O MELHOR DO RIO GRANDE DO SUL

Paisagens naturais deslumbrantes com cânions, pampas, cachoeiras, lagos, vales, montanhas. Cidadezinhas pitorescas de colonização alemã e italiana. Ruínas históricas, vinhedos a perder de vista, minas de pedras preciosas, uma gastronomia cheia de personalidade e muita tradição. É disso que é feito o Rio Grande do Sul. O estado mais ao sul do Brasil, na fronteira com Uruguai e Argentina. Porto Alegre é a capital desse estado imenso, praticamente do tamanho da Itália, e cheio de cantinhos que merecem seu olhar. Quer saber o que tem de melhor no Rio Grande do Sul?


1. CÂNIONS DE CAMBARÁ DO SUL. Os incríveis cânions Itaimbezinho, Fortaleza e Malacara ficam a 240 quilômetros de Porto Alegre, na divisa com Santa Catarina e pertinho de Gramado. Ganharam fama com a minissérie A Casa das Sete Mulheres. Hospede-se no delicioso hotel tipo glamping Parador Cambará do Sul (FAÇA AQUI SUA RESERVA), do grupo Casa Hotéis, e faça muitas trilhas para explorar esse tesouro nacional. LEIA MAIS.

Cambará do Sul.

2. TORRES. Se comparadas com as praias de Santa Catarina, as do Rio Grande do Sul saem em desvantagem. Esse definitivamente não é o ponto alto do estado, com exceção de uma: Torres. O nome da cidade vem exatamente de suas formações rochosas. A praia mais famosa é a Praia da Guarita, no Parque da Guarita, com águas cristalinas e suas icônicas rochas. Torres fica a 75 quilômetros de Cambará do Sul, na divisa com Santa Catarina.

Torres, Praia da Guarita.

3. GRAMADO. Cidade clássica quando se pensa em turismo no Rio Grande do Sul. Uma invenção que deu certo. O cheirinho de chocolate pelas ruas, o charme da arquitetura Bávara, os cafés coloniais, bom comércio, festividades a cada estação. A cidade cresceu muito, é verdade, mas sua essência se mantém. Os hotéis que adoro em Gramado são Estalagem St. Hubertus (RESERVE AQUI) e Casa da Montanha (RESERVE AQUI).

Gramado.

4. CANELA. Coladinha em Gramado, Canela ainda mantém o astral de outrora. Tranquila, cheia de hoteizinhos que mais parecem casa de boneca e com uma natureza exuberante ao redor. A Cascata do Caracol com queda d’água de 130 metros é ponto imperdível assim como o Castelinho, uma antiga casa em estilo enxaimel que funciona como museu e serve o melhor apfeelstrudel da vida. 

Canela, Castelinho.

5. ROTA ROMÂNTICA. E por falar em Gramado e Canela, vale a pena circular pelas 14 cidadezinhas pitorescas que fazem parte dessa rota e mostram o berço da colonização alemã no Brasil. Indico o outono quando as árvores ganham tons alaranjados espetaculares. Vá sem pressa. Saia de Porto Alegre pela BR 116. Passe por São Leopoldo, Novo Hamburgo, Estância Velha, Ivoti, Dois Irmãos, Morro Reuter, Santa Maria do Herval, entre por estradinhas vicinais para ir a Presidente Lucena, Linha Nova, Picada do Café, Nova Petrópolis. Então passe por Gramado e Canela, e finalize em São Francisco de Paula.

Mapa da Rota Romântica.

6. SÃO FRANCISCO DE PAULA. Para os íntimos “São Chico”. Uma pequena cidade de 20 mil habitantes, entre Gramado (45 km) e Cambará do Sul (70 km) com paisagens belíssimas principalmente no outono. Caminhar pelo Lago São Bernardo faz parte do programa. No centrinho, visite a Livraria Miragem instalada num casarão histórico, com belo acervo e um bom café.

São Francisco de Paula. 

7. TRÊS COROAS. A 30 quilômetros de São Francisco de Paula fica o templo budista de Chagdud Gonpa Khadro Ling, de tradições tibetanas. Ele foi construído em 1995. É uma réplica de um templo da cidade de Kogpo, no Tibete. Está aberto a visitação, em horários específicos, para quem tiver interesse em conhecer sobre a filosofia tibetana.

Templo budista de Chagdud Gonpa Khadro Ling.

8. CAMINHOS DE PEDRA. Em Bento Gonçalves não deixe de visitar essa rota histórica de sete quilômetros que mostra o retrato da vida dos primeiros italianos que desembarcaram no Brasil. Ao longo do caminho há várias propriedades que foram restauradas e guardam o legado dos colonos. Cada casa tem um tema: ovelha, tecelagem, uva, tomate, erva-mate... É um dos pontos mais interessantes dessa região. Serviu inclusive como pano de fundo para O Quatrilho. Dê uma olhada no hotel boutique LOTE 20.

Caminhos de Pedra.

9. VALE DOS VINHEDOS. Entre Bento Gonçalves e Garibaldi fica a “Toscana Brasileira”. Sossego, parreiras a perder de vista, muitas vinícolas (Torcello, Vallontano, Almaúnica, Don Laurindo, Cave de Pedra, Miolo, Valduga...) e restaurantes com o gostinho da Itália. O dialeto “talian” continua ecoando pelas ruelas. Ele foi moldado para unificar a língua dos imigrantes que chegavam. Se quiser acompanhar a colheita da uva vá em fevereiro. Um hotel interessante, pela localização, é o Hotel & Spa do Vinho, Autograph Collection.

Vale dos Vinhedos.

10. PINTO BANDEIRA. Coladinho em Bento Gonçalves, apenas 20 quilômetros, está o município de Pinto Bandeira que ganhou o mundo pela qualidade dos espumantes. Recomendo uma visita a Cave Geisse, que impressiona pela qualidade dos seus produtos. Também dê um pulo até a Vinícola Don Giovanni que tem inclusive uma charmosa pousada, onde ficava a antiga residência da família. Nas duas propriedades você pode fazer degustação e visita guiada.

Cave Geisse, em Pinto Bandeira.

11. FAZENDA BOQUEIRÃO. Em Vila Block, na estrada que conecta Santa Maria a São Sepé, a tradição do fogo de chão continua acesa há mais de 200 anos na Fazenda Boqueirão, da família Simões Pires, por dedicação das mulheres. Aliás, a pequena Anna Barbara veio ao mundo em plena pandemia para abrir as portas da oitava geração. O nome da menina foi dado em homenagem a tataravó. Eis a tradição e força gaúcha.

Fazenda Boqueirão.

12. PEDRA DO SEGREDO. A meia hora de carro da Fazenda Boqueirão, em Caçapava do Sul, há uma formação rochosa gigantesca, de 160 metros de altura, no formato de uma cabeça de gorila, que guarda uma lenda do Rio Grande do Sul. Dizem que na Pedra do Silêncio foi enterrado um tesouro pelos jesuítas, em meados de 1700. E há quem diga que o tesouro é o corpo do líder guarani Sepé Tiarajú, que foi morto numa batalha, ao defender os índios de invasores espanhóis. Há um labirinto de túneis e cavernas na pedra. Dizem que ele foi sepultado na Caverna da Escuridão, onde as velas não conseguem se manter acesas. Encara? 

Pedra do Segredo, Caçapava do Sul.

13. MINAS DE CAMAQUÃ. A 25 quilômetros de Caçapava do Sul, grandes jazidas de cobre foram exploradas de 1865 a 1996, e colocaram o pequeno vilarejo de Camaquã no mapa. Acontece que o tesouro acabou, a cidade foi praticamente abandonada, dos 5 mil moradores apenas 500 se mantém por lá. O que restou foi um grande lago azul que atrai visitantes para a prática de esportes. Mas, a estrutura é precária para visitação.

Minas de Camaquã. Foto de Anderson Fetter.

14. ROTA DOS OLIVAIS. Se o cobre se foi, as oliveiras estão virando “ouro” nos arredores de Caçapava do Sul e azeites premiadíssimos estão sendo produzidos. Gostei muito do azeite Prosperato com 0,1% de acidez e do Olivais do Sul. Para se hospedar na região dê uma olhada na Pousada Vila do Segredo, próxima da Serra do Segredo, com paisagens belíssimas e passeios pelos pomares de oliveiras. Também visite e almoce na Estância Guarda Velha, no município de Pinheiro Machado, onde a família Batalha encontrou o terroir perfeito para o cultivo da oliveira. A propriedade conta com 90 mil árvores e produz um azeite bastante aclamado.

Rota dos Olivais.

15. QUARTA COLÔNIA. Pertinho de Santa Maria, minha terra natal, está a Quarta Colônia, que inclui as cidadezinhas de Silveira Martins, São João do Polêsine (no Vale Vêneto), Ivorá, Agudo, Restinga Seca, Dona Francisca, Faxinal do Soturno... A região foi batizada com esse nome por ter sido o quarto reduto de colonização italiana do Rio Grande do Sul. Imperdível! Além das tantas cachoeiras que se escondem na serra e das paisagens incríveis, visite também as igrejas históricas, a Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, o Museu Histórico de Vale Vêneto. E, não deixe de explorar as casas de madeira típicas da época da colonização. Um destino que mescla história e natureza.

Quarta Colônia.

16. PIRATINI. Você sabia que o Rio Grande do Sul foi uma república independente por quase dez anos? Piratini era a capital nesse período. A pequena cidade de 20 mil habitantes localiza-se entre Bagé e Pelotas. Foi fundada por açorianos no final do século XVIII e tem vários monumentos tombados pelo IPHAN. Visite o Museu Histórico Farroupilha, a Igreja Nossa Senhora da Conceição, o Palácio da República, entre outros.

Piratini. Foto GZH.

17. PELOTAS. É a meca dos doces no Rio Grande do Sul, inclusive tem anualmente a Fenadoce. As passas de pêssego de Pelotas povoam meus sonhos mais adocicados desde a infância, quando meu tio visitava seus pais e trazia um carregamento de docinhos para os sobrinhos. A cidade é a quarta maior do estado e está localizada às margens do Canal São Gonçalo que conecta a Lagoa dos Patos à Lagoa Mirim. A zona rural de Pelotas é belíssima e as históricas charqueadas – fazendas que produziam charque - serviram como locação para algumas cenas de O Tempo e o Vento e para A Casa das Sete Mulheres. Destaque para a Charqueada São João que hospedou Fernanda Montenegro durante as filmagens. Também veja a Catedral com seus belos vitrais, o Theatro Guarany, o Museu da Baronesa e a famosa Praia do Laranjal.

Charqueada São João.

18. LAGOA DOS PATOS. E já que acabei de citar a maior laguna da América do Sul, com 265 quilômetros de comprimento por 60 de largura, recomendo que inclua no seu roteiro e escolha as vistas a partir de São Lourenço do Sul. Pois dizem que tem as vistas mais bonitas da laguna. Fique hospedado na histórica Fazenda do Sobrado.

Lagoa dos Patos.

19. ESTAÇÃO ECOLÓGICA DO TAIM. Nesse refúgio protegido por lei vivem muitas espécies de mamíferos, répteis e aves. É impressionante a quantidade de animais que se vê na região, tanto que é chamada de “Pantanal Gaúcho”. A reserva ambiental se estende de Rio Grande a Santa Vitória do Palmar. É caminho para quem vai do Brasil para o Uruguai. Desça de carro pela BR 471, que liga Rio Grande a Chuí – ponto mais ao sul do Brasil - e você vai se deslumbrar. Mas, vá devagar e com cuidado. Pode haver animais na pista. Há várias trilhas para observação de animais em seu habitat natural.

Reserva Ecológica do Taim. Foto Marcos Branco.

20. PRAIA DO CASSINO. Fica em Rio Grande “a maior praia do mundo”. A praia do Cassino tem 200 quilômetros de extensão. Não é propriamente bonita, mas é um recorde. É interessante fazer um passeio de “vagonete” (carrinhos à vela que deslizam sobre trilhos) nos Molhes da Barra. Essa construção de pedra avança por mais de dois quilômetros mar adentro. Os molhes servem como quebra-mar e tem a função de manter a profundidade do canal. Leões-marinhos tem presença constante nos molhes.

Praia do Cassino.

21. PORTO ALEGRE. A capital do Rio Grande do Sul se estende ao longo do rio Guaíba, que aliás oferece um pôr do sol magnífico. Porto Alegre foi uma das primeiras cidades fundadas no estado. Sua história fala alto. Visite: Mercado Público, Theatro São Pedro, Catedral Metropolitana, Fundação Iberê Camargo projetada pelo arquiteto português Álvaro Siza, Casa de Cultura Mário Quintana, MARGS – Museu Histórico do Rio Grande do Sul, na Praça da Alfândega e o Instituto Ling. Dicas preciosas da querida Maria Tereza Ibaños que mora em Porto Alegre. Fique hospedado no Sheraton Moinhos de Vento (RESERVE AQUI) por ter boa localização. Fica sobre um shopping e a alguns passos dos meus restaurantes queridinhos na cidade: o badaladinho Press, o vegetariano Urban Farmcy e o tailandês Ko Phi Phi.

Porto Alegre. Foto Pier 340.

22. RUÍNAS DE SÃO MIGUEL DAS MISSÕES. De Porto Alegre até o sítio arqueológico são 500 quilômetros. É chão. Mas, vale a distância. Afinal, esse é o único exemplar de Patrimônio da Humanidade do Rio Grande do Sul. Estive algumas vezes em Missões quando morava aqui no sul e quero muito voltar. O destaque são os resquícios da  igreja construída pelos jesuítas, em 1745, para catequizar os índios guaranis. Ao entardecer acontece um espetáculo de som e luz que dizem ser interessante. Portanto, é recomendável dormir em Missões. Dê uma olhada no hotel Tenondé Park (RESERVE AQUI). Não há hotéis muito interessantes nos arredores.

Ruínas de São Miguel das Missões.

23. MINAS DE AMETISTA DO SUL. Uma visita bastante inusitada. Você sabia que a cidade de Ametista do Sul é conhecida como a capital mundial da pedra ametista? Nosso Brasil não cansa de surpreender. A pequena cidade de 7 mil habitantes vive em função das pedras preciosas desde 1945 quando as minas foram descobertas. É possível visitar a mina, conhecer como é feito o garimpo e a lapidação das pedras. Dê uma olhada no Instagram de super bom gosto da Vanessa Lucietto @cavequartzo, uma família que vive há três gerações dessa energia incrível.

Ametista do Sul. Foto Ametista Parque Museu.

24. SALTO DO YUCUMÃ. Para fechar com chave de ouro vale conhecer esse impressionante conjunto longitudinal de quedas d’água, considerado o mais extenso do mundo, com 1800 metros. A altura das quedas depende do nível do rio Uruguai. Para a visitação, o ideal é contratar um guia para explorar a região que ainda tem pouquíssima estrutura. O parque fica na divisa dos estados do Rio Grande do Sul com Santa Catarina, na fronteira com a Argentina.

Salto do Yucumã.

Com tempo aproveite para dar uma esticada aos vizinhos Argentina e Uruguai. É fácil atravessar de carro as fronteiras e tem lojinhas de Duty Free Shops para dar aquela bisbilhotada. 

No Uruguai explore Punta del Este, José Ignácio (hospede-se no hotel Fasano Las Piedras - RESERVE AQUI), Colônia do Sacramento e Montevideo

Na Argentina, vá a capital Buenos Aires (a partir de Colônia do Sacramento tome o Buquebus e atravesse o rio da Prata em duas horas), também conheça Bariloche, Mendoza, Salta, El Calafate (onde fica o espetacular hotel-fazenda Eolo - RESERVE AQUI) e Ushuaia (hospede-se no delicioso Arakur - RESERVE AQUI). 

Há muita beleza para se explorar. 

Mapa do Rio Grande do Sul com dez dos destaques citados acima.

LEIA TAMBÉM 

A DOBRADINHA GRAMADO - CAMBARÁ DO SUL

OS CÂNIONS DE CAMBARÁ DO SUL

ESTALAGEM ST. HUBERTUS

EOLO PATAGÔNIA, UM HOTEL EM FORMA DE POESIA

USHUAIA, BEM-VINDO AO FIM DO MUNDO

Booking.com

Compartilhe:

COMENTÁRIOS

  1. Lugares lindos. Que bela matéria. Mesmo sendo gaúcho tem coisas que ainda não conheço e que adoraria conhecer.
    Parabéns
    Heitor

    ResponderExcluir

Deixe seu comentário. Obrigada!