FATEHPUR SIKRI, A "CIDADE ABANDONADA"


Apenas 37 quilômetros separam Agra de Fatehpur Sikri. A famosa "cidade-abandonada" foi construída pelo imperador mongol Akbar, em 1571, um século antes do Taj Mahal de Shah Jahan, como homenagem ao santo sufi Salim Chishti, que lhe abençoaria com o primeiro herdeiro. Akbar não conseguia ter filhos e foi atrás de uma ajuda divina no vilarejo de Sikri. A profecia se concretizou e ele logo recebeu o primeiro de seus três herdeiros, Salim, anos mais tarde conhecido como imperador Jahangir. Assim surgiu Fatehpur Sikri.


Pátio Pachise, em Fatehpur Sikri.

Akbar era filho do imperador Humayun e neto de Babur. Assumiu o trono aos 13 anos de idade, após a morte de seu pai. Foi o terceiro imperador mongol da Índia (o primeiro foi Babur, o segundo Humayun, o terceiro foi Akbar, o quarto Jahangir, o quinto Shah Jahan e o sexto e último Aurangzeb). Akbar foi considerado o mais notável. Reinou de 1556 à 1605. No final do seu reinado o império mongol cobria a maior parte do Norte da Índia. Seu governo foi baseado na diplomacia, apesar de ser uma época turbulenta e carregada de batalhas. Deixou como legado grande influência na arte, religião e na cultura do povo. Fundou até uma nova religião chamada de Din-i-Llahi (Divina Fé) que se dissolveu após sua morte. Era liberal pregava a integração cultural e aceitava a convivência pacífica de várias crenças. Tanto que suas três esposas eram adeptas uma ao hinduísmo, outra ao catolicismo e a outra ao islamismo. A revista Time listou seu nome entre os 25 maiores líderes mundiais.

Casa da Sultana Turca.

Akbar planejou cuidadosamente a cidade murada, toda em arenito vermelho, que mesclava os estilos hindu e islâmico. Fatehpur Sikri serviu como capital mongol apenas por 14 anos. Depois disso, foi abandonada, não se sabe bem ao certo o motivo, mas provavelmente por falta de água e calor excessivo.

O acesso até hoje é feito por uma longa rua reta feita pelo imperador. Antigamente, ali havia bazares. Hoje não mais. Quando ele chegava à cidade era anunciado com o rufar de tambores na porta principal do complexo que leva ao grande pátio Diwan-i-Aam. Era ali que Akbar dava suas audiências públicas e festas.

Diwan-i-Aam.

Uma passagem atrás do Diwan-i-Aaam leva à "cidade-interna" onde estão o Diwan-i-Khas, Khwabgah, Anoop Talao, Ankh Michauli (o Tesouro) e Abdar Khana (local para armazenamento de frutas e água para o consumo real). Fatehpur Sikri tem áreas públicas e privadas bem definidas. Akbar construiu ali palácios residenciais para ele e para suas três esposas: Maharani Jodhabai, Marium e Sultana. Após cinco séculos permanece em excelente estado de conservação graças aos esforços do Lorde Curzon, um vice-rei considerado bastante conservador.

O Diwan-i-Khas é elegante e suntuoso. O prédio servia para audiências e debates particulares. Sua arquitetura mostra a bela fusão de diferentes estilos e temas religiosos. O trabalho de entalhe na pedra é magnífico. É tudo feito em arenito vermelho dos telhados aos portais.

Diwan-i-Khas

O eixo central do Diwan-i-Khas foi inspirado nas construções de Gujarat.

Família indiana reunida para a foto na porta do Diwan-i-Khas.

Ao lado do Diwan-i-Khas fica o Tesouro, também conhecido como Ankh Michauli. Provavelmente era nesse prédio que ficavam guardadas as moedas de ouro e prata do império. Esta construção é formada por três salões guardados por animais míticos esculpidos em suportes de pedra.

Tesouro.

Anoop Talao é um tanque associado ao músico Tansen da corte de Akbar que dizem que conseguia acender lamparinas de óleo com seu canto mágico. Ele era uma das nove joias de Akbar.

Anoop Talao.

De frente para esse tanque fica o Khwabgah, o quarto de dormir do imperador. O sistema de ventilação era muito ousado para a época e ficava perto da cama. Dizem que a decoração era suntuosa.  Essa ala era chamada de "Câmara dos Sonhos", mas imagine só que dureza dormir numa cama de pedra.

Cama de Akbar.

A Casa da Sultana Turca foi feita para uma das esposas de Akbar. Tem decoração delicadíssima. Fica de frente para o Pátio Pachisi que lembra um tabuleiro de Pachisi, jogo tradicional da corte, parecido com Ludo.

Vista do Pátio Pachisi a partir da Casa da Sultana Turca.

Paredes delicadamente trabalhadas na Casa da Sultana Turca.

E, claro que não podia faltar um harém. O Haram Sara, harém de Akbar era formado por um labirinto de prédios interconectados. Para garantir privacidade havia um corredor fechado com telas para ligar o harém ao Palácio Jodha Bai e a uma outra área chamada Hawa Mahal. Ali também ficava a Nagina Masjid, a mesquita privativa das senhoras do reino. Para os criados havia uma ala com muitos cubículos que supostamente serviam como quartos.


Haram Sara, o harém de Akbar.

A decoração das paredes é belíssima parece ter guirlandas feitas de joias indianas.

Palácio Jodha Bai coberto por telhas azuis vitrificadas.

Bem no centro da cidadela - voltado para o Pátio Pachisi - há um prédio de cinco andares, bem alto para os padrões da época, onde as rainhas de Akbar e suas criadas sentavam para receber ar fresco, o Panch Mahal. Antigamente, havia telas decorativas, mas elas foram roubadas com o abandono da cidade.

Panch Mahal.

Para efeito de localização, o Panch Mahal é o prédio da esquerda.

Atrás da cidadela fica a mesquita Jami Masjid. Não pude visita-la pois não aceitam a entrada de estrangeiros. Ela é enorme e serviu como modelo para muitas outras mesquitas do Império Mongol. Dentro dos seus muros está o Túmulo de Salim Chishti, o santo que ajudou Akbar e conceber seus herdeiros. Por isso, a mesquita atrai famílias que suplicam por um milagre para ter filhos. Os visitantes que querem ser agraciados com uma gestação colocam uma fita amarrada em uma tela ao redor do túmulo e saem de lá com a certeza de que serão atendidos, como Akbar. Que o santo os abençoe!

VALOR DO INGRESSO

 O ingresso para estrangeiros custa 250 rúpias. Mas, leve seu guia junto para aproveitar melhor a visita.

COMO CHEGAR

De carro de Agra até Fatehpur Sikri se leva pouco mais de uma hora, apesar de ser perto. Lembre-se que qualquer estrada indiana é um caos, por isso sempre demora bastante. O carro para num estacionamento e o trajeto até a cidade de Akbar é feito por um micro-ônibus bem velhinho lotado até o topo de turistas estrangeiros e indianos, uma bela aventura. O ingresso é comprado na bilheteria, na entrada do cidade, em frente ao ponto final do ônibus.

LEIA TAMBÉM

Em 1986, a cidade de Fatehpur Sikri foi declarada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. 
Vale muito uma visita!

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COMENTÁRIOS

  1. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Natalie - Boia Paulista

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  2. Teu blog é sempre um colírio para os olhos e alimento para alma :D show demais, que energia esse lugar! Parabéns mais uma vez por esse trabalho lindíssimo! Abs e paz, Michel

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  3. Obrigada, Michel.

    Agradeço sua visita e as palavras gentis. Já estou trabalhando na mudança visual do blog :)

    Abs

    Claudia

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  4. Que saudades do dia em que estivemos em Fatehpur Sikri, mais um desses lugares lindíssimos que a Índia guarda...As fotos estão espetaculares, Claudia.
    Só uma dúvida: a proibição de entrada continua só para a mesquita ou agora é para toda a área em que fica também o mausoléu de Salim Chishti?
    Lindo post!

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  5. Relato riquissimo, fotos deslumbrantes, e imagino que o passeio tenha sido emocionante!

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  6. Emilia,

    Tive a sorte de ir num dia relativamente fresco (temperatura abaixo de 30 graus) e ensolarado. Perfeito!

    Não fui nem à mesquita nem ao mausoléu pois o guia que me acompanhava disse que não teríamos acesso. Bem, não sei se foi preguiça do guia ou se realmente não daria para fazer a visita ao mausoléu. Ele foi tão enfático que nem questionei na hora. Depois é que fiquei com a pulga atrás da orelha.

    Os próximos posts serão sobre o Butão. Sei que você gosta de viagens exóticas. Espero que goste. Foi um dos lugares mais incríveis que já visitei.

    Beijo

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  7. Como sempre, as fotos falam por si! Esse é um arrependimento que tenho na viagem, não ter ir a Fatehpur Sikri. Estou amando seus posts sobre a Índia e ansiosa para ler o relato sobre Butão também.

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  8. Claudia
    Que lindo post
    Adorei!
    Também quero irlá!
    Obrigado por + esta viagem na sua sua viagem
    Abs
    VS

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  9. Obrigada, Natalia.

    A India é emocionante demais. Foi uma viagem inesquecível!

    Beijo

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  10. Amei, amei Fatehpur!!!! Fiquei encantanda com tanto vermelho que exala das paredes de arenito :o))

    Bjo!!!

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  11. Manu,

    O trabalho das paredes é inacreditável. Parece madeira, mas é tudo esculpido na pedra. Demais!

    Beijos

    Claudia

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  12. Lugar lindo! arquitetura maravilhosa ; e tuas explicações sempre me faz sentir como se tivesse também viajado.


    bjo
    Ana

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  13. Ana,

    Eu sei que a Índia não faz muito teu perfil, mas pelas fotos já dá para ter uma ideia. rs

    Um beijo

    Claudia

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  14. As fotos estão fantásticas, onde predominam, claro, as cores de tijolo dos edifícios, o azul do céu e o verde dos jardins.

    Adorei conhecer através do seu olhar mais um local magnifico.

    Beijinhos

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  15. Oi Turista,

    Tudo bem? De volta ao blog depois das festas de final de ano?

    Obrigada pela sua visita.

    Beijo

    Claudia

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  16. As cores, formas e contrastes da índia são de deixar qualquer apaixonado por fotos literalmente maluco...
    relato carregado de história e curiosidades do jeito que eu gosto

    Bjs

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  17. Oscar,

    Também adoro história. Sempre leio muito antes de sair de casa. E, nesse aspecto, a Índia é densa. Tem muita história!!!!

    Bj

    Claudia

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