O QUE VOCÊ PRECISA SABER ANTES DE CHEGAR EM CUBA


A eterna “Ilha de Fidel” é uma bela caixinha de surpresas! Vive num ritmo próprio mergulhada em suas tradições e presa por raízes tão fortes que pouco importa a interferência do resto do mundo que está ao alcance de algumas braçadas. Para se ter uma ideia a Flórida fica a apenas 180 quilômetros de distância, o México a 210, 80 do Haiti, 140 da Jamaica. E esse é exatamente o grande charme da ilha, o isolamento. Saiba como se preparar antecipadamente para desvendar os mistérios de Cuba, voltar no tempo e fazer uma viagem inesquecível, como os 4 milhões de turistas estrangeiros que pousaram na ilha em 2016.

1) O VISTO. Além do passaporte é preciso ter visto para entrar em Cuba. O visto é feito pela própria companhia aérea ainda no aeroporto brasileiro. Paga-se 65 reais por pessoa, para o preenchimento a mão de um formulário muito simples, na hora do check in. O procedimento é rápido. Não precisamos mostrar o formulário em nenhum momento. Voamos de Copa Airlines e no Panamá apenas perguntaram se já tínhamos o documento. Muito tranquilo. Cuba está abrindo as portas e aproveitando bem o turismo.

Providencie o visto para visitar Cuba.

2) VOO PARA CUBA. Optamos pela Copa Airlines, via Panamá. São seis horas e meia de voo do Rio até o Panamá, pequena espera no aeroporto e mais duas horas até Havana. Os aviões da Copa são ruins, as cadeiras da business não deitam e o serviço é fraquíssimo. Também é possível voar por Miami. De lá há algumas opções de voos para fazer a conexão e o trajeto é curtíssimo, afinal são menos de 200 quilômetros de distância. Mas, as tarifas das companhias aéreas americanas são mais caras e a entrada nos Estados Unidos não é ágil.

3) A CHEGADA NO AEROPORTO DE HAVANA. O Aeroporto Internacional José Marti, em Havana, é pequeno, bem cheio e bagunçado. A fila do controle de passaporte é grande e o serviço é lento. Depois de liberada a entrada no país é preciso passar por um raio x com seus pertences de mão, para então retirar a bagagem no meio de uma multidão. Tente viajar apenas com uma mala de mão para agilizar a chegada. Leia mais sobre Havana AQUI.

4) TRANSFER DO AEROPORTO PARA O HOTEL. Para ir do aeroporto aos hotéis do centro histórico (18 quilômetros) tem a opção dos táxis amarelos oficiais e também a oferta dos tradicionais carros antigos. O valor varia de 25 a 30 euros ou cucs (as duas moedas têm exatamente o mesmo valor). Mas, tudo é negociável em Cuba. O taxímetro não é usado. Tenha euros trocados para pagar o taxi. Caso prefira fazer o câmbio ainda no aeroporto, para pagar o táxi em moeda local, há duas casas de câmbio que são chamadas de “cadeca” logo após a saída do sagão. Porém, as filas são enormes. Nós optamos por negociar com o motorista que trocaríamos euros por pesos convertíveis ao chegar no hotel para realizar o pagamento. Assim, economizamos um bom tempo e muitas doses de paciência (necessárias em Cuba!).

Negocie antecipadamente o valor do táxi.

5) A MOEDA. Isso é bem confuso! A moeda local é o peso cubano, CUP. Mas, ela só é usada pelos cubanos e é uma moeda muito fraca. Imagine que um médico ou engenheiro ganham ao redor de 500 pesos cubanos ao mês, o equivalente a 20 euros. Já, quando se trata de um turista estrangeiro, a moeda utilizada é o peso convertido, CUC. Um CUC corresponde a 25 CUPs (1 CUC = 1 Euro = 0,87 Dólar). Os cubanos só usam o cup e os turistas só usam o cuc. Com a crescimento do turismo, os cubanos estão começando a ter acesso ao euro pelas ruas. Sinal de mudança. O ideal é trazer euros em dinheiro vivo para trocar por cuc no hotel. Cuba vive noutro tempo. Tenha sempre a moeda local para usar na rua.

Pesos convertidos, a moeda usada pelos turistas em Cuba.

6) OS HOTÉIS. Essa viagem é cara! Hotéis de padrão médio, com preços altíssimos, são a regra. E mesmo assim, não espere grande conforto. A maioria dos hotéis fica em prédios históricos, antigos, restaurados. Mesmo as grandes cadeias internacionais que têm hotéis no país sofrem com a interferência do estado, imagino que essa seja a razão para os preços altos. Algumas novidades de padrão luxo estão surgindo como o espetacular Gran Hotel Manzana Kempinski, no centro histórico de Havana. Saiba que os hotéis costumam ser pagos na hora do check in, em dinheiro vivo (cuc ou euro). Alguns hotéis estão aceitando pagamento em cartão de crédito desde que ele não seja de um banco americano. Uma dica: para conseguir preços melhores entre em contato com a agência de turismo Cubatur ou Havanatur. Você conseguirá tarifas com valores reduzidos em mais de 50% em relação aos valores tabelados pelos hotéis, mas tenha paciência na negociação que é lenta e complicada. Telefone é ainda o melhor modo de se comunicar em Cuba. Ligue para a agência de turismo. No interior de Cuba é comum a hospedagem em quartos em casas de família por preços ao redor de 15 a 30 cucs por dia. Nesse caso, não espere nenhum conforto e aproveite para viver uma experiência genuína.

Spa do hotel Kempinski Manzana Gomez.

7) INTERNET. Para quem vive num mundo conectado essa questão é um grande problema, mesmo nos melhores hotéis de Havana. Imagina no interior do país! Viajar sem GPS, sem saber exatamente que cara terá seu próximo hotel, não poder fazer uma reserva de restaurante pela internet, ter pouca conexão com os familiares que ficaram em casa, não ter acesso às redes sociais é duro para quem vive num tempo de conexão global. Em alguns dos grandes hotéis, cada hóspede recebe uma senha para se conectar. Cada vez que você fecha o telefone ou o computador a conexão vai embora e então é preciso fazer tudo outra vez. Dá um cansaço danado. Sem contar que para enviar um e-mail é desesperador. Muito lento. No entanto, na maioria dos hotéis e nas cidades do interior, é preciso comprar um “wifi card” por 2 cucs para uma hora, na Etecsa, enfrentar uma longa fila (os hotéis vendem por 4,50 cucs e os cambistas por 3) e ter boa sorte em achar um ponto para se conectar, geralmente nas praças. É engraçado ver as praças das cidades lotadas de gente no final do dia tentando uma conexão com a internet.

Deixe a internet de lado e se divirta em Cuba.

8) COMO SE LOCOMOVER PELO PAÍS. Alugar um carro foi a tarefa mais árdua que enfrentamos em Cuba. E olha que tivemos a ajuda de amigos. No hotel havia gente discutindo por já ter pago antecipadamente e não ter o carro disponível. Nosso roteiro incluía Havana, Cienfuegos, Trindad, Cayo Coco, Cayo Guillermo e Santa Clara. Então, precisávamos de um carro. O que fizemos: fomos de taxi até Cienfuegos por 150 euros para rodar 3 horas. Lá alugamos o único carro que havia disponível. na Transtur. Velho, horroroso, barulhento. Era o que tinha. Muita gente opta por fazer excursões de ônibus para facilitar os deslocamentos. Os hotéis têm pacotes disponíveis. Como eu, definitivamente, não gosto de excursão, essa é sempre minha última opção. Sugiro que você se organize com boa antecedência. Entre em contato com alguma das locadoras locais como a Cubacar e Havanautos, além da que citei acima. Tome muito cuidado nas estradas com as carroças e motos. Evite viajar a noite. A polícia está atenta com a circulação de estrangeiros nas estradas mas é bem tolerante. Também há a possibilidade de fazer voos internos, mas tem poucas opções.

Alugue  seu carro com muita antecedência.

9) AS PESSOAS. O povo cubano é muito simples. As pessoas levam uma vida modesta, sem luxo nenhum. São extrovertidos e vivem com as portas das casas abertas, tanto pelo temperamento como pelo calor. Gostam de dançar embalados pelo ritmo cubano conhecido como son cubano, um tipo de salsa, bebem rum ‘a bebida nacional’, e adoram charutos. Desde que o turismo cresceu no país, os cubanos passaram a ver que do outro lado do oceano há diferentes modos de vida e isso já começa a interferir. Vi crianças uniformizadas pedindo dinheiro aos turistas e muitas mulheres elogiaram minhas roupas e as pediram de presente.

As pessoas são extrovertidas em Cuba.

Mas, há muitos personagens esperando a chance de faturar com a foto.

10) SOBRE A COMIDA. Os supermercados têm pouquíssima oferta de alimentos e o preço é em cuc, portanto, muito caro para a maioria da população local. Os cubanos recebem do governo uma caderneta de papel que chamam de “libreta” com a qual têm direito de retirar mensalmente alguns produtos em mercadinhos, mediante pagamento condizente com o que recebem do governo, que mal dá para sobreviver. Isso inclui batata, ovos, açúcar, leite, óleo, feijão, arroz, um pouco de frango ou porco uma ou duas vezes por mês e alguns outros alimentos. Tudo racionado. A carne de gado é toda controlada pelo governo. Os cubanos até brincam que Cuba será outra depois da liberação da venda do gado sem interferência do governo, dizem que quando isso acontecer será um marco histórico. Já para os turistas a conversa é outra e o preço também. Você vai encontrar raríssimos cubanos nos restaurantes das cidades. Em Havana há pouco peixe fresco apesar de ser uma cidade à beira-mar. O que mais se come é porco e frango acompanhado de arroz, feijão, batata, milho e legumes. A comida é pesada. Não é muito delicada. Já, nas outras cidades à beira-mar, os frutos do mar são o forte.


Restaurante El Carbon, meu preferido em Havana.

Padaria em Havana.

11) SEGURANÇA. Cuba é um país relativamente seguro. No entanto, com a chegada dos turistas, os pequenos furtos vem aumentando. Convém tomar cuidado. Ouço sempre casos de roubo nos hotéis, pois os turistas costumam levar roupas e objetos diferentes que chamam atenção. Deixe seus objetos de valor no cofre no hotel e mantenha as roupas trancadas na mala. Se alugar um carro procure estacionar em local seguro ou pague para alguém tomar conta. Não deixe nada dentro do carro. Ao estacionar em Cienfuegos para dormir, a dona do hotel em que nos hospedamos sugeriu onde deveríamos deixar o carro e disse para darmos um cuc para o dono da casa em frente ao local para que ele tomasse conta. Engraçado, mas necessário.

Deixe tudo trancado na mala e no cofre do hotel e saia para aproveitar os encantos de Cuba.

12) MELHOR ÉPOCA PARA IR. Pode-se visitar o país em qualquer época do ano, pois o clima tropical convida. Apenas leve em conta que de setembro a novembro podem ocorrer furacões nessa região. Mas, isso não é uma regra, não há furacões no país há 8 anos. De novembro a fevereiro costuma ser mais chuvoso e com ventos. Junho, julho e agosto são os meses mais quentes. Portanto, os meses de ideais são março, abril e maio.

Cuba pode ser visitada o ano todo.

13) O QUE VESTIR. Cuba pede roupas leves e informais. De noite sempre venta e a temperatura cai. Leve uma malha ou pashmina na mala. Leve roupas de praia se for para alguma ilha que eles chamam de "cayo" ou balneário. Se ficar apenas em Havana não precisa, pois na capital não há boas praias apesar de ficar à beira-mar.

Durante o dia é bem quente em Cuba e o ideal são roupas leves.

Conforme chega a noite vai refrescando e é bom ter uma pashmina para se proteger do vento.

14) O QUE COMPRAR. Cuba é famosa pelos charutos e pelo rum. Além disso, há pouca oferta. Os produtos vendidos nos mercados não têm boa qualidade. Vale dar uma olhada nas telas coloridas e no artesanato feito em barro, madeira e papel marchê. Saiba que, diferente do resto do mundo, no aeroporto de Havana é tudo mais barato. Deixe para comprar uma lembrança com aquele dinheiro que sobrou na carteira.

Artesanato cubano em papel marché.

Os quadros coloridos com temas do cotidiano cubano são lindos.


Uma viagem à Cuba pede boa organização e muita antecedência nos preparativos. Nem pense em chegar sem roteiro definido, sem hotel reservado e sem carro previamente alugado, caso queira rodar pelo interior do país. Garanta as reservas dos melhores restaurantes da cidade, se quiser comer mais ou menos bem. Leve tudo que pretende gastar em euros, em dinheiro vivo. Saiba que essa é uma viagem cara, apesar do padrão singelo. O valor maior está nas pessoas com as quais você vai interagir, no modo de vida tão particular e retrogrado, na música, na mentalidade revolucionária e comunista tão arraigada. Mas, novos ventos estão soprando. Cuba começa a abrir as comportas lentamente. Vamos ver no que vai dar...

Essa foi minha segunda vez em Cuba. Um país incrível!
Programe-se com antecedência e aproveite a viagem.


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COMENTÁRIOS

  1. Oi Claudia, acompanhei sua viagem pelo instagram, adorei as fotos! Estou indo esse mês e muito ansiosa para conhecer Cuba. Tive muita dificuldade em alugar carro antecipadamente, e depois do seu post estou até alterando meu roteiro por lá! Obrigada pelas dicas! Bjs Flávia (@viagenseoutrashistorias)

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    1. Flavia,

      Se precisar qualquer coisa me fala. Estou pronta para ajudar. Beijos e ótima viagem!!!!

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  2. Acompanhei a viagem pelo instagram e fiquei encantada. Mas pelo que li, é preciso uma dose extra de paciência em muitos pontos. Mas no seu post ficou claro que vale a pena! Bjs

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    1. Pamela,

      Vale muito a pena. Cuba é super interessante. Tem que ir logo antes que mude e perca sua essência cultural.
      Bjs

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  3. Oi Claudia, quantos dias vc recomenda ficar em Cuba e quais são os locais imperdiveis? inclusive onde vale a pena passar a noite, ou ficar apenas em Havana? obrigada! bjs

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    1. Oi Raquel.

      Para conhecer Havana uns 4 dias é legal. Gostei muito de Cayo Coco, Cayo Santa Maria e Cayo Largo. As cidades do interior Trinidad e Cienfuegos são interessantes. Varadero já foi interessente, hoje está muito turística.
      Bj

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  4. Oi, Claúdia! Parabéns pelo blog.
    Você tem o contato do lugar que você alugou o carro?

    Obrigada!

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  5. Olá, Claudia! Parabéns pelo blog!

    Você poderia me passar, por favor, o contato do lugar que você alugou o carro?

    Obrigada!

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    1. Laura,

      Usei a Transtur em Cienfuegos mas não tenho mais o contato. Tenta encontrar na internet e dá uma olhada também na Cubacar e Havanautos.

      Boa sorte (você vai precisar).

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