VIENA, NOBRE E ELEGANTE


Cheguei em Viena num final de tarde de cores mágicas. Mesmo não sendo minha primeira vez na cidade, meus olhos pulavam enfeitiçados de um lado para outro. Impossível controlar o êxtase diante de tamanha beleza. O elegante passado imperial da capital da Áustria continua brilhando em seus palácios, igrejas, museus, parques, cafés e óperas, às margens do rio Danúbio. 

Viena foi o principal centro da Dinastia dos Habsburgo. A poderosa família comandou o Império Áustro-Húngaro, de 1279 a 1918. A cidade ainda respira os ares dos tempos da bela imperatriz Sissi, celebra a música clássica com força em suas óperas maravilhosas e desacelera quando sente os aromas convidativos nos tantos cafés espalhados por todo lado. Mas, isso não quer dizer que Viena tenha parado no tempo. Bem pelo contrário, o passado nobre convive em harmonia com o presente nessa metrópole de quase 2 milhões de habitantes que é uma das mais ricas do mundo e que tem elevado padrão de qualidade de vida. 

Contraste na arquitetura moderna e tradicional de Viena.

CATEDRAL DE SÃO ESTEVÃO X DO&CO

Uma das esquinas onde passado e presente se encontram é no cruzamento da rua de pedestres Graben com a Goldschmiedgasse. Houve polêmica quando o arquiteto Hans Holland projetou o envidraçado hotel de luxo DO & CO, em frente a antiga Catedral de São Estevão. A fachada do hotel se destaca de tudo ao seu redor. É moderna e cheia de curvas. No entanto, o formato curvilíneo segue o que um dia foi uma muralha que cercava os acampamentos militares do período do império. Ou seja, um projeto fundamentado na história. É o moderno que guarda os traços do passado.

 São Estevão.

Interior da catedral.

A igreja merece uma visita. Tem estilo gótico. Abriga belos altares com obras de arte. Nas criptas estão sepultados os imperadores da Áustria. Suba os 343 degraus até o topo da torre, pela porta lateral, para ter uma vista linda da cidade.

Na vizinhança da catedral, na rua Domgasse número 5, visite a casa onde morou Mozart entre os anos de 1756 a 1787. Ali ele compôs várias de suas óperas.

Vista de Viena a partir da torre da Catedral de São Estevão.

UM HOTEL QUE VALE PELA LOCALIZAÇÃO

Fiquei hospedada no Hotel Steigenberger por indicação de amigos que vivem na cidade. O hotel tem padrão 5 estrelas, é moderno, tem quartos amplos, decoração exuberante, banheiros excelentes, mas o ponto alto é sua localização. Fica a 50 metros do portão de entrada do Palácio Hofburg, o pedaço mais concorrido do centro histórico de Viena, reconhecidos pela UNESCO como Patrimônio da Humanidade.

Hotel Steigenberger.

COMPLEXO DE HOFBURG

O Palácio de Hofburg forma uma verdadeira cidade imperial no coração de Viena. A realeza austríaca fez história dentro dos muros do complexo, entre os séculos XIII e XIX. Ao todo, são aproximadamente 2700 salas, espalhadas por 18 prédios pertencentes aos Aposentos Reais, ao Tesouro Nacional, a Escola de Equitação Espanhola, a Biblioteca Nacional, além de igrejas, jardins e museus. Para conhecer tudo é preciso de muito tempo. Algumas alas que abrigam a sede atual do governo não estão abertas a visitação.

DICA: Eu adoraria ter assistido a uma apresentação dos cavalos da raça lipizzaner adestrados pela Escola de Equitação e que dançam num verdadeiro balé equestre, mas os ingressos são concorridíssimos. Compre com antecedência!

Portão de entrada do Palácio de Hofburg e Aposentos de Sissi.

O Museu da Sissi é um dos mais cheios. A vida da imperatriz gera muita curiosidade até os dias de hoje. Ela se casou aos 16 anos, em 1854, com o Imperador Francisco José I, que se apaixonou perdidamente pela beleza de Isabel da Baviera. Mas ela sempre foi rebelde, infeliz no casamento e depressiva. Não se relacionava bem com a sogra, que não a deixava conviver com seus filhos. Depois de perder a filha mais velha, com dois anos de idade, Sissi adoeceu e foi morar na Ilha da Madeira. Parece que gostou de sair da rigidez dos costumes da corte austríaca, pois dali para a frente passou a viajar com frequência e começou a se interessar por tratamentos de beleza, moda, poesia e cavalos. Dizem até que ela teve vários amantes. Mesmo assim, sua vida foi triste e sombria. Isso está retratado no museu. Sissi foi assassinada aos 61 anos por um maluco italiano, em Genebra. Um final trágico.

Lembre-se que o complexo é enorme. Você não vai conseguir ver tudo. Priorize o que for do seu interesse. Não deixe de passear pelos jardins.

Jardim do Palácio de Hofburg.

Praça Maria Teresa e ao fundo mais um dos museus do complexo de Hofburg.

As carruagens são um modo interessante de circular pelo Palácio de Hofburg. 

PARA COMER À MODA VIENENSE

Quando bater a fome, depois de muito caminhar pelo palácio, atravesse novamente pelo portão principal em direção ao número 14 da rua Kohlmarkt e vá até o espetacular Café Demel. Você vai andar uns 20 metros até encontrar uma das casas mais tradicionais da cidade fundada em 1786. Era dali que saiam os doces encomendados por Sissi, entre eles a famosa Sachertorte. Uma torta de chocolate que é um ícone nacional.

Encare a fila sem pressa, sente-se à mesa e peça, para começar, um wiener schnitzel. Dos deuses! Um enorme bife de vitela à milanesa servido com salada de batata. Não esqueça de harmonizar com uma taça de wiener wein. De sobremesa, escolha uma (ou duas ou três) das tortas maravilhosas. A mil folhas é a melhor do mundo.


Café Demel. Entre sem medo.

Difícil mesmo é escolher o que pedir no Café Demel! Tudo é bom.

Se preferir, experimente uma salsicha tipo Viena. Marca registrada da cidade imperial e que deu origem ao cachorro-quente, apesar do nome original ser frankfurter wiener wurst. Ela é feita com a mistura de carne bovina e suína. Você encontra em várias barracas de rua na área pedonal da simpática Graben e arredores.

Vai um cachorro-quente com salsicha tipo Viena? 

Rua Graben ao entardecer. Sente-se para degustar um frankfurter wiener wurst e ver a vida passar.

PALÁCIO DE VERÃO

Programe uma visita ao Palácio de Schönbrunn, outro local da cidade declarado Patrimônio da Humanidade, pela UNESCO. Ele foi usado como um dos cenários da novela "Em família", de Manoel Carlos. É belíssimo. Foi construído no final do século XVII em meio a muitos jardins para servir como palácio de verão para da família imperial. Apenas 40 dos seu 1441 cômodos estão abertos ao público. Atrás do palácio, no topo de uma pequena colina, há um monumento chamado Gloriette, construído em 1775 próximo a um pequeno lago, que merece atenção. A área do palácio é enorme. Conta também com o zoológico Tiergarten, que é tido como o mais antigo do mundo.

Gloriette.


 Palácio de Schönbrunn.

Jardins do palácio de verão.

QUARTEIRÃO DOS MUSEUS

Viena é uma cidade que respira cultura. Uma área enorme, finalizada em 1990 abriga um complexo formado por diversos museus ao redor de um pátio interno repleto de bancos azuis convidativos. Tem arte para todos os gostos, especialmente arte moderna e pop art. Visite o Museu Leopold com peças de arte austríaca que pertenceram ao acervo pessoal de Rudolf Leopold e que foram vendidas ao governo, entre elas obras de Klint. Outro museu interessante é o Mumok, de Artes Modernas. Mas, há vários outros museus por ali: História da Arte, História Natural, Arte Contemporânea (Kunsthalle), Centro de Arquitetura e pertinho ainda tem o Museu Albertina que concentra uma coleção de artes gráficas. Essa região é onde circula uma galera mais descolada. Vale passar um bom tempo no pedaço de vibe mais cult de Viena.

 Ao fundo, o museu Leopold, no Quarteirão dos Museus.

Museu Mumok.


OUTRAS INFORMAÇÕES

IDIOAMA: alemão.

BATE-E-VOLTA: Bratslava, na Eslováquia (uma hora de trem) e Salzburg (2h20min de trem)

MOEDA LOCAL: euro.

MELHOR ÉPOCA PARA IR: de abril a novembro as temperaturas são mais convidativas para uma visita a Viena. De dezembro a março faz muito frio, não recomendo, os dias são curtos.

MELHOR MODO DE CIRCULAR PELA CIDADE: ônibus elétrico, taxi e carruagem.

Reserve pelo menos quatro dias para conhecer essa cidade de passado imperial 
que prima pela elegância.

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