O QUE É QUE ANGUILLA TEM?


Papai do céu estava inspirado quando desenhou essa danada dessa ilha no coração do Caribe. Anguilla é pequenina, mas é cheia de “borogodó”. Impossível não se apaixonar! Tem um charme irresistível espalhado por uma costa pintada de azul piscina e cercada de sorrisos abertos por todos os lados. Quem vai a Anguilla não se decepciona jamais, nem com as praias nem com o povo.

Anguilla é azul.

A “pequena notável”, que faz parte das Antilhas Britânicas (ou British West Indies), tem apenas 14 mil habitantes espalhados por 25 quilômetros de extensão de leste a oeste (que podem ser percorridos de carro em cerca de 40 minutos) e é considerada uma das ilhas mais bonitas do Caribe. Por aí já dá para ter uma ideia do que vem pela frente.

Muita sombra e água fresca.

É banhada pelo oceano Atlântico de um lado e pelo mar do Caribe do outro. E sabe qual é a parte mais bonita? A que é voltada para o Atlântico. Desse lado há praias que figuram nas listas de “melhores do mundo”, como Shoal Bay East (onde está o espetacular Zemi Beach House) e Meads Bay (onde fica o grandioso Four Seasons Anguilla). Do lado caribenho, os principais destaques são Maundays Bay onde fica o hotel Belmond Cap Juluca, agora fechado em obras para recuperação dos estragos provocados pelo furacão Irma e Cave Bay, que tem o Acqua Park, um parque aquático inflável montado no mar.

Shoal Bay East, imagem de drone.

VOLTANDO NO TEMPO

Antes da chegada dos europeus, a ilha era habitada pelos índios Arahuaco que viviam da pesca e do cultivo de milho, algodão e batata doce. Era chamada de Malliouhana - serpente do mar em forma de arco – até ser colonizada por Cristovão Colombo. Em 1650 os ingleses aportaram na ilha. Anos depois, em 1958, Anguilla passou a fazer parte da Federação das Índias Ocidentais. No entanto, esse grupo não teve vida longa e depois de quatro anos cada uma das ilhas desse bloco seguiu seu caminho, sendo que St. Kitts and Nevis e Anguilla se tornaram um único estado, contra a vontade dos anguilanos. Então, em 1967 iniciou um movimento para conseguir autonomia e a polícia de St Kitts foi expulsa da ilha numa revolução. Por isso, pela ilha toda se vêem outdoors comemorativos dos “50 Anos de Independência”, instalados no ano passado. Em 1976, Anguilla conquistou a condição de dependência britânica com autonomia administrativa.

Simpatia é a marca registrada do povo de Anguilla.

UM PORTO SEGURO

Esse território britânico ultramarino é formado por uma ilha principal - cuja capital é The Valley - e outras pequenas ilhotas. The Valley nada mais é do que um conglomerado de algumas ruas, que mais parece um bairro, onde se anda em total segurança. Uma raridade hoje em dia. Quer alguns exemplos? Por ali, crianças de todas as idades circulam a pé, sozinhas, praticamente sem risco, com seus uniformes que curiosamente coincidem com a cor das paredes externas da escola em que estudam, uma característica inusitada e interessante. Outro exemplo, foi a conversa com a funcionária da locadora ao combinar a devolução do carro alugado: “deixe no estacionamento do aeroporto, destrancado, com a chave dentro, que passo por lá e recolho quando der”. Isso não tem preço!

The Valley. Observe a roupa dos alunos na cor da escola.

ALUGAR CARRO? SIM!

É fundamental alugar um veículo para conhecer Anguilla, pois praticamente não há transporte público na ilha. Apesar de ser um lugar relativamente pequeno é impraticável se locomover a pé, pois é quente, tem ladeiras e é tudo espalhado.

Os carros circulam em mão inglesa, apesar de muitos deles terem o volante do lado esquerdo. O trânsito é bem tranquilo. E, semáforos... vi apenas dois nas proximidades do aeroporto.

Uma das exigências ao locar o carro é fazer uma carteira de motorista local provisória válida por 3 dias, ao custo de 15 dólares. Indico a Island Car Rental – telefone + 1 264 4972723 – 45 dólares por dia + 8 dólares de seguro opcional por dia, e-mail: islandcar@anguillanet.com.

A VIDA COMO ELA É

A ordem em Anguilla é a seguinte: acordar com calma, tomar um bom café da manhã, curtir as praias, ler um bom livro, fazer uma massagem no spa, tomar um drink, jantar num bom restaurante e começar tudo outra vez.

Hora do spa!

AS PRAIAS

Rodei a ilha toda duas vezes. Parei em praticamente todas as praias. Conheci cada cantinho.

A minha praia “número um” foi Shoal Bay East, exatamente onde eu estava hospedada no elegante-descomplicado-charmosíssimo-pénaareia Zemi Beach House, um hotel que merece pelo menos quatro dias de relax total (mas se puder ficar uma semana, melhor ainda). Essa praia é o cartão-postal de Anguilla. Uma verdadeira piscina. Tem água azul estonteante e areia branquinha numa extensão de três quilômetros, com corais acessíveis a algumas braçadas da praia. Sabe um daqueles lugares de onde você não consegue sair? É exatamente assim. A noite caindo e o mar chamando para mais um mergulho. Acertei na mosca! A praia tem outros hotéis (Shoal Bay Villas) e restaurantes (Tropical Sunset, Gwen's Grill), mas é muito tranquila.

Shoal Bay East é uma verdadeira piscina.

Zemi Beach House, pé na areia em Shoal Bay.

Minha praia “número dois” em Anguilla foi Meads Bay que fica praticamente junto a deliciosa Barnes Bay. Elas são separadas pelo hotel Four Seasons Anguilla, que fica sobre o penhasco entre as duas praias. O hotel é muito bem localizado e super luxuoso. Meads Bay é uma praia extensa de areia branquinha muito fina, ótima para praticar esportes náuticos e mergulhar. No extremo direito da enseada, onde a praia termina, tem uma área rochosa e uma “mini praia” deliciosa escondidinha (onde fica o hotel Malliouhana que ainda não reabriu depois do furacão). Outro hotel localizado nessa praia, mais simples, é o Frangipani Beach Resort, que tem um restaurante chamado Straw Hat, de frente para o mar, sem frescura, bem concorrido para o almoço. De noite, o restaurante Jacala é a grande estrela de Meads Bay, considerado um dos melhores restaurantes do Caribe. Barnes Bay também é linda. Tem um sequência de pequenas enseadas e pedras que dão um charme danado.

Meads Bay.

Barnes Bay.

Difícil dizer qual a melhor praia.

Do lado caribenho gostei das escondidinhas Savannah Bay, Sandy Hill Bay e Long Pond Bay do lado leste. Também visitei Shoal Bay East, Maundays Bay, Cobe Bay, Rendezvous Bay, do lado oeste, e não me apaixonei muito talvez pela época em que estive no país. A maré estava trazendo algas e a água estava turva. Preciso voltar para conferir e ter uma segunda opinião.

 Maundays Bay e ao fundo o hotel Belmond Cap Juluca.

Não deixe de fora Sandy Ground, uma pequena baía, repleta de barquinhos, bares (Elvis, SandBar) e restaurantes (Dolce Vita, Dad's). É onde rola o agito. Mas, não espere muito movimento. Anguilla é discreta e tranquila. De um dos lados da praia tem um navio encalhado perto das pedras, que já virou um ícone.

Sandy Ground.

Do píer de Sandy Ground pegue o barquinho para ir a Sandy Island almoçar. O trajeto dura menos de dez minutos e a ilhota minúscula é um charme. Pena que o furacão tenha destruído o restaurante que havia. Agora, a estrutura está um pouco improvisada.

Sandy Island.

A COMUNICAÇÃO

O idioma local é o Anguilano, que lembra o inglês mas é difícil de se entender pois as frases tem menos palavras. É como se falassem com economia. Além disso, trocam algumas vezes o “v” pelo “b”, como por exemplo, “eleben” em vez de “eleven”.

Mas, não se preocupe com a comunicação pois todos falam o inglês britânico e são de uma gentileza ímpar.

HOSPEDAGENS PARA TORNAR A VIAGEM ESPECIAL

ZEMI BEACH HOUSE. De frente para a praia mais bonita de Anguilla, Shoal Bay East, o Zemi Beach House conquista de cara com uma localização privilegiada, charme imbatível, serviço atencioso e muita exclusividade. Suas 63 acomodações são distribuídas em prédios de até 4 andares, sendo que algumas vilas (as maiores) se abrem diretamente para a praia e tem piscina privativa.

Zemi Beach House.

A arquitetura do hotel é contemporânea, de padrão luxuoso e caprichada nos mínimos detalhes. Quartos decorados com madeira em tons claros, almofadões coloridos e varanda que se abre para o azul do mar. Café, chá, água e biscoitos tem sempre, além de muitos mimos, como sandália de praia, bolsa de praia, docinhos frescos no quarto no final do dia, cama decorada com pétalas de rosas e garrafa de champagne. O banheiro é enorme e lindo. Tem uma bancada para ele e outra para ela, banheira separada do chuveiro.

Quartos muito aconchegantes e bem iluminados.

O que realmente me ganhou foi a simpatia da equipe. Me senti em casa, até porque várias pessoas falam português, desde o gerente geral ao arquiteto (que é brasileiro!). A praia do hotel não tem como ser mais bonita. É de sonho. E para completar, a piscina principal se estende até a areia com uma borda envidraçada que é puro charme.

Piscina principal, de frente para o mar.

Além dessa piscina tem outras três. Uma somente para adultos, outra com raia de natação e uma aquecida no spa.

Piscina para adultos e piscina com raia, lado a lado.

Piscina aquecida do spa.

Aliás, o spa é espetacular. Instalado numa legítima casa thai de 300 anos, trazida da Tailândia e remontada em Anguilla. O astral zen é imbatível. Tem hamman, um bom cardápio de tratamentos e aula de yoga.

Um spa de astral único.

Os restaurantes do Zemi Beach são muito bons. O 20 Knots é o mais relaxado, de frente para a praia e tem até uma área pé na areia, deliciosa. Já o Stone é de alta gastronomia e precisa de reserva antecipada. Adorei o Rhum Room, de decoração azul turquesa, apesar de não ter o hábito de beber rum, é imperdível por fazer parte da cultura local.

Rhum Room.

Falando assim, até parece que o hotel é um desses resorts imensos. Mas, não é. Tem uma estrutura incrível, com spa, academia, quadra de tênis, kids club e é super exclusivo. Perfeito para uma viagem especial, seja lua de mel ou viagem com a família.

Pôr do sol na praia em frente ao Zemi Beach House.

FOUR SEASONS ANGUILLA. Plantado sobre um penhasco espetacular à noroeste de Anguilla, com vista e acesso tanto para Meads como Barnes Bay, duas das praias mais bonitas de Anguilla. A localização é seu ponto altíssimo.

Four Seasons Anguilla.

Somado a isso, o hotel tem um projeto arquitetônico lindo, com design de traços contemporâneos luxuosos mesclado com detalhes tropicais. Seus 166 quartos são extremamente caprichados. O hotel conta com 3 piscinas, uma delas fantástica, de borda infinita voltada para Barnes Bay.

 Piscinas do Four Seasons Anguilla.

O resort tem quatro restaurantes muito bons, sendo Cobà o principal e o Sunset Lounge, o mais cobiçado para o pôr do sol na ilha. Não hóspedes são bem-vindos. O serviço é extremamente gentil. Um excelente hotel, porém muito grande.

ONDE COMER BEM EM ANGUILLA

JACALA. É o “must go” de Anguilla dos sócios Jacques e Alain. Fica em Meads Bay e precisa de reserva antecipada pelo telefone +1 264 4985888. Está entre os 10 melhores restaurantes do Caribe.

DOLCE VITA. Italiano delicioso e super alto astral em Sandy Ground, a praia mais movimentada de Anguilla e onde fica a vida noturna da ilha, que por sinal é bem suave.

ELVIS BAR. É o point mais animado de Sandy Ground ao entardecer para um drink. Ainda em Sandy Ground vale a pena conferir Sand Bar Tapas e o Tastes (um pouquinho afastado da praia). É de Sandy Ground que parte o barquinho para Sandy Island, um banco de areia onde havia um restaurante bacana antes da passagem do furacão Irma. Ele foi destruído e agora foi montada uma tenda improvisada para o almoço na ilhota que tem como destaque a “lagosta grelhada na brasa”.

VILLAGE BAKE HOUSE. É uma confeitaria charmosa cheia de guloseimas para beliscar, perto do Four Seasons. Vale tomar um café e comer alguma coisa no meio da tarde. Ao lado, tem uma loja de vinhos muito simpática.

Pausa para o lanche.

DA VIDA. Esse restaurante fica em Crocus Bay, um vilarejo de pescadores e é legal para provar a cozinha caribenha, que é simples: peixes, legumes, batata e arroz.

Os melhores hotéis de Anguilla têm excelentes restaurantes. O Zemi Beach House tem o sofisticado STONE e o delicioso 20 KNOTS de frente para a praia e com uma parte sendo pé na areia.

Stone e sua cozinha sofisticada.

Já, o Four Seasons Anguilla tem o elegante COBÀ e o disputado SUNSET LOUGE que além de um bom sushi tem vista espetacular no pôr do sol de Meads e Barnes Bay.

Sunset Lounge, Four Seasons Anguilla.

COMO CHEGAR

Anguilla tem como vizinhos mais próximos St Martin (15 km), Saint Barth (45 quilômetros), St Kitts and Nevis (10 km), Ilhas Virgens Britânicas (160 Km), Ilhas Virgens Americanas (195 km) e Porto Rico (320 quilômetros).

Do Brasil é possível voar pelo Panamá, Colômbia ou Miami até St. Martin.

A partir de St Martin dá para chegar em Anguilla de avião, ferry por 20 dólares (parte de hora em hora do lado francês, de Marigot, sendo que o aeroporto fica do lado holandês) ou barco privativo por 65 dólares (parte de uma marina próxima ao aeroporto).

Como estávamos nas Ilhas Virgens Britânicas, voamos de Tortola para St Martin (40 minutos de Air Caribbean).

Então, por orientação da equipe do Zemi Beach House tomamos um barco privativo para agilizar a chegada em Anguilla.

Fomos diretamente do aeroporto até a marina (num taxi contratado pelo hotel), onde fizemos o procedimento de imigração entre os países e então tomamos um barco da Calypso Charters Anguilla privativo até a ilha (65 dólares por pessoa já com as taxas de aduana incluídas) e chegamos em 20 minutos.

No porto de Anguilla, em Blowing Point, um funcionário do hotel aguardava para auxiliar na entrada do país. De táxi, também providenciado pelo próprio Zemi Beach House, chegamos no hotel em 15 minutos (26 dólares). Tudo muito bem organizado e ágil.

QUANDO IR

É quente e faz sol o ano todo. Evite apenas os meses de setembro e outubro quando é a época de furações e muita coisa fecha. Dezembro, janeiro e fevereiro são alta temporada, pois coincide com o inverno nos Estados Unidos e Canadá, e muita gente foge do frio. Fevereiro e março são os meses com menor índice de chuvas. Fui em junho, peguei três dias lindos e um dia nublado.

Junho em Anguilla.

QUE MOEDA LEVAR

Anguilla tem com moeda oficial o Eastern Caribbean Dólar. No entanto, quase não vi essa moeda circulando. Conheci a moeda ao acaso num caminhão-sorveteria, onde crianças esperavam com o dinheiro local na mão.

O dólar americano é usado regularmente em todos os lugares e cartão de crédito é amplamente aceito.

Sorveteria em Anguilla. 

Sorriso e sorvete. Ótima combinação.

DOCUMENTOS NECESSÁRIOS

Passaporte válido por seis meses. Brasileiros não precisam de visto para entrar em Anguilla, nem St. Martin, nem St. Barth. No entanto, se o voo fizer escala em Miami ou Porto Rico será necessário apresentar o visto na conexão. Leve certificado internacional de vacinação contra febre amarela.

Anguilla merece uma visita!

Anguilla é certamente uma das ilhas mais bonitas do Caribe. Fique pelo menos quatro dias. O hotel Zemi Beach auxiliou na logística toda da chegada desde St Martin. Aproveite para conjugar com outras ilhas próximas como St. Barth, St Kitts and Nevis, Ilhas Virgens, Turks and Caicos, Jamaica, Cuba ou República Dominicana.

Um brinde a Anguilla. 

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COMENTÁRIOS

  1. A viajante anda lendo muito a revista "Caras".

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    1. Caro Julio, essa revista não é muito a minha “ cara” O que você sugere? Que eu leia a Bíblia?

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