TASHKENT, A PORTA DE ENTRADA DO UZBEQUISTÃO


Uzbequistão capital Tashkent

A porta de entrada do Uzbequistão é a capital Tashkent. E essa não é uma porta muito fácil de se abrir. A chegada no aeroporto é bem sinistra. Funcionários corruptos, muita burocracia com o visto, tramitação lenta e antipática. Mas nesse caso, a primeira impressão NÃO é a que fica. Ao sair do aeroporto, é hora de esquecer essa parte chata e mudar o astral. A cidade impressiona com avenidas largas, construções imponentes ao estilo soviético, grandes mercados, madrassas, mesquitas, parques e jardins bem cuidados por todos os cantos. E o melhor de tudo: o povo. Gente feliz, sorridente, de bem com a vida.

Praça Amir Timur, Tashkent. 

CONHECENDO TASHKENT

Enquanto pertencia à União Soviética, Tashkent era a quarta maior cidade depois de Moscou, São Petersburgo e Kiev. Era chamada de “capital cultural” e de “Paris da Ásia Central”. Já deu para perceber que a cidade é grande. Além disso, a sinalização é difícil, com placas e letreiros em russo ou uzbeque. Como temos amigos na cidade, a apresentação inicial foi fácil. Mesmo assim, contratamos um guia para nos acompanhar pela cidade enquanto estávamos sozinhos, no primeiro dia. Já, no segundo dia, optamos por dar uma circulada num daqueles ônibus vermelhos de dois andares chamado Tashkent City Tour. Foi uma boa experiência. Ele parte da frente do Hotel Uzbekistan, roda pelos principais pontos de interesse, para em 7 lugares e fica esperando cerca de 15 minutos em cada local até as pessoas voltarem. O roteiro inclui: Praça Amir Timur, Complexo do Memorial Shakhidlar Maydoni, Mesquita Minor, Monumento da Coragem, Complexo Khazrati Iman, Teatro Navoi e Bazar Chorsu. 


O Hotel Uzbekistan já foi poderoso na cidade. Agora está decadente

UM PASSADO REPLETO DE RECOMEÇOS

Tashkent é uma cidade muito antiga. Sua história teve forte influência de comerciantes turcos nômades e seu território fez parte da Rota da Seda. No entanto, ao longo de sua existência sofreu com grandes devastações. Em 1219, a cidade foi destruída pelo conquistador Gengis Khan. Amir Timur (Tamerlão) foi o responsável por sua reconstrução no século XIV. Em 1865, o Uzbequistão foi tomado pelo Império Russo e passou anos sob a dominação soviética. Até 1991. Nesse período, tudo que estava fora dos dogmas comunistas foi fechado, demolido ou proibido. Como se isso não bastasse, em 1966 houve um terremoto avassalador na cidade que fez grandes estragos e tirou a vida de 3 mil pessoas, segundo nosso guia. O Monumento da Coragem é uma homenagem a força do povo que superou bravamente esse episódio. Tashkent precisou ser toda reconstruída e essa foi a chance dos russos imprimirem a sua face na arquitetura. É tudo gigantesco, espaçoso, exagerado, em linhas retas e cores sóbrias. Portanto, não espere encontrar locais históricos, de arquitetura bem preservada na capital. A cidade foi toda reconstruída recentemente. 


Monumento da Coragem. 
A pedra preta marca a data do terremoto de um lado e o horário do outro. Da pedra até a família, que mostra expressão de desespero, uma fileira de pedras irregulares simboliza a terra se abrindo.

VÁ DE METRÔ

Para explorar a cidade, que é grande e esparramada, o metrô é ótima opção. A beleza das galerias é surpreendente. Esse foi o primeiro metrô da Ásia Central, um belo legado russo. Lembra muito o metrô de Moscou. Todas as estações têm decoração diferente, mas sempre imponentes. 

Começa aqui a sensação de ter entrado no túnel do tempo, que está recém no começo. O melhor ainda está por vir nas cidades de Khiva, Bukhara e Samarkand. Pena que o metrô não possa ser fotografado por questões de segurança devido aos frequentes atentados. Vale lembrar que o país tem muitos vizinhos de terminação “istão”: Cazaquistão, Turcomenistão, Tajiquistão, Quirguistão e Afeganistão. Uma grande família que às vezes entra em conflito. 

POR ONDE IR

A população de Tashkent é de 4.2 milhões de habitantes. Uma cidade bem grande. O número de mesquitas não fica atrás. São mais de 400. Hazrati Iman é o principal complexo islâmico da cidade. Um lugar lindo, repleto de mesquitas, madrassas e mausosléus, que não pode ficar de fora. Apesar de ter muitos prédios novos ou reconstruídos recentemente, é um belo aperitivo para o que virá nas cidades do interior do país. É formado pela Mesquita Tilla Shaykhpela Madrassa Barak Khan, que agora funciona como um mercado de artesanato; pela Madrassa Muyi Muborak e biblioteca-museu onde fica o exemplar do Alcorão mais antigo do mundo, que data do século VII; pelo Mausoléu do Sheik Abubakr Muhammad Kaffal Shashi, um nome muito importante no mundo islamismo e nascido em Tashkent; pela Mesquita Namozgah; pela recém construída Mesquita Khast Iman e pelo novo prédio administrativo da Cúpula Muçulmana do Uzbequistão Hazrati Imam.


A principal mesquita do complexo Khazrati Imam foi construída recentemente.

Em primeiro plano, a biblioteca-museu. Ao fundo, a Madrassa Barak Khan.

Madrassa Barak Khan não funciona mais como escola de islamismo. Hoje cada alojamento do andar térreo abriga um comerciante de artesanato uzbeque.

Artesanato local em uma loja da Madrassa Barak Khan.

 Essa biblioteca do Complexo Khazrati Imam guarda o exemplar mais antigo do mundo do Alcorão.

A cidade também é repleta de teatros, óperas, museus e circo. Teatro Ali-Shir Navai de Ópera & Ballet é um dos locais a serem visitados. O Museu da História de Amir Timur é relativamente novo e também vale a visita. Foi construído em 2006, mas é um dos mais importantes do país. O que mais me chamou atenção foi a arquitetura do museu. Um prédio baixo, em formato circular e com um enorme domo azul. No interior, manuscritos, armas, roupas, moedas que contam um pouco da história do país. 


Museu da História de Amir Timur.

Circo, uma constante na Ásia Central, herança russa.

Muito interessantes são os mercados Chorsu Bazar e Alay BazarMercados traduzem muito da cultura local. A vida cotidiana pulsa pelos corredores entre uma barraca e outra. Foram os mercados mais limpos que visitamos na Ásia Central e atendidos pelas pessoas mais simpáticas da viagem. As frutas são espetaculares, especialmente os figos amarelos e as uvas. Os queijos moldados no formato de bolinhas são exóticos e de sabor acentuado. O pão "nan" é presença constante nas barracas e quando ainda está quentinho é delicioso.


Vendedor de pão "nan" no Bazar Chorzu. O mercado fica na parte mais antiga da cidade que já foi um importante ponto de troca de mercadorias na época da Rota da Seda. 

Setor de venda de carnes no Bazar Chorzu. Eles comem pouca carne de cavalo se compararmos com os outros países da Ásia Central.  

Legumes já cortados, prontos para serem preparados

O Bazar Chorzu foi o mais limpo que visitamos na Ásia Central

Figos amarelos inesquecíveis no Alay Bazar

  Especiarias e frutas secas são uma constante na vida dos uzbeques.

Queijos em formato de bolinhas de vários sabores. Vai?

Conheça também o Memorial da Segunda Guerra que fica na Praça da Independência, no centro da cidade, e faz referência aos uzbeques mortos durante os confrontos. Numa galeria decorada em madeira trabalhada, estão escritos os nomes de todos os soldados que perderam sua vida para defender o território durante a guerra. 

Essa praça, que hoje é arborizada, repleta de fontes, monumentos e prédios administrativos do governo, tem muita história para contar. Em 1865, quando o país foi tomado pelo Império Russo, ali havia o Palácio Kokand Khan. Ele foi posto abaixo e no seu lugar foi construída uma residência para um general russo chamada de Casa Branca. A Praça passou a se chamar "Praça de Lenin", até 1991, quando o país se tornou independente. Então, a estátua de Lenin foi retirada de lá e um Monumento a Independência foi erguido em seu lugar. No topo do monumento tem um globo que simboliza os limites do território uzbeque e abaixo, uma mãe segura seu filho em segurança. 


 Praça da Independência, em Tashkent.

Monumento a Independência do Uzbequistão.

Chama eterna em homenagem aos soldados da Segunda Guerra.  

 Memorial da Segunda Guerra onde estão escritos os nomes de todos os soldados mortos.

INDICAÇÃO DE HOTEL

Os hotéis definitivamente não são o forte do país. Esteja preparado para ficar em hotéis de padrão simples. Ficamos hospedados no Hotel International. É um bom hotel 5 estrelas. Fica ao lado do parque da Torre de Televisão de Tashkent e em frente a um ponto do metrô. Bem localizado. Os quartos são confortáveis e o banheiro moderno. Mas, é um hotel tradicional, grandioso e de decoração sem graça. O restaurante do hotel é péssimo. Foi o melhor hotel que ficamos no país. Nas cidades menores não espere nenhum conforto.

Hotel International Tashkent.

Em frente a ele tem um Radison Blue bem novo que talvez seja boa opção.

INDICAÇÃO DE RESTAURANTES

Fomos com nossos amigos ao restaurante Ayua Choyxona e comemos muito bem. Salada de tomate e pepino, dumplings de vários tipos, pães deliciosos acompanhados de molho de iogurte e uma pasta de queijo que lembra requeijão. Chá para acompanhar a refeição.

Restaurante Ayua Choyxona.

O Plov Center é o local mais interessante para uma refeição tradicional do Uzbequistão. Não conseguimos experimentar pois só abre para o almoço e ao meio dia já não tem mais nada. Pois, eles comem o Plov como primeira refeição do dia. O plov é um prato feito com carnes e arroz. Pode levar legumes e frutas secas. Comi muito plov em todos os países da Ásia Central e na Rússia. Mas, originalmente ele é um prato uzbeque.

Em frente ao Hotel International tem uma rua de restaurantes com comida nacional. Nosso amigo indicou o Kichik Xalqa, mas não conseguimos experimentar.

Bem, depois de dois dias em Tashkent era hora de tomar um avião para conhecer as encantadoras Khiva, Bukhara e Samarkand

Leia mais sobre o Uzbequistão e outro países da Ásia Central (Cazaquistão e Quirguistão) nos textos abaixo:

10 COISAS IMPORTANTES SOBRE A ÁSIA CENTRAL
ASTANA, A NOVA CAPITAL DO CAZAQUISTÃO
ALMATY, A ANTIGA CAPITAL DO CAZAQUISTÃO
QUIRGUI O QUÊ? 
BISHKEK, A CAPITAL DO QUIRGUISTÃO
PELA ESTRADA, DE BISHKEK A KARAKOL
ENFIM KARAKOL E AS MONTANHAS DO QUIRGUISTÃO

Em breve o post de Khiva.

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COMENTÁRIOS

  1. Respostas
    1. Sônia,

      Para mim foi uma grata surpresa. Não esperava tanto. Fui sem muita expectativa e a viagem foi surpreendente. Recomendo uma visita a Ásia Central.

      Bj

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