BRATSLAVA, A CAPITAL DA ESLOVÁQUIA


Bratslava foi uma bela surpresa. A cidade às margens do rio Danúbio é pequenina, tem população que gira ao redor de 500 mil habitantes. E, olha que ela é a maior cidade do país. Em um dia dá para conhecer seus principais cantinhos. No entanto, se puder ficar mais do que isso, melhor ainda. O charmoso centro medieval, exclusivo à pedestres, é um tesouro que convida a caminhadas sem pressa. Parece até ter saído de um conto de fadas.

Praça Hlavné Námestie, a Fonte de Maximiliano e a Prefeitura.

Lembra de um país chamado Tchecoslováquia? Pois é, ele existiu de 1918 até bem pouco tempo atrás. Até 1993. Foi criado no fim da Primeira Guerra Mundial quando o Império Áustro-Húngaro entrou em colapso. Nessa ocasião, os tchecos lutaram contra seus governantes austríacos e os eslovacos contra seus governantes húngaros. E então, se uniram para somar forças e conquistar a liberdade. No entanto, desde que o país se formou nunca houve sintonia total entre os dois povos. Os tchecos se consideravam mais desenvolvidos tecnológica e economicamente enquanto os eslovacos tinham uma tradição mais rural.

Mesmo assim, esse casamento durou 75 anos. Enfrentaram juntos períodos turbulentos nas mãos de nazistas e comunistas. A Tchecoslováquia foi Estado Satélite da União Soviética de 1945 a 1989. No final desse período, ganhou novamente sua liberdade quando a Cortina de Ferro se desmantelou. Dali para a frente foram mais três anos de união, vivendo uma democracia, até que os dois países resolveram se separar, de modo tranquilo, sem conflito armado. O dia 1 de janeiro de 1993 marca o nascimento de duas nações: República Tcheca (capital Praga) e a Eslováquia (capital Bratslava).

Mapa da Eslováquia e seus vizinhos.

E curiosa que sou, estando em Bupapeste (a 200 km de Bratslava) com destino a Viena, de trem (65 km de Bratslava) resolvi programar uma parada de um dia na capital da Eslováquia para conhecer esse, que é um dos países mais jovens da Europa. Digo jovem quando me refiro a essa nova roupagem pós-comunismo. Na verdade, sua história é muito antiga e rica. Bratslava foi a capital da Hungria, de 1536 a 1783. Nesse período, muitos reis foram coroados ali. Para perceber a força desse passado basta algumas horas de caminhada pelo centro histórico. É um país pequeno, mas com uma grande história.

O trajeto de trem Budapeste-Bratslava dura três horas. E, para facilitar a vida dos viajantes, na estação férrea há local para deixar as malas (caso você não pretenda dormir na cidade). Perfeito! Ao desembarcar pegue um taxi e vá direto para a Cidade Velha.

No caminho, entre a estação ferroviária e o centro, que dura menos de 10 minutos, o taxi provavelmente passará em frente ao Palácio Presidencial que foi construído no século XVIII, como palácio de verão para o conde Grassalkovitch e hoje é a residência oficial do presidente da Eslováquia. Lindo! Em estilo rococó, todo branco, com um belo jardim e com direito a troca da guarda.

Para chegar a Bratslava fui de trem partindo de Budapeste. 

Ao chegar no Centro Antigo comece a exploração da cidade pela Praça Central Hlavné Námestie onde estão concentrados belos prédios medievais com torres que guardam as histórias de sua época. Entre eles, o prédio da Prefeitura, formado por três edifícios construídos nos séculos XIV e XV e onde hoje funciona o Museu da Cidade de Bratslava; a Fonte Maximiliano, de 1572 e várias estátuas, sendo que a do Soldado do Exército de Napoleão é uma das mais concorridas para a foto. Aliás, estátuas não faltam pela cidade. Ande com olhos atentos e verá muitas delas. São interessantes e pouco convencionais.

DICA IMPORTANTE: o Museu da Cidade de Bratslava não abre às segundas-feiras, assim como alguns outros. Como visitei a cidade exatamente numa segunda, não pude entrar em nenhum dos museus que tinha programado. Fique esperto.

Fonte Maximiliano, na Praça Central, e ao fundo o prédio da Prefeitura que hoje é um museu. 

Estátua do Soldado do Exército de Napoleão, na Praça Hlavné Námestie.

Continue andando até a Porta de Miguel - Michalská brána - única porta que se manteve em pé, das antigas fortificações medievais. Ela se encontra cercada por outros prédios. Esse é um dos principais cartões-postais da cidade. Nessa região tem muitos restaurantes, cervejarias e lojas de artesanato local.

Ao fundo a Porta de Miguel.

Muitos bares, restaurantes e cafés convidam a uma pausa pelas ruas do centro antigo de Bratslava.

Se perca pelas adoráveis ruas de Bratslava.

É fácil perceber que há muitas igrejas espalhadas pela cidade: Trindade, Blumental, Azul, Franciscana, Santa Clara... Mas, uma delas - a Catedral de São Martinho - foi parte importante na vida real da cidade. Ali, dezenove reis Húngaros foram coroados, de 1563 a 1830, além da imperatriz Maria Teresa descendente da nobre família Habsburgo do Império Áustro-Húngaro, uma das mais importantes da história da Europa.

Catedral de São Martinho e ao fundo o Castelo.

 Igreja Trindade.

A partir da Catedral de São Martinho continue subindo a ladeira até chegar ao Castelo de Bratslava. Ele fica no topo da colina, 85 metros acima do Danúbio, e é um dos principais pontos de atração da cidade. O castelo data do século X, mas já passou por várias modificações, inclusive em relação ao estilo arquitetônico. Dizem que antes disso, o local também já serviu como acrópole de um povo celta.

 Castelo de Bratslava.

Faça uma visita sem pressa ao castelo que abrigou a dinastia dos Habsburgos e hoje abriga um conjunto de museus de história e arqueologia. Dá para chegar caminhando ao castelo, de ônibus elétrico ou num ônibus turístico vermelho que roda pela cidade. A vista do Danúbio é linda. 

 Castelo de Bratslava.

E por falar em Danúbio, um outro símbolo da cidade, no entanto mais moderno e pertencente ao legado comunista é a Ponte Nova (Novy Most), inaugurada no início dos anos 70. A ponte suspensa tem uma torre cheia de controvérsias. Há quem diga que parece um disco voador e torça o nariz para o presente russo. É possível subir na torre para observar a cidade do alto. Do outro lado da ponte há vários prédios residenciais também com arquitetura de traços soviéticos.

 Ponte Nova que atravessa o rio Danúbio.

E, quando bater a fome, os restaurantes com a comida típica local são uma ótima pedida. Almocei no Zylinder divinamente. Sabe o que pedir? Comece com uma sopa demikát de batata com queijo de ovelha e bacon. A seguir peça os tradicionais bryndza dumplings, um tipo de mini nhoque feito com batata e queijo de ovelha ou o porkolt, o mesmo mini nhoque porém servido com bochecha de porco guisada. Para acompanhar, um vinho local. Dos deuses. Uma daquelas refeições que não saem da lembrança.

Sopa demikát.

Porkolt.

Bryndza dumplings.

Depois de uma bela refeição de comida típica local aproveite para andar pela praça Hvizdoslavovo onde há uma feirinha de artesanato local e alguns passos à frente fica a belíssima Opera House. Dê uma olhada na programação e veja se há alguma performance de ballet ou ópera que você possa assistir. A cidade tem uma veia cultural forte. Um novo complexo destinado às artes cênicas, chamado de Teatro Nacional, foi construída em 2007, um pouco afastado do centro histórico.

Teatro Nacional Eslovaco.

Praça Hvizdoslavovo e ao fundo a Ópera House.

Para finalizar, se você tiver interesse por monumentos históricos, visite também o Monumento Slavin construído em 1960, com 40 metros, em homenagem aos soldados soviéticos que perderam suas vidas nos combates ocorridos no fim da Segunda Guerra contra o exército nazista. Mas, ele fica um pouco distante do centro.


INDICAÇÃO DE HOTEL. RADISSON BLU, num ponto bem central da cidade, em frente a Ópera.

Hotel Radisson Blu ao fundo e as barracas da feira de artesanato local.

INDICAÇÃO DE RESTAURANTE. ZYLINDER, de comida típica da Eslováquia. Muito bom! Fica em frente ao hotel Radisson Blu. Endereço: Hviezdoslavovo námestie 176/19, 811 02. Telefone: +421 220863686

MELHOR MANEIRA DE CIRCULAR PELA CIDADE. A pé, de bonde elétrico ou de taxi (são bem caros se comparados com os preços das vizinhas Budapeste e Viena).

MOEDA: euro

PAÍSES VIZINHOS. República Tcheca, Hungria, Áustria, Ucrânia e Polônia.

ALGUMAS DISTÂNCIAS
Viena 65 km (de Viena para Bratslava é possível ir de trem ou de barco pelo Danúbio)
Budapeste 200 km
Praga 325 km

MELHOR ÉPOCA PARA VISITAR. A cidade é bem geladinha no inverno. De maio a setembro as temperaturas são mais amenas. Nos outros meses faz frio mesmo. Tudo depende da sua preferência. Há bons lugares para esquiar na Eslováquia.

IDIOMAS. Eslovaco e tcheco. Mas, o inglês é falado por muita gente.

COMO CHEGAR. De trem, avião ou barco. A estação férrea fica muito perto do centro antigo e o aeroporto a 8 quilômetros do centro. Se chega de barco vindo de Viena pelo Danúbio.

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República Tcheca
Budapeste

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COMENTÁRIOS

  1. Cidade maravilhosa, ir até lá é uma das coisas que se deve fazer antes de morrer. Estive alí em maio de 2015.

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    1. Nora,

      A Eslováquia é um encanto. Ideal para conjugar com Viena e se possível Budapeste.
      Obrigada pelo comentário.
      Volte sempre.

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  2. Além da beleza, fiquei encantada com a limpeza das ruas. Que inveja!!!

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  3. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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