PELAS LADEIRAS DE SAN FRANCISCO


Com uma bela taça de vinho tinto na mão, não poderia faltar um brinde ao retorno à San Francisco. E, claro que sem pressa. Exatamente no ritmo californiano. Ali a vida passa de um jeito todo especial entre ladeiras, muitas ladeiras, parques, mar e museus.

As ladeiras dão um toque especial a San Francisco.

San Francisco é descontraída na medida exata. Cultua um estilo hipster de ser. Uma galera estilosa, descolada e inovadora convive em harmonia com o astral tecnológico dos milionários do Vale do Silício. Tem restaurantes fantásticos e saudáveis que valorizam o conceito “da horta para a mesa”. No centro, ladeiras famosas com casas vitorianas marcam a arquitetura. Para circular, bondes coloridos andam pelas ruas dando um ar retrô. Além disso, foi o berço da geração beat, do movimento hippie e assume sem preconceito casais gays. É cheia de personalidade. Como diz Lulu Santos “na Califórnia é diferente, irmão...”.

 Os bondes elétricos coloridos circulam por toda a cidade. 

É fácil entender porque todo ano mais de 15 milhões de pessoas visitam a cidade seja por diversão ou à trabalho.

Razões não faltam para visitar San Francisco e foi com muito prazer que retornei a essa cidade que sempre fez parte da minha formação profissional. Para quem não sabe, sou fonoaudióloga especialista em voz e muitos foram os congressos que me levaram até lá. Mas, dessa vez voltei apenas para curtir o Spring Break e desacelerar ao modo do “oeste americano”.

Para relaxar da viagem longa, 9 horas Rio-Atlanta + 5 horas Atlanta-LA + 2 horas LA-San Francisco, boa ideia pode ser um jantar num dos tantos restaurantes deliciosos da cidade que valorizam a sustentabilidade e a sazonalidade dos ingredientes orgânicos no cardápio. A onda verde é levada à sério na cidade. Quer algumas sugestões? 

Contei com a ajuda de dois amigos que entendem muito do riscado para fazer minha lista. A Chef Roberta Sudbrack indicou: 
  • Bar Tartine (ambiente descontraído, cozinha simples e saborosa, tudo é feito na casa, é um must na cidade.), 
  • Coi Restaurant (cozinha moderna, restaurante pequeno, menu degustação muda diariamente), 
  • Cotogna (super concorrido, ótima cozinha, reserva difícil, um must), 
  • Flour + Water (italiano simpático, adorado pelos locais, cozinha fresca e vibrante), 
  • Foreign Cinema (melhor brunch da cidade), 
  • Frances (cozinha de mercado, fresca e deliciosa, chef famosa em SF), 
  • Rich Table (reserva difícil, excelente, cozinha moderna, ingredientes orgânicos), 
  • State Bird (cozinha asiática moderna, excelente dim sum). 
Agora vamos às indicações do Chef Claude Troisgros:
  • Boulevard (alta gastronomia, para uma noite especial), 
  • Michael Mina (top 10 na Califórnia, muito bom), 
  • Absinthe (já foi eleito o melhor restaurante da Califórnia), 
  • Bourbon Steak (steak house com cozinha moderna), 
  • Sam’s Grill (restaurante antigo de SF, frutos do mar, mesas ficam em cabines fechadas), 
  • Chez Panisse (bistrô em Berkeley, do outro lado da ponte).

Então, o dia seguinte pode começar com uma caminhada pelo lugar mais movimentado do pedaço, o Fisherman’s Warf. O pier é cheio de lojinhas, cafés e restaurantes. No Pier 39 ficam os simpáticos leões marinhos que merecem uma visita apesar de ter um cheirinho estranho. 

Os leões marinhos brincam e tomam sol sem medo de serem observados por uma enorme plateia.

O acesso à Marina e ao Fisherman's Warf pode ser de bonde tradicional ou bonde elétrico. Os bondes tradicionais são a cara da cidade, mas vivem abarrotados de turistas e custam bem mais caro do que os elétricos. Para circular num dos antigos bondes o valor é 17 dólares pelo bilhete de um dia ou 6 dólares para um trecho. Os bondes elétricos custam 2.25 dólares por quatro horas e abrangem rotas mais longas, além de serem usados pelos locais. Já, a bicicleta é um meio de transporte para os fortes em San Francisco. Afinal, as ladeiras são uma constante e são super ladeiras. Pense bem nisso antes de se aventurar de bike pela cidade. Alugar carro é boa opção em San Francisco.

Os bondes tradicionais são sempre lotados. As filas são enormes.

Um programa interessante é ir ao presídio de Alcatraz onde Al Capone ficou preso. O acesso à ilha é de ferry partindo do píer 33. A visita também pode ser noturna se quiser com mais emoção.

 Presídio de Alcatraz.

Se você estiver na cidade num sábado de manhã vá ao Ferry Building, um prédio histórico de San Francisco que fica no Píer 1, onde acontece a Farmer’s Market. Mercados são sempre um belo modo de entrar em contato com a cultura local. Ali são vendidos alimentos frescos, orgânicos e produzidos dentro dos parâmetros de agricultura sustentável. As carnes são naturais, de animais  criados sem hormônios. Tem muitas barraquinhas à beira da baía com comidas saudáveis que prezam a sazonalidade. O restaurante vietnamita Slanted Door do chef Charles Phan é bastante concorrido. Essa é apenas uma das opções. Tem de tudo. Dá para escolher à vontade. Nos outros dias, mesmo sem a Farmer's Market, também vale a visita ao Ferry Building.

Ferry Building, no Pier 1.

Um dos principais ícones de San Francisco é a Crooked Street com suas curvas fechadas, numa ladeira absolutamente íngrime, no final da Lombard Street. Uma legião de turistas disputa o melhor lugar para registrar o momento. Vá cedo se quiser ter mais exclusividade.

Crooked Street, no final da Lombard Street.

Ainda perto da Lombard Street dê um pulo ao Beat Museum, em North Beach, um museu de vanguarda, alternativo, bagunçado que guarda parte da história de San Francisco. Beat foi um movimento literário que iniciou no final dos anos 50 por iniciativa de um grupo de jovens intelectuais ávidos por sair da "caretice" da época. Eles queriam se expressar com liberdade e escreviam movidos a drogas, jazz e sexo fora dos padrões. O Beat inspirou os hippies. Mas, não espere muita coisa. A entrada custa 8 dólares. Na saída aproveite para comer no Little Italy que fica nessa região. Aliás, a cidade é muito democrática e receptiva. Tem Chinatowm, Japantown, Little Italy e outras comunidades.

Vale se embrenhar pela confusão de Chinatown entre lojas, templos e restaurantes. Programe uma pausa para uma foot massage e para uma xícara de chá de jasmim. Mas, se quiser um astral zen vá até a Japantown.

Chinatown.

Japantown.

Aproveite também a proximidade com o Telegraph Hill para subir as escadarias da Coit Tower e ter uma vista privilegiada da cidade.

Coit Tower.

Também vá para o outro lado da cidade que é bastante especial. Caminhe por Haight-Ashbury, o paraíso do movimento hippie e pelo Lower Haight, versão menos colorida do enclave hippie. Hoje, a onda hippie se foi, mas ficaram os letreiros psicodélicos nas casas coloridas lembrando os anos 60, o local onde viveu Janis Joplin, as lembranças dos shows de rock de graça regados à drogas alucinógenas e amor livre. Tudo no jeitão paz e amor. A região é frequentada por uma galera doidona tipo “maluco beleza”. Não se preocupe, eles estão curtindo a onda deles e mesmo com uma aparência estranha, não incomodam ninguém.

Caminhe sem pressa pela Haight Street e observe a explosão de cores.

Uma bela surpresa a cada esquina na Haight Street. Entre no clima.

 Olhe tudo sem pressa. Lojas, letreiros, paredes, fachadas. É uma festa para os olhos.

Pertinho fica o Parque Golden Gate, com uma imensa área verde. Ele é maior do que o Central Park de Nova York. Tem muitos lagos, cascatas, um zoológico, um jardim japonês, o Young Museum, o Conservatório de Flores e a Academia de Ciências da Califórnia onde tem um museu de História Natural, um aquário e um planetário. A Academia de Ciências da Califórnia é um lugar bastante procurado. O ingresso custa 35 dólares. A hora da refeição dos pinguins é um dos pontos altos. O planetário exibe filmes curtos, com superprodução. O prédio da Academia foi planejado para não usar ar condicionado e adota a energia solar. Tem muita luz natural, espaços arejados e teto onde vivem muitas espécies de plantas nativas da região. O cuidado com o meio ambiente é primoroso. A água da chuva é coletada e aproveitada. Quando cansar faça uma pausa para relaxar na cafeteria do chef Charles Phan, o mesmo chefe do Slanted Door, restaurante citado acima.

Young Museum, no Golden Gate Park.

Academia de Ciências da Califórnia. 

Conservatório de Flores. 

Jardim Japonês.

Outro museu importante na cidade e aliás um dos mais importantes da Califórnia é o Museu de Arte Moderna. Ele fica perto do complexo de entretenimento Yerba Buena Park. Nessa região também fica o disputado Dotties sempre com filas enormes na porta para o café da manhã concorridíssimo.

Se der tempo vá de bonde F line ao Castro, reduto mundial do movimento gay repleto de bandeiras com as cores do arco-íris. Até as faixas de pedestres são coloridas. Há bons restaurantes na região.

 Castro, reduto gay de San Francisco.

Use a linha F do bonde elétrico para ir ao Castro.

Para conseguir aquela foto clássica das Painted Ladies (ou “Senhoras Coloridas”) vá até o Alamo Square Park e se divirta com o visual das casinhas em primeiro plano tendo ao fundo o skyline da cidade com arranha-céus modernos. Então, desça pela Hayes Street - que fica numa das esquinas do parque - olhando as vitrines simpáticas das lojas. Observe a Aether, marcas de roupas esportivas que funciona dentro de containeres empilhados, num projeto de Thierry Gaugin, aluno de Philippe Starck. Faça uma pausa num restaurante, café ou sorveteria da Hayes. O La Boulange é bem disputado com doces franceses e café orgânico. Outro café concorrido é o Blue Bottle.

Painted Ladies, no Alamo Square Park.

Aproveite que está no bairro residencial de Hayes Valley visite o SF Jazz Center que teve o projeto de três andares inspirado em igrejas e clubes de jazz, o belíssimo City Hall e o Symphony Hall.

City Hall, San Francisco. 

Symphony Hall.

Não pode faltar uma travessia pelo principal cartão postal da cidade, a Golden Gate. Dá para ir de carro, de bicicleta, de ônibus ou até a pé para quem gosta de caminhar. Vale atravessar a ponte e ir até a simpática cidade de Sausalito, na volta almoce no Chez Panisse em Berkeley, do outro lado da ponte.

Golden Gate e a cidade de San Francisco ao fundo.

Já que está do outro lado da ponte, considere visitar o parque Muir Woods declarado Monumento Nacional que fica 18 quilômetros ao norte da Golden Gate. O parque é lindo. Sequoias gigantes dominam a paisagem. Difícil ver a copa das árvores de tão altas. No chão, entre as árvores, o clima favorece o crescimento de trevos enormes. O lugar é considerado tão especial que as pessoas são convidadas a andar em silêncio reverenciando a natureza na trilha chamada de Cathedral Grove.

Muir Woods.

Para finalizar, é notável que San Francisco vive dentro de um conceito sustentável. Mas, estamos falando de uma cidade dos Estados Unidos onde o consumo é um convite quase irrecusável. Portanto, um lugar legal para ir às compras é na Union Square, onde estão as grandes lojas de departamento ou nos arredores da praça, nas ruas Post, Geary, Ellis e O’Farrell onde estão as boutiques menores. Um pouquinho mais distante fica o Premiun Outlet.

Union Square é um dos lugar para quem quer fazer umas compras. 

E, se ainda sobrar um tempo para circular pelos arredores de San Francisco opções não faltam:

  • Napa Valley que pode ser visitado de carro ou Wine Train
  • Sonoma
  • Yosemite Park
  • Muir Woods, o parque das sequoias
  • Sausalito

San Francisco é muito especial. 
Reserve pelo menos 4 dias para se perder pelas ladeiras da cidade.

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COMENTÁRIOS

  1. Claudia, não preciso mais fazer roteiro, você já fez por mim :). Aqui encontrei tudo o que pretendemos ver na cidade mas o melhor foi que você me direcionou, eu estava meio perdida em como dividir entre os 3 dias que ficaremos na cidade e pra fechar com chave de ouro, ótimas dicas de restuarantes, esse o ponto fraco em nossas viagens, sempre fazemos pelo menos uma refeição num lugar legal. Adorei seu post. Bjs.

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  2. Cynara,

    Fico muito feliz em ter ajudado. Espero que façam uma super viagem.

    Divirtam-se muito.

    Beijo

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  3. Adorei Cláudia!

    Seus posts são sempre incríveis!

    Beijos da Di.

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  4. Como sempre suas postagens são perfeito.Veio bem na hora.
    Só por curiosidade, qual a Câmera Fotográfica que você usa?

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  5. Obrigada, Di.

    Você é sempre muito gentil.

    Mil beijos

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  6. Zinho,

    Usei uma Canon G15. A cidade ajuda. É muito fotogênica.

    Obrigada.

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  7. Oi Claudia, com certeza essa será a minha próxima parada nos EUA. Tô louca pra conhecer e suas dicas são ótimas. Aliás, parabéns pelo site, a gente fica viajando junto com você. As fotos são belíssimas. Beijocas da Leila

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  8. Oi Claudia, com certeza essa será a minha próxima parada nos EUA. Suas dicas são ótimas. Aliás, parabéns pelo site, a gente fica viajando junto com você. E as fotos são belíssimas. Beijos Leila

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  9. Leila,

    Venha sempre viajar pelo mundo! Obrigada!

    Desejo ótima viagem quando for aos EUA.

    Beijo

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