Uma vez em Toronto, não dá para deixar de reservar um dia para conhecer o Niagara Falls. Afinal, é tão pertinho (145 quilômetros) e fácil de chegar, que vale uma "day trip". A estrada é ótima. Fora do horário de rush se chega em uma hora e meia.
As cataratas ficam exatamente na fronteira do Canadá com os Estados Unidos. Suas águas provém de quatro grandes lagos e subitamente caem de uma altura de 60 metros, num volume espantoso. Sobe uma neblina forte que chega a molhar as pessoas e formar uma névoa densa no ar.
O lado americano fica na cidade de Buffalo. Tem uma queda chamada de Véu da Noiva (Veil Falls) com 323 metros de largura, considerada bem mais singela do que a canadense. Por isso, é menos visitada. Mas, se quiser ir até lá basta atravessar a ponte Raimbow Bridge e, claro, ter visto americano dentro do prazo de validade.
Do lado esquerdo da foto fica o Canadá e do lado direito os Estados Unidos. Ao fundo, a Raimbow Bridge faz a ligação entre os dois países.
A queda d'água Véu da Noiva é a Catarata Americana.
Já, a Catarata Canadense é poderosa. Chamada de Ferradura. Ela tem 792 metros e uma fúria assustadora. Recebe um número bem maior de visitantes do que o lado americano. Inclusive, conta com uma infraestrutura que chega a ser incompatível com a beleza natural do lugar. Cassinos, grandes hotéis, restaurantes, boates e parques são separados das cataratas apenas por uma avenida.
Observe o chão molhado pela água da catarata e logo ali, uma selva de pedra.
Interessante observar que as pessoas passeiam por um calçadão praticamente às margens das cataratas. E, elas são protegidas apenas por uma cerquinha de ferro. Dá até medo, de tão perto. Aquele rugido feroz das águas não combina com uma massa de gente de guarda-chuva (para não tomar um banho com a água que se espalha no ar) circulando tão próximo de uma obra espetacular da mãe natureza, num vai-e-vem incessante entre uma fézinha no cassino e uma xícara de café. Realmente estranho. Esperava um lugar mais intocado, mais selvagem, como é a nossa magnífica Foz do Iguaçu. Tive dificuldade de entrar em sintonia com aquele turbilhão de água no meio da "Las Vegas canadense". E, olha que eu era doida para conhecer. Fiquei um pouco decepcionada com o contexto e o entorno.
Apenas uma pequena cerca protege as pessoas, no Niagara Falls. Perigoso!
Niagara Falls. Foto tirada da mureta, sem zoon. Dá para perceber como se fica próximo da queda da Ferradura.
Talvez minha experiência tenha ficado prejudicada por ter ido num dia frio - mesmo que com esse céu lindo azul fazia menos de 5 graus e soprava um vento gelado. O tradicional barco Maid of the Mist que chega bem perto das quedas d'água ainda não estava em atividade (parte do cais embaixo da Raimbow Bridge do final de abril a outubro). E, pela baixa temperatura, também não me aventurei pela trilha Journey Behind the Falls com receio de sair toda molhada. Para ter acesso à trilha se desce 45 metros de elevador por dentro da rocha até uma série de túneis artificiais que dão vista à foz. Para fazer esses passeios compra-se um bilhete chamado de Adventure Pass que dá direito ao barco e às trilhas pelo valor de 44.95 dólares canadenses para adultos e 32.95 para crianças. Mas, se quiser apenas olhar as cataratas sem fazer esses passeios não precisa pagar nada além do estacionamento, se estiver de carro.
Ao norte do Niagara Falls fica a charmosa cidade do século XIX, Niagara-on-the-Lake. Parece uma cidade cenográfica. Tem um lindo casario antigo todo em madeira, de pintura caprichada, que remete ao período da colonização. Absolutamente imperdível. E, o caminho até lá também é lindo. São uns quinze minutos passando por mansões muito bem cuidadas, sem muros, entre árvores, à beira do lago, ao longo da Niagara Parkway. A cidade é mínima. Tem praticamente uma rua central por onde os turistas caminham entre lojinhas de lembranças do Canadá, cafés, sorveterias, restaurantes e carruagens.
Niagara-on-the-lake.
Almocei no hotel Prince of Wales, no restaurante Escabèche. Delicioso. Valeu o dia. Na saída um sorvete na The Cow e um café no Tim Hortons. A cidade lembra Gramado numa proporção bem menor.
Carruagem estacionada em frente ao restaurante Escabèche, no hotel Prince of Wales.
ZONA DAS VINÍCOLAS CANADENSES
E para encerrar minha "day trip" ao Niagara com chave de ouro fiz uma visita à uma das tantas vinícolas da região. A Península do Niagara vem se destacando com a produção de vinhos e pode ser comparada com nossa Bento Gonçalves ou com Napa Valley. São mais de 50 vinícolas. Escolhi a Stratus, por indicação de amigos canadenses apaixonados por vinhos. Com horário previamente marcado coloquei o endereço no GPS - 2059 Niagara Stone Road - e lá fui eu para uma sessão de degustação de vinhos, comandada por Ben Nicks.
A preocupação ambiental é um dos pontos altos da Stratus que não é muito grande se comparada com outras empresas produtoras de vinho da região. Foi a primeira vinícola a receber o certificado LEED (Leadership in Energy and Environmental Design). O prédio onde é feita a degustação foi construído recentemente. Recebe muita luz natural e tem decoração moderna caprichada. Foi uma visita deliciosa em todos os sentidos. Recomendo! Os vinhos são divinos.
Outras vinícolas interessantes da região são a Inniskillin (a mais conhecida), Chateau des Charmes (empresa familiar) e Peller Estate (grande porte e com loja em Niagara-on-the-Lake).
Outras vinícolas interessantes da região são a Inniskillin (a mais conhecida), Chateau des Charmes (empresa familiar) e Peller Estate (grande porte e com loja em Niagara-on-the-Lake).
Vinícola Stratus.
RESUMINDO
Saí de Toronto às 9:00 hs e retornei às 17:00 hs. Iniciei meu dia indo ao Niagara Falls, almocei na charmosa cidadezinha Niagara-on-the-Lake e fechei a tarde com uma degustação de vinhos.
Além disso, há outras opções para quem pretende ficar mais tempo e até mesmo dormir em Niagara: Borboletário, Jardim Botânico, Parques Aquáticos (Waves Indoor Water Park e Fallsview Indoor Water Park), Bird Kingdom, cassinos e atravessar para o lado americano para conhecer Buffalo.
Vale considerar que fui na primavera, ainda frio. No verão dizem que é insuportavelmente lotado. Portanto, se for em alta temporada reserve um tempo maior para as visitas.
Vale considerar que fui na primavera, ainda frio. No verão dizem que é insuportavelmente lotado. Portanto, se for em alta temporada reserve um tempo maior para as visitas.
Um brinde aos vinhos canadenses!
