ROMÊNIA, OITO DIAS NA TERRA DO CONDE DRÁCULA


A Romênia é coberta por uma aura de mistérios e cheia de histórias para contar. É uma viagem que mexe com as emoções. Num estalar de dedos você vai do entusiasmo à perplexidade, da ficção à realidade, da simpatia à repulsa. Alguns personagens que fazem parte desse contexto são pesados, como o perverso Vlad, o Empalador e o ditador Ceausescu. Já, outros são de uma leveza impressionante, como a ginasta Nadia Comaneci.

NO RASTRO DA HISTÓRIA


O país é muito interessante, apesar de não ser um dos mais visitados do leste europeu. À começar pelo nome. “Romênia” ou “Romania”que vem exatamente da palavra “romana”. O território que inicialmente pertencia à Dácia mudou de nome quando foi dominado pelo imperador romano Trajano, no ano 106 d.C. Ele até construiu em ROMA (leia mais sobre Roma aqui) a Coluna de Trajano, em frente aos Mercados, para comemorar essa conquista. Lembra? Pois bem, com a queda do Império Romano do Ocidente a região passou para as mãos do Império Bizantino. Séculos mais tarde, no final da II Guerra Mundial, com a dominação soviética, o país aderiu ao regime comunista. Essa fase negra durou até 1989 quando o presidente e ditador Ceaucescu foi deposto e morto. Hoje, o país vive um regime democrático, faz parte da União Europeia (desde 2007) e começa a atrair cada vez mais olhares. Tanto a capital Bucareste como várias cidades do interior (Sinaia, Brasov, Rasnov, Fagaras, Sighisoara, Sibiu, Cluj, Timisoara) têm um acervo histórico maravilhoso com vários locais catalogados como Patrimônio Mundial da Unesco. Além disso, é uma viagem barata para os padrões europeus.

As Igreja de Madeira de Maramures, no norte da Romênia, são Patrimônio Mundial da Unesco. 

A LENDÁRIA TRANSILVÂNIA


Não dá para deixar de fora as altíssimas montanhas dos Cárpatos, que se estendem por 1.500 quilômetros e instigam os tantos mistérios e lendas da Transilvânia. São mais de 190 castelos concentrados num raio muito pequeno. O mais conhecido deles é o Castelo de Bran, ou melhor, o Castelo do Drácula, um dos vampiros mais famosos do mundo, inspirado no Príncipe da Valáquia, Vlad III. Por um lado, ele é considerado um herói nacional por ter lutado bravamente contra os ataques dos invasores, mas por outro ele personifica a versão suprema da crueldade, pelo modo como exterminava seus inimigos. Seu método favorito era o “empalamento” (uma técnica de tortura que consiste em atravessar uma lança do ânus até a boca). Não foi à toa que passou a ser chamado de Vlad, o Empalador e inspirou o autor irlandês Bram Stoker a criar o personagem Conde Drácula.

Histórias não faltam. Mesmo assim, algumas pessoas torcem o nariz quando se fala em viajar para a Romênia, especialmente os europeus, pelo preconceito com os ciganos. Hoje existem mais de 2 milhões de ciganos pelo mundo e um quarto desse grupo de minoria étnica está concentrado na Romênia. Mas, isso faz parte da cultura e as diferenças só agregam valor.

Castelo de Bran, Brasov.

CURIOSIDADES SOBRE A ROMÊNIA


A população do país gira ao redor do 20 milhões de habitantes, o equivalente a população do estado de Minas Gerais. A Romênia é um estado laico, sendo que 90% das pessoas tem forte identificação com a igreja ortodoxa. Bucareste é a capital e a cidade mais populosa. A língua oficial é o romeno e por ser uma língua latina, algumas palavras são facilmente reconhecíveis pelos falantes de línguas latinas. Pelas ruas dá até para se localizar lendo letreiros e placas. Diferente da maioria dos países do leste europeu que tem idiomas quase indecifráveis para nós. A moeda oficial é o Lei/Leu.

Bucareste, a capital da Romênia.

SERÁ QUE É PARA VOCÊ?


Eu diria que esse não é um país para principiantes em Europa, apesar de seus atrativos. É um lugar indicado para quem já percorreu as grandes capitais europeias e está em busca de algo diferente. A Romênia guarda, bem preservada, sua cultura e suas tradições (por ter ficado tanto tempo fechada com o comunismo) seja nas danças, na música, nos bordados, na cozinha e no artesanato.

Um sapateiro mantendo as tradições vivas.

MELHOR ÉPOCA PARA IR


Depende muito do interesse de cada um. Se quiser temperatura amena para caminhar confortavelmente vá de abril a junho (primavera) ou de setembro a novembro (outono). Julho e agosto são os meses mais quentes (verão) e alta temporada na Europa. Se a ideia for esquiar escolha os meses de dezembro a março (inverno). Estive no país no início de dezembro, pois queria ter um pouco de neve, o que recomendo muito, por deixar o cenário ainda mais inspirador. Peguei nessa época do ano temperaturas entre 10 graus Celsius em Bucareste e -5 na Transilvânia. Para esquentar abuse das sopas, pães e vinho quente. A temperatura pode alcançar os 10 graus negativos no alto do inverno ou menos.

Monastério e Fortaleza de Fagaras.

COMO CHEGAR


Há voos diretos para Bucareste de muitas capitais europeias. Fui de Budapeste para Bucareste num voo de 1h30m, com a companhia aérea Tarom.

TAXI SIM OU NÃO?


Pegar taxi na rua não costuma ser uma boa pois cada taxi tem uma tarifa diferente por quilômetro rodado que pode ir de 1,39 Lei por km até mais de 5 Lei. Mas, ao chegar no aeroporto é fácil e bem organizado. Ainda no saguão do desembarque você retira um ticket com o número do seu táxi num caixa eletrônico amarelo da empresa Taxi Cris ou Speed. Elas têm o valor fixado em 1,39 Lei/km. Tem uma espera de uns 10 minutos até o carro chegar e os táxis são velhos. Meu trajeto até o hotel custou 26 Lei. Tenha a moeda local. Troque no país de onde está voando, pois eles só aceitam Lei, apesar do país fazer parte da UE. Se preferir conforto e agilidade contrate antecipadamente um transfer do próprio hotel.

Para conhecer o interior da Romênia o ideal é alugar um carro.

ROTEIRO DE OITO DIAS


Dias 1 e 2: Bucareste. Hotel Hilton Athenee (grande e clássico, num prédio histórico). A cidade é relativamente pequena e dá para conhecer os principais pontos de interesse caminhando. Parlamento, Igreja Ortodoxa, Centro Histórico, Casa de Vlad, Bulevardu Unirii, Academia Militar, Museu Nacional de História. Apenas para ir ao Museu Nacional Al Satului, no Parque Herastru é preciso de táxi, mas também dá para ir de metrô.

Dias 3 e 4: Brasov. Alugamos um carro e fizemos Bucareste-Brasov. São apenas 143 quilômetros, mas levamos umas 4 horas considerando a parada na cidade de Sinaia para ver o Castelo Peles (maravilhoso!!!), o Castelo Pelisor (que fica ao lado) e o Monastério de Sinaia. Mais 50 quilômetros e estávamos em Brasov. Ficamos um dia no Hotel Dracenhaus (simples e super simpático no centro histórico) e um dia no Hotel Executivo Kronwel Brasov (novinho e super bem decorado, mas grande e longe do centro, em frente a ferroviária e a rodoviária). Em Brasov, o centro histórico é puro charme e também vale visitar o Forte. Nos arredores, fomos ao Bran Castle a 29 km, no caminho paramos na cidade de Rasnov para conhecer a fortaleza e o centrinho histórico.

Dias 5 e 6: Sighisoara. No caminho de Brasov para Sighisoara paramos em Fagaras para conhecer a Fortaleza e o Monastério. Também tem a possibilidade de subir as montanhas de teleférico, mas não tivemos interesse. A estrada Transfagarasan (uma das estradas mais bonitas do mundo, cheia de curvas) estava no nosso roteiro, mas infelizmente estava fechada pela nevasca. Paramos nas cidadelas de Viscri, Rupia (com muita neve), Bunesti, Saschiz. Chegamos em Sighisoara as 15 horas e ficamos hospedados no delicioso Hotel Residence Fronius (um hotel 5 estrelas com apenas 7 quartos numa casa histórica, recomendo o quarto Antonia). No dia seguinte aproveitamos para desacelerar e andar com calma pelo vilarejo que é bem pequeno e foi meu favorito na viagem.

Dia 7: De Sighisoara fomos a Sibiu. No caminho paramos na Fortaleza de Biertan, na cidade de Medias que tem uma das maiores igrejas fortificadas da Transilvânia. Chegamos em Sibiu na hora do almoço conhecemos o centro histórico todo e decidimos não ficar muito tempo na cidade.  Fomos direto para Bucareste, hotel Boutique The Mansion (recém inaugurado, lindo, no centro histórico).

Dia 8. Último dia em Bucareste no hotel Boutique The Mansion de onde partiríamos cedinho, no dia seguinte para Budapeste.

Hotel-Boutique The Mansion, Bucareste.

DOCUMENTOS


Brasileiros não precisam de visto para permanecer até 90 dias no país. Apenas passaporte válido.

Castelo Pelisor, em Sinaia, Romênia.

OS 10 LUGARES MAIS VISITADOS DA ROMÊNIA



  1. Bucareste
  2. Brasov
  3. Sighisoara
  4. Sibiu
  5. Timisoara
  6. Delta do Danúbio
  7. Transilvânia e suas Igrejas Fortificadas
  8. Maramures e suas Igrejas de Madeira
  9. Bukowina e as Igrejas Pintadas
  10. Jassy

MINHA IMPRESSÃO


A Romênia foi uma grata surpresa. Cheguei ao país sem muitas expectativas. A capital Bucareste é uma cidade animada, dinâmica, barata, com excelentes hotéis e restaurantes. Mostra uma mistura acinzentada e dura dos tempos do comunismo com resquícios da elegância de outrora. No momento está um pouco castigada. É um lugar ideal para passar dois ou três dias. Mas, o interior da Romênia é a "cereja do bolo". O que mais me encantou foi percorrer as estradas nevadas da Transilvânia no início de dezembro, ver a vida como ela é, ter o privilégio de sentar num café para bater papo com as pessoas locais, ouvir suas histórias muitas vezes sofridas, descobrir castelos e igrejas fortificadas espetaculares em cantinhos tão singelos. Fiquei totalmente enfeitiçada pela cidade medieval de Sighisoara. Pense com carinho em conhecer a Romênia. É um destino ainda pouco badalado. O país abriu suas portas ao turismo recentemente e é cheio de tesouros a serem descobertos. Me senti muito segura nos lugares por onde passei. Recomendo uma viagem de pelo menos uma semana, de carro.

Os próximos textos serão dedicados a cada uma das cidades por onde passei. Espero Vocês!

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COMENTÁRIOS

  1. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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