OS MOINHOS DE FONTAINE DE VAUCLUSE E ISLE SUR LA SORGUE


Julho. Verão na Provence. Céu azul e muito sol. Eis o convite perfeito para entrar no carro e sair para conhecer alguns dos tantos vilarejos do sul da França. Difícil é escolher onde ir primeiro pois mesmo que o país seja relativamente pequeno, do tamanho do estado de Minas Gerais, as possibilidades surpreendem. Então, tendo Aix-en-Provence como base, depois de 65 quilômetros de estrada surge uma placa sinalizando Fontaine de Vaucluse e Isle sur La Sorgue, as cidades escolhidas para o passeio do dia. As "vizinhas siamesas" são abençoadas pela força do mesmo rio, o Sorgue, desde que nasceram e compartilham de uma vida à beira-d'água, repleta de moinhos. 


Fontaine de Vaucluse. 

FONTAINE DE VAUCLUSE

Fontaine de Vaucluse ou “A Fonte do Vale Fechado” é uma cidade pequenina, tranquila, charmosa e cheia de turistas. Sua principal atração é a nascente do rio Sorgue, considerada a mais forte da França. Uma caminhada de menos de um quilômetro por uma trilha fácil e arborizada, que inicia numa alameda repleta de lojinhas e restaurantes, leva os visitantes da deliciosa praça do centrinho até o manancial subterrâneo que fica dentro de uma gruta. Ele produz ao redor de 90 mil litros de água por segundo e movimenta não só a Fábrica de Papel do vilarejo – que ainda utiliza técnicas do século XV – como também movimenta os 14 moinhos d’água de L’Isle sur la Sorgue, uma cidade vizinha muito charmosa.

 Pelas ruas de Fontaine de Vaucluse.

Moinho de Papel. A antiga fábrica de papel ainda está em funcionamento.

Nascente do rio Sorgue e suas águas cristalinas. 

Alguns museus movimentam o centrinho de Fontaine de Vaucluse, um deles é dedicado a Petrarca, um poeta que viveu ali e se inspirou na beleza da região para escrever. Também visite o Museu da História da Cidade e a Casa-Museu que serviu à Resistência Francesa na Segunda Guerra Mundial.

Depois de fazer uma caminhada até a nascente do rio e visitar os museus, vá até a igreja de Notre Dame e as ruínas do Château des Évêques de Cavaillon. Aproveite para almoçar na cidade que é linda e têm vários restaurantes com varandas abertas sobre o rio.

Ruínas do Château des Évêques de Cavaillon.

Para os mais animados e aventureiros há aluguel de caiaques e canoas para remar pelo rio Sorgue por um percurso de oito quilômetros. O rio tem água calma, cristalina e bem gelada - na casa dos 13 graus Celsius. Para nadar é frio, mas há muitos corajosos que encaram a água mesmo assim. O passeio dura duas horas e inclui uma pequena corredeira.

Remar pelo rio Sorgue é um dos programas mais procurados pelos franceses.

ISLE SUR LA SORGUE

Menos de dez quilômetros de estrada e a próxima parada obrigatória é a bucólica Isle sur la Sorgue. A cidade não tem como ser mais encantadora, florida e interessante. Seu nome quer dizer “Ilha sobre o rio Sorgue”. Ela é exatamente uma ilhota cercada pelo rio Sorgue (que nasce em Fontaine de Vaucluse) conectada por onze pontes.

Flores e água para todo lado em Isle sur la Sorgue.

O rio Sorgue forma um arco de 527 metros de comprimento, ao redor do centro antigo, onde foram instalados 17 moinhos d’água. Hoje 14 deles ainda estão em pé contando sua história e são o principal cartão-postal da cidade.

Acompanhe o percurso dos moinhos em Isle sur la Sorgue. 


 O centro de informações turísticas tem um mapa com o trajeto dos moinhos de Isle sur la Sorgue.

Moinho Victor Courtet usado para fiar lã.

Outro moinho da rua Danton que já chegou a ter 17 moinhos.

Os primeiros moradores de Isle sur la Sorgue eram pescadores. Por isso, ainda hoje, muitas ruas têm nomes relacionados à época da pesca, como Rue de la Truite, Rue de L’Anguille... Com o passar do tempo, muitos moinhos foram sendo construídos na região para aproveitar a força da água. Chegaram a ser catalogados 62 moinhos. Inicialmente, eles eram usados para moer grãos. No século XIX, começaram a funcionar como fábricas de papel, seda e lã. As fábricas chegaram a ter mais de 300 funcionários, entre eles muitos eram os antigos pescadores.

CURIOSIDADE: os pescadores de Isle sur la Sorgue usavam uma espécie de canoa na qual a propulsão era dada por uma longa vara conduzida pelo canoeiro que ficava em pé. Esse embarcação chamada de négo-chin ainda pode ser vista no mercado flutuante no primeiro domingo do mês de agosto. Além disso, há festas com corrida de barcos e eventos com pesca nos moldes de outrora, em outras épocas do ano.

Canoa Négo-Chin.

Hoje, além dos moinhos, os visitantes são atraídos pelo Mercado de Pulgas e pela Feira Provençal que acontece aos domingos de manhã e é considerado o melhor da França. Se quiser curtir o movimento visite a cidade no dia da feira. Caso prefira sossego opte pelos outros dias da semana. Só não deixe Isle sur la Sorgue de fora do seu roteiro.

A famosa Feira Provençal e o Mercado das Pulgas de Isle sur la Sorgue acontecem aos domingos. 

Os sabonetes da Provence são deliciosos. 

QUARTO DIA NA PROVENCE

Fontaine de Vaucluse e Isle sur la Sorgue foram as cidades que entraram no roteiro do quarto dia pela Provence. Elas são muito próximas entre si e merecem uma visita.

Os arredores de Fontaine de Vaucluse e Isle sur la Sorgue são cheios de vinícolas.


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