NA PAZ DE NHA TRANG, PHANG RANG E VINH HY


Depois de mergulhar de cabeça na confusão de Hanói e de navegar pelos mistérios de Halong Bay chegou a hora de relaxar na paz do interior do Vietnã para conhecer Nha Trang, Phang Rang e a baía de Vinh Hy.

A parte central do Vietnã tem uma zona rural interessante habitada por minorias étnicas e um litoral bonito com praias de areia branca usado predominantemente como zona pesqueira.


Na verdade, a motivação de ir para a região Centro-Sul do país, que não é uma das mais visitadas, foi pela vontade de desacelerar por alguns dias e curtir um super hotel na baía de Vinh Hy.

O Amanoi é um dos hotéis mais novos do luxuoso grupo Aman Resorts que apesar de ser badalado na Ásia debutou a pouco tempo no Vietnã. Abriu suas portas no final de 2013 com 30 bangalôs espetaculares. A localização é perfeita para quem busca dias de paz, na direção oposta de toda a confusão de Nha Trang. Todos os grandes hotéis nessa região ficam ao norte do aeroporto e o Amanoi fica 50 quilômetros ao sul, na pacata baía de Vinh Hy cercado apenas por vilarejos de pescadores, plantações, salinas e pelo Parque Nacional Nui Chua.

Baía de Vinh Hy, Vietnã.

O hotel é fantástico. Os quartos são imensos com o banheiro integrado ao apartamento, vista linda das montanhas e do mar. Cada bangalô tem a sua própria piscina de borda infinita. Em termos de hotelaria foi o ponto alto do Vietnã. Na área comum do hotel há outras duas piscinas. Uma nas pedras, no alto da montanha e outra de frente pro mar. Além disso, o spa é maravilhoso. Já, o restaurante é bom, com cardápio vietnamita e internacional, mas um pouco limitado.

Quarto do bangalô do Amanoi.

Banheiro do hotel Amanoi com vista espetacular.

Piscina privativa do bangalô do hotel Amanoi.

Nascer do sol na piscina de borda infinita do hotel Amanoi, de frente para o mar. 

Café da manhã com bela vista no Amanoi.

Spa do Amanoi com área sossegada para a prática de yoga e com  massagens deliciosas.

Todas as tardes o hotel oferece um lanche vietnamita para os hóspedes. Na foto, panquecas de arroz.

Várias áreas de descanso no Amanoi com visual incrível e decoração clean de muito bom gosto.

Por do sol em uma das piscinas do Amanoi no alto da montanha com vista espetacular da baía.

OBS: Cabe ressaltar que as diárias do hotel foram pagas por mim. Por isso, meus relatos são realmente baseados na minha percepção. O hotel é maravilhoso. O grupo Aman é um dos que mais me agrada na Ásia. Luxuoso e rústico na medida. Sempre integrado ao contexto do país.

UM LUGAR DE PAZ E CULTURA BEM PRESERVADA

A região Centro-Sul do Vietnã cobre parte do antigo reino de Champa. Esse reino nasceu no século 4 e manteve seu poder por mais de seis séculos. Mas, como tudo nessa vida é cíclico, eles perderam sua força e o pouco que restou de seu legado pode ser visto em uma pequena região agrupado em forma de torres e poucos templos.

Um dos templos mais bem preservados é o Po Klong Garai. Ele é formado por três torres de tijolos de arquitetura peculiar, no topo de um morro. Foi construído pelo rei Jaya Simhavarman III que é venerado até hoje por ter construído o primeiro sistema de irrigação do reino. Quase não vi turistas por ali. O templo ainda recebe oferendas do povo cham que mora nas redondezas de Phan Rang-Tap Cham e vive da produção têxtil e artesanato feito em barro.


Templo Po Klong Garai do reino Champa. 

 Oferendas ao rei Jaya Simhavarman III no principal santuário do templo Po Klong Garai.


Os brocados são feitos há séculos pelo povo cham na comunidade de My Nghiep, no vilarejo de Phuoc Dan. Eles tentam preservar a arte do povo e vivem da venda da sua arte têxtil. Fazem roupas, bolsas, carteiras...


 Tecelã do grupo étnico cham na comunidade My Nghiep, 

Perto dali outro grupo de artesãos trabalha com argila. Também são parte do grupo étnico cham. O modo como confeccionam as peças é um dos mais antigos da Ásia. O barro utilizado é coletado do rio apenas uma vez ao ano e armazenado para a produção do ano todo. 

Artesanato feito em barro do povo cham, uma tradição da região Centro-Sul. 

CONHECENDO O CENTRO-SUL DO VIETNÃ

Essa região ainda tem pouca infraestrutura turística, por isso o ideal é contratar um carro no hotel com motorista e guia para circular por Nha Trang, Phang Rang, Vinh Hy e arredores. Então, reservei um dia para sair cedo do hotel e voltar ao entardecer.

A primeira parada foi num pequenino vilarejo de pescadores. A hospitalidade do povo é comovente. Eles ficam curiosos com a visita de ocidentais, dirigem logo o olhar para os intrusos e abrem aquele sorriso. Falam palavras em vietnamita e fazem gestos para tentar alguma comunicação. O guia acabava sempre intermediando as tentativas de diálogo, pois na maioria das vezes ninguém se entendia e eram muitas risadas.

 Mulheres vietnamitas vendendo seus produtos na praça do vilarejo.

Enquanto as mulheres ficam reunidas nos mercados negociando seus produtos e cuidando das crianças, os homens se encarregam dos barcos, das redes e se preparam para pescar. Mulheres para um lado e homens para outro. A estrutura da sociedade vietnamita sempre foi patriarcal e calcada na hierarquia. O modelo de Confúcio serviu como base para a organização familiar onde é preciso respeitar os mais velhos e cumprir seus deveres dentro da família. O lar ainda é comandado pelas mulheres. Embora elas venham tentando buscar uma situação de igualdade com os homens essa ainda não é uma realidade. 

 Pescadores trabalham nos arredores de Nha Trang.

Os vietnamitas acordam cedo para aproveitar a temperatura mais amena. Muito cedo, as ruas já estão repletas de gente vendendo de tudo: peixes, carnes, frango, verduras, legumes, frutas e muita comida pronta. E é por ali mesmo que eles tomam seu café da manhã. Na rua. Na verdade, mais parece um almoço.

Pelas fotos dá para ver que o país é muito pobre ainda. Com a abertura do turismo em 1990, esse cenário começou a se modificar. Os visitantes são atraídos pelas praias, pela culinária, pelas imagens de nação pós guerra, pelas belezas naturais mas, principalmente, pelas tradições culturais que sofreram influências importantes dos períodos de dominação chinesa e francesa e convivem em harmonia com mais de 50 grupos étnicos. 

Vendedora trabalhando e tomando uma sopa de manhã cedinho.

Alguns quilômetros à frente e a parada foi em outro vilarejo de pescadores da baía de Vinh Hy. Dessa vez, um pouquinho maior, porém não passava de uma rua. Essa parte do país é pacata. A vida gira em torno da pesca. Famílias vivem do mesmo modo há muitas gerações. Tudo é simples e rudimentar, em todos os sentidos. Mas, vivem felizes.

Vinh Hy, vilarejo de pescadores vietnamitas. 

A alegria sempre estampada no rosto do povo vietnamita. 

Salina em Vinh Hy, Vietnã.

Os vilarejos são próximos uns dos outros, mas a maioria das estradas é de terra e o carro anda em velocidade lenta devido aos buracos. No caminho é interessante observar a rotina das pessoas que vivem na zona rural. A agricultura é um dos setores mais fortes da economia no país. Sessenta porcento da população vive da agricultura. Os campos de arroz ocupam áreas muito extensas. No entanto, o modo de plantio e colheita ainda são muito primitivos. Não há muitos equipamentos, apenas alguns animais, poucos implementos e muita gente sorrindo, plantando e colhendo. Quase tudo é feito manualmente seja nas lavouras de arroz ou nas plantações de hortaliças.

Campo de arroz do Vietnã.

Mulheres cobertas da cabeça aos pés enfrentam temperaturas elevadas enquanto plantam. 

Mesmo realizando trabalhos duros sob o sol forte, os vietnamitas não deixam o sorriso de lado.  

Essa região foi devastada na Guerra do Vietnã e hoje renasce lentamente. Por isso, a maior parte dos turistas passa por aqui apenas com interesse nas praias e deixa de lado as cidades pesqueiras, a zona rural e as ruínas cham. Sei que pode ser chocante. Mas, é a vida sem máscaras. Despida de maquiagem. Vale muito a pena conhecer a alma do povo vietnamita. Apesar de sofridos eles são muito doces e tem brilho no olhar.

Cidade de Phan Rang vista do alto de um monastério feminino.

Phang Rang é uma cidade pequenina que tem como principais atrativos o Templo Po Klong Garai, um museu bem simples dedicado ao povo Cham, praia de areia branca com pouco movimento e um mercado super interessante.

Visitar o mercado local é a certeza de entrar em contato com a essência do povo. É descobrir um pouco mais de sua cultura. É entender suas raízes. Portanto, não deixe de visitar, cheirar, olhar, perguntar, comprar e se possível comer alguma coisa típica.

Mercado de Phan Rang.

Lembro desses bolos de banana  com água na boca. 

 A simpatia dos vietnamitas é constante. 

Na volta para o hotel, uma pequena parada para conhecer a pacata praia Ninh Chu que fica a 6 quilômetros de Phan Rang. Apenas um grupo de pescadores conversava na sombra das casuarinas. Quando peguei a câmera para registrar o momento surgiu essa linda modelo pedindo para ser fotografada.

Menina vietnamita na praia de Ninh Chu, em Phan Rang.

Vale lembrar que praia não é um hábito local, mesmo que esse seja considerado um dos principais balneários do país. Basta ver como eles se escondem do sol por traz de camadas e camadas de roupas. Para eles, pele bronzeada não é elegante, é sinal de trabalho pesado ao ar livre. Ao contrário dos ocidentais que adoram ostentar uma pele dourada como sinal de vida saudável ao ar livre. Essas diferenças culturais são de uma riqueza impressionante. Fazem com que muitas vezes nossos conceitos e paradigmas sejam quebrados. Viajar é isso. Abrir os horizontes. 


Trabalhadores rurais vietnamitas embalando alho, muito protegidos do sol. 

Para conseguir conversar, a vendedora foi tirando as camadas que cobriam seu rosto.

Preferi conhecer os vilarejos menores, entrar em contato com as pessoas que trabalhavam no campo e curtir um belo descanso no hotel Amanoi.

Nha Trang conheci apenas de passagem e não tive muito interesse por ser uma cidade maior. É importante posto pesqueiro e famosa pelas praias e 19 ilhas que podem ser exploradas de barco. A orla tem mais de 6 quilômetros e muitos hotéis de estilo singelo. A cidade também tem um mercado central, Cho Dam, no centro. Outro ponto que atrai turistas são as fontes termais de Thap Ba e Ba Ho nos arredores da cidade.

COMO CHEGAR

A partir de Hanói voei de Vietnam Airlines para Nha Trang e depois de Nha Trang fui para Ho Chi Minh também de Vietnam Airlines. Os voos são muito baratos se comparados aos voos regionais no Brasil.

INDICAÇÃO DE HOTEL

Adorei o Amanoi. Perfeito para quem quer sossego.


Leia também os outros textos sobre o VIETNÃ, HANÓI e HALONG BAY.

O próximo post será sobre Ho Chi Minh. Espero vocês.

Vietnã.

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COMENTÁRIOS

  1. Ontem estava falando de você e do seu blog para um amigo que como nós adora viajar e faz fotografias incríveis! Ele é um artista! Vou passar os links dessa sua última viagem, porque acho que finalmente achei companhia pra encarar uma dessa comigo.
    Um beijo grande e bom dia Claudinha!

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  2. Ah como eu viajo lendo os seus posts! Adoro o seu blog! É muito informativo, muitíssimo bem escrito e as fotografias são sempre magníficas ! Um bem haja a si Cláudia!

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  3. Brenda,

    Eu sou muito fã da Ásia. São minhas viagens preferidas. É um mundo novo que faz a gente refletir muito e rever conceitos.

    Você vai amar!

    Mil beijos.



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  4. Lindo post, lindas fotos !
    Bjs
    MT

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  5. MT,

    O Vietnã é muito interessante. Uma viagem culturalmente muito rica.

    Bjs

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  6. Como você está linda! A Ásia é realmente encantadora e um dia, teremos oportunidade de conhecê-la. No momento, estou montando um pequeno roteiro para o final de julho...tô aqui pesquisando, Lençóis ou Gramado!!! Aiai rsrsrsrs...beijos, boa semana <3

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  7. Obrigada pelo elogio, Taia.

    Programar a próxima viagem é tudo de bom.

    Suas opções são bem diferentes. Adoro os dois lugares. Gramado é fofíssima. Viagem mais romântica, mais tipo Europa no Brasil. Já, Lençois Maranhenses é um dos lugares mais incríveis do mundo. Beleza natural incrível. Hotéis mais simples e comida praiana.

    Os dois são legais!!!!

    Vai aos dois. Rs

    Beijos

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