24 agosto 2014

MAIS UMA VEZ TÓQUIO

Por Claudia Liechavicius

Novamente no verão. Novamente em agosto. Essa foi minha segunda vez em Tóquio e por coincidência no período mais quente do ano. É a época em que a natureza se veste em muitos tons de verde. O calor úmido parece incomodar a população. Cada um carrega uma toalhinha para secar o rosto. Um povo caprichoso, delicado, gentil e educado. Que espera tranquilamente na fila do metrô, que fala baixinho, que conversa sorrindo, que adora ser convidado para posar na sua foto, que faz de tudo para ajudar mesmo com a dificuldade da língua, que agradece, pede licença, não joga lixo no chão e por aí vai.

Já deu para perceber que o Japão me arrebatou totalmente. Não tem como não ser cativado por essa gente simpática que fez um país sedimentado na tradição do passado, mas com o pé cravado no futuro. A alta tecnologia dos robôs convive em sintonia com templos budistas e santuários xintoístas milenares. Esse é o país dos bonsais, do karaokê, dos samurais, do sushi, dos mangás (quadrinhos japoneses), dos cosplayers (aqueles que se vestem interpretando seus personagens preferidos), das gueixas.

Meninas super charmosas e simpáticas passeiam pelas ruas de Ginza com seus trajes típicos.

Uma visita por essas terras garante uma experiência ímpar, especialmente se você aproveitar para se hospedar num ryokan, onde vai curtir um clássico banho japonês “onsen” em temperatura altíssima e dormir em futons montados no chão, à noite, no lugar exato em que havia uma mesa durante o dia preparada para a cerimônia do chá e  para um jantar kaiseki com iguarias fresquíssimas da estação.

E, não importa o período do ano para visitar o país. Pois, cada um tem seu charme e um colorido diferente. Como eu disse, no verão - de junho a agosto - predomina o verde. Já, na primavera - de março a maio - as cerejeiras floridas dão um toque suave e festivo, no outono – de setembro a novembro - as folhas assumem nuances de laranja e o inverno rigoroso nevado cobre tudo de branco entre dezembro e fevereiro. Uma festa para os olhos em qualquer que seja a época.

Os jardins do Museu Nacional de Tóquio ganham muitos tons de verde no verão

O Japão é um arquipélago formado por mais de três mil ilhas num cinturão de fogo que está sujeito a terremotos, vulcões e furacões. E, ainda assim, eles transformaram o país na terceira maior economia do mundo, com um elevadíssimo Índice de Desenvolvimento Humano. Como eles conseguiram isso? Com muita estratégia e disciplina. É um povo de estatura pequena e grande arquitetura mental.

SOBRE TÓQUIO

Tóquio é a capital do Japão desde 1868 (antes era Kyoto). Surgiu como uma vila de pescadores chamada de Edo e se tornou o centro de poder dos xoguns, em 1590. A cidade foi arrasada por um grande terremoto em 1923 e depois bombardeada na Segunda Guerra. Portanto, não espere encontrar muitos prédios antigos preservados. Pouca coisa sobrou intacta desse passado conturbado. Hoje a cidade é moderna, repleta de letreiros coloridos, com um dos melhores metrôs do mundo e conectada com todo o restante do país pelo shinkansen, o trem-bala. No meio disso tudo, ainda hoje, há a figura de um imperador.

A região central de Tóquio se espalha ao redor do que já foi o maior castelo do mundo. Ele foi construído pelo primeiro xogum, na era Edo e tinha vigilância constantemente de um grupo de 100 samurais. Mas, como quase tudo na cidade, ele foi destruído na Segunda Guerra. No seu lugar nasceu o Palácio Imperial onde atualmente mora a família imperial. O público só tem acesso às suas dependências duas vezes por ano: no Ano-Novo e no aniversário do imperador Akihito. Fora isso, o que se pode visitar é o parque ao seu redor, a ponte de pedra em arco duplo chamada de Ni-jubashi e o fosso cheio de água que circunda e protege sua entrada.

Ponte de acesso ao Palácio Imperial de Tóquio.

Ainda nos limites do parque fica o Museu Nacional de Arte Moderna e, no local que antigamente servia de quartel-general da guarda imperial, está a galeria de artesanato Crafts Gallery.

Fiquei hospedada nessa região da cidade. Optei pelo hotel Península que fica a uma quadra do Palácio Imperial, pertinho da estação de trem e a uma quadra das enormes placas luminosas do elegante bairro de Ginza. Recomendo totalmente. O serviço é impecável. Eles fazem de tudo para agradar e conseguem. Desde o café da manhã que é servido com uma delicadeza impressionante no saguão principal ao quarto espaçoso e muito bem decorado . O hotel tem um restaurante japonês especializado em tempurá que é dos deuses. Sentar no balcão e ver o chef preparando exclusivamente para você uma refeição tão fresca, em que até o camarão chega vivo, é uma benção.

Quarto do hotel Península de Tóquio.

Bem pertinho do Península fica o icônico Imperial Hotel. Ele é conhecido por oferecer uma ótima cerimônia do chá, chamada chanoyu, uma tradição japonesa milenar. Se tiver tempo e gostar de chá vale experimentar.

Outro hotel classudo que também fica nas redondezas do palácio, no bairro financeiro de Marunouchi, é o Shangri-la. Interessante que o hotel tem acesso direto à estação terminal do trem-bala de Tóquio. Ideal para quem vai sair direto com as malas para circular pelo país. O Sangri-La tem parceria com alguns dos ryokans mais luxuosos do Japão em Hakone, Atami e Karuizawa. Para quem quiser passar por essa experiência fica aí a dica de alguns locais interessantes. Não fiquei em nenhum deles, então não posso dizer como são. Vou contar no próximo post minha experiência no ryokan Hiiragiya, em Kyoto.

E, agora voltando ao sofisticado bairro de Ginza. Quando a capital do país mudou de Kyoto para Tóquio, em 1590, essa região era um pântano. Com o passar do tempo, foi sendo urbanizada e passou a congregar muitos comerciantes. Pelo fato de ter abrigado uma oficina de cunhagem de prata foi dado o nome de Ginza que significa “lugar de prata”. Hoje, o bairro é um dos cartões-postais da cidade com letreiros enormes e mega chamativos que sinalizam galerias, lojas de departamento e grifes famosas. O badalado restaurante de sushi Kyubei fica numa pequena travessa do bairro e merece uma reserva, que aliás é bem difícil de se conseguir. Garanta seu lugar antecipadamente.


Ginza.

Restaurante Kyubei.

Pertinho dali, não deixe de ir ao Mercado de Peixes de Tsukiji. É uma experiência divertida, além de deliciosa. Todas as manhãs, bem cedinho - menos aos domingos – acontecem os leilões de peixes, entre 5:30 e 8:00 horas (essa é a melhor hora). É gente que não acaba comprando produtos super frescos e limpos para abastecer seus estabelecimentos comerciais com frutos do mar. O atum é a grande estrela. Ao redor do local onde os peixes são negociados, uma legião de fãs de comida japonesa circula em busca de um lugar para comer o sushi e o sashimi tidos como os mais frescos do mundo. Alguns locais chegam a ter fila de espera de mais de 4 horas. Uma loucura. Mas, não espere luxo. É tudo muito simples e cercado de barracas que vendem porcelana, vegetais, peixes desidratados, cogumelos de todo tipo, biscoitos, chás... Numa das ruelas próxima ao mercado fica o singelo santuário Namiyoke Inari Jinja onde os pescadores e comerciantes fazem suas orações para ter segurança no mar e para garantir boas vendas. Simplesmente imperdível!

Mercado de Peixes de Tóquio. Simplicidade e qualidade

Muita gente espera por mais de 4 horas para degustar sushis e sashimis fresquíssimos.

Muitas lojinhas se espalham nos arredores do Mercado de Peixes de Tsukiji.

Do Mercado do Peixe dá para pegar o monorail e ir até Odaiba, o bairro avança sobre a baía e é conectado pela Ponte do Arco-Íris. As principais atrações são a enorme roda gigante, uma réplica da Estátua da Liberdade, uma praia artificial, o prédio da Fuji TV, as pirâmides invertidas do parque de exposições, shoppings e área de jogos eletrônicos.

Tóquio também tem duas torres. A Tokyo Sky Tree, de 2012, com 634 metros. E a Torre de Tóquio que é mais antiga e imita a Torre Eiffel, porém vermelha e com 333 metros. Vale subir nos seus observatórios, o primeiro a 150 e o segundo a 250 metros, para ver a cidade do alto. Ela fica no Parque Shiba que era o cemitério da família de um xogum e onde também está o templo Zojo-ji

E, por falar em templos há muitos para se visitar na cidade. Mas, quase todos foram refeitos depois de incêndios, terremotos e bombardeios. Os dois mais visitados são o  Senso-ji e o Meiji.

O santuário Meiji é xantoísta e o mais importante da religião em Tóquio. Depois de passar pelo torii de entrada, o portão xintoísta que sinaliza a entrada do santuário, percorre-se uma avenida de cedros. Em japonês, shinto significa “o caminho dos deuses”. Essa é a religião nativa do Japão. Tem como centro as divindades Kami que regem todas as coisas da natureza. Nos santuários há sempre locais onde tábuas votivas e talismãs chamados de “omamori” são pendurados para trazer sorte nas provas escolares, no trabalho, na família, nos relacionamentos, para garantir fertilidade e até para trazer proteção no trânsito. Interessante ver o ritual feito pelos fiéis. Eles puxam a corda de um sino para chamar os deuses, jogam moedas em uma caixa de madeira, batem palmas duas vezes, se curvam, batem palmas mais uma vez e iniciam uma oração. Um lindo ritual.

 Casal em momento de oração em templo xintoísta

Já, o Senso-ji é o maior e mais sagrado templo budista de Tóquio. Ele cultua uma estatueta de ouro de 7 cm de Kannon, deusa da Misericórdia, que foi encontrada no rio Sumida e está no Pavilhão Principal. O complexo também foi refeito recentemente, os bombardeios realmente detonaram a cidade. Fica no bairro de Asakusa. Fácil de chegar de metrô. Opte por ir bem cedo para evitar a multidão. Aproveite o jet lag de 12 horas que não vai deixar você dormir até tarde.

Templo Senso-ji.

Um parque que merece a visita é o Ueno. Ele fica na parte norte da cidade. É enorme. Surgiu no século XVII ao redor do templo Kanei-ji construído por um xogum para evitar a ação dos maus espíritos. Hoje é uma área pública muito frequentada pelos moradores da cidade. O parque tem um lago com pedalinhos, outro repleto de flores de lótus, um zoológico, um pagode de 5 andares e ainda tem uma parte do templo kanei-ji. Mas, a grande estrela é o belíssimo santuário Tosho-gu, uma das raras construções remanescentes do período Edo, cercado por 200 lanternas de pedra e 48 de bronze. Além disso, o parque Ueno ainda tem dois museus: o Museu Nacional de Ciências e o Museu Nacional de Tóquio. Visitei apenas o Museu Nacional de Tóquio que tem esculturas budistas lindas e uma coleção interessante de armaduras japonesas, trajes tradicionais e utensílios de chá. O ingresso custa 620 yens.

Santuário Tosho-gu, Ueno Park, Tóquio.

Lanternas na entrada do santuário Tosho-gu.

Ueno Parque e seu  jardim repleto de flores de lótus.


No budismo, a flor de lótus simboliza a pureza do corpo e elevação espiritual. Diz a lenda que quando Buda deu os primeiros passos desabrocharam flores de lótus nos lugares onde ele pisou. A maior parte das divindades das religiões asiáticas costuma estar sentada sobre uma flor de lótus durante a meditação.

Uma das tantas estátuas de Buda do Museu Nacional de Tóquio.

A cidade é realmente enorme. Andar de carro é complicado porque o trânsito é pesado. Em compensação, o metrô é super fácil e conecta a cidade todinha. Compre um bilhete diário para poder subir e descer onde quiser. Tem várias opções de bilhetes para um dia ou mais, apenas para metrô ou conjugado com monorail e ônibus. Isso agiliza a movimentação.

Outros bairros que não podem ficar de fora são os vizinhos Shinjuku, Shibuya, Harajuku e Roppongi, do lado oeste de Tóquio. Eles formam a parte mais nova da cidade. São cheios de agitação, divertimento, vida noturna e gente jovem.

Shibuya tem centenas de letreiros coloridos chamando, durante o dia, para as tantas lojas de departamento, galerias de arte e, à noite, quando as luzes de néon se acendem, o ar boêmio toma conta. Os salões de pachinko, máquinas de jogos tipo fliperama populares no Japão, se enchem de gente. Uma estátua curiosa no bairro é a de um cachorro chamado Hachiko que ficou por 10 anos esperando seu dono na frente da estação de trem depois de sua morte. Por coincidência, assim que cheguei no hotel o filme baseado nessa história real estava sendo anunciado. Assisti e chorei muito. É triste e lindo. Uma lição sobre lealdade e companheirismo.

Entre os letreiros de Shibuya.

Já, o bairro de Shinjuku ostenta prédios altíssimos e modernos. A maioria de escritórios e hotéis. Com a possibilidade de haver terremotos na cidade é muita coragem construírem tantos arranha-céus. Mas, à leste do bairro também tem uma área que ferve durante a noite com cinemas que exibem os últimos lançamentos ao lado de casas de strip-tease e clubes de jazz.

Roppongi é um bairro repleto de shoppings, restaurantes e é também, um centro dedicado à música. Música combina com noite. Então, dizem que essa região é famosa pelas noites agitadas e bares em estilo ocidental. Dois complexos enormes com shoppings, restaurantes, parques, hotéis e até museu são o Tokyo Midtown e o Roppongi Hills. Para quem não dispensa a cozinha francesa, no shopping Roppongi Hills, Joel Robuchon tem dois restaurantes: o L’Atelier e o La Boutique. Além disso,  tem várias lojas de grifes francesas, inglesas, italianas e americanas: Louis Vuitton, Diesel, Burberry, Banana Republic...

Para fugir do convencional circule por Harajuku. O bairro é considerado um centro de moda e frequentado por jovens exóticos no modo de se vestir. Isso é bem comum no Japão. Eles têm muita personalidade e nenhum constrangimento em chamar atenção com sua extravagância.

Nessa região do lado oeste da cidade vale ainda ir ao Museu de Arte Memorial Ota, ao Museu de Arte Togui, ao Museu de Arte Contemporânea, ao Parque Yoyogi e ao santuário xintoísta Meiji.

Quem gosta de produtos eletrônicos não pode deixar de fora o bairro de Akihabara. É de enlouquecer. O único problema são as etiquetas todas escritas em japonês. Eu fiquei zonza com tanta oferta. Contam por aqui que o mercado nasceu de uma maneira muito interessante. Durante a Segunda Guerra, o exército japonês queria vender a sobra de seus equipamentos e passou a usar esse local, no meio dos escombros para negociar com os estudantes das universidades vizinhas. E, dali em diante, só cresceu. Agora, impressiona. São prédios e mais prédios oferecendo tudo o que se possa imaginar de eletrônicos. Mesmo que não tenha interesse em comprar nada, vale a pena pelo menos dar uma caminhada por ali.

Akihabara tem muita oferta de eletrônicos, mas os preços não são muito camaradas.

Para quem viaja com os filhos vale a pena reservar um dia para a diversão na Tokyo Disneyland ou na Tokyo Sea, os dois parques temáticos da Disney na cidade.

OUTRAS INFORMAÇÕES

Moeda: yen

Fuso horário: 12 horas à frente do Brasil.

Visto: é necessário ter visto emitido pelo Consulado do Japão para entrar no país.

Para dirigir: os carros têm mão inglesa.

Língua: japonês. Muita gente fala inglês. Mas, é bem difícil entender a maneira como eles falam, pois não conseguem pronunciar o “l”. Isso dificulta a compreensão. No entanto, eles são muito educados e se esforçam para ajudar.

Higiene e segurança: são pontos altos do país. As cidades de modo geral e a comida são limpíssimas. Dá para comer em qualquer lugar sem receio de ter uma infecção intestinal. E quanto à segurança o país é impecável. Você pode entrar num taxi e relaxar, pois sabe que o motorista tem grande chance de ser honesto. Claro que há exceções em qualquer lugar do mundo.

Indicação de hotéis: Península, Shangri-La, Intercontinental.

Indicação de restaurantes dada por uma amiga que morou em Tóquio muitos anos:

De preço bem razoável: 

Em Shibuya, há ótimos izakayas. Um deles fica no último andar (11o.) do prédio da loja de eletrônicos BIC CAMERA. Chama-se EN e é uma delícia. Prove o smoked salmon and avocado roll e os pratos com tofu. Mas tudo é bom.

Nessa linha de izakaya, também tem o Gonpachi, o restaurante que serviu de inspiração para a cena da luta do Kill Bill.http://www.gonpachi.jp/en/casual/home/index

Mais caros:

Um sushi muito bom e tradicional é o Kyubei, em Ginza. Esse tem que reservar. http://www.bento.com/rev/2285.html

O Beige, do Alain Ducasse, no último andar da Chanel é uma delícia. Fica em Ginza.

Para tempura, um ex-ce-len-te é o Kondoh (1 estrela Michelin). Muito bom, com ingredientes fresquíssimos, tudo muito saboroso e sem cheiro de gordura! Fica em Ginza também. Tem que reservar. 
9th floor, Saka-gouchi Building,
in Namiki - Dohri(street),
5 - 5 - 13, Ginza, Chou-oh-Kou, Tokio.
Tel: 03 - 55.68.09.23.

Pizza. A melhor que eu já comi na vida é no Savoy, em Azabu Juban, pertinho de Roppongi. http://www.cnngo.com/tokyo/eat/4-best-pizzas-tokyo-778734

Bons e baratos:

Se estiver na região de Omotesando, vá ao restaurante de Gyoza mais conhecido da cidade. Não tem nome. Fica numa vielinha, perto do Kiddy Land. Todo mundo conhece. Tem fila no inverno. É uma delícia, o frito e o cozido. Peça também a salada de pepino e a porção de carne moída com moyashi. E bem ao lado dele há um asiático muuuuuuuito bom de comida do Sudeste Asiático. Esses dois restaurante são muito bons e baratos para os padrões de Tóquio.



Tóquio é isso tudo. Uma cidade enorme, limpíssima e muito segura. Conhecida pelo astral futurista mesclado com um passado de tradições fortes. Com ruas repletas de néons multicoloridos onde jovens de muita personalidade desfilam vestidos de maneira peculiar. Tem jardins lindos sempre ornamentados com bonsais. Um metrô super fácil e que conecta cada centímetro da cidade. Além disso, tem cerimônia do chá, karaokê, tecnologia de ponta, gueixas, carros de mão inglesa e mangás. Mas, sem sombra de dúvida, o que mais me cativa na capital do Japão é a culinária! Simplesmente dos deuses. Não é à toa que a cidade vem ganhando há sete anos a classificação máxima no Guia Michelin em número de restaurantes estrelados. Entre eles estão o Sushi Mizutani e o Sushi Yoshitake. Pena que não tive tempo hábil para provar tudo o que pretendia em Toquio. Já preciso programar a próxima!

09 agosto 2014

GIVERNY E OS BELOS JARDINS DE MONET

Por Claudia Liechavicius

Mergulhar no mundo secreto do pai do impressionismo é uma dádiva. Num vilarejo bucólico, na região da Normandia, pertinho de Paris, Claude Monet viveu parte de sua vida. Um lugar sossegado. Cheio de flores e cercado de muita paz. Cenário perfeito para imortalizar sua arte.


Jardins de Giverny.

Monet nasceu em Paris em 1840 e morreu em 1926. Para nossa sorte teve vida longa e deixou uma bela obra produzida ao longo dos seus 86 anos. 

Seu pai almejava que ele desse continuidade ao comércio da família. Mas, por influência da mãe ele começou a pintar. Aos 11 anos entrou para uma escola de artes e se tornou conhecido por suas caricaturas. Mais tarde, foi para Paris estudar pintura. Foi lá que conheceu sua primeira musa inspiradora, Camille, com quem se casou e teve dois filhos. O início da vida deles foi marcado por muita dificuldade financeira. Suas obras eram muito diferentes do que as pessoas consideravam uma "bela obra de arte" na época. Então, ele tinha dificuldade para vende-las. Mesmo assim, não abria mão de se manter fiel aos "borrões" que mais tarde o alçaram a categoria de gênio da pintura.

O lago, a ponte japonesa e uma legião de admiradores da obra de Monet.

Sua primeira mulher, Camille, morreu muito jovem, aos 32 anos, com câncer e Monet se casou com Alice, esposa de um amigo milionário que a deixou viúva. Seu sucesso veio mesmo quando começou a pintar uma série de quadros em sua propriedade em Giverny, nos quais reproduzia os jardins, o lago e a pequena ponte japonesa com suas diferentes cores e luzes ao longo das estações do ano. 

Jardins de Giverny.

No final da vida foi perdendo lentamente a visão por causa de catarata. Então, passou a usar tintas de cores mais vivas e pinceladas cada vez mais borradas. Sua obra é considerada uma das mais importantes de todos os tempos. 

 Jardins de Giverny floridos no verão.

COMO CHEGAR

Para conhecer os Jardins de Giverny é preciso comprar um bilhete de trem na Gare Saint Lazare, de Grand Lignes de Paris até Vernon. O valor do bilhete para ida e volta custa ao redor de 30 euros em classe 2. O trajeto dura 40 minutos. Ao chegar na cidadezinha de Vernon é preciso tomar um taxi (que custa em torno de 14 euros) ou um ônibus (4 euros) para percorrer os 6 quilômetros que levam até a casa onde Monet morou. Muita gente vai de bicicleta (alugada em Vernon) ou até mesmo a pé. Pois, há poucos taxis na cidade (que é muito pequena) e os ônibus partem da porta de estação férrea em pouquíssimos horários. Portanto, chegar até Vernon é fácil. Difícil é ir de Vernon aos Jardins de Monet. 


Vernon é uma cidade pequenina e encantadora. Vale uma caminhada.

Vernon.  

Essa pequena igreja de Vernon foi pintada por Monet.

INGRESSO 

O bilhete de acesso aos Jardins de Giverny custa 9,50 para adultos. A fila costuma ser bem grande. Espera ao redor de 40 minutos a uma hora para entrar na casa. Procura comprar o bilhete antecipadamente pela internet. Os jardins estão abertos ao público de março à novembro.

Lá dentro, uma multidão disputa espaço para conhecer os famosos jardins do grande mestre do impressionismo. Não é um daqueles lugares cheios de espaço para você sentar e desfrutar da paz do ambiente. Tudo é bem apertado e repleto de visitantes. Não espere encontrar muito sossego. Você vai se deparar com muitos turistas tanto nos jardins como na casa em que Monet morou por tantos anos. 

Para mais informações consulte o site www.fondation-monet.com

Casa de Monet. 

 Jardins floridos de Giverny.

MUSEU DE L'ORANGERIE

Depois de visitar Giverny reserve um período de seu dia para ir até o Musée L'Orangerie, em Paris e ver os gigantescos murais Les Nynphéas, de Claude Monet. O museu fica na Praça Concorde, no Jardim de Tuileries. É emocionante admirar aquela paisagem e ver o lago, as plantas, as nuvens e os reflexos das árvores traduzidos nas pinceladas geniais de Monet, especialmente depois de ter visto onde tudo começou. 



01 agosto 2014

BIENVENUE A PARIS

Por Claudia Liechavicius

Quer fugir daquele tipo de viagem que desperta apenas o consumismo desenfreado e mergulhar de cabeça onde o mundo fez história? E ainda, de quebra, acender o fogo da paixão? Isso não quer dizer que a Louis Vuitton e o aroma dos perfumes não aticem quem circula por lá. Mas, com certeza, a história grita mais alto. Então, que tal dar um pulinho à França? Berço do Iluminismo. Ela influenciou o mundo inteiro com valores de liberdade, igualdade e laicidade no decorrer do século XVII - “Século das Luzes”. Cultura, arte, arquitetura e marcas do passado estão preservadas tanto na frenética capital, Paris, como nas românticas cidades do interior. Obras renascentistas, arte barroca, estilo gótico e rococó convivem pacificamente com o modernismo. Pelas ruas o cheirinho tentador das boulangeries e patisseries convida ao deleite. É uma festa para a mente, para o coração e para os sentidos. Vinhos, castelos, camembert, revoluções, baguetes, croissants, museus, cafés e não para por aí. Ah! Vai um croque-monsieur com uma taça de “champagne”? Santé!

PARIS, CIDADE LUZ

Romântica, madura, elegante e sempre surpreendente. É impossível ficar indiferente aos apelos da capital francesa. Debruçada às margens do Rio Sena, Paris é a cidade mais visitada do mundo! Para entender e dominar a cidade é preciso prestar atenção às referências que o Sena define. Margem direita ou Rive Droite abriga o elegante bairro de Champs-Elysées, Madeleine, Marais, Chatelet-Lês Halles e Palais Royal.

E o Rio Sena corre lentamente indiferente ao turbilhão de gente que vai e vem em Paris.

Na intelectual margem esquerda ou Rive Gauche é onde ficam alguns dos bairros históricos mais conhecidos, como Saint-Germain, Invalides e Quartier Latin. Com essa perspectiva fica fácil se achar pela cidade e encontrar as principais atrações: Museu do Louvre, Torre Eiffel, Pompidou, Notre-Dame, Basílica de Sacre-Coeur, Museu D’Orsey, Opera, Moulin Rouge, Arco do Triunfo...

Basílica de Sacre-Coeur.

Além disso, se a intenção é entrar em sintonia de cara com os franceses é preciso se esforçar para falar francês. Assim, tudo ficará mais fácil. Então, vamos por partes. A primeira imagem que vem a cabeça de quem pensa em Paris é a Torre Eiffel. Símbolo supremo da cidade. Ela foi construída por Gustave Eiffel para a Exposição Universal de 1889, período em que a Revolução Industrial estava em ebulição. Escandalizou os críticos contemporâneos, o que prova que nem sempre a crítica tem razão. Foi projetada para comemorar o centenário da Revolução Francesa e seria desmontada pouco tempo depois, mas o sucesso foi tão grande que ela nunca mais saiu de lá. A torre tem três níveis. O primeiro, com apenas 57 metros de altura, pode ser alcançado pela escada de 360 degraus, pois as filas são sempre enormes para se tomar o elevador. No segundo nível é onde fica o Restaurante Julio Verne, um dos melhores de Paris tanto pela comida como pela vista. Indo de escada são 700 degraus, portanto o elevador é mais prático. O terceiro nível tem 274 metros de altura, só pode ser alcançado de elevador e têm limitação para o número de visitantes, no máximo 800 pessoas de cada vez. A altura total da torre é de 320 metros e se manteve como o edifício mais alto do mundo até 1931, ano em que foi inaugurado o Empire State Building de Nova York. Mesmo que a paciência seja curta para esperar na fila do elevador, pela menos uma foto deve ser levada como prova de que a Cidade Luz foi visitada.

Torre Eiffel à luz do dia, linda de perto ou de longe. 

Bem em frente à torre, em uma pequena colina que fica do outro lado do rio, ficam o Palais de Chaillot e o Jardin du Trocadéro. Foram construídos para a Exposição Universal de 1937. O palácio aloja quatro museus em suas alas em colunatas, um teatro e um cinema. Já, os jardins franceses são impecáveis. Continuando a caminhada chega-se ao Arco do Triunfo. O monumento foi construído por ordem de Napoleão para celebrar suas vitórias. Fica bem no centro de uma pequena praça redonda chamada de Place de l’Etoile. Tem 50 metros de altura e o acesso é fácil. Lá de cima, o visual é lindo. Doze avenidas foram projetadas por Georges-Eugène Haussmann em forma de estrela, a partir do arco, para substituir as ruas apertadas e insalubres da cidade medieval, segundo Napoleão. O novo plano redesenhou a cidade num padrão geométrico interessante com ruas largas e ventiladas. A Avenue Champs-Elysées é a principal rua que parte do arco e a mais badalada da região, mas já foi um pântano. É um bom lugar para se tomar um café, escolher um restaurante ou bisbilhotar os ousados protótipos futuristas de veículos de todas as marcas nas vitrines das lojas.


Ao fundo, o Arco do Triunfo.

Andando sempre pela Avenida Champs-Elysées em direção ao Louvre, várias maravilhas arquitetônicas brindam o trajeto. O Petit Palais funciona como um museu e também foi construído para abrigar uma Exposição Universal, a de 1900. Em frente fica o Grand Palais com uma imponente fachada clássica feita em pedra, um magnífico telhado de vidro, estátuas de bronze e muito ferro trabalhado ao estilo Art Nouveau. Foi construído ao mesmo tempo em que o Petit Palais.

O telhado de vidro do Grand Palais é uma obra-prima.

Também por ali fica o Palais de l’Elysées que é cercado por um belíssimo jardim. Foi construído em 1718 e tem sido a residência oficial do presidente da República desde 1873. Ainda nesse trajeto fica a Place de la Concorde, uma das praças mais suntuosas e históricas da Europa. Inicialmente era chamada de Praça Luis XV quando o rei mandou que sua estátua equestre fosse colocada em lugar de destaque. O monumento durou menos de 20 anos e foi substituída por uma guilhotina, chamada de Viúva Negra. O nome da praça mudou para Praça da Revolução e Luis XV foi decapitado ali, em 1793, seguido por mais de mil outras vítimas. Com otimismo, ao acabar a revolução a praça foi denominada de Praça da Concórdia.

Place de la Concorde.

Ao lado da praça ficam duas mansões neoclássicas: o Hôtel de la Marine e o imperdível Hôtel Crillon. Também fica perto a Igreja de Ste-Marie de la Madaleine que foi construída por Napoleão em estilo greco-romano e mais parece um imenso templo da Grécia Antiga do que igreja católica. Tem 52 colunas coríntias de 20 metros de altura e nenhuma cruz no alto. Atrás dela fica o Fauchon, loja com produtos alimentícios de primeira qualidade com apresentação impecável que é como um parque de diversões para quem adora gastronomia. Merece uma visita, especialmente, de quem gosta de comer com requinte e com os olhos.

No final do dia um tom dourado embeleza ainda mais os prédios da Rue do Rivoli (rua que passa ao lado da Place de la Concorde).

Depois dessa paradinha e de um pequeno descanso é hora de seguir andando pelo Jardin de las Tullerias que se estende da Place de la Concorde até a Place du Carroussel. É um dos espaços abertos mais procurados de Paris. No verão muita gente senta por ali para tomar sol. O Musée de l’Orangerie fica numa esquina do Jardin de las Tullerias e é muito gracioso. Esteve fechado, em manutenção por um bom tempo, mas, felizmente, já abriu suas portas aos amantes de Monet, especialmente. Parte da série de ninféias, as pinturas do auge da carreira de Monet encontram-se em dois salões ovais no andar térreo. A sensação é de que você está dentro dos quadros, pois as telas são gigantescas e fixadas em paredes arredondadas. Um show. Também tem telas de Renoir, Cézannes, Picasso e vários outros pintores de destaque.

  
Com as paredes arredondadas a sensação é de estar dentro das obras de Monet. 
Acima alguns pedacinhos das ninféias. 

Agora chegou a hora da estrela maior de Paris. O Louvre. Ele contém uma das mais importantes coleções de arte do mundo e sua história vem dos tempos medievais. Já foi uma fortaleza construída em 1190 pelo rei Filipe Augusto para proteger Paris dos ataques vikings. No reinado de Francisco I, o calabouço e a torre foram substituídos por uma construção em estilo renascentista. Bem recentemente, em 1989, foi construída a pirâmide de vidro que serve como entrada. O acervo do Louvre é impressionante. Não dá para ver tudo de uma só vez. É preciso priorizar o que se quer ver. Entre os destaques: Mona Lisa (1504), de Leonardo da Vinci; Tumba de Phillipe Pot (século XV), de Antoine lê Moiturier; Vênus de Milo (século II AC), da Grécia; Cavalos de Marly (1745), de Guillaume Coustou entre tantas outras. É preciso um bom tempo para se aventurar pelas galerias do Louvre.


A pirâmide de vidro é a entrada do Louvre.

Ainda na margem direita do Rio Sena fica o Moulin Rouge. Tradicional teatro de shows de vedetes bailarinas de “cancan” que entrou em funcionamento em torno de 1900. De original da antiga casa noturna restam apenas as pás vermelhas do moinho do lado de fora. Toulose-Laautrec imortalizou os espetáculos de cancan nos seus desenhos. A Opéra-Garnier - um dos maiores teatros de ópera do mundo – foi projetada por Charles Garnier para Napoleão III. É uma construção extravagante, parecido com um bolo de noiva. Tem uma escadaria de mármore de Carrara magnífica e capacidade para 1.900 espectadores. Mais distante um pouco fica a Basílica de Sacré-Coeur, igreja neo-românica dedicada ao Sagrado Coração de Jesus que foi construída no período de 1870 a 1914 e abriga entre seus tesouros a imagem de Virgem Maria e o Menino, de Brunet. A igreja não é especialmente bonita, mas chama atenção pelo seu tamanho. A região de Lês Halles – Châtelet foi uma das primeiras ocupadas pelos parisienses. Lês Hallet era a zona de um antigo mercado fundado na Idade Média e Chatêlet era como se chamava a antiga fortaleza medieval que protegia a entrada da cidade. Atualmente duas construções supermodernas contrastam com os ares do passado: o Fórum dês Halles, centro comercial; e, o Centre George Pompidou, centro cultural. Esse último é um edifício pelo avesso. O esqueleto do prédio, escadas rolantes, elevadores e tubulações de água e ar ficam à mostra. O acervo de arte moderna do museu é enorme. Na praça, do lado de fora, pessoas se reúnem para ver artistas de rua.

Centro Pompidou, obra da arquitetura moderna em Les Halles.

As esculturas de Niki de Saint-Phalle, na fonte da Praça Stravinskij que fica ao lado do Centro Pompidou.
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Cansou? Espero que não, pois ainda tem todo o lado esquerdo do Rio Sena. O Rive Gauche onde ficam os bairros históricos mais famosos de Paris, como, Saint-Germain, Invalides e Quartier Latin. Essa margem está associada aos poetas, filósofos, artistas e pensadores radicais. Ainda mantém o espírito boêmio e os cafés nas calçadas. O Quartier Latin, que fica entre o Sena e os Jardins du Luxembourg, é a área mais antiga, repleta de galerias de arte, e livrarias. É desse lado do rio que a fachada da Sorbone, primeira universidade francesa, de 1253, domina o cenário. Saint-Germain-des-Prés é um dos melhores lugares para se ter uma idéia de como era a cidade nos tempos da revolução. Deu para notar que Rive Gauche abriga a nata dos intelectuais chiques de Paris. Lês Invalides é um grande complexo de prédios e compreende o Hotel dês Invalides que foi construído em 1671, para acolher os veteranos de guerra feridos e sem lar, muitos dos quais haviam se tornado mendigos. Já abrigou mais de seis mil soldados e, atualmente, ainda acolhe um pequeno número deles – menos de cem pessoas. Mais tarde incorporou a Igreja Dôme com seu reluzente telhado dourado. Ela foi construída como capela particular por Luis XV. O complexo é uma obra prima da arquitetura francesa.

Boulevard Saint-Germain.

Ainda no Bairro dos Inválidos fica o Musée Rodin. Considerado um dos maiores escultores franceses, Rodin doou as obras que lá se encontram em troca de um apartamento de propriedade do Estado. “O Pensador” é sua obra mais importante exposta no museu. A medieval Catedral de Notre-Dame, as torres góticas do Palais de Justice e a obra prima da também gótica Sainte-Chapelle atraem os turistas à Ile de la Cite. As origens de Paris estão presas a essa pequena ilha em forma de barco no meio do Rio Sena. Era habitada pelos celtas no século III AC. Foi uma das tribos, a Parisii que deu nome à cidade. Isso tudo mostra que a cidade tem história, muita história. Em certos locais por onde se passa a sensação é de uma volta ao passado. É como se fosse uma viagem no tempo!

Para sair da Ile de la Cité basta atravessar o Rio Sena.

PARIS COM CRIANÇAS

Crianças precisam de atividades nas quais se divirtam ao seu modo. Chega um momento em que eles cansam de ver museus, construções antigas e comer em bons restaurantes. Então é a hora de uma pausa para os pequenos na Cidade das Ciências, no Parque Asterix ou na Euro Disney. A Cidade das Ciências é um enorme museu de ciências e tecnologia com cinco andares de atividades interativas para as crianças. Têm jogos sobre espaço, terra, oceanos capazes de entreter a galera mirim por um dia inteiro. É muito bacana. Vale a pena dar um pulo até lá. A Euro Disney tem dois parques temáticos: a Disneyland e a Walt Disney Studios. Fica em Marne-la-Vallée, subúrbio próximo de Paris. Em 40 minutos se vai do centro da cidade até lá. É bem menor do que o complexo de Orlando com o qual os brasileiros estão acostumados, mas a magia é garantida.

Euro Disney, diversão para toda a família.

O Parque Asterix fica próximo ao aeroporto Charles de Gaulle. Esse parque temático é baseado nas estórias em quadrinhos de Goscinny e Uderzo. É um sucesso na França. A arquitetura remete às viagens de Asterix e ao acampamento romano onde se dá a estória. Para divertir a turma tem atrações como passeios de carro em alta velocidade, carrossel, as façanhas dos Três Mosqueteiros, uma rua que reproduz Paris antiga e muito mais.

ATENDENDO AOS APELOS DO CONSUMO

E, como ninguém é de ferro, quase todos os desejos consumistas podem ser realizados em Paris. Na Rue du Faubourg Saint-Honoré e na Avenue Montaigne se encontram as extravagâncias da alta costura. Em Saint-Germain-des-Prés se acha arte, livros e objetos sofisticados. Marais é a Meca da vanguarda. A Rue de la Paix e a Place Vendôme são repletas de jóias e cristais. Ou seja, têm de tudo para todos os bolsos e gostos.

Se você está namorando aquele relógio Cartier, Bulgari ou Rolex vá até a Place Vendome e escolha o seu!

HOTÉIS EM PARIS

É difícil encontrar em Paris quartos agradáveis de hotel com bons preços. De modo geral, as acomodações são pequenas, velhas, com mobiliário pouco aconchegante e caros. Já fiquei em muitos hotéis na capital francesa, mas confesso que prefiro as cadeias americanas e geralmente fico no Marriott Champs-Elysées. As camas são confortáveis, a decoração no padrão Marriott e bom serviço com preço razoável. Os hotéis cinco estrelas mais renomados têm preços salgadíssimos.
Endereço: 70 Avenue des Champs-Elysées - Paris, 75008 - France.
Telefone: 33 1 53935500 Toll-Free: 0 800 90 83 33
Recebi uma indicação recente de hotel 3 estrelas num local excelente e que parece muito simpático. Ainda não estive lá, mas pelo site parece ótimo e com preços muito bons - em torno de 200 euros. O hotel é o La Perle, em Saint-German, na Rue des Canettes 14. Telefone: 331 43291010. http://www.hotel-paris-laperle.com/. Vou testar em breve!

Para quem não dispensa um super hotel 5 estrelas, o Hotel Royal Monceau reabrir suas portas depois de passar por uma obra enorme, que durou dois anos, com projeto bombástico de Philippe Starck. O grupo Qatari Diar, o mesmo que comprou o Harrod's recentemente e a rede Raffles (dono de 91 hotéis 5 estrelas espalhados pelo mundo) deram o aval para a empreitada. A localização é ótima, ele fica perto do Arco do Trinfo. Além disso, os dois restaurantes prometem. O La Cuisine, do chef Laurent Andre, pupilo de Ducasse e o Le Carpaccio com cozinha italiana do chef Roberto Rispoli. Para quem quiser provar desse luxo basta desembolsar entre 800 e 16 mil euros por diária.

Outros 5 estrelas badalados em Paris são: Península, Mandarin Oriental, Plaza Athénée, Ritz, Geroge V, Crillon e Bristol.

Outro hotel não tão luxuoso, mas bem localizado e simpático é o Radisson Blue Arco do triunfo.

ONDE COMER BEM 

Nada melhor do que seguir as dicas de quem é do local e de quem entende um bocado de gastronomia. Então, vamos às dicas de nossos amigos, entre eles, Claude Troigrois para comer muito bem em Paris.

Escargots não podem ficar de fora.

Dos restaurantes estrelados seguem excelentes opções:

Ø Apicius, de Jean Pierre Vigato, telefone 143801966
Ø Arpege, de Alain Passard, telefone 145514733
Ø Pierre Gagnaire, telefone 144351825
Ø Guy Savoy, telefone 143804061
Ø L'Aatelier, Joël Robuchon, telefone 147237575
Ø Le Meurice

Bistrot

Ø Ma Bourgogne, telefone 142784464
Ø Bistrot de Létoile, telefone 140671116
Ø Bistrot d’A Cote, telefone 143545910
Ø Ami Louis, telefone 148877748
Ø Benoit, telefone 142722576
Ø Chez Pauline, telefone 142962070
Ø D’Chez Eux, telefone 147055255

Brasserie – Café

Ø Pied de Cochon (frutos do mar), telefone 140137700
Ø Lipp, telefone 145485391
Ø Café Costes, telefone 145085439
Ø Aux Deux Magots, telefone 145485525 Ø Café de Flore, telefone 145485526
Ø Café Flore
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Diversos

Ø Chez Gladines (pato maravilhoso), telefone 145807010
Ø Blue Elephant (Tailandês), telefone 147004200
Ø Kinugawa (Japonês), telefone 142606507
Ø Mansouria (Marroquino), telefone 143710016
Ø Conti (Italiano), telefone 147277467
Ø Le Relais de L’Entrecôte (entrecote com batata frita) , telefone 149520717. A casa mais tradicional fica na Boulevard du Montparnasse 101 - telefone 146338282.
Ø Kong (contemporâneo, light), instalado no último andar do prédio da grife Kenzo. Decoração de Philippe Starck e Laurent Taïeb. Rue du Pont Neuf, 1. Telefone 140390910.

Lojas

Ø Maison Du Caviar, telefone 147235343
Ø Androuet (queijos), telefone 142899500
Ø Poilane (pães), telefone 154484259
Ø La Maison du Chocolat, telefone 142273944
Ø La Maison de la Truffe, telefone 142655322 Ø Lafayette Gourmet, telefone 148744606
Ø Fauchon, telefone 147426011
Ø Ladurre (doces), telefone 140750975
Ø Kusmi Tea (chá), www.kusmitea.com

Os macarons da Ladurre são imperdíveis, especialmente os de baunilha.
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Bistronomie.

Essa expressão associa os conceitos da tradição da cozinha francesa com bons preços.

* Astier. 44 Rue Jean-Pierre, Timbaud, telefone 143571635, http://www.restaurant-astier.com/
* Au Bascou. 38 Rue Reamur, telefone 142726925
* Le Bistrot de L'Alycastre. 2 Rue Clement, telefone 143257766
* Le Chateaubriand. 129 Avenue Parmentier, telefone 143574595
* Le Comptoir. 9 Carrefour de L'Odéon, telefone 144270797 (é um dos restaurantes do momento)
* Ze Kitchen Galerie. Estrelado pelo Guia Michelin. 4 Rue des Grandes Augustins, telefone 144320032, http://www.zekitchengalerie.fr/

Chocolatiers

Ø Jacques Génin
Ø Jean-Paul Hévin
Ø Pierre Herme
Ø Patrick Roger
Ø Regis - Rue du Passy 89
Ø Le Bonbon au Palais - Rue Monge 19

Queijarias

Ø Formagerie Alleosse. Excelente burrata. Rua Poncelet 13
Ø Marie-Anne Cantin. Já foi eleita a melhor da França. Rue du Champs Mars 12
Ø Quatrehomme. Fornecedor de queijos dos melhores restaurantes de paris. Rue de Sévres 62


Mercados e Feiras

Ø D'Alligre (XII) - um dos mercados mais populares e antigos de Paris. A dica é provar ostras fresquíssimas com champagne.  www.marchedaligre.free.fr

Ø Bastille (XI) - mercado enorme, com produtos de excelente qualidade. Boulevard Richard Lenoir

Ø Des Enfants Rouges (III) - fica num ponto bem central, no Marais. Também é uma feira muito antiga. Funciona desde 1777. Rue Bretagne 39

Ø Raspail (VI) - Feira que acontece aos sábados no Boulevard Raspail.

Melhores lugares para comer Tarte Tatin em Paris (segundo Alain Ducasse)


Ø Bar du Brésil 
Ø Les Philosophes

Restaurantes indicados por Alain Ducasse

Ø Le Baratin (XX). Cardápio num quadro negro, simplicidade total, restaurante para os locais. Rue Jouye-Rouve 3.
Ø Bistrot Paul Bert (XI). Rue Paul Bert 18
Ø Chapeau Melon (XIX). Restaurante bem sucedido de comida orgânica, em Belleville. Rue Rébeval 92.

 
 
Escrever sobre Paris é difícil, pois há muito o que fazer na cidade no sol ou na chuva, no verão ou no inverno e ser breve é uma tarefa quase impossível!

Aproveitem a viagem! 

Obs: Esse texto foi atualizado em agosto de 2014.
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