AS MELHORES DICAS DA ROTA ROMÂNTICA DA ALEMANHA - PARTE 2


Depois de passar dois dias na imperdível Füssen, por onde começamos a trilhar a Rota Romântica da Alemanha, fomos de carro até Augsburg passando por vários vilarejos e cidadelas no caminho: Halblech, Steingaden, Rottenbuch, Peiting, Schongau, Hohenfurch, Landsberg am Lech, Friedsberg. Em Augsburg desviamos por três dias da Romantic Strasse para curtir a Oktoberfest em Munique, como já contei para vocês. De Munique retornamos para Donauwörth para seguir por mais dois dias até Wurzburg.

Destaques da Rota Romântica.

Donauwörth fica no encontro do rio Wörnitz com o Danúbio. Nasceu como um reduto de pescadores no século VI. A cidade é pequena, tem menos de 20 mil habitantes, mas é uma gracinha. Dá para conhecer em uma horinha. Não pode ficar de fora do seu roteiro. Seu peso histórico é grande. Foi quase devastada durante os bombardeios da Segunda Guerra. Estacione o carro na Reichstrasse, a rua principal e onde há vários prédios de arquitetura linda. Dali ande pela margem do rio, atravesse as pontes, sente para um café e aproveite o astral delicioso.

Donauwörth.


Alguns quilômetros adiante está Harburg com um dos castelos mais antigos e bem preservados da Alemanha. O Castelo Harburg data de 1093. Ele fica no alto da colina e pode ser avistado de longe. Abaixo dele fica a simpática cidade de 6 mil habitantes cheia de casinhas que parecem de boneca.  A estrada nesse ponto é linda pois passa pela Floresta Negra.

Castelo de Harburg.

Nördlingen é outra cidade medieval linda, toda murada. Suba os 365 degraus até a torre da igreja St. Georg para ver a cidade do alto da torre de 90 metros. Curiosamente, a cidade foi construída no centro da cratera de um meteoro. Não é interessante?


Nördlingen.


Depois passe rapidamente por Wallerstein, uma cidade pequenina que por muito tempo foi propriedade privada de uma família, e a seguir vem outra cidade charmosíssima, Dinkelsbühl. Essa merece uma parada longa. É uma das cidades medievais mais bem preservadas da Alemanha, pois foi poupada dos bombardeios da Segunda Guerra. Que sorte! É de conto de fadas! As casas tem arquitetura primorosa e a Catedral de São Jorge é considerada uma das mais belas construções góticas do país. Pelas ruas, charretes transportam os turistas para lá e para cá. Hotéis e restaurantes charmosos não faltam. Se eu tivesse dormido lá teria escolhido o Hezelhof Hotel, um hotel-design gracioso, super bem localizado.

Dinkelsbühl.

Siga pela Rota Romântica e passe rapidamente por Feuchtwangen que tem como destaque a praça central e a igreja Stiftskirche. Dê uma paradinha na pequenina Schillingsfürst (com menos de 3 mil habitantes) que tem um castelo bonito na colina, o Castelo Hohenlohe-Schillingsfürst e siga até a cereja do bolo: Rothenburg-ob-der-Tauber.

Rothenburg-ob-der-Tauber.

Simplesmente mágica. Minha cidade favoritíssima da Alemanha. Não dá para ficar apenas algumas horas e partir. É preciso dormir pelo menos uma noite. A aldeia surgiu no século X. Em 1142 ganhou um Castelo Imperial e foi declarada “Cidade Imperial Livre". Duzentos anos depois, um terremoto destruiu parte da cidadela. Mas, ela floresceu novamente e chegou a ter 6 mil habitantes em 1400. Depois disso, caiu em decadência e após 500 anos de independência foi anexada, contra sua vontade, ao Reino da Bavária. Durante a Segunda Guerra a cidade sofreu muitos danos com bombardeios, mas foi reconstruída e hoje é a maior preciosidade do sul da Alemanha.

Rothemburg-ob-der-Tauber.

Caminhe sem pressa pelas ruas com chão de pedra. Por ali, cada pedra continua contando uma história orquestrada por reis e imperadores. Uma muralha em forma de anel protege o centro histórico, com 42 torres. Dá para andar pela muralha e ver a cidade do ponto de vista dos sentinelas. Quando a noite cai vale acompanhar o guarda-noturno num passeio guiado pelas vielas à meia-luz. Não deixe de conhecer a Igreja de St. Jakobs com seu altar esculpido por Tilman Riemenschneider que desde a antiguidade atrai peregrinos em busca de bênçãos. Experimente o vinho da região cuja tradição vem desde o século XII. Também experimente as Bolas de Neve, chamadas de Schneeballen, que fazem parte da história da culinária da região. Elas são feitas com pedaços de massa (tipo calça-virada) moldados no formato de bolas. São mais bonitas do que saborosas. Mas, tem que experimentar!

 Rothenburg-ob-der-Tauber.

Essa é a cidade que não pode faltar no seu roteiro! Um hotel delicioso é o Reichskuchenmeister, a uma quadra da praça central Marktplatz. Ele foi reformado recentemente. Uma gracinha. Peça o quarto 304, de esquina, com flores nas janelas e banheiro enorme.

Marktplatz, Rothenburg-ob-der-Tauber.

No Vale do Main você ainda vai passar por muitas cidades medievais lindas, entre elas as pequeninas Creglingen e Rottingen; a arborizada Weikersheim com seu belo palácio e muitas vinícolas; a florida Bad Mergenthein; Lauda-Königshofen também com algumas vinícolas; e Tauberbischofsheim às margens do rio Tauber. Os nomes são difíceis de pronunciar. Sopa de letrinha! Mas, sinceramente, depois de Rothenburg-ob-der-Tauber nenhuma outra será tão apaixonante. 

Finalmente, fechando a Rota Romântica (ou começando - tudo depende do seu ponto de partida) vem a cidade de Wuzburg, às margens do rio Main. Ela é grande, se comparada com as anteriores, tem 130 mil habitantes. Precisa de um dia todo para ser desbravada com tranquilidade. Fica a 120 quilômetros de Frankfurt, onde embarquei para retornar ao Brasil. O principal atrativo da cidade é a Ponte Alte Mainbrücke (que lembra a Ponte Carlos de Praga) repleta de estátuas e onde todos caminham ao entardecer com uma taça de vinho na mão. É uma tradição, já que a cidade é cercada por vinhedos. No alto da colina se destaca a Fortaleza Marienberg. Para ter um bom visual da cidade vá até a Kapele. Também visite o Palácio Residencial de Wuzburg construído no século XVIII. Ele foi tombado pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade. Visite ainda a catedral de San Kilian. Se gostar de cerveja vá até a cervejaria Wüzburger Hofbräu, mas saiba que essa região também tem forte tradição em vinhos. Para almoçar, o Alter Kranerv tem um joelho de porco famoso, mas se preferir almoçar num restaurante estrelado considere o Kuno 1408, no hotel Rebstock, do chef Faust.


Wurzburg.

CONCLUINDO

Foram quatro dias circulando pela Rota Romântica da Alemanha, um dos percursos mais trilhados da Europa. A distância é relativamente pequena entre Füssen e Wurzburg, 350 quilômetros, no entanto as paisagens e as cidades medievais são tão incríveis que fui embora com vontade de ficar mais tempo. Se puder, reserve uma semana inteira e curta lentamente tudo que tiver vontade.

Como mencionei acima, Frankfurt foi a cidade onde embarquei para retornar ao Brasil. Esse centro financeiro não tem nada de muito especial além de uma praça com prédios históricos, uma igreja e um caminho bonito para ser trilhado à beira do rio. Reserve apenas algumas horas para conhecer o centro antigo, almoçar e partir. Vale lembrar que o aeroporto de Frankfurt é muito grande. Chegue com boa antecedência.

Rota Romântica. Você vai se apaixonar pela Bavária. 


NOTA: “Bavária” é o termo usado em inglês e “Baviera”, em português, para traduzir “Bayern” do alemão. Usei no texto o termo Bavária por escolha própria e por afinidade.

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Rothenburg

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COMENTÁRIOS

  1. Muito legal seu relato. Vc acha viável levar uma criança de 5 anos nessa viagem?

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    1. Acho sim. Sempre levei meus filhos para viajar comigo quando eram pequenos. Na Europa é muito fácil. Tudo funciona perfeitamente para crianças. E, castelos e cidades medievais são mágicos para eles.

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  2. Muito obrigada!! Sempre que possível eu carrego as crianças, acho que as viagens ensinam tanto sobre história, geografia, línguas, enfim, cultura em geral que nenhuma escola é capaz de explicar.

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    1. Concordo com você. Cultura é o melhor legado que podemos dar aos filhos. Sem contar que fortalece muito o vínculo com eles.
      Beijos e ótimas viagens.

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