DORMINDO NUM IGLU NA FINLÂNDIA


Já foi o tempo em que os simpáticos iglus, aquelas casinhas de gelo arredondadas, cumpriam a função de proteger os povos nórdicos do frio glacial durante suas caçadas. Essa tradição foi se perdendo com o passar dos anos. Hoje são construídos de modo mais sofisticado e com a finalidade de atrair turistas. Pois fui fisgada com força pela curiosidade! Começo de novembro. Inverno se aproximando. Uma boa época para ver a aurora boreal e lá fui eu para a Finlândia em busca de um iglu para chamar de meu.

Depois de passar 3 dias na adorável Helsinque (clique no link para saber mais) meu destino era o aeroporto de Ivalo onde aluguei um carro (fundamental!!!) para conhecer o norte da Finlândia (clique no link para ler o roteiro detalhadamente). Dividi minha estadia em duas cidades-base: Saariselkä e Rovaniemi. A distância entre elas é de apenas 250 quilômetros. Um trajeto relativamente curto, pouco habitado, mas cheio de boas surpresas.

Renas por todo lado, nas fazendas e nas estradas

No pequenino povoado de Saariselkä, que tem praticamente uma rua só e onde vivem ao redor de 350 pessoas, resolvi viver a experiência de passar 4 dias no conforto de um iglu de vidro, aquecido! (muito importante) no hotel Kakslauttanen para conhecer a vida gelada do povo saami durante o dia e caçar a aurora boreal de noite.

Foto do site do hotel Kakslauttanem com seus iglus "objeto de desejo" sob as luzes nórdicas. 
Não tive a sorte de presenciar uma aurora boreal como essa de dentro do meu iglu.
Será que é fácil?

O hotel Kakslauttanem é um estabelecimento familiar que abriu suas portas no final dos anos 70 e de lá para cá só faz crescer. Hoje é um grande resort dividido em duas alas: East Village (a mais antiga) e West Village (parte nova e ainda em final de construção). É como se fossem dois hotéis diferentes, pois cada um deles fica de um lado da estrada, distantes 6 quilômetros um do outro e têm funcionamento independente.

Pôr do sol na beira do lago do hotel Kakslauttanem East Village.

Optei pelo West Village por ser mais novo e recomendo fortemente que você fique nessa parte do hotel que ocupa um espaço maior, é muito arborizada, mais afastada da estrada, tem instalações mais charmosas, além de criação de huskies e renas.

Restaurante do hotel Kakslauttanem, West Village. 

Bar-iglu do hotel Kakslauttanem.

As acomodações variam muito. Escolha com atenção. Há iglus de neve para os corajosos (não é o meu caso!), iglus de vidro "sem" chuveiro (não! pois tem que sair do quarto no frio para tomar banho na sauna), iglus de vidro com chuveiro (sim!), cabanas rústicas (achei sem graça) e cabanas com iglu acoplado (não fiquei hospedada numa dessas mas adorei a proposta. As cabanas são mais espaçosas, tem banheiro, uma mini cozinha, sauna e um iglu acoplado para se "tentar" ver D. Aurora).

Cabanas com iglu.  Foto do Hotel Kakslauttanem.


A experiência de dormir num iglu de vidro é bem interessante mesmo que não se possa ver a aurora do seu interior. Nosso iglu tinha quatro camas aquecidas e com mecanismo para regular sua inclinação. O espaço interno do quarto é bem pequeno. As camas são quase coladas umas nas outras. Esse é um hábito local para tornar o ambiente mais aquecido e acolhedor. No entanto, na prática, fica um pouco apertado. Nosso iglu tinha um pequeno banheiro - importante para não ter que sair do quarto no frio - já que a sauna é relativamente distante dos iglus. Se quiser privacidade, esqueça. Os iglus são totalmente de vidro e mesmo tendo uma pequena cortina, dá para ver o que se passa no interior. 

West Village Igloos Kakslauttanen.

Um ponto bastante negativo do hotel é a falta de serviço de quarto. Depois de dois dias com as toalhas molhadas fui até a recepção solicitar que o quarto fosse arrumado e a funcionária informou que esse serviço era terceirizado. Portanto, deveria ser solicitado com antecedência e uma taxa extra seria cobrada. Achei estranho, afinal o hotel não é nada barato. 

Meu iglu.


Também esteja preparado para a falta de simpatia e disponibilidade dos funcionários do hotel. Eles são frios e não tem muito interesse em ajudar. Perguntei onde ficavam as renas e os huskies, eles disseram que não havia. Peguei o mapa do hotel e fui sozinha em busca dos animais. E lá estavam eles. Fofíssimos e muito mansos. Encontrei até cavalos disponíveis para passear pelo hotel. 

Primeira semana de novembro e a neve começa a cair no norte da Finlândia.

A doçura dos huskies siberianos na Finlândia.

 Tenda do povo saami na fazenda de renas do hotel Kakslauttanen,

A experiência de ficar hospedado em um iglu de vidro no norte da Finlândia é muito interessante. Apenas esteja preparado para um espaço bastante reduzido e serviço muito fraco. Se quiser mais conforto opte por uma cabana com iglu. Fique no mínimo 3 noites na região se quiser ver a aurora boreal, pois como esse é um fenômeno natural você vai precisar de um pouquinho de sorte para ter céu limpo, sem neve e com atividade magnética forte. Se possível escolha o período que vai de 15 de novembro a 15 de dezembro ou de fevereiro a abril. Baixe um aplicativo para monitorar a probabilidade de aurora boreal e boa sorte!

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