AS MELHORES DICAS DA ROTA ROMÂNTICA DA ALEMANHA - PARTE 1


A Alemanha é um daqueles países de sonho. Organizado, seguro, correto, bem cuidado, bonito, com história densa e onde tudo funciona. É fácil de visitar e mais fácil ainda de se apaixonar. Tem um povo educado, animado, que adora uma boa cerveja e que enfeita as casas com flores. Ao traçar um roteiro pelo país você pode escolher entre a força histórica de Berlim, o culto a cerveja em Munique especialmente durante a Oktoberfest, a genialidade dos concertos de Beethoven e Bach, o charme de Heidelberg ou a vida agitada de Frankfurt. Mas, se você quer voltar no tempo e curtir os cenários medievais mais encantadores da Alemanha então tem que fazer a Rota Romântica.

Mapa da Rota Romântica da Alemanha.

A rota de 350 quilômetros, na Bavária, sul da Alemanha é uma das mais trilhadas e concorridas da terra de Goethe. Passa por um rosário de cidadezinhas medievais de Füssen até Wurzburg. Se estende dos Alpes ao rio Main passando por florestas, picos nevados, lagos limpíssimos e cidades de contos de fadas. Para completar, a cozinha da Bavária e as cervejas serão suas companheiras inesquecíveis de viagem.

Pretzel, salsichão e muita cerveja na Bavária.

POR ONDE COMEÇAR

Como eu estava em Zurique, aluguei um carro para subir por Appenzell, no nordeste da Suíça e então entrar na Alemanha (230 quilômetros). Passar pela fronteira que divide Suíça e Alemanha é muito fácil. Ninguém para o carro ou pede documentos. Muda apenas a moeda. Saem os francos suíços e entram em cena os euros. Assim, segui pela “Romantic Strasse” de Füssen até Wurzburg por quatro dias incríveis. De Wurzburg fui até Frankfurt, uma cidade bem movimentada, onde entreguei o carro no aeroporto e peguei o voo para o Brasil via Amsterdam.

Campos lindos entre Zurique e Füssen num trajeto de pouco mais de duas horas.

A maior parte das pessoas inicia a rota por Frankfurt que está a 400 quilômetros de Füssen e faz o caminho inverso do que eu fiz (de carro, trem, ônibus ou até de bicicleta). Vai de Wurzburg até Füssen e volta por Munique. A ordem dos fatores não altera o produto. O que eu realmente faria diferente seria ir até Frankfurt por Heidelberg e não por Wurzburg, uma cidade que não me encantou muito talvez por ter encontrado a ponte em obras. Vale lembrar que a ponte é linda e parece muito com a de Praga, na República Tcheca, repleta de estátuas.

Mapa da Rota Romântica, sul da Alemanha.

Sabe porque a Rota Romântica tem esse nome? É porque muitos poetas românticos alemães dos séculos XVIII e XIX buscaram ali sua inspiração. Não só eles como Walt Disney também. O Castelo de Neuschwanstein, nos arredores de Füssen, foi o ponto de partida para o Castelo da Cinderela e Rothenburg o inspirou na criação de Pinóquio. Fonte de inspiração total essa rota!

Rothenburg ob der Tauber é uma das cidades mais visitadas da Rota Romântica.

PRIMEIRA PARADA: FÜSSEN

Füssen é uma pequena cidade de 15 mil habitantes, cheia de charme e repleta de turistas ansiosos por conhecer um dos principais cartões-postais da Alemanha, o Castelo Neuschwanstein que fica no vilarejo de Schwangau a cinco quilômetros de Füssen e a poucos quilômetros da fronteira com a Áustria (Innsbruck está a 100 quilômetros).


Füssen.

Füssen de noite é um charme. Não tem postes de luz, apenas lamparinas.

O centro medieval de Füssen tem mais de 700 anos e fica debruçado às margens do rio Lech, tendo os Alpes Bávaros como pano de fundo. As ruelas têm calçamento de pedra e são lindas de dia ou de noite, quando as fontes e prédios históricos ganham iluminação discreta. No centrinho, visite o Monastério Beneditino St. Mang, que data do século IX; o palácio Hohes Schloss, no alto do morro; e o Monastério Franciscano. Sente para um café na praça Schrannenplatz.


Monastério St. Mang e igreja Stadtpfarrkirche na beira do rio Lech.



Centro histórico de Füssen.


O rio Lech é alimentado  pelo lago Forggensee e acompanha o centro medieval de Füssen.

Indicação de hotel e restaurantes em Füssen

Adorei o Hotel Hirsh na entrada do centro histórico. Tem quartos fofos com cara de “casinha da vovó”, excelente restaurante e atendimento muito gentil. Além disso, tem estacionamento no pátio, super prático para quem chega de carro na cidade.

Hotel Hirsh no centro histórico de Füssen.

Outros bons restaurantes no centrinho histórico são o Mademe Plusch e o Gasthof Krone. A cozinha da Bavária tem fama por seus embutidos (como o Leberkäse/Fleischkäse), salsichões com mostarda e chucrute (Schweinsbratwürste mit Sauerkraut), Pretzel, almôndegas, muita carne de porco (Schweinshaxen) e torta de maçã (Apfelstrudel).

SCHWANGAU E OS CASTELOS DE NEUSCHWANSTEIN E HOHENSCHWANGAU

Agora vamos a estrela maior, o Castelo de Neuschwanstein. Ele fica no vilarejo de Schwangau, a cinco quilômetros do centrinho de Füssen, como já mencionei acima. É lindo! Especialmente por fora. Tem localização privilegiada entre altas montanhas e lagos. Merece uma visita. Foi construído pelo rei Ludwig II da Bavária, no século XIX, com arquitetura inspirada nas óperas de Wagner. Ele usou todo seu patrimônio na construção do luxuoso castelo que levou quase 20 anos para ficar pronto. Extravagância e inovações tecnológicas não faltaram, como água quente nas torneiras, banheiros com descarga, ar quente canalizado para calefação, forno da cozinha com grelha giratória e sistema de campainha a bateria para chamar os empregados. Com isso, o valor gasto na obra foi praticamente o dobro do estimado. O rei então foi destituído do trono pelo Governo da Bavária e considerado incapaz. Misteriosamente, o rei Ludwig II morreu afogado pouco depois da sua destituição, em 1886. Pena. Ele nem chegou a usufruiu do seu feito que na época foi considerado um escândalo e hoje é uma preciosidade que arrasta uma multidão de visitantes. Uma história que lembra a do Taj Mahal, na Índia.

Por fora o Castelo de Neuschwanstein é espetacular.
Observe ao fundo uma pontinha do Castelo Hohenschwangau e o Lago Alpsee.


O Castelo de Neuschwanstein é o mais visitado da Alemanha. 

Para visitar o castelo você vai precisar caminhar um bocado e disputar espaço com muita gente, seja no verão ou no inverno. Carro é o modo mais fácil de chegar a Schwangau. Aos pés dos castelos há vários locais para estacionar, 6 euros por dia. Do estacionamento até o Castelo Neuschwanstein você pode ir andando por uma trilha morro acima que dura entre 30 e 40 minutos a pé, também dá para ir de ônibus até as proximidades da Ponte Marienbrucke (que tem o melhor visual do castelo, do desfiladeiro e da cachoeira) e dali descer andando 10 minutos até a entrada principal do castelo ou ainda ir de charrete (sempre minha última opção). Lembre-se que quando neva, os ônibus não sobem e resta apenas a possibilidade de subir de charrete ou a pé.

Esse é o local onde ficam os estacionamentos em Schwangau para deixar o carro e 
explorar os castelos e o lago.

Para evitar filas e não sair frustrado, compre os ingressos antecipadamente pela internet no site www.ticket-center-hohenschwangau.de para visitar os dois castelos por dentro: Neuschwanstein e Hohenschwangau. As visitas são guiadas e com hora marcada. Não é possível fotografar o interior dos castelos. O valor é de 13 euros para cada castelo ou 31,50 o Swan Ticket que vale para os dois castelos e o Museu dos Reis da Bavária. Não deixe de dar uma caminhada pelo lago Alpsee.

O Castelo de Hohenschwangau fica a pequena distância do Neuschwantein e também é belíssimo, apesar de muitas vezes passar quase em branco ou como mero coadjuvante do seu vizinho imponente. Ele foi construído pelo Rei Maximiliano II da Bavária, pai do Rei Ludwig II, que viveu ali durante a infância e se inspirou no castelo para construiu sua obra-prima. A história do castelo remonta ao século XII. Porém, ele foi muito danificado durante as guerras e em 1832 suas ruínas foram restauradas pelo Rei Maximiliano II para ser usado como residência de verão. O lago Alpsee pode ser alcançado facilmente do castelo. Tudo pode ser visitado a pé. As distâncias são relativamente curtas entre eles.

Castelo de Hohenschwangau.

Vista do Castelo de Hohenschwangau a partir do Castelo Neuschwantein.

Lago Alpsee.

Dica: Se você tiver tempo de sobra dê um passeio de barco pelo Lago Forggensse e suba até Zugspitze, a montanha mais alta da região (3 mil metros) que fica a 70 quilômetros de Füssen.

Zugspitze.

SEGUINDO CAMINHO

Depois de explorar Füssen e Schwangau durante dois dias, seguimos pela Rota Romântica parando em cada vilarejo que chamava atenção. E vou confessar que dava vontade de parar em todas as cidadelas. Halblech fica num vale lindo repleto de lagos e com uma vista incrível dos Alpes. A população é pequena. Tem ao redor de 3 mil habitantes e seus destaques são as igrejinhas e capelas. 


No caminho para Halblech.

Então vem uma sequência de vilarejos charmosos. Steingaden é pequenina. É onde fica a Wieskirche, uma igreja barroca que é ponto de peregrinação por ter presenciado um milagre no século XVII conforme contam. Ela é considerada Patrimônio Mundial pela UNESCO e abriga o Museu da Peregrinação. 


Wieskirche.

Wildsteig é o vilarejo seguinte. É uma graça quando visto do alto da colina, com a cúpula da igrejinha em destaque. Nem vale a pena parar, pois é muito pequeno. Tem apenas 1,5 mil habitantes. 


Wildsteig.

Rottenbuch tem menos de 2 mil habitantes e vale uma pausa para um café. Como fica num vale é um lugar muito procurado por quem gosta de fazer trilhas e pedalar. Seus principais destaques são o Monastério dos Agustinos (do século XI) e a igreja Frauenbrünner. 


Rottenbuch.

Já, Peiting fica na beira de um riacho e é fotogênica por esse ângulo. É uma cidade maior do que as anteriores, tem 13 mil habitantes. Seu destaque é o Castelo Scholossberg. 


Peiting.

A seguir vem Schongau, Hohenfurch, Landsberg am Lech (cidade fofa, murada, na beira de um lago, com duas igrejinhas góticas lindas Bayertor e Mutterturm, e foi onde Hitler ficou preso em 1924) e Friedsberg. A estrada passa por dentro delas. De carro você vai invariavelmente passar por elas. Pare quando alguma coisa te encantar, para tomar um café ou para almoçar. Esse trecho pode ser feito em poucas horas. 


Landsberg am Lech.

A próxima parada longa pode ser na charmosa Augsburg. Ela é a maior cidade da Rota Romântica, com quase 300 mil habitantes. Tem até bonde elétrico. A cidade foi fundada há mais de 2 mil anos e sua arquitetura é muito simpática mesclando vários estilos. A rua Maximilianstrasse tem fontes lindas e restaurantes sempre cheios. Os destaques da cidade são o prédio da Prefeitura (visite o salão dourado da prefeitura, Rathaus), a torre do século XI com 70 metros de altura, os palácios Fugger e Schaezler, a catedral e outras igrejinhas menores. É uma cidade interessante para passar a noite. Não dormi na cidade pois preferi desviar da Rota Romântica até Munique para a Oktoberfest, onde passei três dias. 

Augsburg.

PS: Para esse post não ficar muito longo vou dividi-lo em duas partes. A Parte I vai de Füssen a Augsburg e a Parte II vai de Donauwörth a Wuzburg. 

OBS: Até aqui a grande estrela da Rota Romântica foi a cidade de Füssen e o belíssimo Castelo de Neuschwanstein, seguido da cidade de Augsburg. 

Castelo de Neuschwanstein.

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COMENTÁRIOS

  1. Adorei as dicas (como sempre), vou guardar todas.
    Fico à espera da segunda parte da Rota Romântica.

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    Respostas
    1. Miguel, em breve coloco no ar a segunda parte (que foi ainda mais bacana!!!)
      Obrigada pela gentileza do comentário.

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