31 janeiro 2013

THIMPHU, A CAPITAL DO REINO DO BUTÃO

Por Claudia Liechavicius

Datas especiais merecem comemorações em lugares também especiais. E, pensando nisso, nada como um país espiritualizado, singular e fora dos circuitos convencionais para inaugurar uma nova década de vida. Então, o Butão - Reino da Felicidade - país onde o budismo impera com todas as suas forças foi o eleito. Acertadamente!

Pequeno monastério encravado na montanha, na estrada entre Paro e Thimphu.

Depois de fazer um voo espetacular sobre o Himalaia desci no aeroporto de Paro. Os dois únicos aeroportos do país ficam um em Paro, internacional, e outro em Bumthang que só funciona em algumas épocas do ano. Então, a porta de entrada do Reino do Dragão é definitivamente Paro. Ali, Dorji (meu guia) e Tenzin (meu motorista), aguardavam com um carro que iria me acompanhar por 8 dias ensolarados no delicioso inverno do Butão.

À esquerda o simpático guia Dorji, ao centro o incansável motorista Tenzin e à direita um senhor que passava na hora da foto. Interessante observar a vestimenta usada por todos, Gho, o traje nacional.

Meu destino inicial era Thimphu, capital do Butão desde 1961. Ela é a maior cidade do país com uma população ao redor de 100 mil habitantes. Pequenina, charmosa, no fundo de um lindo vale, às margens do rio Wang Chu e sem aeroporto. O jeito é ir de carro por uma estrada sinuosa, muito estreita, pelo meio das montanhas. Essa estrada conecta todo o país. Só tem essa estrada. De Paro à Thimphu são apenas 55 quilômetros percorridos em duas horas no meio de curvas e mais curvas num cenário deslumbrante repleto de aldeias rurais, picos nevados, terraças de arroz, monastérios e estupas. Mesmo que o sono impere, não dá para dormir. O trajeto é encantador.

Esse pequeno templo se divide entre as duas margens do rio Wang Chu. 
Uma ponte enfeitada com bandeiras coloridas conecta os dois prédios simbolizando prosperidade. 
Rios e topos de montanhas são sempre os locais de maior reverência para os budistas do Butão. 
Ao fundo, a estrada que conecta todo o país.

Uma senhora vestindo o traje nacional Kira se dirige à estupa para um momento de oração.

A seguir, mais outro monastério budista. Há milhares deles por todas as partes do Butão. Esse chão vermelho... são pimentas secando ao sol. Muitas vezes elas são vistas nos telhados das casas.


Bem-vindo à Thimphu.

THIMPHU

A cidade é bem pequena, afinal a 40 anos era somente um conglomerado de pequenas aldeias. Atualmente, vem sofrendo uma forte explosão imobiliária. Novos prédios surgem por todos os cantos, mas sempre dentro das mesmas normas, com portas e janelas adornadas com pinturas belíssimas. Algumas bem inusitadas e com motivos fálicos. A arquitetura é simpática.

Zona residencial de Thimphu com muitos prédios em construção.

O centro é bem simples. Uma praça, algumas ruas de comércio mais movimentadas e um guarda de trânsito que por si só já é uma atração. De dentro de sua guarita ele orquestra uma coreografia com cara de ensaiada para dominar o trânsito quase inexistente. Os prédios têm no máximo 5 andares e sempre com as janelas e portas trabalhadas em madeira e pintadas à mão. Mas, o que mais encanta são os dzongs (espécies de fortes), monastérios, estupas, palácios, templos sagrados e rodas de oração.

As rodas de oração são encontradas facilmente nas cidades ou pelas estradas

Praça do Relógio, no centro comercial de Thimphu.

Guarda de trânsito de Thimphu.

Thimphu espalhada no fundo do vale ao longo do rio Wang Chu.

A altitude de Thimphu é grande, aproximadamente 3.000 metros. Mas, não senti tanto os sintomas da altitude como em Cuzco, no Peru. E, as pessoas que conheço que já visitaram o país também não tiveram problemas. O vale é belíssimo com montanhas de até 7.000 metros cheias de picos nevados.

Nos arredores de Thimphu as montanhas do Himalaia.

O antigo vilarejo de Thimphu é o atual centro político e econômico do Butão. A cidade abriga o governo que coloca o bem-estar do seu povo acima de qualquer interesse e conta com o Ministério da Felicidade para planejar a alegria do povo. Mais do que inflação ou PIB, o governo fica atento ao índice de Felicidade Interna Bruta, um conceito que leva em conta o desenvolvimento sustentável, bom governo, preservação da cultura e do meio ambiente. Teoricamente perfeito!

O prédio mais importante é o Palácio Dechencholing, ao norte de Thimphu. A Assembleia Nacional dessa recente democracia parlamentar funciona ali. Ele foi construído em 1953 depois da coroação do terceiro rei do Butão para servir como residência real. O quarto rei também morou no palácio. Mas, o atual não mora lá e sim nas suas imediações.

Bem perto do atual palácio está o Tashichho Dzong, um forte e monastério budista, às margens do rio Wang Chu, que foi criado em 1907 para servir como sede do governo para o primeiro rei da Dinastia Wangchuck e como sede religiosa de verão. O monastério ocupa o local de outro que havia sido consumido pelo fogo.

Palácio Dechencholing e ao fundo à esquerda Tashichho Dzong.

Ao lado do palácio, numa casa relativamente simples, de dois andares, mora o quinto e atual Rei do ButãoJigme Khesar Wangchuk. Ele é jovem, bonito, recém casado, educado nos Estados Unidos e na Inglaterra e amado pelo povo. Recebeu o trono diretamente das mãos do pai que abdicou em seu poder. O reino vem passando desde 1907 pelas mãos da família Wangchuk.
  • Ugyen Wangchuck foi o primeiro rei da Dinastia Wangchuck e governou de 1907 a 1926.
  • Jigme Wangchuck foi o segundo rei do Butão e ficou no poder de 1926 até 1952.
  • Jigme Dorji Wangchuck foi o terceiro rei, de 1952 a 1972.
  • Jigme Singye Wangchuck foi o quarto rei, de 1972 a 2006.
  • Jigme Khesar Wangchuck é o atual rei desde 2006.
A casa do rei é essa pequena, de dois andares ao lado da árvore seca, próxima ao palácio e ao dzong. 
Nada de grandes luxos. Dizem que tem apenas dois quartos.

A história do Butão se confunde com o próprio surgimento do Budismo Tibetano, no século IX.  Nessa época, muitos monges foram forçados a se converter ao budismo. Três séculos depois, surgiu no Butão uma escola chamada de Drukpa, um ramo do Budismo Tibetano que até hoje domina as crenças locais. Toda a história política do país está intimamente conectada à sua história religiosa. O budismo é a alma do Butão.

Interessante observar que o Butão e o Nepal são as duas únicas nações que tem um passado de total independência. Nunca foram ocupadas, conquistadas ou governadas por outros poderes. Isso explica a cultura tão genuína e livre de influências externas. O Butão é realmente ímpar.

Butaneses conversam em frente as estupas de Druk Wamgiel, em Dochula Pass, nos arredores de Thimphu, em trajes festivos. Eles aguardam o líder espiritual do Butão que vai passar em uma caravana indo de Thimphu (cidade de verão) para Punakha (cidade de inverno). 

Esses são os sapatos usados pelos homens em dias especiais. Na foto anterior, quatro deles estão usando.

Em 1616, um lama tibetano conhecido como Shabdrung Rinpoche assumiu o pequeno reino. Ele derrotou três invasões tibetanas, codifificou o Tsa Yig (conjunto de regras e preceitos baseados no Budismo Tibetano) e estabeleceu um sistema de administração civil e eclesiástica. Depois de sua morte houve um grande período de desordem até iniciar uma nova fase com a Dinastia Wangchuck marcada pela paz e prosperidade. Os feudos foram desmanchados, as terras redistribuídas e um novo sistema de impostos passou a vigorar. Relações fortes foram estabelecidas com a Índia e a Inglaterra. Em 1952, o país iniciou um processo de abertura para sair do isolamento em que vivia. Tornou-se membro das Nações Unidas, em 1971. E, a partir daí o país moldou seu formato atual, como uma monarquia constitucional, tendo em 2008 as primeiras eleições para primeiro-ministro.

O LAMA

O atual líder espiritual Head Abott - Je Kenpho - mora em Thimphu durante o verão, por ter clima mais fresco e em Punaka no inverno. Tive a sorte de presenciar a procissão que acompanhava o lama à Punaka. A cidade e a estrada ficam cheias de pessoas esperando receber uma benção do líder durante a sua passagem. Ele desce do carro o tempo todo para falar com quem o aguarda e leva dois dias para fazer um trajeto que habitualmente leva duas horas. É contagiante ver a emoção do povo frente a figura do lama.

Caravana que acompanha a transferência do Head Abott de Thimphu à Punakha.

As senhoras butanesas aguardam a passagem do lama por horas, em pé, sempre sorridentes.

A professora leva seus alunos para receber as bençãos do lama.

Muitos monges acompanham o trajeto feito pelo líder religioso.

MUSEU FOLCLÓRICO

Para melhor entender o modo de vida e as tradições dos butaneses vale a pena visitar o Museu Folclórico. O museu fica numa pequena casa de dois andares e mostra os hábitos de uma típica família butanesa no seu dia-a-dia rural. Uma vida simples e que parece feliz. Já na entrada um dos símbolos mais inusitados do Butão. O falo. Serve para afastar energias ruins e atrair prosperidade.

No portão de entrada do Museu Folclórico do Butão, um símbolo fálico que chama atenção.

Para dormir não usam camas, mas espécies de cobertores estendidos pelo chão de um grande cômodo. Todos dormem juntos. Nas cidades grandes isso vem mudando. Eles não têm o conceito de privacidade. Sexo não é considerado tabu. Parecem bem resolvidos com essa questão. Depois da entrada de turistas é que alguns conceitos passaram a ser modificados. Aceitam bem relacionamentos homossexuais, podem ter vários parceiros e são adeptos à poligamia, especialmente feminina. Segundo Dorji, meu guia, as mulheres recebem do pai as terras como herança para ter mais poder e não serem submetidas ao domínio dos homens. No entanto, para colocar uma propriedade rural em funcionamento precisam ter vários maridos. Eles auxiliam na plantação de arroz e nos cuidados com a propriedade. Quanto aos filhos, muitas vezes não sabem quem é seu pai. Pode ser qualquer um dos maridos da mãe. Meu guia não sabia quem era o seu pai. As diferenças culturais são um dos fatores mais interessantes numa viagem. Servem para quebrar nossos paradigmas e nos fazer entender que todos os conceitos referentes ao que consideramos certo ou errado são moldados por nossa bagagem histórica cultural. Tudo é uma questão de necessidade e ponto de vista. Preconceito para quê? O mundo é uma grande escola.

Os monges são figuras muito importantes no contexto familiar. Além de terem a função de nomear as crianças que nascem e fazer seu mapa astral falando sobre suas vidas passadas e sobre seu futuro,  também fazem uma purificação anual em cada casa. A cerimônia serve para trazer prosperidade e boas energias à família.

Os butaneses não são apegados a bens materiais. As casas tem poucos objetos. Apenas o necessário. Para guardar alimentos e roupas usam cestas e pequenos baús, não têm grandes armários. Para eles, o caminho da felicidade inclui a superação do desejo. As roupas são sempre iguais. Para as mulheres Kira e para os homens Gho. O que muda é apenas a cor da roupa. E, as roupas são lindas feitas em uma única peça, em tear manual. São usadas por todos seja no hotel, nas ruas da cidade ou numa plantação de arroz.

Não tenho fotos do museu, pois fotografias só por fora, até o portão de entrada. Aliás quase nada pode ser fotografado internamente. Dentro dos templos então, nem pensar! Que pena.

Uma das tantas pinturas das paredes do Museu Folclórico.

MEMORIAL CHORTEN

Essa enorme estupa é um lugar bastante sagrado no centro de Thimphu. Foi construída recentemente - em 1974 - em honra ao terceiro rei do Butão que viveu de 1928 a 1972. O monumento é um dos principais cartões-postais do Butão. Sua cúpula é dourada e toda espiralada, as paredes são brancas e pássaros sobrevoam constantemente o local. Interessante observar que os restos mortais do rei não estão nessa estupa, apenas a sua foto em trajes festivos. Muita gente visita o local diariamente para fazer suas orações. Eles caminham no sentido horário segurando seus terços para contar os mantras enquanto rezam e movimentam sem parar as pequenas rodas de oração que carregam nas mãos. Como muita gente vem de longe para passar o dia na estupa, refeições são servidas para os visitantes. Dizem que o local é miraculoso, quando na verdade, as pessoas chegam de longe, fracas pois muitas são idosas, com fome. Ao receberem alimentos, praticarem alguma atividade física enquanto caminham meditando seus mantras e descansarem na sombra, sentem-se revigoradas. Ver a devoção dos butaneses é emocionate. 

Memorial Chorten.

Butaneses recebendo uma sopa depois de caminhar ao redor da estupa.

Muita gente visita diariamente o Memorial Chorten.

O TRAJE NACIONAL FEMININO, KIRA

Pertinho dali visitei uma confecção de roupas femininas butanesas. Várias funcionárias sentadas no chão trabalhavam em seus teares manuais fazendo Kiras e cintos. A roupa é simplesmente um enorme pedaço de pano que se molda no próprio corpo (como uma canga). É amarrada com uma larga faixa colorida na cintura. A amarração é bem complicada (demorei para aprender, mas consegui) e é finalizada na altura dos ombros com prendedores de prata. Nos dias mais frios (no inverno a temperatura fica abaixo de zero), elas usam uma camisa de mangas compridas por baixo do vestido, meia calça e casaco tipo chinês. As roupas são simplesmente lindas!


Confecção de roupas femininas no Butão.


Padrões de cores do traje nacional feminino do Butão, Kira.


Meninas saindo da escola trajando a Kira e o rapaz trajando Gho.

BUDDHA DORDENMA

Uma estátua de bronze gigantesca, com altura de aproximadamente 100 metros está sendo construída numa montanha de Thimphu. Depois de pronta estará entre as maiores estátuas de Buddha do mundo. Dizem que seu custo será de algo em torno de 50 milhões de dólares. Quem está trabalhando no projeto é uma empresa chinesa. Eles acreditam que a estátua irá abençoar, alegrar e trazer paz ao mundo. Por enquanto só pode ser vista de longe.

Estátua Buddha Dordenma.

ZILUKHA NUNNERY 

Mulheres monjas? Exatamente. A primeira vista é difícil ter certeza de que se trata de um monastério feminino. Elas raspam a cabeça e para confundir uma menina com um menino é muito fácil. A diferença maior está no traje das monjas, que usam a Kira. Muitas mulheres de 4 a 70 anos moram no Zilukha Nunnery, também chamado de Prubthob Goemba. As crianças costumam vir de famílias pobres para receber educação budista e viver na comunidade. Este é considerado o maior monastério feminino do Butão, apesar de não parecer. O templo onde entoam seus mantras é bem pequeno, mas decorado com muitos budas e paredes pintadas. Elas dormem em um prédio anexo que não sugere muito conforto. Levam uma vida simples dedicada à religiosidade. Não foram permitidas fotos no interior do monastério.

Kilukha Nunnery.

No máximo até os seis anos as crianças têm que decidir se querem ser monges ou monjas. Muito cedo elas são separadas de suas famílias e passam a morar nos mosteiros para ingressar na vida religiosa. Ao ver meninos e meninas tão pequenos sozinhos dá um nó no coração. Alguns são bem humildes. Não tem muitas roupas nem sapatos adequados. Usam chinelos no frio. Confesso que fiquei com dó e dei meu gorro e meu cachecol para as crianças que ficaram felicíssimas.

Monjas de todas as idades convivem no monastério.

As bandeiras de oração são vistas por todos os lados. Tudo é motivo para se pendurar uma bandeira: nascimento, morte, doença, alegria... Elas são lindas tremulando ao vento. Geralmente ficam nos topos das montanhas e nos vales. Cada cor tem um simbolismo. Vermelho é fogo. Azul, água. Amarela se refere à terra. Verde, natureza. E, branca simboliza o céu. As brancas são hasteadas em ocasião de morte. Eles acreditam na reincarnação. No Butão, os mortos são cremados. Quanto mais importante é a pessoa, mais tempo leva para ser cremada. Os reis chegam a ficar mais de um mês recebendo tratamento antes da cerimônia de cremação. Crianças com menos de 8 anos não costumam ser cremadas por serem puras. Elas são deixadas nos topos das montanhas como oferenda aos deuses e à natureza. Muito diferente da nossa cultura. 

Bandeiras de oração penduradas em frente ao Zilukha Nunnery.

É PROIBIDO FUMAR!

O Butão é absolutamente contra o fumo. Que maravilha ver um país que não pactua com essa indústria. É proibido tanto fumar quanto portar cigarros. Quem desobedecer a lei fica sujeito a multa e prisão por três anos. Para os estrangeiros pequena quantidade de cigarros é liberada, mas não podem ser usados em lugares públicos. E eles levam isso tão à sério que mesmo tendo maconha nativa, que nasce livremente pelo campo, ninguém se atreve a usa-la com outros fins senão para alimentar os animais que ficam mais lentos e calmos, comem mais e engordam facilmente. 

Maconha nativa pelas ruas de Thimphu.

EDUCAÇÃO

 Até 1960 o país não tinha estradas. Portanto, a educação se limitava aos monastérios locais. Metade dos adultos do país não sabem ler nem escrever. O terceiro rei do Butão tomou a iniciativa de conectar o país por uma estrada. A partir daí, as bases da educação tomaram forças. Atualmente, 90% das crianças frequentam escolas ou monastérios e algumas pessoas têm acesso a ensino superior, na universidade de Thimphu. O idioma oficial das escolas é o Dzonga, mas eles também aprendem inglês. 


Crianças se preparam para a saída da escola, todos trajando Gho e Kira.


Um pouco mais à frente, outro grupo de crianças saindo da escola. Eles caminham pela estrada. 
Essa é a única estrada que conecta o país todo.

MERCADOS

O comércio no Butão ainda é muito rudimentar. Até bem pouco tempo atrás as mercadorias eram trocadas. Hoje, há um pequeno comércio no centro das cidades maiores como Thimphu, Punakha e Paro. Mas, o que predomina são mercados locais que oferecem frutas, legumes, muito arroz, muita pimenta, manteiga de iaque, queijo e DOMA. 

Mercado de Thimphu.


Doma.
Descobri a DOMA ao observar que todos mascavam alguma coisa, cuspiam constantemente no chão e ficavam com a boca vermelha como se tivessem passado batom. Pedi ao guia para me mostrar o que era. Ele me levou até uma barraca para que eu conhecesse. Eles costumam enrolar a doma numa folha que contém uma pasta laranja e mascam para se esquentar. O problema é que a doma vicia. Apesar do gosto horroroso, eles passam o dia todo mastigando aquilo. Claro que eu experimentei. Eca! Nojento. Tem gosto de podre. Não consegui...


As duas mulheres mascam doma. Observe a que está em pé com a folha na mão embrulhando a doma.


Os lábios da butanesa são muito vermelhos por mascar doma.

DOCHULA PASS

Andando 20 quilômetros a partir do centro de Thimphu em direção ao oeste (estrada para Punakha) há uma região chamada de Dochula Pass. Sua altitude é de 3140 metros. O lugar é especial com muitas bandeiras tremulando ao vento, 108 estupas brancas chamadas de Druk Wangyel Chorten e o monastério Druk Wangyel Lhakhang. Tem como pano de fundo os picos nevados do Himalaia e por sua altitude é considerado um lugar sagrado. As estupas foram construídas em 2003, pelo quarto rei do Butão em homenagem aos guerreiros que saíram vitoriosos em uma batalha no sul do país.  O monastério Druk Wangyel Lhakhang é um dos mais bem cuidados do país. Belíssimo. Dizem que a montanha é habitada por muitos espíritos. 


Druk Wangyel Lhakhang.

Detalhes das janelas do monastério.

Estupas de Druk Wangyel com os picos nevados do Himalaia Butanês ao fundo.

O HOTEL AMANKORA THIMPHU

A rede Aman é conhecida por ter hotéis que primam pela paz e pela tranquilidade associadas a um serviço impecável. O hotel é relativamente pequeno. Tem apenas 16 quartos. A decoração é bastante rústica e não falta espaço nos quartos. Na chegada muitos mimos: lareira acesa, champagne num balde com gelo, bolsa de água quente embaixo do edredon (fazia tempo que não eu via isso), check in feito no quarto e sobre a cama um livreto impresso em folhas recicladas com o roteiro da minha viagem. Um luxo.

Quarto do Hotel Amankora Thimphu.


Mensagem do Dalai Lama deixada na cabeceira da cama.


Sala de banho do Amankora Thimphu.

O hotel serve café da manhã, almoço e jantar. Todas as refeições estão incluídas na diária. A comida no Butão não é o ponto alto, uma vez que os budistas não valorizam o alimento pelo lado do prazer e sim como fonte de energia para o corpo. Então, não há melhor lugar para comer do que no hotel.

Restaurante do Amankora Thimphu.

Pela manhã há sempre uma benção de um monge antes da saída do hotel. Uma cerimônia breve e interessante para trazer boas energias chamada Sungkay. Sung significa proteção e Kay pescoço. O monge amarra um amuleto ao redor do pescoço para espantar os maus espíritos e proteger contra os Karmas ruins. O cordão deve ficar amarrado por três dias ou mais. Quando for retirado deve ser jogado num rio ou deixado no topo de uma montanha. 

Iniciando o ritual Sungkay antes de sair do hotel.

E assim eu estava pronta para viver dias inesquecíveis num país de sonho!


Thimphu, a capital do Butão.

DISTÂNCIA PARO - THIMPU: 55 Km, percorridos em duas horas.

HOTEL: Amankora Thimphu

O QUE VER EM THIMPHU: Centro da cidade, Praça do Relógio, Museu Folclórico, Palácio Dechencholing, Tashichho Dzong, Memorial Chorten, Estátua do Buddha Dordenma, Zilukha Nunnery, mercados,  Dochula Pass, Druk Wangyel Chorten, Druk Wangyel Lhakhang e se sobrar tempo os monastérios de Cheri e Tango.

TEMPO NECESSÁRIO PARA CONHECER A CIDADE: 2 ou 3 dias. 


34 comentários:

Margarida Nobre disse...

Querida Claudia

Adorei as fotos,como sempre!

Os tecidos dos trajes são lindos e o hotel nem se fala...rsrs

O clima também foi perfeito!Sempre sol! :-)

Beijos

Claudia Liechavicius disse...

Margarida,

Adoro quando viajo em dias frios mas com céu azul. Assim estava o Butão. Dias maravilhosos e o friozinho na medida para tomar um vinhozinho e ficar perto da lareira à noite.

Beijo

Claudia

Rui Morel Carneiro disse...

FANTÁSTICO.

Anônimo disse...

Vc foi sozinha?
Pois usa sempre o possesivo meu, minha, etc?

Mirella Matthiesen disse...

Gente, estou aqui babando... sonho há uns 3 anos (pelo menos) conhecer o Butão!
Adorei o relato e as fotos então... wow!!!
Depois quer ver se já escreveu sobre qual agência vc contratou.
bjo

Claudia Liechavicius disse...

Obrigada pela visita, Rui.

Claudia Liechavicius disse...

Anônimo,

Esse é meu modo de escrever. Sempre viajo com meu marido e muitas vezes com meus filhos.

Claudia Liechavicius disse...

Mirella,

No primeiro post sobre o Butão eu detalhei o modo como fechei a viagem. Fiz tudo diretamente com o hotel Amankora por e-mail (amankora@amanresorts.com). Fácil, eficiente e super prático.

Dá uma olhada nesse link:

http://www.viajarpelomundo.com/2013/01/no-reino-da-felicidade-butao.html

É uma viagem especial. Você vai amar!

Beijos

Claudia

Anônimo disse...

Parabens pelo realto, muito interessante,

Ernesto, o pato

Claudia Liechavicius disse...

Obrigada, Ernesto.

Volte sempre.

Anônimo disse...

Parabéns Claudia,
Sua página de viagens é fantástica, com fotos ricas,muito bonitas e interessantes. Incentiva que queiramos viajar pelo mundo. Fantástica essa matéria do Butão.

Gleiber Rodrigues disse...

Meu Deus, que lugar mais lindo. Suas fotografias estão espetaculares, o post é realmente inspirador! Abraços

Claudia Liechavicius disse...

Obrigada, Gleiber.

Essa é uma viagem muito especial.

Tahitiehaqui disse...

Claudia,

Ri quando vi a primeira foto pois lembrei da super bola fora que dei no Instagram, lembra? hehe Lentes novas urgentes para a Magoo já!...haha

Que maravilha de relato. Juro que deu para sentir a paz e energia do lugar através das tuas palavras e fotos.

Achei o ritual de saída toda manhã no hotel sensacional. Eu me sentiria protegida não por 3 dias, mas por décadas!

Beijos,
Andressa

Anônimo disse...

Cláudia,

Será que li bem? Ministério da Felicidade?
Só tenho a agradecer o facto de nos presentear com tanta informação (e apresentada com muita qualidade) e imagens!! Butão e Nepal estão dentre os países que eu desde criança sempre quis conhecer. Estive há dias no Cambodja, no Laos e na Tailândia. Países incríveis! Muita da informação que você apresentou me deixou estupefacto. Fiquei tonto e algo inquieto com o facto de alguns nem saberem quem são os seus pais. À prática de mulheres possuírem vários homens dá-se o nome de poliandria. E, parece que ela aí é tão normal quanto respirar...
Relato encantador e absorvente!!

Isaac

Claudia Liechavicius disse...

Andressa,

A bolsa...hehehe O instagram é muito pequeno. rs

Os rituais são incríveis. Tem sempre uma surpresa. Bandeiras de oração, ritual de oferenda de água, purificação, oração para trazer boas energias, presentes budistas com significados interessantes. Muito bacana. o hotel é nota 10 e faz você viver um sonho.

Beijos

Claudia Liechavicius disse...

Isaac,

O país é surpreendente. E sou muito curiosa. Então, além de ler muito eu queria confirmar tudo que tinha lido conversando com as pessoas. Para minha surpresa os fatos eram reais. É a própria Shangri-la. Um lugar que a gente não supõe existir. A cultura está bem preservada e sem interferência de fora (por enquanto). Experiência muito rica.

Você esteve no Cambodja e Laos. Meus sonhos de consumo para breve junto com Vietnan e Miamar. Tailândia eu já conheço, mas quero voltar para conhecer as praias de Ko Phi Phi e Pukhet.

Obrigada pela visita. Vou lá no seu blog conferir esses relatos de países que me encantam.

Carina-Senzatia disse...

Embasbacada com a beleza das fotos! Lindo demais, que cores!
Um post para guardar como obra de arte! Parabéns!!

Taia Assunção disse...

Amei esse lance de Ministério da Felicidade...rsrsrsrsrs. Realmente é muito interessante. Com idéias bastante diferentes sobre relações e sexualidade. Beijos!

Mel disse...

Olá Claudia, adoro seu blog, é maravilhoso poder conhecer varios países através das suas fotos.
Eu gostaria de ir para o Chile, não como turista, mas para morar mesmo, estudar e trabalhar, você poderia me ajudar, eu não sei qual a documentação necessária.
Obrigada!!

Claudia Liechavicius disse...

Carina,

O Butão é bonito demais. As fotos refletem o astral do país.

Obrigada pela visita e pelo elogio.

Beijo

Claudia Liechavicius disse...

Taia,

Os hábitos, as regras, o governo, a cultura do país são muito diferentes do que estamos acostumados a ver. Muito interessante. Faz pensar...

Beijos

Claudia Liechavicius disse...

Mel,

Procura a embaixada ou consulado do Chile para ter informações corretas sobre esse procedimento.

Se tem vontade vá sem medo. Aproveite bem a vida fazendo o que te faz feliz.

Beijos

Carol Vieira disse...

Claudia, que post lindo... Quantas fotos maravilhosas hein? Butão está em minha lista, tenho uma vontade gigante de conhecer este lugar tão especial.
Me diz uma coisa, que mês você foi? A companhia aérea do Rei é bem limitado ao peso da bagagem né?

Parabéns pela viagem, pelas fotos lindas e pelo post.

Beijos :o))

Claudia Liechavicius disse...

Carol,

Fui em novembro. Perfeito! Estava friozinho na medida e dias lindos. Até outubro chove muito. Tenho amigos que foram em abril e também pegaram uma época bacana.

A Druk Air é pequenina, mas os aviões são grandes. Uma mala grande é tranquilo. Não é tipo low cost.

Beijos

Katia Bonfadini disse...

Mais um post sensacional!!!!!!!! E que hotel é esse???? Lindo! Suas fotos tem um colorido mágico e o mérito não é da máquina, é do seu olhar sensível!!!! Parabéns pelo relato maravilhoso!!!! Fico sonhando aqui! Bjs!

Joop Zand disse...

Thats a fantastic post,
your pictures are so nice and colorful.

Wish you all the best Claudia.

Warm greetings, Joop

Claudia Liechavicius disse...

Katia,

Essa rede de hotéis Aman é demais. Ficamos no Butão e na Índia com eles. Foram impecáveis em todos os sentidos. Tranquilidade, serviço, gentileza, mimos... Tudo perfeito!

E, obrigada pelo elogio das fotos. Claro que adoro!

Beijos

Claudia Liechavicius disse...

Thanks, Joop!

Gina disse...

Menina, suas fotos são verdadeiros postais, mas acho que já disse isso alguma vez...
Estou numa fase "butanesa", praticando o desapego. Vou morar numa residência que é a metade do tamanho da atual...
Parabéns pelo post!
Bjs.

André disse...

Oá Claudia, gosto muito das fotos que vc tira e fico impressionado com a qualidade das mesmas, qual o modelo da camera que vc usa?

Claudia Liechavicius disse...

Gina,

Espero que você consiga "caber" na casa nova. Mudanças são sempre ótimas para renovar as energias. O problema é conseguir enxugar o excesso. hehe
E vamos praticar o desapego!
Beijos e obrigada pela sua visita tão querida sempre.

Claudia Liechavicius disse...

André,

Uso uma Canon G12 em viagens. Ela é pequena e perfeita para o que preciso. Tem bons recursos. Sofro apenas com velocidade e fotos noturnas.

Mari disse...

Nossa, sensacional. Fiquei com vontade de ir pra lá agora!

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