2. Mas, se esquecer a foto basta pagar mais 1 dólar e fazer no balcão. 
Lembre-se de um detalhe importante: propinas são uma constante no país. Se esquecer qualquer coisa é só oferecer algum por fora que tudo se resolve.

Para ilustrar essa questão vou contar o que aconteceu na chegada. O passaporte do meu marido estava quase totalmente carimbado. Não havia nenhuma página inteira livre. Havia vários espaços para colar o visto (que é de papel e não um carimbo). No entanto, o funcionário queria uma página inteira livre e ficou enrolando um tempão dizendo que não poderíamos entrar no país. Na hora, não entendemos a intenção dele. Até que cansou de tentar o recurso habitual e liberou o visto. Ao chegar no hotel, contamos que a demora no aeroporto havia sido por conta do passaporte. Então, o funcionário nos disse que se tivéssemos dados uma ajudinha financeira o assunto teria sido resolvido mais facilmente. Depois, ouvi de várias pessoas outras histórias parecidas. Essa é uma prática constante entre os oficiais cambojanos.

Também dá para fazer o visto  pela internet no site embassyofcambodia.org/evisa.html. Basta preencher um cadastro, pagar 35 dólares e aguardar a resposta de aprovação por 3 dias. Nesse caso, tome cuidado porque há vários sites fraudulentos. Recomendo fazer o visto na entrada do país.

Depois de resolver o visto é hora de ir para o hotel. O meio de transporte oficial do Cambodia é o tuk tuk. Escolha o seu taxi tuk tuk e boa sorte.

Os tuk tuks estão por toda parte em Siem Reap, no Cambodia.

Costumo chegar nas cidades com o transfer já contratado do próprio hotel para não ter aborrecimento. Nesse caso, havia um motorista todo uniformizado, com uma plaquinha com o nome e uma Mercedes-Benz muito antiga aguardando com ar condicionado e toalhas geladinhas. Bela surpresa!

Transfer do hotel Amansara.

A VIDA EM SIEM REAP 

Siem Reap tem um jeitinho singelo de vilarejo. A cidade explodiu como destino de sonhos de pessoas do mundo todo que gostam de lugares exóticos, de culturas diferentes e que não têm dificuldade de enfrentar o calor extenuante. O triste é ver a cada instante a pobreza nua e crua. É uma viagem que mexe com as emoções. Que desperta momentos de reflexão.  O coração viaja do encantamento à tristeza num segundo.

Com o grande fluxo de turistas, a cidade vem se desenvolvendo rapidamente e oferece tanto pousadas baratas como hotéis de luxo. Esse jeitão caótico que mistura de tudo é exatamente o que dá o toque especial. Gente da terra indo e vindo vendendo seus produtos; turistas boquiabertos transitando de tuk tuk pra baixo e pra cima; e, uma leva de monges em trajes alaranjados. Uma festa para os olhos e para a alma. O povo que já foi hindu hoje é 95% formado por budistas.

Um grupo de monges visita o templo Phonom Bakheng no por do sol.

O ideal em termos de hospedagem é ficar próximo do centrinho de Siem Reap. Ele é chamado de Old French Quarter. A arquitetura nessa região guarda memórias dos tempos de dominação francesa e a noite ferve. O ritmo é agitado. A Pub Street é o ponto de referência para se localizar. Nas ruelas ao redor há muitos restaurantes, mercados noturnos e spas com todo tipo de massagem, inclusive aquela feita nos pés por peixinhos famintos.

Pub Street, no centro de Siem Reap.

Um dia bem aproveitado em Siem Reap funciona assim: bem cedo, antes do sol castigar é hora de circular pelos templos; perto do meio-dia, na hora em que o calor fica exaustivo é hora de fazer uma pausa para curtir o hotel; no final da tarde novos templos; e, de noite, como ninguém é de ferro, vale fazer uma massagem no centrinho, dar uma caminhada pelos mercados e depois jantar na Pub Street.

Uma boa massagem nos pés não pode faltar no final do dia. 


As comidinhas de rua estão por todos os cantos em Siem Reap.


Vai de cobra ou de aranha?

Então, indico um bom hotel para servir como oásis e perto de tudo, o Amansara. Ele tem um ambiente super tranquilo e decoração maravilhosa. São só 24 suites, cada uma com sua piscina privativa. Os quartos são amplos e conjugados com um banheiro lindo que se abre para a piscina. O café da manhã é muito bom. Nos dias em que você optar por sair bem cedo para conhecer os templos, o café pode ser servido após a primeira visita em uma antiga casa cambojana restaurada pelo hotel na beira do lago. Espetacular. Os hóspedes também têm incluída outra refeição que pode ser almoço ou jantar. À escolher. O restaurante do hotel é excelente e oferece tanto cozinha internacional como típica do país. Cada hóspede tem um motorista com um tuk tuk para ir onde quiser, a qualquer hora do dia. Serviço muito simpático e só não diria que impecável porque eles ainda estão aprendendo a receber os turistas. Mas, fazem de tudo para agradar. Recomendo!

Piscina do hotel Amansara.

Restaurante do Amansara. 

 Quarto enorme e delicioso.

À noite, danças típicas do Cambodia na beira da piscina. 

E, um tuk tuk pra chamar de seu.


A DURA VIDA NUM PAÍS PÓS-GUERRA

Saindo alguns quilômetros do circuito turístico, a realidade ainda é bem chocante. O país tem uma população de 15 milhões de habitantes espalhada por uma área de 180 quilômetros quadrados. O Cambodia faz fronteira com Laos, Tailândia e Vietnam. Metade da população do Cambodia é muito carente e ganha o equivalente a 100 reais por mês para seu sustento. Essa miséria toda é o resultado de anos de uma guerra insana.

A vida é simples no Cambodia.

Eles vivem basicamente da pesca e da agricultura em vilarejos muito simples. As portas das casas costumam ficar sempre abertas para receber quem chega. São solidários e sorridentes. Os cômodos não têm divisórias. Paredes só no banheiro. Todos dormem juntos e a cama do casal costuma ter cortinas para dar privacidade. Durante o dia, as pessoas sentam no chão, mesmo as mais velhas. A comida ainda é feita em fogareiros e é deliciosa. À base de peixes, legumes e arroz. 

Cozinha e quarto numa típica casa cambojana.

BILHETE PARA VISITAR OS TEMPLOS

O parque de Angkor ocupa uma área muito extensa. São 400 quilômetros quadrados. É preciso de tempo se quiser conhecer os quase 100 templos que ali habitam. Fiquei 3 dias na cidade e foi muito pouco. Saí com vontade de ficar mais. Não estava pronta para ir embora. Teria ficado facilmente por 5 dias (ou até mais).

O bilhete de entrada, que é chamado de passe, deve ser comprado exatamente conforme o tempo que você pretende ficar na cidade.
  • para um dia: U$ 20
  • para 3 dias U$ 40 
  • para 7 dias U$ 60. 
Os passes são pessoais e intransferíveis. São feitos apenas em uma das entradas do complexo num guichê bem organizado que começa a funcionar ainda de madrugada, as 5:00 horas - uma vez que o nascer do sol nos templos é programa obrigatório - e fecha as 18:00 hs.

As filas costumam ser grandes ao amanhecer, pois é preciso tirar uma foto no local e fazer o pagamento. Mas, não demora muito.

Caso a compra do passe seja feita depois das 17:00 horas, ainda assim ele poderá ser usado até as 18:00 horas e passa a valer a partir do dia seguinte. Boa opção para quem pretende ficar apenas um dia e assim terá mais um finalzinho de tarde para curtir algum templo.

Guichês lotados as 5 horas da manhã para a compra dos passes. 

ENTÃO, VAMOS AOS TEMPLOS

Mapa dos templos de Angkor.

A distância entre os templos é grande, apesar de não parecer no mapa. Especialmente, para quem vai se deslocar de tuk tuk ou bicicleta. Aliás, com o calor do Cambodia acho bicicleta uma péssima opção. No tuk tuk você consegue pelo menos dar uma relaxada e tomar um ventinho no rosto enquanto se desloca de um templo para outro. Além disso, é o meio de transporte mais usado na cidade.

Vá de tuk tuk pelos templos do Cambodia. É mais original e divertido.

Teoricamente para circular pelos templos há dois circuitos que foram criados no período em que os franceses estiveram no Cambodia e que são usados até hoje. Os dois iniciam em Angkor Wat. O circuito curto tem 18 quilômetros, pode ser feito em um dia e cobre as ruínas centrais do complexo como Ta Prohm e Banteay Kdei. Já, o circuito longo tem 27 quilômetros e leva pelo menos dois dias para ser feito. Inclui o circuito curto mais alguns templos externos como o Preah Neak Pean, o Ta Som e o Pre Rup. No entanto, tudo depende do seu interesse, ritmo da viagem e tempo disponível.

O CARTÃO-POSTAL DO CAMBODIA, ANGKOR WAT

Você já prestou atenção na bandeira do Cambodia? Ela tem três listras horizontais. A superior e a inferior são azuis. A central é vermelha e traz no centro o desenho da entrada de Angkor Wat. Suas torres sagradas são o símbolo máximo do país, o templo é considerado como a maior obra religiosa do mundo. Desde 1982 é considerado Patrimônio Mundial da Humanidade.

Angkor Wat vista do templo Phonom Bakheng.

Angkor Wat significa "a cidade que é um templo". O templo foi construído para Vishnu, o deus hindu protetor da criação. O projeto se baseia numa mandala hindu. No centro ficam as cincos grandes torres. Para entrar no complexo é preciso passar por um grande fosso. Lá dentro, as paredes que de longe parecem apenas pedras revelam milhares de entalhes de dançarinas celestiais (chamadas de apsaras), guerreiros e animais.

Interessante observar que as danças típicas do país se baseiam nas posições corporais desses entalhes e reproduzem as histórias gravadas nas paredes dos templos.



 Centenas de entalhes enfeitam as paredes de Angkor Wat.

O Santuário Central é o mais alto e mais sagrado. Abriga várias estátuas de Buda. Para entrar é preciso cobrir os ombros e as pernas. A escadaria de acesso é bem íngrime e perigosa.

Se quiser entrar antes da galera e ter o santuário só para você basta pagar alguns dólares para os seguranças de plantão. Eles liberam a entrada e até acompanham para mostrar os altares.

Santuário Central.

 No interior do Santuário Central há vários altares. 
Observe que muitas cabeças foram cortadas durante as guerras. 

Angkor Wat. Simplesmente espetacular.

O MISTERIOSO TA PHROM

Ta Phrom é um antigo mosteiro budista que hoje parece um castelo mal assombrado. A floresta tomou conta do que foi abandonado pelo homem. As raízes gigantescas das figueiras são como mãos segurando firmes as pedras do passado. As árvores chegam a ter mais de 300 anos. É impressionante e assustador.

Entrada de Ta Phrom.

 Famílias cambojanas circulam pelo templo. 

 As raízes das figueiras gigantes guardam os segredos do mosteiro Ta Phrom.

Esse cenário foi usado por Angelina Jolie para gravar cenas do filme Tomb Raider na pele de Lara Croft. As ruínas vem sendo restauradas com cuidado e as árvores fazem parte do cenário. Não serão removidas. No seu auge, o complexo chegou a ser mantido por 80 mil funcionários entre os quais 600 dançarinas  e 18 sacerdotes.

O IMPRESSIONANTE ANGKOR THOM

Angkor Thom significa "Grande Cidade". Foi a maior cidade do Império Khmer. Chegou a ter 1 milhão de habitantes. O complexo é protegido por 10 quilômetros de muros com 8 metros de altura. Cinco portões permitem a entrada. Dentro de Angkor Thom tem várias ruínas e a mais intrigante é Bayon com seus rostos enigmáticos.

Bayon, em Angkor Thom.

Os rostos de pedra do templo de Bayon espreitam a história do Cambodia a mais de 500 anos. São 54 torres com quase duzentas faces de semblantes serenos e todos diferentes.

Uma fileira de deuses de cada lado guarda a entrada do Portão Sul. 

Olhando de longe nem dá para perceber que as torres tem rostos esculpidos.

Ao se aproximar, os rostos de Bayon, em Angkor Thom, revelam sua tranquilidade.

A paz emana em Bayon. Monges estudam seus mantras.

O PEQUENINO TEMPLO BAKSEI CHAMKRONG

Outra parada interessante, logo na saída de Bayon, pelo Portão Sul, é no pequeno templo Baksei Chamkrong. Esse é um templo hindu dedicado a Shiva. Sua escadaria é muito íngrime e perigosa. Pouca gente circula por ali. Não é um dos mais conhecidos. Vale uma visita breve enquanto se espera para subir ao templo Phnom Bakheng de elefante para ver o por do sol.

 Templo Baksei Chamkrong.


Altar do templo Baksei Chamkrong.

O TEMPLO DE BANTEAY KDEI

O nome desse templo significa "Cidadela das Celas dos Monges". Foi usado até 1960 por monges budistas e está muito mal conservado. Data do século XII. É formado por duas galerias de onde nascem as torres e por um claustro.

Reflexos do templo budista Banteay Kdei.

O templo Banteay Kdei recebe poucos visitantes. É lindo e tranquilo.

O POR DO SOL EM PHNOM BAKHENG

No final do dia, o programa é assistir o por do sol no Phnom Bakheng. Esse foi o templo oficial da primeira capital Khmer e data do século IX. Cinco torres emergem majestosas de uma espécie de pirâmide que fica no topo do morro. O caminho é íngrime. Muita gente opta por subir na carona de um elefante. 

Muitos monges se dirigem diariamente ao sagrado Phnom Bakheng.

A subida pode ser feita a pé ou de  elefante para o santuário Phnom Bakheng.

Uma multidão aguarda a despedida do astro rei em Phnom Bakheng.

E o sol se despede dos monges em Phnom Bakheng.

Ainda em Angkor Thom tem vários outros templos interessantes: Baphuon (um dos mais importantes do complexo), Phimeanakas (palácio-templo do século X), os pequenos santuários Preah Palilay e Tep Pranam, a Esplanada do Rei Leproso, a Esplanada dos Elefantes, Khleang e outros. Não dá para conhecer tudo. É preciso selecionar alguns.

TEMPLOS MAIS VISITADOS
  • Angkor Wat (as pessoas adoram ver o sol nascer na frente do templo)
  • Angkor Tom (onde fica Bayon com as caras de pedra e vários outros templos)
  • Ta Prohm (conhecido pela filmagem de Tomb Raider com Angelina Jolie)
  • Banteay Srei
  • Roluos (Lolei, Preah Ko, Bakong)
  • Phnom Bakheng (indicado para se ver o por do sol)
  • Prasat Kravan
  • Preah Khan (funcionava como mosteiro e escola religiosa)
  • Preah Neak Peam 

ALÉM DOS TEMPLOS DE SIEM REAP

Só as ruínas do Império Khmer já fazem valer a viagem. Mas, há outras possibilidades que não tive tempo de explorar no país.
  • Vilas flutuantes do Lago Tonle Sap onde vivem várias famílias em vilas flutuantes. A mais conhecida é Chong Kneas. O lago é o maior do sudeste asiático e fica a 40 minutos de Siem Reap.
  • A capital Phnom Penh a 400 quilômetros de Siem Reap.
  • A cidade colonial de Kompot da época da colonização francesa.
  • Praia de Sihanoukville com águas calmas e claras.
  • Arquipélago de Koh Rong ainda bem virgem. 

CUIDADOS IMPORTANTES
  • Use sapatos muito confortáveis e que não esquentem demais os pés. Você vai caminhar muito, subir muitas escadas e o calor é danado.
  • As mulheres precisam cobrir ombros e pernas em alguns locais. Então, vá de roupas leves e tenha um lenço grande que possa ser amarrado como saia quando precisar.
  • Leve óculos, boné e protetor solar. 
  • Evite comer verduras e legumes não cozidos.
  • Tome somente água mineral engarrafada.
  • Procure não se afastar das áreas demarcadas pelo risco de minas terrestres.
  • Quando encontrar um monge você pode fotogra-lo, mas se você for mulher não toque nele.
  • Não elogie o vizinho Vietnam para os cambojanos. Eles ainda têm muitas travas do passado.
  • Não use o chapéu vietnamita Nón là no Cambodia. Fui advertida pela polícia que não poderia usar o chapéu. É proibido.
Respeite as diferenças culturais. 
Depois de saber que não poderia usar meu Nón là aposentei ele no hotel. 

MELHOR ÉPOCA PARA IR: final de novembro, dezembro e janeiro. Os outros meses são muito quentes, a temperatura pode chegar a 45 graus. De maio a outubro é período de monções, quente e chuvoso. Evite.

MOEDA LOCAL: Riel (KHR). 1 dólar vale 4 mil rieis. Dólar americano é aceito em muitos lugares.

FUSO HORÁRIO: 10 horas à frente do Brasil.

INDICAÇÃO DE RESTAURANTES: Khmer Kitchen (na Pub Street), Sugar Palm (comida típica do Cambodia servida numa casa de madeira antiga em estilo Khmer), Il Forno (comida italiana, numa transversal da Pub Street), Abacus (cozinha francesa com toque asiático), Chez Mathieu (cozinha francesa).

Super viagem para quem gosta de culturas exóticas!!!! 


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