Claudia Liechavicius

16 Junho 2009

OS SEGREDOS DE FLORIPA

Por Claudia Liechavicius 

Muito prazer, meu nome é Florianópolis, mas para os íntimos: “Floripa”! Florianópolis é dotada de forte herança açoriana que pode ser observada no sotaque dos “manézinhos”, na arquitetura das edificações, no folclore e até na culinária. O nome, dessa ilha-capital do estado de Santa Catarina, foi dado em homenagem ao Presidente Floriano Peixoto, no final da Revolução Federalista, em 1894. De lá para cá seu desenvolvimento tem sido enorme e o turismo cada vez mais forte. Afinal, a ilha tem muitos atrativos: praias boas para surfe, passeios de barco, dunas, sandboard, águas calmas, ostras, kitesurfe, rendeiras, lagoas e azaração. A ilha ostenta belíssimas praias. No entanto, o que realmente encanta o visitante é que a beleza não se limita aos atributos da natureza, as areias são muito bem frequentadas. Corpos esculturais e rostos de traços europeus circulam habitualmente sem estresse para o deleite dos visitantes.


Jurerê Internacional, uma das praias mais badaladas de Florianópolis.


Olha a onda!

São tantas as praias com boas ondas para o surfe: Mole, Joaquina, Campeche, Santinho, Brava, Armação e por aí vai. Não importa o vento. Sempre tem um recanto com boas ondas! E a cada ano a praia da moda migra para uma das mais de 100 que recortam a ilha.


Onda é o que não falta em Floripa!



Entre a Lagoa da Conceição e a Barra da Lagoa fica a Praia Mole. A praia é perigosa, cheia de buracos, mas os surfistas adoram. Suas águas são frias e a areia mole, daí vem o nome da praia que é uma das mais badaladas de Floripa. É frequentada por gente jovem, descolada, bonita e que gosta de jogar frescobol, praticar kitesurfe, além de surfar, claro. A paquera rola solta especialmente nas cangas estendidas pela areia e nas casas de suco que ficam por ali.
 
Praia Mole, frequentada pelos surfistas e ultimamente, também pelos praticantes de kitesurfe.


Perto dali fica a praia da Joaquina. Têm três quilômetros, areias claras, ondas boas para surfe, mas é perigosa, pois tem muita correnteza. Conta com um estacionamento enorme, o que facilita o acesso. Também tem quiosques, restaurantes e alguns hoteizinhos simples. É cercada por dunas maravilhosas onde se pode praticar o sandboard. Os equipamentos são alugados a dez reais por hora. É muito divertido. Mesmo para quem não quer se aventurar a deslizar pelas dunas. Sentar para ver o pôr-do-sol e os tombos dos principiantes já é uma ótima pedida para o fim de tarde.



Antes de chegar à Joaquina, uma paradinha para o sandboard pode ser boa idéia.



Praia da Joaquina, reduto de surfistas.



Abaixo da Joaquina fica a Praia do Campeche, também à sudeste da ilha, perto do aeroporto. É muito procurada pelos surfistas e pelos moradores de Florianópolis. Nesse último verão, a parte da praia onde desemboca um pequeno riozinho foi o ponto escolhido pela galera. A praia do Campeche tem onze quilômetros de extensão, circundada por pequenas dunas e vegetação rasteira. Em frente à praia fica a Ilha do Campeche, com exuberante vegetação nativa. Nos dias de mar calmo pode-se chegar na ilha de bote.

A Praia do Campeche foi um dos points de Floripa no último verão.


As praias, Brava, Ingleses e Santinho ficam no extremo norte da ilha e quase sempre atraem surfistas. A Brava tem mar agitado, água fria e é muito profunda logo na entrada, pois fica no pé de um morro inclinado. Muitos prédios estão sendo construídos nessa região, por isso o movimento é cada vez maior. 

A praia do Santinho abriga o Resort Costão do Santinho (Estrada Vereador Onildo Lemos, 2505, Praia do Santinho. http://www.costao.com/, telefone 0800 48 1000) considerado um dos melhores do Brasil, com quartos amplos e uma super infra-estrutura. Essa região tem crescido bastante. 

Por outros ares e mares 

São tantas opções... Tem a Galheta, praia de nudismo com entrada por uma trilha de dez minutos a pé, que parte do canto esquerdo da Mole. Tem a Armação, tradicional colônia de pescadores da ilha que guarda um antigo vilarejo com capela açoriana e sítio arqueológico. Tem a Matadeiro vizinha à Armação, selvagem e de difícil acesso. Tem o Pântano do Sul, vilarejo de pescadores, com um pôr-do-sol magnífico de ser presenciado do Bar do Arante (Estrada Otacílio Gomes 254, Pântano do Sul, telefone 48 3237-7022) restaurante simples, com peixinhos deliciosos, e principalmente conhecido pelas ovas de peixe. O lugar é pitoresco, cheio de bilhetes colados no teto e paredes.

Ribeirão da Ilha é um lugar muito pitoresco. Além de ostras tem muito "manézinho". 


Plantação de ostras...

O Ribeirão da Ilha é um convite a um passeio inusitado. Ficar encantado com as plantações de ostras no mar e com os traços da cultura açoriana tão bem preservados na costa interna do sul da ilha de Santa Catarina é uma certeza. Inicialmente, as ostras eram extraídas das pedras onde se reproduziam. Mas depois, o cultivo foi sendo incrementado por novas tecnologias e o resultado não poderia ser outro. São as melhores ostras do Brasil servidas numa profusão de restaurantes deliciosos. O Ostradamus (Rodovia Baldicero Filomeno 7640, Ribeirão da Ilha, (48) 3337-5711, http://www.ostradamus.com.br/) é imperdível। Um píer de madeira se debruça sobre o mar com mesinhas deliciosamente posicionadas para a degustação de ostras in natura, ao bafo, gratinadas, com catupiry, à milanesa, gengibre, carbonel e por aí afora. Depois das ostras, boa pedida é a “Sinfonia dos Náufragos” – um espeto de camarões assados na brasa. Além disso, o visual é incrível. Vale a visita, mesmo sendo um pouco longe do centro.



Ribeirão da Ilha: restaurantes com ostras deliciosas entre casas em estilo açoriano.


Um role pela Lagoa da Conceição

Além de praias, a Lagoa da Conceição é outro lugar badalado e diferente. Com jeitão mais despojado, disputa o título de principal cartão postal da cidade com a Ponte Hercílio Luz. É lá que moram os surfistas da ilha, portanto as principais lojas especializadas em artigos para surf estão nessa região, mesmo que ali não tenha mar nem boas ondas para o esporte. A Mormaii (Rua Manoel Severino Oliveira, 669, telefone: 48 232-1222) é uma das principais representantes da classe. É cria da terra. As melhores praias para a prática do surf e outros esportes radicais ficam logo abaixo da lagoa. Dos morros que cercam a Lagoa da Conceição é possível avistar eventualmente asa-deltas. Nas águas da lagoa, lanchas, jet skis, barcos à vela, pranchas de windsurfe e mais recentemente kitesurfe incrementam o visual. Além disso, pescadores e rendeiras também fazem ponto por essas bandas. Para uma pausa na hora da fome há muitas opções, entre elas o Chef Fedoca às margens da lagoa (Rua Senador Ivo D’Aquino Neto 133, telefone 48 3232-0759), a Pizzaria Basílico (Rua Laaurindo Januário da Silveira 647, telefone 48 3232-1129) ou quem sabe o badalado Confraria das Artes (Rua João Pacheco da Costa, 31, telefone: 48 3232-2298). Pertinho dali, também vale experimentar o restaurante Ponta das Caranhas que tem uma vista deslumbrante, mas tem um serviço bem lento (Rod. Jornalista Manoel de Menezes 2377, Barra da Lagoa, (48) 3232-3076, http://www.pontadascaranhas.com.br/).

A Lagoa da Conceição tem muita diversidade: cenário bucólico, restaurantes de frutos do mar, rendeiras e barcos de pesca. 


O umbigo da ilha 

O centro é o ponto de entrada da ilha. É por ali que Floripa se conecta ao continente. No centro rola a vida da maior parte das pessoas que moram em Floripa durante todo o ano. Uma caminhada pela orla traz a certeza do encontro com os moradores da ilha em sua atividade física diária. O visual é lindo, especialmente indo em direção a ponte pênsil Hercilio Luz que é considerada a marca registrada de Florianópolis. Tem 819 metros de extensão e foi inaugurada em 1926. Atualmente está fechada para a circulação de carros. Iluminada, à noite, fica ainda mais bonita. Perto dali, o Mercado Público (Rua Conselheiro Mafra 255, Centro. Telefone: 2106-7195) vive lotado. Têm mais de cem boxes que vendem peixes, carnes e frutos do mar é um bom lugar para se degustar um peixe fresco ou um pastelzinho de camarão. O Box 32 é um dos favoritos da galera. Opções de bons restaurantes não faltam no centro. Um dos mais disputados, no momento, é o Café do Riso (Rua Bocaiúva 2090, Centro, (48) 9943-5222, http://www.caferisoetc.com.b/r) que tem vários tipos de “risoto” no cardápio, como o nome já diz. Se a escolha cair sobre um francesinho básico, então é hora de ir ao Bistrô do Jardim (Largo Benjamin Constant, 663, Centro, (48) 3224-1137, http://www.bistrodojardim.com.br/). Italiano elegante recém inaugurado é o Osigo (Rua São Jorge 135, Centro, (48) 3025-1127). Cabe ressaltar que a decoração é melhor do que o cardápio. Para um bom Happy Hour indico o Emporium Boacaiúva, uma delicatessen super charmosa que agita os finais de tarde catarinenses. Tem iguarias deliciosas e uma boa adega (Rua Bocaiúva 1901, Centro, (48) 3224-1670, http://www.emporiumbocaiuva.com.br/). Para comer bons frutos do mar, com destaque para todos os tipos de moqueca, a Toca da Garopa é excelente (Rua Alves de Brito 178, Centro, (48) 3223-1220, http://www.tocadagaropa.com.br/)। Se quiser ir às compras no centro, o comércio se espalha ao longo da Rua Bocaiúva, paralela à Avenida Beira-Mar Norte, além da cidade contar com vários shoppings. Entre eles o Beiramar Shopping bem no centro, o novíssimo Iguatemi, o Floripa Shopping (SC 401) e o Itaguaçu em São José. Para uma hospedagem no centro indico o Majestic Palace Hotel (Av. Rubens de Arruda Ramos 2746, Centro, 48 3231-8000, http://www.majesticpalace.com.br/).

O centro da ilha traz as lembranças da colonização açoriana entre suas avenidas. 


É hora de muita festa!

Jurerê Internacional continua sendo “a bola da vez”, já há alguns verões। Por ali que circulam muitas beldades. As águas são calmas e o dia passa lentamente entre frescobol, vôlei, restaurantes-lounge à beira-mar e muita paquera. As mansões espalham-se sem medo nem muros, pelas ruas de traçado planejado. O motor de Porches e Ferraris ronca para anunciar que a galera está ligada. No Reveillon é quando Jurerê Internacional explode. As mansões são alugadas por grupos de amigos para embalar a queima de fogos da virada do ano, por módicos valores que podem variar de 2 a 6 mil reais por dia.


Jurerê Internacional é onde a galera ferve. 


E a festa não para até a chegada do inverno. O Café de La Musique (Avenida dos Merlins, telefone 3282-1325) é um dos lounges mais badalados da beira da praia. Ostenta um deck de madeira, cadeiras super confortáveis e cortinas brancas esvoaçantes, além de muita gente bronzeada empunhando borbulhantes taças de champagne. Um luxo! Pertinho dali o japonês Taikô (Avenida das Lagostas s/n, telefone 48 3282-9714) serve pratos elegantes e drinques coloridos, num ambiente descontraído envolto por cortinas cor de laranja. O P12 Internacional que é o “beach club” do grupo El Divino (Serv. J. Cardoso Oliveira L3, telefone 48 3284-8156) e o El Divino Beach do mesmo grupo primam pela elegância e descontração (Av. Dos Pampas, L1-E, telefone 48 3282-1816). Um pouquinho mais à direita, o Restaurante Pimenta Limão (Alameda César do Nascimento 200, telefone 48 3282-5532) também convida ao deleite com espreguiçadeiras ao sol, pufes e bancos, além da área interna com decoração charmosa, num terreno acima do nível do mar com uma vista linda da praia. É muita festa, gente bonita e lugares superbadalados reunidos num mesmo pedaço de areia. Para se hospedar, se não quiser gastar muito alugando uma casa há bons hotéis como opção. O mais recente é o Il Campanário Villagio Resort muito simpático, em estilo provençal e bem central (Av. dos Búzios 1760, telefone 0800 6486000 http://www.ilcampanario.com.br/). Outra opção é o Jurerê Beach Village localizado à beira-mar, um pouco mais à direita da praia (Av. César Nascimento, 646, Jurerê Internacional, http://www.jurerebeachvillage.com.br/, telefone 0800 480110). Em Jurerê “não internacional” tem o Villas Del Sol y Mar, pequeno, aconchegante e com conceito de hotel-boutique (Rua Jorge Cherem, 84, Jurerê. http://www.villasdelmar.com.br/ Telefone: 48 3282-0863). No mês de abril as temperaturas começam a cair e então até outubro a confusão acalma. É a época ideal para quem gosta de sossego, curtir uma caminhada pelo calçadão, bater papo com os moradores e tomar um cafezinho sossegado pelo centrinho do balneário na Avenida das Raias, em pleno Open Shopping Jurerê. Nas vizinhanças da badalada Jurerê Seguindo para o sul, no final de Jurerê Internacional fica a Praia do Forte, onde se localiza o Forte São José da Ponta Grossa, estrategicamente erguido no alto do morro, emoldurado por um belo costão. Essa fortaleza foi construída no final do século XVIII para defender a entrada da Baía Norte. Passou por um período de abandono, foi restaurada e tombada como Patrimônio Histórico e Artístico Nacional em 1992. Descendo do Forte até a praia, que é um pequeno reduto de pescadores, não se pode deixar de comer as ostras fresquíssimas tiradas da água na hora do consumo ou degustar um belo camarão ao bafo. O restaurante é um pé sujo, com chão de areia. Simples e delicioso. Continuando na direção sul, a próxima praia é a tranquila Daniela. A prainha é pequena, com pouco agito e parecida com Jurerê, mas não tem muita infra-estrutura. Para quem prefere ficar quietinho, sem muita gente ao seu redor é bom negócio. Já, na outra ponta de Jurerê fica a agitada e confusa Praia de Canasvieiras com seus três quilômetros de extensão, águas mornas e calmas। É o reduto dos argentinos em Florianópolis, que vem de carro e passam uma longa temporada de verão na cidade. Para os nativos é considerada uma praia de “segunda linha”, cheia demais, pouco badalada e mal frequentada. A região é repleta de bares, restaurantes, hotéis, boates, fliperamas e campings. Enfim, toda a estrutura necessária a uma estada digamos que “confortável”. A cidade é realmente democrática. Tem praias para todos os gostos.


Guga, um ídolo catarinense


Com um pouco de sorte é possível encontrar com o Guga em algum cantinho da ilha. Ele mora em Florianópolis e está sempre envolvido com o tênis brasileiro. Na foto abaixo, ele se diverte com os amigos em um evento realizado na cidade.

Da esquerda para a direita: Jaime Oncins, Hugo Hoyama, Marcus Vinicius, Vanderlei Cordeiro, Giovane Gávio, Bernard Rajzman, Gustavo Kuerten, Sandra Pires e Robson Caetano.


Outras sugestões de dar água na boca

Confeitaria Chuvisco. Uma tentação! Tem várias lojas na cidade, uma delas fica na Avenida Beira-Mar 210, Centro, (48) 3334-8883, http://www.chuvisco.com.br/ Bistrô d’Acampora. Alameda Casa Rosa. Rodovia Ademar Gonzaga, 3401, Itacorubi, telefone (48) 3338-2332. Guinza Garden. Cozinha japonesa. Rua São Jorge, 225, Centro, telefone (48) 3333-0888. Churrascaria Meu Cantinho – tradicional rodízio de carnes. Rua Salvador Di Bernardi 503, Campinas, São José, telefone (48) 3241-8801, http://www.meucantinhochurrascaria.com.br/ Kanpai Cozinha Oriental. Rua Alves de Brito, 161, Centro, telefone (48) 3028-6818, http://www.kanpai.com.br/ Macarronada Italiana, para àquelas horas de muita fome. Av. Beira-Mar Norte 2458, Centro, telefone (48) 3223-2666. http://www.macarronada.com.br/
Então? Gostou? Escolha a sua praia e vá conferir os segredos de Floripa com seus próprios olhos e estômago.

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom sua narrativa sobre Floripa, parabéns!!
beijinhos
VS

Karen Pimentel disse...

OI...
Como estas?!?
Queria seu email, pois n. tenho!!!
Falei com o Marcos e estamos marcando de Jantar no sabado que vem ai no Rio.
Ele tb pediu para falar contigo sobre o Sheraton... é isso mesmo?!? É com vc que pego a "chave".
Bem, vou deixar meu email ok?
karenpimentel@terra.com.br
Enfim, nos encontraremos... Agora vc tem que escolher o restaurante, pois só caio no Satyricon (rsrsrrsrs)
Milhares de kisses,
KK

P.S.: Amaria viajar como vc... mas o Waldir detesta!!! por isso, para ver tudo terei que ir só!!!
:+(
KK

D.A.V.I. "Tinho" disse...

Mesmo querendo valorizar sua boa narrativa, não posso deixar de dizer que FALTOU FALAR de uma região tipicamente açoriana: Santo Antônio de Lisboa e Sambaqui. É o lugar onde se come as melhores ostras da cidade; além de peixe e camarão. Na próxima visita, não deixe de conhecer. Vale (muito) a pena!

Claudia Liechavicius disse...

DAVI Tinho.
Escolher os melhores restaurantes e os melhores cantinhos de Floripa é tarefa árduo. Adoro a cidade e tudo que ela oferece, especialmente por ter familiares que moram lá. Por isso, vou muito para Florianópolis, onde me sinto em casa.
Valeu!!