CRACÓVIA, A CEREJA DO BOLO


Cracóvia

Quando o trem parou na estação central da Cracóvia já fiquei completamente encantada. Fui andando pelas ruas medievais da segunda maior cidade polonesa em direção ao hotel e entendi imediatamente porque dizem ser a “cereja do bolo”. 

Movimento enorme de turistas pelas ruas da Cracóvia.
Movimento enorme de turistas pelas ruas da Cracóvia.

Num país que foi fortemente castigado pelos estragos de tantas guerras é quase um milagre que a Cracóvia tenha escapado praticamente ilesa. E, por sorte, apesar dos 45 anos de dominação soviética, quase nem se percebe a interferência russa na paisagem. É uma das cidades mais bem preservadas da Europa Oriental. Por isso, o Centro Histórico que guarda uma das maiores praças medievais do mundo; o Castelo Wawel, berço de três dinastias dos reis da polônia; e, o Bairro Judeu Kazimiers foram inscritos pela UNESCO como Patrimônios Mundiais, em 1978. 

Castelo Wawel, Patrimônio Mundial da UNESCO na Cracóvia.
Castelo Wawel, Patrimônio Mundial da UNESCO na Cracóvia.

Já, do outro lado do rio, o bairro Podgórze guarda lembranças muito tristes das cenas de horror que assistiu calado durante a fúria nazista contra os judeus. É onde fica a Fábrica de Schindler, que ajudou a salvar mais de mil vidas, virou um filme comovente e hoje funciona como museu. É uma visita triste e pesada. Mexe profundamente com qualquer pessoa.

Portões da Fábrica de Schindler.
Portões da Fábrica de Schindler.

 A Fábrica de Schindler hoje é um museu que emociona.

Essa senhora de mais de mil anos tem uma força que impressiona. Nasceu às margens do rio Vístula no século VIII com a chegada de uma tribo de eslavos pagãos. Prosperou rapidamente graças ao comércio de âmbar e em 1038 já era a capital da Polônia. Apesar da cobiça dos mongóis, se manteve firme nesse posto até 1596, quando a capital foi transferida para Varsóvia. Recebeu o titulo de “Capital Europeia da Cultura” de 2000 e em 2016 será a sede da Jornada Mundial da Juventude.

A ordem é caminhar sem pressa, com olhos atentos aos detalhes. Comece pelo Centro Antigo, Stare Miasto. Uma pérola. Ele se espalha ao redor da movimentada Praça do Mercado, chamada em polaco de Rynek Glowny, repleta de bares, cafés e barracas de flores.

 Praça do Mercado ou Rynek Glowny.

Sukiennice, bem no centro da Praça do Mercado.

Bem no centro da praça um prédio chama atenção por ter um estilo diferente do entorno medieval. É o Sukiennice. Ele foi construído inicialmente no século XIV e consta nos guias poloneses como o primeiro shopping do mundo. Funcionava como um centro comercial internacional nos tempos dourados da capital polonesa até que foi destruído por um incêndio. No seu lugar, em 1555, nasceu outro mercado. Mas, dessa vez em estilo renascentista. Hoje as lojinhas do mercado vendem souveniers para turistas. No primeiro andar do prédio, a Galeria de Arte Polonesa do Século XIX compartilha o espaço com o Café Szal que tem vista privilegiada para a praça e para a Basílica de Santa Maria.

Interior do mercado Sukiennice. 

Sente ali para tomar um café e observe que a cada hora cheia se ouve um toque de clarim vindo da torre mais alta da Basílica de Santa Maria, o Hejnal Mariacki. Dizem ser em memória a um guarda que levou uma flechada na garganta quando avisava o povoado sobre uma invasão mongol. Quando o som cessa abruptamente, um homem acena do alto da torre para os turistas. Procure por ele que você vai achar. Afinal, o som não provém de uma gravação.

Basílica de Santa Maria vista do Café Szal.

Então, vá até a Basílica de Santa Maria e encare a fila para entrar onde o Papa João Paulo II foi padre de 1952 a 1957. Seu interior é espetacular com vários altares, capelas e púlpitos em cores fortes cobertos por um teto que parece um céu estrelado. Em alguns horários é possível subir na torre. O país é muito religioso e essa é apenas uma das mais de 140 igrejas da cidade. 

Basílica de Santa Maria

Interior da Basílica de Santa Maria.

Perto da basílica tem outra igreja pequenina muito graciosa, a St. Adalberto, o Museu Histórico da Cracóvia e o monumento ao grande poeta polonês Adam Mickiewicz. Os olhos pulam de um lado para outro sem descanso.

Igreja St. Adalberto, na Praça do Mercado, Cracóvia.

Depois, suba os 70 metros da Torre da Prefeitura (Rastusz), o único prédio que se mantém como originalmente. De abril a dezembro dá para subir no observatório da torre. A vista da cidade é linda, no entanto as janelas envidraçadas atrapalham um pouco. Na saída da torre uma enorme estátua em bronze no formato de uma cabeça vai convidar a uma fotografia. É “Eros Vendado”, do artista polonês Igor Mitoraj.

Torre da Prefeitura vista de dois ângulos diferentes. 

 Eros Vendado, na Praça do Mercado, em frente a Torre da Prefeitura.

Ao redor da praça, caminhe pelas ruelas da Cidade Antiga com um belo casario medieval que se estende até encontrar o anel Planty, uma área verde de cinco quilômetros que circunda todo centro histórico com quase 30 jardins. Antigamente, onde agora tem essa enorme área verde havia fortificações de defesa da cidade cercadas por um fosso. Ainda existem algumas partes dos muros, a torre de defesa Barbican e um portão de entrada. O Portão Florian, que fica a alguns metros da estação de trem, é considerado o ponto de partida para a histórica Rota Real, caminho trilhado pelos reis poloneses durante as cerimônias de coroação da corte entre os séculos XIV e XVI até chegar ao Castelo Wawel.

 Anel Planty.

Portão Florian.

Nessa região visite ainda o belíssimo Teatro Slowacki e conheça o Collegium Maius, uma das universidades mais antigas do país que teve entre seus alunos o ilustre astrônomo Nicolau Copérnico.

Teatro Slowacki, Cracóvia.

O Castelo Wawel é uma  visita obrigatória por ser considerado um dos castelos mais bonitos da Europa. Foi construído no século XIII, no alto de uma colina e serviu como residência dos reis da Polônia por 500 anos. O complexo abriga o Palácio Real e a catedral, além de fortificações e belos jardins. Os nazistas usaram o complexo como quartel-general durante a Segunda Guerra. Mesmo tendo sido um pouco danificado, os aposentos ainda exibem mobiliário barroco, belos tapetes, paredes e tetos decorados. Na Catedral estão as tumbas reais e de alguns heróis nacionais. De 1963 a 1978, foi sede do arcebispado de Karol Wojtyla até ele se tornar o Papa João Paulo II. Suba até a torre Sigismundo da catedral para ver o rio Vístula e a cidade.

 Castelo Wawel. Visita obrigatória na Cracóvia.

Um pouquinho afastado da Praça Central fica o Bairro Kazimierz onde chegaram a viver 40 mil judeus, do século XIV até a Segunda Guerra, quando foram praticamente exterminados no Holocausto. Ao contrário do que houve com a população do bairro, muitas sinagogas se mantém intactas, entre elas a Velha Sinagoga e a Sinagoga Remuh, além das casas de judeus poloneses famosos como Helena Rubinstein. Visitas guiadas de carrinho elétrico são uma constante por esses locais e por onde foram gravadas cenas do filme de Steven Spielberg, “A Lista de Schindler”. 

Há muitas sinagogas ainda hoje no Bairro Kazimierz, mas poucas em funcionamento

 Bairro dos Judeus Kazimierz.

Essa praça, no Bairro Kazimierz, era onde o trem parava para pegar os judeus e leva-los aos campos de concentração

Outros lugares muito visitados perto da Cracóvia são as Minas de Sal de Wieliczka a 15 quilômetros do centro e o Campo de Concentração de Auschwitz a 75 quilômetros.

INDICAÇÃO DE HOTÉIS

CRACÓVIA: Hotel Stary, super bem decorado, moderno e colado à Praça do Mercado. Outro hotel fantástico é o Copernicus, localizado aos pés do Castelo Wawel, numa casa antiga restaurada.

Hotel Stary

Restaurante do Hotel Copérnicus.  

INDICAÇÃO DE RESTAURANTES

CRACÓVIA: Café Camelot, o estrelado Restaurante Copernicus e o Restaurante Hamsa de comida judaica.

Café Camelot. Delicioso.

Uma refeição polonesa deve incluir uma sopa que pode ser uma zurek feita com salsicha e batata ou uma barszcz de beterraba. Depois, experimente os tradicionais pierogis que são pasteizinhos cozidos na água e servidos com manteiga ou algum outro molho diferente molho e as panquecas de batata. O sanduíche polonês que se vê por todo canto se chama zapiekanki. É feito com uma baguete aberta coberta com queijo derretido e cogumelos.

LÍNGUA: polonês. Às vezes dá para entender uma palavra ou outra, apesar de ser muito difícil. Inglês é falado por muita gente, principalmente pelos mais jovens.

FUSO HORÁRIO: 5 horas a frente do horário do Brasil

MOEDA: Zloty. 1 zt  ou PLN vale 0,93 real (cotação de novembro de 2015)

DISTÂNCIA: Da Cracóvia a Wroclaw são 270 quilômetros. A cidade tem aeroporto e estação férrea.

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS: passaporte válido e seguro viagem internacional.

MELHOR ÉPOCA PARA IR:  de abril a outubro quando o frio dá uma trégua. Os meses de julho e agosto são os mais quentes e são altíssima temporada. O inverno polonês é bastante rigoroso.

A Polônia é um país espetacular!

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COMENTÁRIOS

  1. Oi Claudia!
    Certamente Cracóvia é uma cidade que me emocionaria de cara!
    As comidas típicas, as praças super cuidadas, a história da dominação russa e a cultura do povo polonês, tudo isso me encanta! Who knows.....

    Beijinhos e uma ótima semana!

    Bia <°(((<

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  2. Oi, Cláudia. Tudo bem? :)

    Seu post foi selecionado para o #linkódromo, do Viaje na Viagem.
    Dá uma olhada em http://www.viajenaviagem.com

    Até mais,
    Bóia – Natalie

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  3. Bia,

    A Polônia tem uma história triste e muito forte. Mas, eles deram a volta por cima e o país hoje é muito turístico. Atrai gente, especialmente da Europa. A Cracóvia é a cidade mais interessante do país. Gostei muito de Varsóvia e Wroclaw também.

    Beijos

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  4. Obrigada, Natalie. Vou olhar agora mesmo.
    Bj

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  5. Claudia
    Pelo visto voce pegou dias lindissimos
    Que Mes foi?
    Abracos VS

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  6. Realmente, VS.

    Estive na Polônia no final de abril e peguei dias lindos.

    Recomendo que vá na primavera.

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  7. Oi Cláudia, vc foi a Auschwitz? Se foi, é complicado? Obrigada,

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    Respostas
    1. Rogéria,

      Tem muitas ofertas de bate-e-volta a Auschwitz a partir dos hotéis e agências locais. Optei por não ir pois já fiz uma visita a um campo de concentração na Alemanha, Sachsenhauzen e achei muito pesado. Já vi uma vez e não pretendo voltar.

      Boa viagem.

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