JUMA AMAZON LODGE


Embarcar numa jornada pelos rios da Amazônia rumo aos mistérios da selva desperta um emaranhado de sentimentos. Respeito, reverência, contemplação, fé, humildade e até mesmo de medo do desconhecido. Basta deixar a cidade de Manaus para trás e rapidamente o som alto do carimbó, o grande movimento de barcos, plataformas flutuantes e balsas dá lugar ao silêncio do distanciamento da civilização. Um universo paralelo se abre. Repleto de novos cheiros, de ruídos desconhecidos e de tons arrebatadores. Entrar na Floresta Amazônica é como mergulhar num portal mágico.

É verdade que o tempo de travessia é longo de Manaus ao Juma Amazon Lodge, no município de Autazes. Foram três horas divididas entre van, barco, ônibus e lancha para cobrir pouco mais de 100 quilômetros. Mas confesso que cada minuto passou voando pelos meus olhos curiosos. Sabe quando dizem que o caminho é parte da viagem? Foi exatamente assim. Presenciei o encontro das águas do rio Negro com o Solimões, provei uma fruta chamada ingá pela primeira vez (e adorei!), conversei com gente da terra e senti o coração sair pela boca quando um boto rosa saltou tímido ao meu lado. A cada instante a essência da Amazônia ganhava mais nitidez.

Juma Amazon Lodge, Autazes, Floresta Amazônica.

Quando o barco finalmente atracou, Tarzan nos aguardava sem pressa no píer do hotel. Só o nome desse personagem emblemático já trouxe a certeza de que o mergulho na selva seria denso. Pois o filho caçula de um curandeiro de 95 anos, nascido nas entranhas da Floresta Amazônica, tinha muito a nos ensinar em quatro dias.

Pier de chegada do Juma Amazon Lodge.

Um suco de taperebá geladinho foi o par perfeito para as boas-vindas no habitual calor do norte do Brasil. Não sei se foi pelo cheiro da fruta ou pela cor alaranjada do copo, só sei que em alguns segundos Anita surgiu. A macaquinha de pelo espesso, acinzentado, da espécie macaco-barrigudo, que mais parece um bichinho de pelúcia, chegou por conta própria no hotel há três anos e resolveu chamar o Juma de lar. 

Com desenvoltura ela circula pelos 7.000 mil hectares de selva preservada no entorno da propriedade e conhece em detalhes os galhos de cada árvore. Sua ala preferida, claro, é o restaurante. Mesmo cercado por telas, Anita aguarda ansiosa a chance de pular sobre as frutas. Suas preferidas: banana e melancia. Desde o ano passado ela compartilha o espaço e as frutas com o anta-macho Antônio que chegou ainda bebê precisando de cuidados e também virou mascote do Juma. Mesmo estando soltos e livres, Antônio e Anita escolhem ficar. 

  
Anita e Antônio conquistam uma legião de fãs.

Sem conseguir tirar os olhos de Anita e Antônio fui andando de costas pela passarela até encontrar a “minha casa”. Bangalô número 8. 

Dezenove bangalôs foram construídos de forma totalmente integrada à natureza, sobre palafitas enormes, quase na altura da copa das árvores, já que na época de cheia dos rios, as águas chegam a subir 15 metros. 

Bangalô número 8 sobre palafitas, à esquerda.

As acomodações ficam distantes umas das outras, mesmo sendo totalmente interligadas por passarelas. Têm o clima rústico da selva, sem excessos, aliado ao conforto necessário para garantir uma experiência marcante e segura. 

Bangalôs do Juma Amazon Lodge.

Wi-fi? Tem sim. Mas se permita desconectar e viver intensamente as emoções de uma imersão na selva. Afinal essa é uma aventura única, forte e transformadora. Nada que se diga vai preparar você para essa catarse. A floresta guarda um mundo que Tarzan se encarregaria de desvendar pouco a pouco aos nossos olhos ingênuos. 

Pelas passarelas do Juma Lodge. Look @casadealessa

Protegidos por caneleiras entramos pela mata fechada enquanto ouvíamos Tarzan explicar sobre plantas medicinais, aprendíamos a escutar os sons dos animais, sentir seu cheiro e tomar cuidado. As cobras e as onças representam o maior perigo. Não vimos nenhuma delas. Mas, uma tarântula cruzou nosso caminho nesse exato momento. Seguimos. Encontramos raízes que nos forneceram água, troncos aromáticos que produzem perfumes, como o pau-rosa presente na fórmula do Chanel n0 5, famoso por ter sido o perfume preferido de Marilyn Monroe. Descobrimos formigas que servem para comer e outras, como a Tapiba, que quando esfregadas na pele fazem a vez de repelente.

Quando o calor bateu, Tarzan confeccionou um leque com palha de tucumã. À frente, pegou um galho que chamou de “ambé”, e explicou que era o cigarro do índio. Para o lanche ofereceu larva de babaçu que foi difícil de engolir. E com breu branco, de Palo Santo, fez pólvora e explicou sobre o modo de vida dos nativos. Eu estava imersa num mundo paralelo.

  
Larva de babaçú ou formiga?

De volta ao barco, entramos num igarapé para pescar o jantar. Não sou a pessoa mais indicada para o assunto, uma vez que tenho pena de tirar o peixe da água. Mas era uma vivência de selva que renderia nossa refeição noturna. Em alguns minutos, pesquei uma piranha-preta com a qual foi preparado nosso caldo.

   
Piranha garantida para o jantar.

O dia terminou em tons avermelhados. Do deck flutuante, que abriga a piscina com água do próprio rio Juma (cercada por telas de proteção necessárias uma vez que há jacaré, piranha e sucuri na região) observei as cores dançando no céu até o brilho das estrelas ganhar força.

Reflexos ao pôr do sol.

Os dias seguiam entre passeios de canoa pelos igarapés, botos saltitantes, revoadas de aves, visita às comunidades ribeirinhas com seus costumes tão peculiares, descanso no redário do Juma Amazon Lodge, focagem de jacaré, trilhas pela selva, belos almoços, jantares preparados com a culinária regional e longos papos com Tarzan de frente para o espelho formado pelas águas do rio. Eu estava longe da cidade grande e perto das minhas reflexões mais profundas. Era como se meus pensamentos fossem abduzidos num ato sagrado pelos reflexos daquele rio escuro envolto pela floresta. Quando dei por mim, já era hora de retornar para outra dimensão.

Os mistérios da Floresta Amazônica.

O Juma Amazon Lodge nasceu do sonho da Cida de preservar essa floresta encantada. Há mais de 20 anos, ela e seus sócios, fazem um esforço contínuo para manter o equilíbrio ecológico da região e propiciar aos hóspedes uma imersão total no modo de vida local. Como reconhecimento pelo belo trabalho o Juma Amazon Lodge foi o vencedor da última edição do prêmio ABETA de excelência em sustentabilidade, uma ação organizada desde 2003 pela Associação Brasileira das Empresas de Ecoturismo e Turismo de Aventura. 

Em uma base flutuante, cerca de 40 painéis solares ajudam a reduzir o uso de geradores convencionais. O aquecimento da água dos bangalôs também é solar e tem um mecanismo individualizado. Mas, garanto que você vai preferir um jato de água fria para se refrescar no calor da Amazônia. E, assim, vai ajudar a reduzir o consumo de energia. 

Além disso, o Juma tem uma estação própria de tratamento de esgoto, uma central de resíduos para separar o lixo, oferece amenities biodegradáveis aos hóspedes, envia lençóis e toalhas para serem lavados em Manaus, utiliza 90% de mão de obra local, realiza ações solidárias como doações e leilões beneficentes, ministra palestras relacionadas à proteção ambiental e oferece aos visitantes a experiência de plantar uma árvore para contribuir com o ecossistema amazônico. Atitudes que merecem nosso aplauso. 

Até breve Juma Amazon Lodge.

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