UM REFÚGIO CHAMADO MOOREA


Moorea continua verde e deslumbrante. Altas montanhas vulcânicas cobertas por uma densa vegetação são rodeadas por barreiras de corais que acalmam o mar do Pacífico e transformam o entorno dessa ilha da Polinésia Francesa numa imensa lagoa azul-esverdeada. Um verdadeiro espetáculo da natureza.

No entanto, algumas coisas mudaram. A pele coberta por tatuagens e o corpo envolto apenas em pareôs coloridos já não representam mais a figura dos ilhéus. Essa imagem permaneceu na minha retina por mais de 20 anos, até meu retorno a Moorea. Bem, os pareôs ainda existem, principalmente à venda nas lojinhas. Mas, já não são mais o traje habitual da população. E por falar em população, ela cresceu bastante, a pequena ilha hoje tem mais de 16 mil habitantes. Moorea passou a ser uma extensão de Papeete. Hotéis enormes, muitos restaurantes, muita gente, carros, jet skis, praias cheias, barcos e veleiros desfilando para lá e para cá em profusão. Aquela vida pacata de outrora se foi. Afinal, Papeete precisava se expandir para algum canto e Moorea é a lha mais próxima. Apenas 17 quilômetros as separam. Uma linha regular de ferry conecta a capital do Tahiti a Moorea em 30 minutos, várias vezes por dia. E foi assim que a ilha se desenvolveu. Mas, nem por isso perdeu seu encanto. Ficou apenas mais animada. 

Pool party em Moorea com direito a DJ.

VAI DE FERRY OU AVIÃO?

 O Ferry Aremiti é o melhor modo de chegar. O ticket pode ser comprado na hora, no próprio porto e custa 950 XPF (8 euros) por pessoa. No entanto, ao chegar em Moorea fique esperto. Táxis não são muito fáceis na ilha. Combine o transfer para o hotel antecipadamente para não ficar para trás.

Moorea também tem aeroporto. Vale a pena escolher Moorea como primeira parada, ao chegar no Tahiti, por ser facilmente acessada pela linha de ferry e de lá pegar o avião para outro destino, como Bora Bora ou Rangiroa, por exemplo.

Pôr do sol em Moorea.

COMO TUDO COMEÇOU

Assim como outras ilhas da Polinésia Francesa, reza a lenda que Moorea inicialmente foi habitada por navegadores que vinham de canoa (imagina só!) de lugares distantes do sul da Ásia há mais de mil e quinhentos anos. Até o século XVIII era chamada de AIMEHO que em tahitiano quer dizer "refúgio", pois pela proximidade com Papeete, era onde se refugiavam os guerreiros derrotados. O rei Pomare foi um deles. Se exilou na ilha quando foi expulso da capital ao tentar estabelecer um reino absolutista. O nome continua apropriado. Afinal, a ilha serve como "refúgio" para os moradores de Papeete. Portanto, aqui vai uma advertência, se você quer sossego, Moorea não é a melhor escolha, especialmente nos fins de semana.

De AIMEHEO seu nome foi mudado para MOOREA, que significa "lagarto dourado", quando um sacerdote teve a visão de um grande lagarto amarelo que ao ser posto sobre um local sagrado deu duas fortes chicotadas com a cauda e assim abriu duas baías na ilha: Opunohu e Cook (ou Paopao). 

Baía de Cook.

Curiosamente, o famoso capitão britânico James Cook aportou em Moorea em 1777, mas não na Baía de Cook e sim em Opunohu. Com a chegada dos europeus o rumo político começou a mudar na Polinéisa. Os membros da família real Pomare aceitaram a proteção da França em 1842 e em 1880 o Tahiti e suas ilhas passaram a fazer parte dos "Assentamentos franceses da Oceania" até 1958. Gradativamente, o território foi conquistando maior autonomia. Em 2003 um presidente foi eleito e passou a ter representação diplomática. Mesmo assim, a Polinésia Francesa ainda é território francês.

UMA ILHA EM FORMATO DE POLVO

Moorea é uma ilha montanhosa, vulcânica, toda escarpada, cercada por uma lagoa com praias de areia branca. É muito verde. Belíssima! Tem plantações de abacaxi, banana, coco... Vista de cima dizem que tem o formato de um polvo. É formada por oito vales e duas baías, sendo uma delas exatamente sobre a cratera de um extinto vulcão. É ali que as baleias jubarte se abrigam para dar à luz seus filhotes. Essa área da Baía de Cook é protegida. Quase em frente tem dois "motus" (pequanas ilhas) com corais repletos de peixes coloridos. É um lugar lindo para mergulhar de snorkel. O monte mais alto da ilha é o Tohiea, que aparece estampado em algumas moedas do país. 

Vista aérea de Moorea.

O QUE FAZER EM MOOREA

Há muito para se ver e fazer na ilha. Pelo menos 4 dias são necessários para explorar tudo com calma.

  • Mergulhe com arraias e tubarões. Dizem que os ferrões são retirados das arraias em Moorea para evitar problemas com os visitantes. 

Arraias em Moorea.

  • Nade com os golfinhos no hotel Intercontinental. Também há uma área para recuperação de tartarugas marinhas no resort.
  • Visite os motus, faça pic nic e mergulhe com snorkel sobre os corais.

Snorkel entre os motus de Moorea.

  • Assista um show de dança local. Pode ser nos hotéis, nos restaurantes ou na Tiki Village. 

Dança típica da Polinésia.

  • Observe as baleias e golfinhos. 

Setembro é um bom mês para ver as baleias em Moorea.

  • Faça um tour pela ilha em carro 4X4. A volta completa pode ser dada em pouco mais de 2 horas pela estrada de 62 quilômetros. Suba ao Miradouro do Belvedere (Roto Nui) para ver a ilha do alto.

  • Jante no restaurante tahitiano-franco-chinês Le Mahogany. Basta ligar e eles buscam no hotel. Telefone: 40563973 

ALGUNS VALORES EM MOOREA
  • Passeio de 6 horas de lancha pela lagoa para nadar entre arraias, tubarões, fazer mergulho de snorkel e pic nic numa ilhota próxima, 60 euros por pessoa.
  • Observação de baleias jubarte em lancha para grupos, duração de 4 horas, 90 euros por pessoa.
  • Tour de jet ski para duas pessoas em cada um, com guia, passando pelas baías Cook e Opunohu com parada para nadar entre golfinhos e arraias, duração 2 horas, 185 euros.
  • Safári 4X4 subindo ao Belvedere, plantações de abacaxi e degustação na destilaria, duração 3 horas e meia, 35 euros por pessoa.

INDICAÇÃO DE HOTEL

Hilton Resort & Spa. Foi o que mais gostei em Moorea. Não consegui reservar pois estava lotado. E olha que o hotel é grande. Moorea tem realmente muito movimento no mês de setembro. Fui almoçar no hotel para conhecer.

Hotel Hilton.

InterContinental Resort. É outra boa opção com bangalôs sobre a água. Achei o hotel muito grande. É onde ficam os golfinhos e as tartarugas marinhas.

Hotel InterContinental.

Moorea Pearl Resort. Foi onde fiquei hospedada. Tem bangalôs sobre a água, piscina com borda infinita, jet ski e um ambiente bem familiar.


Hotel Moorea Pearl.

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