NARA E OS CERVOS SAGRADOS


Quarenta quilômetros ao sul de Kyoto é onde Nara se exibe orgulhosa com seus templos, santuários, jardins e cervos sagrados. Nara foi a capital do Japão de 710 a 784. Durante esses 74 anos, uma cultura baseada nos costumes chineses foi plantada ali, por influência de Xian, mas aos poucos foi assumindo personalidade própria. A herança dessa época tem tamanha importância histórica que Nara tem hoje oito locais considerados Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

Nara merece uma visita caprichada. É uma graça de cidade e tem templos que figuram entre os mais antigos do Japão. Entre eles estão: Todaji Temple, Kofukuji Temple, Kassuga Taisha Shrine, Gangoji Temple, Toshodaji Temple, Yakushiji Temple e Heijo Palace Site. Bastante coisa para se ver. E, esses são apenas alguns dos locais interessantes. Também tem parques, museus e jardins lindos. Muita gente opta apenas por fazer um bate-e-volta a partir de Osaka ou Kyoto. É pouco. Fiquei dois dias e não consegui ver tudo. 



Golden Hall Tokondo do complexo do Templo Kofukuji.

Estando em Hiroshima, tomei cedo o trem para Himeji onde fiquei toda manhã para explorar a cidade. Dali, levei mais duas horas de trem para chegar em Nara. Não tem trem-bala nesse trajeto. Então, demora um pouco. Cheguei no meio da tarde e ainda consegui dar uma circulada de reconhecimento antes de escurecer. No outono, os dias são mais curtos. Cinco horas e a noite começa a cair.


Gojunoto, o Pagode de Cinco Andares, no Templo Kofukuji.

A estação de trem fica bem no centro de Nara. Andando a partir dali, dá para chegar facilmente aos principais pontos de interesse. No entanto, as caminhadas são longas. Para se ter uma ideia, há um trajeto de sete quilômetros para ver os templos mais importantes da cidade. É tudo muito espalhado. Para quem quer encurtar as distâncias, há ônibus circulares e uma linha de trem, que dão boa cobertura.

Comece explorando o complexo budista do Templo Kofukuji, um dos oito Monumentos Históricos da Antiga Nara inscritos pela Unesco como Patrimônio Mundial. Ele fica a apenas três quadras da estação de trem. É o primeiro templo que vai atravessar o seu caminho. E é lindo de dia ou de noite quando fica todo iluminado. Originalmente foi construído no século VII. Mas, como quase tudo no Japão, foi destruído várias vezes durante as guerras e sofreu com incêndios. Foi refeito muitas vezes. Atualmente o complexo é formado por mais de 10 prédios, sendo que o Pagode de Cinco Andares é um dos principais cartões-postais de Nara. Também visite o Museu do Tesouro Nacional de Kofukuji, o Hall Dourado, o Pagode de Três Andares, o Hall Central e o Hall Octagonal. Esse último foi feito por uma princesa como forma de agradecimento pela recuperação de uma doença do marido. 


Pagode de  Três Andares Sanjunoto, do Templo Kofukuji.

Hall Octagonal Norte, Hokuendo. 

Hall Octagonal Sul, Nanendo.


Andando mais uma quadra está a entrada principal do Parque de Nara que tem uma cerca para que os cervos não atravessem na frente dos carros. E, mesmo assim, as vezes eles saem a passear fora dos limites do parque. Os bichinhos são muito dóceis e as estrelas da cidade. São considerados mensageiros dos deuses. São sagrados. Todo mundo se diverte dando biscoito para os animais. Os biscoitos são vendidos em vários pontos do parque e eles já aguardam ansiosos pela guloseima ao redor dos pontos de venda. Fique sempre atento, pois os mais esganados pulam nas pessoas, puxam sua roupa com a boca para chamar atenção e podem até dar cabeçada na tentativa de conseguir um biscoito. É divertido. 

Os cervos sagrados de Nara.

Os cervos não saem de perto das barraquinhas de biscoito. 

Dentro do Parque há vários templos e o Museu Nacional de Nara. Tentei visitar o museu, mas como era sábado, as filas estavam enormes. Então, preferi deixar o museu para a próxima e fui conferir o principal destaque da cidade, o templo budista Todaji, o Grande Templo do Leste. Ele é o maior prédio de madeira do mundo e a construção atual data do século XVIII. Porém, o que mais surpreende é saber que antes de sofrer com incêndios, terremotos e guerras ele era trinta por cento maior do que o atual. Foi construído, inicialmente, na época em que Nara era capital do Japão, em 752. Abriga o Grande Buda Daibutsu feito em bronze. É uma das sedes da seita Kegon. 


Templo Todaji, Nara.

Grande Buda Daibutsu, em Todaji Temple.

Dentro do templo tem uma coluna com um buraco do tamanho da narina do Buda onde as pessoas fazem fila para passar na horizontal. Algumas ficam entaladas e precisam de ajuda. É engraçado. Puxa daqui, empurra dali e por fim quem consegue a proeza de atravessar a coluna tem a passagem garantida para o Paraíso. 

A galera não se importa de ficar presa no buraco para conseguir a graça de ir para o Paraíso.

Ao redor do templo há outros oito subtemplos e santuários afiliados. O Nigatsudo e o Sangatsudo Hall (também chamado de Hokkedo ou Hall de Lotus) ficam lado a lado, logo depois do Grande Sino. É um lugar privilegiado para meditar, no alto da colina com o parque aos seus pés. 


 O Grande Sino.

 Sangatsudo Hall.

Nigatsudo é muito visitado por ter uma lenda que diz que sua água tem poderes curativos. Segunda a lenda, um monge budista costumava fazer suas práticas religiosas na caverna de uma queda d'água perto do templo, em 750. Perto dali, ele decidiu construir um pequeno templo para levar seus discípulos. Certo dia, convidou 13.700 deuses para uma cerimônia no templo sendo que um deles chegou atrasado. Para se desculpar ele ofereceu um pouco de água aromatizada do rio Onyu. Mas, quando ele levantou, começou a verter água do lugar onde ele estava sentado. Essa água é considerada sagrada e a fonte continua ativa ainda hoje. Esse fato deu início ao festival que acontece todos os anos no templo. E, diariamente, muita gente passa por lá para tomar uma xícara de chá servida com essa água, por ser curativa.

 Nigatsudo Hall e a água curativa.

Ainda nessa região não deixe de visitar o belíssimo prédio Shoso-in Repositório do Tesouro. A arquitetura dessa construção, é muito interessante. O prédio é elevado do chão e dividido em 3 partes que guardam uma grande coleção de mais de 600 peças oferecidas ao Grande Buda pelo imperador em homenagem a sua esposa, quando ela faleceu.

 Shoso-in Repositório do Tesouro.

Ainda no Parque de Nara vá ao Kassuga Taisha Shrine que é outro Patrimônio da Humanidade pela Unesco. O caminho que conduz ao templo é repleto de lanternas. Tem aproximadamente 2 mil lanternas além de muitas outras de bronze penduradas no templo.

Não falta o que conhecer e ver nos limites do parque. Adorei os jardins Usuien e o Yoshikien cuidados com aquele capricho que só os japoneses conseguem e a casa do fotógrafo japonês Irie Taikichi que é aberta ao público como um pequeno museu. Praticamente ao lado da casa dele fica o concorrido restaurante Soba-Kitahara sempre com fila na porta e que todos dizem ser muito bom. Fiquei curiosa para experimentar, mas como a fila era gigantesca não tive coragem de esperar.

 Casa-museu do fotógrafo japonês Irie Taikichi.

 Jardim Japonês Yoshikien.

Do outro lado da cidade visite o Heijo Palace Site, Nara Museu de Arte, Toshodaji Temple e Yakushiji Temple.

Destes consegui conhecer apenas o Heijo Palace Site que fica distante do centro e pede boas caminhadas. O Palácio Heijo foi o Palácio Imperial do Japão no período em que Nara foi a capital do país. O complexo era enorme. O pouco que sobrou do Palácio é considerado pela Unesco como Patrimônio da Humanidade, desde 1998. Mas, quando a capital foi transferida para Kyoto, o Palácio Imperial de Nara foi abandonado e praticamente destruído pelo tempo. Aos poucos vem sendo recuperado.

 Suzaku Gate, um dos portões do Palácio Imperial de Nara.

Hall de Audiências Imperiais. Esse prédio acabou de ser restaurado, em 2010.

Tive a sorte de presenciar um dia festivo com apresentação de samurais no Palácio.

Além disso, a cidade tem ruas simpáticas cheias de lojinhas que vendem de tudo. É uma cidade divertida. Viva. Cheia de gente. Tem muito turismo interno. Os próprios japoneses passam os finais de semana explorando Nara.

 Na rua coberta Higashimuki.

Meninas passeiam em Nara vestindo trajes típicos.

ONDE FICAR

Para se hospedar indico o Hotel Nara, um misto de hotel com ryokan bastante antigo e tradicional na cidade. Há um Hotel Nikko muito bom na própria estação de trem. Se preferir uma opção mais econômica dê uma olhada no Hotel Fujita Nara

BONS RESTAURANTES

Restaurante excelente para comer o famoso Kobe beef é o Steak Ciel Bleu. Fica numa rua perpendicular, em frente a estação de trem. Endereço 470-2F Sanjocho. Faça reserva pelo telefone +81 742 938812 ou 080 9758 2658. www.steak-cielbleu.com

Steak Ciel Blue.

Se quiser um jantar kaiseki num lugar lindo experimente o kikusuiro. Mas, é preciso fazer reserva com 3 dias de antecedência. Telefone +81 742 232001 ou + 81 742 232038. Kikusuiro.com

Para uma refeição tradicionalmente japonesa há o Tsukihi-tei, o Muginokura (de udon-noodle), o Okaru (de okonomiyake) e o Yamazakiya todos na rua coberta Higashimuki e sempre com fila na porta. 

TRAJETO NARA-TÓQUIO

O trajeto Nara – Tóquio pode ser feito de trem regular até Kyoto e em Kyoto tomar o trem-bala. São 3 horas de viagem no total. 

DICA DE HOSPEDAGEM EM TÓQUIO PARA PASSAR A ÚLTIMA NOITE NA CIDADE E AGILIZAR OS DESLOCAMENTOS 

De volta a Tóquio ficamos no excelente Four Seasons. Perfeito pela localização privilegiada em Ginza e dentro da estação do trem o que facilita tanto na chegada à cidade como na partida para o aeroporto. Descemos dentro da estação de trem que fica colada no hotel e no dia seguinte partimos para o aeroporto de trem, saindo diretamente do hotel. Uma hora de trem até o aeroporto, sem nenhum transtorno e sem o valor exorbitante de um taxi até o aeroporto de Narita, que é ao redor de 250 dólares. 

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COMENTÁRIOS

  1. Realmente recomendo tomar cuidado com os veadinhos, pois eu vi um quase derrubando uma senhora que lhes dava biscoitos!! Kkkkkk
    Abracos
    VS

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  2. VS,

    Realmente. Eles são afoitos. Ficam loucos com os biscoitos.

    Abraços

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  3. Amei sua foto com os cervos! Parece ser bem divertido mesmo. Lindas fotos, lindas viagens! Continue nos encantando com elas! Beijão.

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  4. Regina,

    Eles são muito dóceis. Comem com tanta delicadeza. Mas, são doidos pelos biscoitos. Ficam desesperados.

    É bem divertido.

    Beijo

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