GEISERES DEL TATIO, MACHUCA, TERMAS DE PURITAMA E GUATIN


Dessa vez o dia começou cedo no Deserto do Atacama. Bem cedo. Ainda era noite alta quando o despertador tocou. A partida estava prevista para as 5 horas. O destino era simplesmente o passeio mais procurado do Atacama: Geiseres del Tatio

Antes de cair na estrada, chá de coca para aquecer a madrugada fria e sonolenta. Mas, acima de tudo, para evitar o mal da altitude já que os famosos campos geotérmicos dos Geiseres del Tatio ficam a uma altitude de 4.320 metros acima do nível do mar.

Geiseres del Tatio.

O trajeto de 90 quilômetros de San Pedro de Atacama aos Geiseres del Tatio costuma ser feito em pouco menos de duas horas sem nenhuma parada no caminho. A intenção é chegar antes do amanhecer, quando as temperaturas ainda estão baixas.

Dei sorte. Peguei temperatura entre 0 e 4 graus, no mês de novembro, entrada do verão. Em algumas épocas do ano pode chegar a 30 graus negativos. Luva, gorro, cachecol e roupas apropriadas são necessárias. E, todo o esforço vale a pena!

Chegada nos Geiseres del Tatio antes do dia clarear.

Essa hora é a ideal para presenciar o espetáculo das grandes colunas de vapor vulcânico sendo lançadas pelos ares através de fissuras na crosta terrestre. O contato da água quente dos lençóis subterrâneos com o ar gelado provoca essa explosão de fumaça. A temperatura dos vapores pode chegar a 85 graus e 10 metros de altura. Não é aconselhável chegar muito perto. 

Grandes colunas de vapor termal nos Geiseres del Tatio.

Cerca de 80 geiseres emanam vapores. Há um muro de proteção nas maiores crateras para evitar muita proximidade. A caminhada entre eles costuma ser lenta uma vez que a altitude produz cansaço e faz parecer que o oxigênio não é suficiente para encher os pulmões. Mas, isso não é problema. O espetáculo pede calma. Não é preciso pressa. O lugar é mágico e vale uma contemplação prolongada. 


Amanhecer nos Geiseres del Tatio.

Lentamente o dia amanhece e as montanhas ganham novas cores. Um tom amarelado toma conta da região. A temperatura começa a subir. É nessa hora que várias mesinhas começam a ser montadas pelos guias que acompanham os hóspedes dos hotéis para que seja servido o café da manhã. Para fazer graça, eles colocam caixas de leite para esquentar na água fervente dos geiseres. Muita gente se junta para conversar e a animação é geral.

Lindas cores ao amanhecer.

Para completar o passeio, alguns corajosos que superam a barreira do frio, mergulham nas águas de uma piscina térmica formada com a água quente dos geiseres. Mas, no dia em que visitei não havia nenhum corajoso de plantão. A piscina estava linda e vazia. 


Piscina térmica dos Geiseres del Tatio.

No retorno, já com sol alto, a estrada espetacular chama atenção. Cores vivas. Vastos campos com uma vegetação amarelada que alimenta lhamas e vicunhas. Montanhas altas. Lagoas repletas de aves. E, uma parada breve no povoado de Machuca onde vivem somente seis famílias que tiram seu sustento do turismo. Vendem churrasco de lhama e abrigam alguns mochileiros que chegam a pé ou de bicicleta. 


 Na estrada entre os Geiseres del Tatio e Machuca.


 Vicunhas e lhamas são vistas em bandos pelo caminho.

Povoado de Machuca.


Igreja de Machuca. Parece uma maquete.

Outra parada no retorno ao hotel foi nas Termas de Puritama. Um rio de água quente desce dos vulcões e forma pequenas piscinas cristalinas. As termas ficam a 28 quilômetros de San Pedro de Atacama numa altitude de 3500 metros acima do nível do mar. Quem administra o local é o Hotel Explora, mas outras operadoras também têm acesso ao local. A infraestrutura é boa. Tem lockers para a roupa e os funcionários do hotel montam mesas com frutas, queijos e sucos enquanto os visitantes desfrutam de um descanso nas águas quentinhas.

Termas de Puritama

Piscinas termais de água cristalina nas Termas de Puritama

Depois dessa manhã animada e longa voltamos ao hotel para almoçar e descansar. No final do dia retornamos a Guatin, na junção dos rios Purifica e Puritama, para fazer uma caminhada super divertida entre cactus gigantes. Eles são enormes e muito antigos. Alguns chegam a ter 7 metros de altura e imagine que seu crescimento é de apenas 1 centímetro por ano. O percurso da caminhada é de 3.6 quilômetros acompanhando o leito do rio, no fundo de um canion. É cansativo, mas belíssimo e delicioso. Vale muito a pena fazer esse passeio.

 Caminhada em Guatin entre cactus gigantes.


Cactus de Guatin.

Pausa para descanso em Guatin.

Ir aos Geiseres del Tatio é obrigatório numa viagem ao Deserto do Atacama. Esse campo geotérmico é o terceiro maior do mundo. Mesmo com o esforço da altitude e tendo que acordar tão cedo vale a pena. Uma parada no povoado de Machuca também é interessante. Já, as Termas de Puritama achei um pouco sem graça. No início deste ano estive na Costa Rica e visitei as Termas de Tabacón que são fantásticas. Então, tendo esse parâmetro achei Puritama inferior. Os cactus de Guatin são imperdíveis. A caminhada é cansativa, mas linda e os cactus deixam qualquer um sem palavras. 

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COMENTÁRIOS

  1. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para a #Viajosfera, do Viaje na Viagem.

    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais e feliz ano novo,
    Natalie - Boia

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  2. Que lugar incrível Claudia!
    Você realmente tem o dom de descobrir coisas novas em um lugar já visitado por tantos turistas.... Estou pensando em ir para o Chile este ano e queria muito unir também a Patagônia no destino. Mas agora, já não sei.....quem sabe o Atacama???

    Beijinhos e um bom ano!!!

    Bia

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  3. Bia,

    Tente conjugar os dois. Ainda não estive na Patagônia, mas acho que ainda esse ano vou conseguir conhecer. Não deixe de conhecer o Atacama. É realmente de uma energia que não dá para descrever. Um lugar único e espetacular. Natureza intocada. Lindíssimo!!!!

    Beijos e ótimo ano pra vc e sua família.

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  4. Olá Cláudia!
    Tembém tenho bastante vontade de fazer o Trekking Guatin a tarde, como você, porém só encontrei de manhã até agora. Poderia me informar por qual agência você fez?

    Muito obrigado!!

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  5. Vinicius,

    Foi o próprio hotel que organizou o trekking. Eu estava hospedada no Explora quando fiz esse passeio.
    Mas, há várias agências que fazem essa programação.

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