Nunca imaginei que um dia iria passar pela Bósnia Herzegovina, uma das repúblicas mais sofridas e pobres da antiga Iugoslávia, cuja capital é Sarajevo.
Ao ouvir o nome do país, minha memória imediatamente encontrava lembranças frescas de guerras, mortes e insanidade humana. Afinal, a Bósnia foi quem mais sofreu durante a fragmentação da Iugoslávia. E, isso tudo foi muito recente. De 1992 a 1995, morreram mais de 200 mil pessoas naquelas terras e 2.5 milhões fugiram dos horrores da guerra que iniciou quando o país tentou declarar sua independência. Mas, os sérvios não queriam a separação e iniciaram uma enorme perseguição étnica. Por fim, em 1995, a Otam (Organização do Tratado do Atlântico Norte) resolveu intervir para auxiliar a selar a paz. Foi assinado o acordo de Dayton.
Assim, acabou um dos conflitos mais sangrentos da história da humanidade. O acordo foi assinado estabelecendo as fronteiras da Bósnia Herzegovina como hoje se encontram. Ao norte e oeste faz fronteira com a Croácia, ao leste com a Sérvia, ao sul com Montenegro, além de ter um minúsculo acesso ao Mar Adriático.
Mapa de Bósnia Herzegovina.
Pois é. E fui parar exatamente ali, nesse pequeno acesso da Bósnia ao mar Adriático, quando percorria a estrada costeira que liga Dubrovnik à Split (Croácia). Quando menos esperava, 20 quilômetros acima de Ston, surgiram placas de sinalização avisando que a poucos metros haveria a necessidade de parar na aduana para apresentar os passaportes e entrar na cidade de Neum, na Bósnia. Assim, percorri os 9 quilômetros de terras doadas ao país pelo ditador Tito, para que a Bósnia tivesse uma saída para o mar.
Na Bósnia, mais precisamente em Neum, a caminho do mar.
Neum é a única cidade litorânea da Bósnia. É notória a diferença de arquitetura de um país para o outro. Em Neum tudo é simples. Bem mais modesto do que na Croácia. Os preços são mais baixos. A moeda local é a Marka (BAM), mas eles também aceitam euros (1 marka = 0,5 euros). As praias tem o mesmo mar, mas não são tão bem cuidadas. Muitos croatas costumam ir até lá para fazer compras e passar as férias de verão, por ser mais barato.
Passeios de barco são oferecidos na praia de Neum, Bósnia.
Os croatas com quem conversei não gostam muito da ideia de ter que parar na estrada para sair do país e logo adiante, parar novamente para entrar. Dizem que no verão as filas de carros são enormes e o transtorno é gigantesco para os moradores das proximidades.
Por outro lado, os bósnios se vangloriam de ter uma cidade litorânea. Mas, eles são menos falantes. Mais reservados. Parecem mais sofridos e desconfiados. O que não é difícil de entender.
A Bósnia foi uma bela surpresa no caminho!
