A PRIMEIRA VEZ NO VIETNÃ A GENTE NUNCA ESQUECE


É inevitável. Quando o nome “Vietnã” entra em pauta, mesmo sem querer, a primeira coisa que vem à cabeça é a lembrança da guerra e de um país dividido entre americanos (que apoiavam o Vietnã do Sul) e russos (que apoiavam o Vietnã do Norte).

As feridas são muito recentes. Ainda estão cicatrizando. Faz apenas 40 anos que os Estados Unidos retiraram suas tropas do Vietnã colocando um ponto final numa das guerras mais sangrentas da humanidade. Foram os russos comunistas que ajudaram a expulsar os invasores americanos que queriam conter o avanço do comunismo. Um país partido ao meio. Os próprios vietnamitas brigando entre si numa ira que só acalmou em 1973. Eu ainda era criança e lembro dos comentários horrorizados e das cenas apavorantes transmitidas pela televisão. Morreram quase 60 mil soldados americanos e 3 milhões de vietnamitas.

Mas, o interessante é que ao pisar no Vietnã tudo muda imediatamente de figura. A impressão de ser um país sisudo, acinzentado e militarizado passa a ser pano de fundo. Pelas ruas barulhentas e movimentadas das grandes cidades, todos sorriem. O caos impera no trânsito e ninguém perde o humor. Mostram uma alegria contagiante. São receptivos e parecem nem lembrar do passado recente.

 As pessoas são muito amáveis, especialmente no interior do Vietnã.
Observe o pão francês. Uma das heranças da ocupação francesa.

Nos campos, no meio das plantações de arroz, pessoas simples, cobertas dos pés à cabeça, com seus chapéus em forma de cone, acenam felizes para quem passa. Posam sem cerimônia para fotos. Na região costeira, os pescadores se divertem enquanto organizam seus barcos, botes e redes.

Pescadores de Nha Trang.

BELA MISTURA CULTURAL

É um povo feliz e multicultural. Suas bases culturais se formaram ao longo de muitos séculos por influência da dominação chinesa, japonesa, francesa e americana. E todos esses intrusos voltaram para casa derrotados pela astúcia dos guerreiros vietnamitas. Mas, deixaram um belo legado. Os quase mil anos de ocupação chinesa podem ser vistos nos costumes, nas crenças, na alimentação e na arquitetura, apesar da relação com a China ter sido sempre conturbada, tipo amor e ódio. Dos americanos herdaram o interesse pelo idioma. O inglês é falado por toda parte, principalmente pelos mais jovens que não viveram a guerra e não tem tantas travas com o passado. Dos japoneses vem o tofu e o uso dos hashis. Os franceses  influenciaram tanto na arquitetura como (e, especialmente) na culinária.

 Panquecas de arroz deliciosas preparadas de modo tradicional no hotel Amanoi, Vietnã.

A comida vietnamita é espetacular. Delicada, saborosa e temperada na medida com ervas aromáticas. Uma mistura da França, China e Japão com um toque tailandês e que deu muito certo. No cardápio peixes, porco, frango, pato, frutas e legumes sempre acompanhados de muito arroz e regados com molhos a base de soja, curry, ervas e coco. Comidas de rua são uma constante. Por todo o lado, lá estão as barraquinhas. E eles comem muito na rua. Porém, nem tudo é perfeito. O que entristece é ver os cachorrinhos engaiolados esperando pelo abate. Dá vontade de chorar vendo a carinha deles.

Cena frequente no Vietnã. De partir o coração.

RELIGIÃO

A religião não é uma marca muito forte do Vietnã. Países comunistas costumam ter incentivo do ateísmo. Aos poucos, as velhas crenças estão ganhando força. Antigamente, eles adotavam uma religião tripla que misturava budismo, taoísmo e confucionismo. Também tem adeptos do catolicismo e do hinduísmo. Agora pode tudo desde que não cause ameaça ao governo socialista.

 Igreja Notre Dame de Ho Chi Minh.

UM PAÍS EM FORMA DE "S"

Atualmente, são 90 milhões de pessoas que vivem nesse país estreito e comprido, em forma de S, na península da Indochina. Na sua parte mais estreita tem apenas 50 quilômetros de leste à oeste. Seus vizinhos são Laos, Cambodia e China. No norte, as estrelas são a charmosa e bagunçada Hanói; a estupenda Baía de Halong e Sapa com suas minorias étnicas (são mais de 50 grupos étnicos espalhados pelo país, entre eles os Kinh, Boa, Cham e Khmer). Na região central fica a cidadela fortificada Hue; a histórica mercantil Hoi An, Patrimônio da Humanidade; a região costeira de Nha Trang e Phan Rang. Já, ao sul está a antiga Saigon, hoje Ho Chi Minh, capital econômica do Vietnã e o delta do Mekong.

Mapa do Vietnã.

Mesmo tendo sido um dos países mais pobres do mundo, o Vietnã é um país em transformação. Deixou pra trás o sofrimento, vem recuperando sua economia e desponta como um próspero destino turístico desde que se abriu para receber visitantes, em 1990. Eles souberam se beneficiar com as marcas que despertaram no mundo de nação dilacerada pela guerra.


O Vietnã já conta com muitos hotéis de luxo para aumentar o turismo. Esse é o spa do Amanoi. 

Passei apenas 10 dias no Vietnã e confesso que o tempo foi muito curto. Consegui conhecer apenas Hanói, Halong Bay, Nha Trang, Phan Rang e Ho Chi Minh. Foi bom como “primeira exploração” e considerando que a viagem incluía também Tailândia e Camboja num total de 25 dias.

Meu roteiro completo nessa viagem pela Ásia foi o seguinte:

ROTEIRO ÁSIA

RIO – BANGKOK: Emirates Airlines com escala em Dubai (6 dias em Bangkok no hotel executivo bem localizado Centara Grand)
BANGKOK – HANOI: Thai Airways, tempo de vôo 1h50m. (3 dias em Hanói no Sofitel Legend Metropol maravilhoso)
HANOI – HALONG BAY de carro  3 horas (2 dias de barco privado da Legend Halong Exclusive Charters, em Halong Bay – o ideal é ficar 3 dias)
HALONG BAY – HANOI: 40 minutos de hidroavião da Hai Au novinho com piloto americano super seguro e prático com conexão imediata para Nha Trang.
HANOI – NHA TRANG: Vietnam Airlines, tempo de vôo 1h15m  (3 dias no Hotel Amanoi novíssimo, espetacular)
NHA TRANG – HO CHI MING: Vietnam Airlines, tempo de vôo 2hs (um dia apenas, foi pouco, o ideal são três dias)
HO CHI MING – SIEM REAP: Vietnam Airlines (3 dias, mas achei pouco, teria ficado facilmente uma semana no delicado e especial Amansara)
SIEM REAP – PHUKET: Air Ásia, 3 hs de vôo com escala em Bangkok, três dias no Anantara, o hotel é espetacular, mas Phuket é bem caidinha)
PHUKET – KO PHI PHI de barco 1 h30m (três dias no hotel Zeavola super simpático, pé na areia)
KO PHI PHI – KRABI de barco 1h30m (apenas um dia, poderia ter ficado três dias)
KRABI – BANGKOK: Thai Airways, 1h20m
BANGKOK – RIO: com escala em Dubai, de Emirates

VISTO

Nem pense em chegar no Vietnã sem visto. É preciso providenciar o visto antecipadamente. O ideal é fazer ainda no Brasil, na Embaixada do Vietnã. Também é possível fazer pela internet uma semana antes de entrar no país. Conforme a data de entrada se aproxima o valor vai subindo e as taxas sobem consideravelmente. Além disso, o passaporte precisa ter validade mínima de seis meses e é preciso apresentar certificado internacional de vacina contra febre amarela.  

IDIOMA

Vietnamita, mas o inglês é falado por muita gente, principalmente pelos mais jovens.

MELHOR ÉPOCA PARA IR

No Vietnã chove muito o ano inteiro e o clima varia de norte a sul. No norte é frio no inverno, de novembro a janeiro. Assim, para conhecer Hanói e Halong Bay os vietnamitas dizem que agosto e setembro são os melhores meses. No entanto, esses meses costumam ter muitos furacões. Dizem que a media são 6 por ano. Pois, de maio a outubro, o país sofre com as monções. No sul, é muito quente no verão, de maio a julho. Portanto evite a região nessa época. No entanto, é exatamente essa a alta temporada no norte e na região central.

Halong Bay.

Os próximos posts serão dedicados a Hanoi, Halong Bay, Nha Trang e Ho Chi Minh. Em breve. 



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COMENTÁRIOS

  1. Claudia, imagino como você deve ter se sentido ao ver os cães nas gaiolas. Eu amo os animais, principalmente cachorros. Se eu tivesse visto aquela cena ao vivo, com certeza eu choraria e até acho que já não curtiria muito o lugar. Obrigada por compartilhar suas viagens! Sempre acompanho e gosto muito de viajar nas fotos com você. Beijo.

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  2. Regina,

    De partir o coração. Odiei ver isso. Os cachorrinhos empilhados, sem o menor cuidado. Tristes. Engaiolados. Sendo transportados de qualquer jeito. E, além de tudo, consideradam uma carne nobre. Eu jamais experimentaria. Amo cães. A guerra já passou, eles poderiam evoluir nesse quesito, não acha?

    bj

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  3. Claudia,

    Fico feliz que tu viajes bastante para lugares que não estão na minha lista, pois, assim, tenho um sabor de conhecer um pouco. Quanto ao tratamento dado aos cachorros, também na China está se aproximando o festival Yulin 2015, onde há um massacre de milhares de cachorros. É uma tristeza imensa.
    bjos
    Ana

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  4. Ana,

    O Vietnã é um país muito interessante. Sei que esses países exóticos não são a preferência da maioria dos viajantes. Ah! Eu adoro. Aliás, gosto de todo tipo de viagem. Neve. Calor. Natureza. Exótica. Clássica. Tradicional. Esportiva. Histórica. Paradisíaca. Aventureira... Sempre faço a mala com prazer.

    Quanto aos cachorrinhos fico sempre perplexa. Não entendo a falta de sensibilidade com que algumas minorias tratam os animais. Tenho um cachorro que é como meu terceiro filho. Adoro os animais.

    Beijos

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  5. Oi Claudia!
    Fico imaginando as belezas naturais que o Vietnã tem, mesmo depois que foi assolado pelos americanos! É um país interessantíssimo e com muita história pra contar. O tipo de lugar que me atrai!

    Beijinhos

    Bia <°))))<

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  6. Bia, o Vietnã está começando a ser descoberto pelos turistas. Ainda assim há muitos lugares quase virgens (que eu adoro). A costa é enorme e bem inexplorada. Eles pescam para sobreviver. Não tive muito tempo para ir em todos os lugares que tinha vontade, mas o pouco que vi me encantou demais.

    Bjs

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  7. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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  8. Obrigada, Natalie.

    Estava sentindo falta de você por aqui.

    Bj

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  9. Claudia, como sempre, maravilhoso o teu post sobre o Vietnã.Abraços
    MT

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