10 COISAS IMPORTANTES SOBRE A ÁSIA CENTRAL


A Ásia Central ainda não é um destino muito comum para os brasileiros. Então, pode bater certa insegurança ao programar uma viagem para os países da turma do "istão". Garanto para você que isso é bobagem. Esses países são destinos comuns para os europeus e já têm boa infraestrutura turística. 

Visitei Cazaquistão (Astana e Almaty), Quirguistão (Bishkek e Karakol) e Uzbequistão (Tashkent, Khiva, Bukhara e Samarkand). Então, vamos a algumas questões práticas e importantes para ajudar na sua viagem.

1) VISTO: Todos os países precisam de visto para brasileiros. Como alguns deles não tem embaixada ou consulado no Brasil é preciso a intermediação de uma agência local. O Cazaquistão tem embaixada e você já sai do Brasil com o visto no passaporte. Para ir ao Quirguistão você recebe de um operador do próprio país uma carta que vale como visto. Tome as providências com boa antecedência. Já no Uzbequistão é preciso fazer uma espécie de pré-visto que contém todas as informações solicitadas a seu respeito. O visto propriamente dito somente no momento da entrada no país, por 60 dólares. Todos eles permitem, geralmente, apenas uma entrada. 

O visto para o Cazaquistão é o mais fácil de se obter dos três países.

2) CULINÁRIA: A cozinha de todos os países da Ásia Central é muito parecida. Pães, massas, carnes, alguns legumes e muitas frutas. Os principais pratos são Lagman (espaguete caseiro), manti (dumplings), beshbarmak (massa larga com carne de cavalo ou ovelha), plov (arroz com cenoura e carne). Parece saudável. Mas, tome cuidado porque eles usam muita gordura de ovelha para cozinhar. Para nossos padrões pode ser pesado. Muita gente passa mal por aqui. Traga remédios para infecção intestinal. A carne de cavalo é a base da alimentação no Cazaquistão. Nos outros dois países é consumida principalmente em eventos especiais. Eles consideram essa carne mais limpa. No entanto, parece bem pesada e há quem diga que seu consumo eleva a pressão.

Massas são uma constante na alimentação dos países da Ásia Central. 

3) CLIMA: O Cazaquistão é um país enorme espalhado pelas estepes. Na capital Astana chega a fazer -40 graus no inverno e não costuma passar de 30 no verão. A média que peguei no final de agosto foi 20 graus durante o dia e 10 à noite. Já Almaty fica mais ao sul e mesmo sendo cercada por montanhas é uma cidade mais quente. Suas estações de esqui são o ponto alto, inclusive já sediou os Jogos Asiáticos de Inverno de 2011. O Quirguistão é um país formado 90% por montanhas. A capital Bishkek tem temperaturas mais amena. Mas, nas montanhas pegamos entre 5 e 15 graus em agosto. Faz frio. Esteja preparado. O Uzbequistão é plantado no deserto, portanto quente e seco. No início de setembro pegamos temperaturas próximas a 40 graus. Muito quente, especialmente em Bukhara. Então, evite o alto verão de junho a agosto e o inverno de novembro a março quando neva. Os meses perfeitos para ir à Ásia Central são maio e setembro.

4) COMO SE VESTIR: Essa região da Ásia teve forte influência árabe. Portanto, a religião predominante é o islamismo. Mas, eles não são radicais. As mulheres mais velhas e das cidades menores usam roupas mais fechadas. Mulheres mais jovens nas cidades maiores usam roupas mais curtas. Roupas ocidentais podem ser usadas sem problema. Inclusive bermudas e saias curtas. Mas, leve sempre um lenço para entrar nas mesquitas. É mais respeitoso. Leve roupas claras e leves para encarar o calor desértico do Uzbequistão. Lembre-se que à noite a temperatura cai em todos os países. Também leve um bom casaco se for subir as montanhas do Quirguistão. Sapatos confortáveis são fundamentais pois as caminhada são sempre longas.

Observe as roupas tradicionais do Uzbequistão. Mas, roupas ocidentais são bem aceitas.

5) HOTÉIS: Nessa região da Ásia os hotéis não são luxuosos. É uma viagem para quem encara hospedagens simples. Hotéis 3 e 4 estrelas são o padrão. A única cidade onde ficamos num super hotel foi na ex-capital do Cazaquistão, Almaty, no fantástico Ritz-Carlton. Em Astana, a atual capital do Cazaquistão, os hotéis são novos e muito bons. No entanto, não tem muito luxo e ainda estão engatinhando em termos de serviço. No Quirguistão e no Uzbequistão é tudo simples. Mesmo nas capitais há hotéis melhores mas nada digno de nota.

Uma boa experiência na Ásia Central é dormir em uma yurta, ao estilo nômade.

6) SEGURANÇA: Os três países são seguros. Dá para sair a qualquer hora sem problema. Apenas nos grandes mercados de Bishkek, a capital do Quirguistão, nos disseram para ter cuidado. À noite, o problema é a iluminação precária das ruas. Em alguns lugares, mesmo nas capitais, não dá para ver um palmo diante do nariz. Se sair, leve uma lanterna ou use o celular como coadjuvante.

7) HOSPITALIDADE: Cazaques e Quirguizos são um pouco mais fechados e desconfiados. Não gostam de ser fotografados. Não são de muitos sorrisos. Eles têm DNA nômade. Já, os uzbeques, que não têm tradição nômade, são bem mais simpáticos, calorosos e receptivos. Pedem para ser fotografados e passam pelos turistas cumprimentado em inglês. Por sorte, temos amigos nos três países. Encontramos com todos eles e fomos recebidos com muito carinho no Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão. Isso faz toda a diferença.

Olhar desconfiado do comerciante do Quirguistão.

8) DESLOCAMENTOS: Essa é uma viagem que pressupõe grandes deslocamentos. Tudo é distante. Muitos voos, longas distâncias de carro e alguns trechos podem ser feitos de trem. Voamos de Istambul para Astana, de Astana para Almaty. Em cada cidade ficamos dois dias e foi o suficiente. De Almaty fomos para Bishkek de carro. Roubada! Tem avião para fazer esse percurso em 30 minutos. Ficamos 4 horas comprimidos num carro sem necessidade. Em Bishkek pegamos um carro com motorista e andamos 9 horas com apenas 3 pequenas pausas para chegar às montanhas. Exaustivo. Dois dias depois, o mesmo trajeto de volta, de carro. Bem puxado. Depois, voo de Bishkek para Tashkent, outro de Tashkent para Urghent mais 30 minutos de taxi até Khiva. Sempre ficando dois dias em cada cidade. De Khiva resolvemos ir de carro até Bukhara. Super roubada. Atravessamos o deserto por uma estrada ruim, na verdade dos 400 km apenas 100 foram renovados. Não recomendo. Nada para ver no caminho. Seis horas e meia de chão sem parada. Há voos de Khiva para Bukhara alguns dias da semana. Ou volte para Tashkent e tome outro voo para Bukhara. De Bukhara para Samarkand são 200 quilômetros que podem ser feitos em trens simples ou de carro. Optamos pelo carro. De Samarkand fomos para Tashkent em trem de alta velocidade em 2 horas. O trem vai a 230 km/h. Depois dessa maratona, ufa! Hora de voltar pra casa. Trilhamos muito chão!

Nas montanhas do Quirguistão, o cavalo é o melhor meio de transporte.

9) GUIAS E MOTORISTAS: A Ásia Central não é um destino muito comum para os brasileiros. No entanto, é muito procurado pelos europeus. Por ser distante, às vezes bate uma certa insegurança. Esqueça isso. É uma viagem muito fácil. As pessoas são generosas e ajudam sempre. Nos hotéis sempre indicam guias e motoristas confiáveis. Há boa infraestrutura turística. Você não vai passar aperto. Se levar um bom guia impresso nem precisa ajuda de guia local. Se mesmo assim tiver interesse por informações mais aprofundadas saiba que eles cobram entre 10 e 30 dólares por um turno. Para os deslocamentos de carro também é fácil. O problema maior é a língua.

10) COMUNICAÇÃO: Nesses três países, eles são bilíngues. Falam russo e a língua local. Inglês é falado pelos guias, nos hotéis e por pessoas mais jovens. A comunicação é um problema. Mas, nada que alguns gestos e boas risadas não resolvam.

Comunicação?! Ah! Isso a gente inventa. Com boa vontade todo mundo se entende. Foi assim que ganhei um abraço lindo dessa senhora de 80 anos que passou, pediu para entrar na foto e ainda me desejou vida longa! Amém. 

Compartilhe:

COMENTÁRIOS

  1. Olá, sou a Isabel e acompanho o seu blog há algum tempo, sou aliás leitora assídua de muitos outros blogs diáriamente, e, como tal decidi criar um sítio onde divulgo os blogs que acompanho, (mas apenas escritos por portugueses, estejam onde estiverem) sejam eles de receitas, artesanato, fotografias, moda, decoração, opiniões ou relatos.

    Faço um pequeno tópico onde convido á visita dos blogs, com hiperlink bem visível, de alguns posts do dia.

    Não faço reprodução de fotos nem textos dos autores, leio, divulgo e comento.
    (Todas as fotos publicadas no meu blog são da minha autoria.)

    É um blog diferente de todos os outros, acaba de nascer, mas que me faz feliz.

    Estou em "Conchas e Búzios" (http://conchasebuzios.blogspot.pt/).

    Resta-me apenas parabenizar o seu trabalho e agradecer uma visita ao meu cantinho quando for oportuno.

    Isabel Guerreiro
    iguerreiro2002@gmail.com

    ResponderExcluir
  2. Todos esses paises me fascinam, justamente por fugirem do ordinario! Quem sabe daqui alguns anos, quando os deslocamentos ficarem mais simples?

    ResponderExcluir
  3. Oi Isabel,

    Já visitei seu blog. Muito legal. Boa sorte.

    Bjs

    ResponderExcluir
  4. Milena,

    O mundo é um amendoim. rs Numa noite você chega lá do outro lado do mundo. Não tem mistério. Vá sem medo da distância.

    Bj

    ResponderExcluir
  5. Claudia vc é Fantástica admiro sua disposição ainda quero viajar muito.
    AMO

    ResponderExcluir
  6. òtimo artigo. uma consulta, assim como o sul asiático essa região central é barato para refeições, hospedagem ?

    Grato.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sim. Hospedagem e alimentação com bons preços mas sem uma super qualidade. Espero hotéis básicos e restaurantes simples.

      Excluir
  7. Demais essa sua última foto. Seu blog é uma delícia de ler, você transmite confiança. Estou me deleitando com seus relatos. Bjs

    ResponderExcluir
  8. Nessa viagem não chegaram a ir ao Tajiquistão? Fiquei curioso...
    Abraço.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Filipe,

      Nessa viagem fui apenas ao Cazaquistão, Quirguistão e Uzbequistão.

      Excluir

Deixe seu comentário. Obrigada!