HO CHI MINH, ANTIGO SAIGON


Ho Chi Minh foi minha última parada no Vietnã. Mergulhei apenas por um dia na loucura dessa cidade de 8 milhões de habitantes e 5 milhões de motos. Uma confusão pelas ruas com centenas de buzinas em ação. O trânsito além de caótico e barulhento, é surreal. Em cada moto vão várias pessoas e ainda por cima levam um monte de coisas penduradas desafiando a gravidade sem o menor constrangimento. Cada um vai por onde quer, no sentido que desejar. São raros os semáforos, então as pessoas atravessam no meio da confusão. E, por incrível que pareça, no fim tudo dá certo.

Atravessar a rua é uma grande peripécia em Ho Chi Minh. Observe as meninas andando entre as motos com o traje típico do país, o tradicional "ao dai", conjunto de vestido com calça comprida. A regra é olhar para frente, sair desviando das motos e nunca olhar para trás para não entrar em pânico. 

E foi nesse clima que cheguei no aeroporto mais quente, lotado e bagunçado do Vietnã. Como eu iria ficar apenas por um dia e não iria dormir na cidade, não contratei transfer. Deixei as malas guardadas no aeroporto e fui em busca de um taxi. Um motorista muito safado acabou sendo a única dor de cabeça no país. Pedi que ele parasse no meio do caminho e chamei outro taxi, na rua. Isso pode acontecer em qualquer lugar do mundo, mas nas grandes cidades há sempre um risco maior de cair nas mãos de quem quer tirar proveito da sua condição de turista.

Bicicleta lotada, em frente à Ópera House de Ho Chi Minh.

Deixando esse fato de lado parti para explorar a cidade que foi "libertada" do capitalismo (conforme o ponto de vista do Vietnã do Norte) e viu cair o governo do então Vietnã do Sul. Hoje, 40 anos depois, é o centro econômico do país unificado.

Saigon foi rebatizada de Ho Chi Minh em homenagem ao líder comunista. Estranhamente, muita gente continua chamando a cidade de Saigon. Talvez por ela já ter esse nome desde o século XVII, antes da chegada dos franceses. Ou porque sua essência continua a mesma.

A antiga Saigon foi fundada para ser um posto comercial Khmer há mais de 300 anos. Sua importância começou a crescer quando se tornou a capital da província da dinastia Nguyen. Mais tarde, no século XIX os franceses ocuparam a cidade, que passou a ser a capital da Cochinchina. Grande parte do seu desenvolvimento vem dessa época. A influência francesa na culinária local é fortíssima. Saigon chegou a ganhar o apelido de "Paris do Oriente". Em 1954, foi proclamada capital do Vietnã do Sul.

Logo veio a guerra entre o Vietnã do Norte e do Sul. Em 1968, forças norte-vietnamitas e guerrilheiros vietcongues lançaram uma ofensiva contra americanos e sul-vietnamitas. Por fim, os ianques bateram em retirada e em 1975 os tanques do exército do norte invadiram o Palácio do Governo do Vietnã do Sul, reunificaram o país e deram um ponto final ao conflito.

Por isso, comecei o dia indo ao emblemático Palácio da Reunificação ou Palácio da Independência - o principal monumento da cidade. Entrei por uma cancela ao lado do portão que foi derrubado pelos tanques de guerra vietnamitas no dia 30 de abril de 1975. Eu era criança nessa época e lembro de alguns fatos transmitidos pela televisão.

Palácio da Reunificação, na cidade de Ho Chi Minh.

O prédio foi construído no século XIX em estilo colonial francês. O prédio original foi bombardeado e praticamente destruído. Atualmente, prevalecem linhas retas e sóbrias, ao estilo comunista. Os tanques que derrubaram o portão continuam em exposição no pátio do palácio. 

Foto exposta no museu do Palácio da Reunificação com a fachada original.

O atual prédio branco não seduz pela beleza, mas sim pela história. Seu interior permanece relativamente bem conservado com grandes corredores que conduzem a salões imponentes, de pé direito alto e com decoração suntuosa.

Salas de reuniões do Palácio da Independência de Ho Chi Minh.

A surpresa maior está no subsolo onde há um bunker. Ali funcionava o centro de comando das operações militares. Era tudo muito rudimentar. Difícil imaginar uma guerra nesses moldes. Muitos mapas colados nas paredes marcam as estratégias de guerra e a comunicação era feita com rádios transmissores e um sistema precário de telefonia.

 Bunker do Palácio da Independência em Ho Chi Minh.

O valor do ingresso para visitar o Palácio da Reunificação ou Palácio da Independência é de 30.000 dongs o que equivale a menos de 5 reais.

Andando dois quarteirões vale a pena conhecer a Catedral de Notre Dame e o prédio dos Correios que ficam praticamente frente a frente.

Os 200 metros que ligam o Palácio da Reunificação e a Notre Dame são arborizados e cheios de vida.

A Catedral de Notre Dame foi a maior igreja construída durante a dominação francesa, apesar da comunidade católica ser pequena no país. Tem duas torres de 40 metros de altura e a fachada é decorada com azulejos vermelhos que de longe parecem ser tijolinhos. Na praça, em frente a igreja há uma imagem da Virgem Maria que ganhou o nome de Santa Maria Rainha da Paz pois tinha a esperança de trazer a paz ao país castigado pelas guerras.

 Catedral de Notre Dame.

Ao lado da catedral fica o prédio do Correio Central que é belíssimo. Sua construção foi assinada por Gustave Eiffel. A fachada do prédio é colonial francesa, tem tons claros e o interior parece uma estação de trem com teto abobadado apoiado em pilares de ferro. Ao fundo, não poderia faltar um retrato de Ho Chi Minh.

 Correio Central de Ho Chi Minh.

Bem em frente à catedral inicia uma das ruas comerciais mais conhecidas da cidade, a Dong Khoi. Ela é pequena e pode ser percorrida a pé até encontrar o rio Saigon, porém quanto mais perto do rio menos interessante e mais bagunçada ela fica.

O final da rua Dong Khoi não é elegante como o início, mas é bem interessante.

O início da Dong Khoi é mais charmoso e repleto de lojas, cafés, restaurantes, hotéis e museus. Vale a pena prestar atenção à Opera também chamada de Teatro Municipal, conferir as lojas do shopping Vincom Center, tomar um chá da tarde no elegante hotel Continental, fazer uma pausa no Café Chi Lang.

O Teatro Municipal de Ho Chi Minh serviu por um tempo como quartel-general da Assembleia Nacional do Vietnã do Sul.

O elegante hotel Continental é um refúgio no meio da confusão da Dong Khoi.

Pausa para uma água de côco em frente ao shopping Vincom Center.

E, como ninguém é de ferro dá para fazer umas comprinhas seja na Loubotin...

... ou nas lojas descoladas de moda vietnamita

Na hora do lanche que tal experimentar umas panquecas de banana para entrar no clima vietnamita?

Há outra avenida comercial em Ho Chi Minh, a Le Loi, com muitas lojas de grife como a Louis Vuitton, Chanel e Ferragamo. Bem na esquina da Dong Khoi com a Le Loi fica o hotel Caravelle. Esse hotel era o mais alto da cidade quando foi inaugurado em 1959, com 10 andares. Já foi construído com vidros a prova de bala e logo virou quartel-general de diplomatas e jornalistas durante a Guerra do Vietnã. Foi todo reformado e agora é um belo hotel voltado para a preservação do meio ambiente. Tem o carimbo de "hotel verde". 

Bem, em um dia, consegui conhecer apenas o centro de Ho Chi Minh. Mas, fiquei com vontade de voltar para ficar mais alguns dias. Há muitos templos interessantes na cidade, o mercado de Cholon, o mercado Binh Tay, os Túneis Cu Chi cavados pelos vietnamitas durante a guerra e o passeio pelo rio Mekong.

CONCLUINDO

Uma semana no Vietnã foi pouco tempo. Saí com o coração apertado e com a sensação de que ainda havia muito para se revelar diante dos meus olhos. Eu poderia ter ficado tranquilamente duas semanas nesse país de gente simples e forte. O passado recente de guerras pesadas parece ter ficado realmente no passado. Pelas ruas, rostos sorridentes no meio da confusão de milhares de motos que circulam pelo caos do trânsito. Nos campos, muitos grupos étnicos convivem em harmonia tirando seu sustento da terra, do mar e da arte. Parecem confiantes no desenvolvimento. Apostam no turismo como uma janela para um futuro promissor.


Vivi momentos mágicos no Vietnã que ficarão gravados com carinho na minha memória. 

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