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Croácia
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A Croácia é repleta de belas surpresas. E, isso é incontestável. No trajeto Dubrovnik - Split, a intenção era trilhar direto os 230 quilômetros que separam as duas cidades, para aproveitar Split ainda com sol. Mas, quem disse que isso foi possível? De repente, 54 quilômetros acima de Dubrovnik, uma placa interessante chamou para uma parada: Muralhas de Ston e Mali Ston (na Península de Peljesac). A placa dizia em inglês que a muralha é a segunda maior do mundo, ficando apenas atrás da Muralha da China. Simplesmente, não deu para conter a curiosidade.
Muralhas de Ston.
STON
A cidade de Ston é constituída de duas cidadelas: Veliki Ston e Mali Ston.
A cidade de Ston é constituída de duas cidadelas: Veliki Ston e Mali Ston.
Veliki Ston é maiorzinha, mas nada mais do que apenas alguns quarteirões. Em 15 minutos dá para percorrer toda a cidade e ver o Forte Maior, a igreja de São Brás que foi construída no lugar da catedral que caiu com o terremoto, o Palácio do Governador, o Palácio do Bispo e o Mosteiro Franciscano de São Nicolau. Mas, a cidade não é muito turística. Tem pouquíssima gente circulando por lá. O ideal é subir parte da muralha e depois sentar num café para ver o movimento dos moradores pela cidade. Interessante observar que todos os cafés tem wi-fi liberado, apesar das cidades serem muito pequenas.
Muralha de Veliki Ston.
Pausa para um café pelas vielas de Ston.
Essa é praticamente toda a cidade croata de Veliki Ston. Bem pequenina.
Já, Mali Ston é menor ainda. Fica à beira-mar e era o local onde o sal era armazenado para ser transportado para outros países. O Forte Koruna é um dos principais pontos de interesse da cidade e data de 1347. Há alguns restaurantes no porto que servem ostras frescas. Os turistas que vi estavam todos comendo por ali. Mas, são lugares bem simples.
Entrada para o Forte Koruna, em Mali Ston.
Criação das famosas ostras de Ston.
VOLTANDO NO TEMPO
Ston antigamente se chamava Stagnum devido as suas águas muito rasas. Exatamente por isso, desde o tempo dos romanos, há salinas na cidade. E, foi nessa época, século XIV, que os muros começaram a ser erguidos de Ston à Mali Ston.
Ston antigamente se chamava Stagnum devido as suas águas muito rasas. Exatamente por isso, desde o tempo dos romanos, há salinas na cidade. E, foi nessa época, século XIV, que os muros começaram a ser erguidos de Ston à Mali Ston.
Mapa de localização das muralhas entre Ston e Mali Ston.
As salinas pertenciam a República de Dubrovnik que também detinha o controle da Península de Peljesac. A península é bem grande, tem 62 quilômetros de comprimento. No centro há montanhas altas que favorecem o cultivo de uvas e as águas ao redor são rasas, o que propicia a criação de ostras e a exploração do sal. O principal interesse de Dubrovnik nessa região, sempre foram as salinas. A quantidade de sal produzido era tão grande que servia para abastecer todos os Países Bálticos. E Dubrovnik se orgulhava de monopolizar o comércio do sal.
Península de Peljesec muito próxima do Parque Nacional de Mljet e da ilha de Korcula.
As muralhas de Ston e Mali Ston tem 5 quilômetros e meio de extensão. Ao longo de seu percurso há 10 fortes cilíndricos e 31 torres retangulares.
Na verdade, as Muralhas de Ston não são nem de longe parecidas com as Muralhas da China (que são realmente enormes e poderosas). Mas, foi uma parada bem interessante de duas horinhas. Melhor seria se o tempo tivesse permitido que eu tomasse um barco para conhecer Korcula e Mljet. Ainda volto lá!
Na verdade, as Muralhas de Ston não são nem de longe parecidas com as Muralhas da China (que são realmente enormes e poderosas). Mas, foi uma parada bem interessante de duas horinhas. Melhor seria se o tempo tivesse permitido que eu tomasse um barco para conhecer Korcula e Mljet. Ainda volto lá!
Ston.
A Croácia, mais precisamente Dubrovnik vinha povoando meus sonhos há muito tempo. Mas, por não ser num ponto central da Europa acabava ficando sempre de fora dos roteiros para aquelas bandas. Até que finalmente numa viagem rumo a Itália e Sérvia foi possível programar uma semana para conhecer a Croácia - que fica exatamente entre esses dois países. Como de hábito, corri para estudar a história tão conturbada dos croatas e organizar uma viagem condensada num período relativamente curto para um país tão cheio de encantos.
Para chegar em Dubrovnik há várias possibilidades para quem está na Europa. Partindo do Brasil, uma boa opção é ir de Alitália até Roma e de lá fazer um voo de menos de uma hora direto para Dubrovnik que é a cidade mais ao sul do país e praticamente fica na divisa com Montenegro. Aliás, Montenegro é um país que merece ser visitado. Lindo!
Também dá para iniciar a viagem pelas cidades que ficam ao norte do país e estão bem próximas da Itália e Eslovênia, como Rovinj, Porec e Pula. É possível ir de barco partindo de Veneza ou de trem a partir de Trieste. Infelizmente, não tive tempo de conhecer essa região chamada de Ístria. Quem sabe na próxima.
Para chegar em Dubrovnik há várias possibilidades para quem está na Europa. Partindo do Brasil, uma boa opção é ir de Alitália até Roma e de lá fazer um voo de menos de uma hora direto para Dubrovnik que é a cidade mais ao sul do país e praticamente fica na divisa com Montenegro. Aliás, Montenegro é um país que merece ser visitado. Lindo!
Também dá para iniciar a viagem pelas cidades que ficam ao norte do país e estão bem próximas da Itália e Eslovênia, como Rovinj, Porec e Pula. É possível ir de barco partindo de Veneza ou de trem a partir de Trieste. Infelizmente, não tive tempo de conhecer essa região chamada de Ístria. Quem sabe na próxima.
Pela janela do avião já dá para ter uma ideia da beleza da Croácia.
Esta é a ponte de chegada à Dubrovnik.
Esta é a ponte de chegada à Dubrovnik.
A cidade antiga pode ser facilmente reconhecida pelos telhados alaranjados guardados por muralhas. Ao fundo, essas montanhas altas fazem parte da Bósnia Herzegovina.
Parque Nacional Mlejet.
ROTEIRO DA VIAGEM
O roteiro de uma semana ficou assim:
O roteiro de uma semana ficou assim:
- 3 dias em DUBROVNIK (essa foi a cidade que mais me impressionou, poderia ter ficado tranquilamente uma semana para explorar a região com calma). Num desses dias fiz um bate e volta a KOTOR, BUDVA E SV. STEFAN, Montenegro (vale muito a pena conhecer a região dos fiordes).
- Depois, de carro alugado fui de DUBROVNIK até SPLIT passando por MALI STON (cidade com a maior muralha depois da Muralha da China); NEUM, na Bósnia Herzegovina, até chegar em SPLIT (segunda maior cidade do país) onde fiquei 2 dias.
- De SPLIT fui de ferryboat até a ILHA DE HVAR (super badalada) onde passei mais 2 dias. Ao retornar à Split ainda reservei um tempo para conhecer TROGIR (uma das cidades mais antigas do país). Fica praticamente ao lado do aeroporto, menos de 5 quilômetros e a cidade é imperdível.
Mapa da Croácia e países que fazem fronteira.
A Croácia foi reconhecida como nação independente pela comunidade internacional, apenas em 1995, depois de uma longa e tensa trajetória. Nesse momento começou uma caminhada em direção a sua reconstrução política e econômica. E, seguindo os passos da vizinha Eslovênia, a Croácia também decidiu se integrar a União Europeia. Por coincidência, acompanhei parte desse momento histórico. Exatamente quando visitava o país o euro começou a circular e a Croácia se tornou o vigésimo oitavo membro da União Europeia. Esta integração está servindo como pavimento para que outros países sejam aceitos no grupo, inclusive a Sérvia, que foi o epicentro das terríveis batalhas travadas em 1990.
Quem poderia supor que esse paraíso cheio de vida tenha sido palco de tantas batalhas sangrentas?
Essa região tão linda e tranquila atualmente, já foi marcada por inúmeros conflitos. As razões de tanta desavença eram políticas, geográficas, religiosas, étnicas e econômicas. Um passado bem turbulento. No final da Primeira Guerra Mundial, em 1918, com a morte do herdeiro do Império Áustro-Húngaro, a Croácia passou a fazer parte do Reino da Iugoslávia, juntamente com a Sérvia e a Eslovênia. Mais tarde, quando estourou a Segunda Guerra Mundial, as tropas nazistas invadiram o território e um grande conflito interno assombrou a região. Com a derrota alemã, o ditador Tito conseguiu habilmente assumir o controle da Iugoslávia, que passou a ser formada pela Sérvia, Montenegro, Eslovênia, Croácia, Macedônia e Bósnia Herzegovina. O Titoísmo era sintetizado com a máxima: "Seis repúblicas, cinco etnias, quatro línguas, três religiões, dois alfabetos e um Partido". Complicado unir tantas diferenças. Mas, com força e determinação, ele se manteve no poder até a morte, em 1980. Nesse momento, todo ressentimento que estava adormecido, pelas diferenças étnicas, veio à tona em forma de guerra e as repúblicas iugoslavas foram sendo desmembradas. Muito sangue rolou. Em 1991, a Eslovênia e a Croácia iniciaram um movimento pela independênica. A seguir, foi a vez da Macedônia. E, depois, Bósnia e Herzegovina. Os conflitos foram pesados. Só na Bósnia houve mais de 250 mil mortos. De toda a antiga Iugoslávia acabaram restando apenas Sérvia e Montenegro. As duas nações se mantiveram unidas de 2003 a 2006 como Estado da Sérvia e Montenegro. Nesse momento, os montenegrinos demonstraram em plebiscito o desejo de se separar da Sérvia. E, conseguiram. Agora, finalmente, parece que reina a paz naquela região que outrora sofreu tanto com guerras fratricidas. Que reine a paz!
Dubrovnik e seus tradicionais telhados reconstruídos após tantos bombardeios.
FAZENDO JUZ AO TÍTULO DE PÉROLA DO ADRIÁTICO
Reza a lenda que Dubrovnik foi fundada no século VII por fugitivos de uma cidade chamada antigamente de Epidauro, que pertencia a Grécia e hoje se chama Cavtat. Foi uma república independente por mais de 700 anos. No século XI, tornou-se importante rota de comércio marítimo. Chegou a ter uma esquadra de 500 navios. Mantinha relações internacionais privilegiadas com Turquia, África e Índia. Chegou até a ter relações diplomáticas com a corte inglesa na Idade Média. Mas, falando assim parece que seu percurso foi apenas de flores. Não foi. Esteve nas mãos dos bizantinos, dos venezianos, sofreu um forte terremoto em 1667 que matou mais de 5 mil habitantes e foi duramente prejudicada por bombardeios na guerra de 1991. Mais de 2 mil bombas e mísseis foram lançados sobre a cidade. Apesar de tudo, ela renasceu ainda mais bela. Conseguiu manter sua graça entre muros magníficos, igrejas góticas, renascentistas e barrocas, monastérios, palacetes e fontes, num astral absolutamente acolhedor. E, como não podia ser diferente, Dubrovnik foi declarada em 1979 Patrimônio Mundial da Unesco.
Stradun vista a partir de um trecho da muralha.
Dubrovnik soube aproveitar suas feridas e só ganhou com isso. É um belo exemplo de cidade medieval murada. Tem ruas regulares, simétricas, limpíssimas, bem conservadas, branquinhas. Parece uma cidade cenográfica. A maior parte do centro histórico data da reconstrução feita após o episódio do terremoto. No entanto, mais recentemente, um acordo feito com a Unesco e União Europeia auxiliou a cidade a ficar impecável após os bombardeios dos sérvios. E ficou um espetáculo! Pequenina, charmosa e impressionante. Merece o título de "pérola do Adriático" dado por George Bernard Shaw (escritor irlandês) que se apaixonou pela cidade e dizia que ali era o paraíso na terra. O cara sabia das coisas!
"A pérola do Adriático".
Por ser uma cidade bem pequena, pode muito bem ser vista em um dia, mas isso é um pecado. Ela merece pelo menos uma semana. Fiquei três dias e não deu para nada!
A visita deve começar pelos muros que são um dos seus principais ícones. Foram construídos no século X e mais tarde foram sendo reforçados. Sua extensão é de aproximadamente dois quilômetros e em algumas áreas sua altura chega a 25 metros. O acesso é feito por uma escadaria perto do Monastério Franciscano, atrás do Portão Pile. O visual que se tem a partir das passarelas sobre as muralhas é imperdível.

As muralhas de Dubrovnik.

Vista deslumbrante de Dubrovnik a partir da muralha.
DEGUSTANDO DUBROVNIK
Conhecer os principais pontos de interesse é relativamente rápido. Um dia e está tudo visto. No entanto, Dubrovnik deve ser trilhada lentamente. De dia, um giro pelo centro antigo, pausa para um café ou quem sabe um sorvete se o calor estiver castigando. Para completar um mergulho em uma das tantas praias e ilhas nos arredores da cidade e à noite, o prazer de sentar num restaurante qualquer. Ao cair do dia, mesas surgem no meio das ruas, onde antes não havia nada. E, elas não ficam vazias. Se enchem de vida e de turistas ávidos por degustar uma comida que ainda é fresquíssima e feita com carinho. Onde quer que se vá, a escolha será acertada. Os restaurantes mais caros não são necessariamente os melhores em Dubrovnik. Nem vou indicar restaurantes dessa vez, pois me surpreendi com a qualidade de tudo que experimentei. Desde um simples pãozinho até um prato mais elaborado. A escolha dos restaurantes foi feita na base da vontade. Era o restaurante que me escolhia. Deu muito certo!
A cozinha croata tem influência de outros países do litoral mediterrâneo, como a Itália, Espanha, Grécia, Turquia. É uma mistura que dá certo. Somado à isso tem o peixe fresco e os produtos cultivados na região.
Diariamente, uma feira livre era montada bem cedo ao lado do hotel. Muito interessante. À moda antiga. Aspargus, tomates, cenouras, folhas, frutas, mel, presunto cru, além de artesanato e sachês de lavanda. Antes do almoço, a feira sumia em poucos minutos e o reduto dos feirantes dava lugar às mesas dos restaurantes.
ILHA DE LOKRUM
Há muitas coisas interessantes perto de Dubrovnik. A Ilha de Lokrum, por exemplo, fica a menos de um quilômetro do porto e é imperdível. No centro da ilha tem os restos de uma antiga abadia beneditina, de 1023. Mas, as pessoas costumam ir até a ilha muito mais em busca de suas belezas naturais. Há um lago de água doce, super gelado, cercado de pedras e vários locais indicados para quem quer dar um mergulho no mar. O acesso é feito pelo meio das pedras. Muito interessante. As pessoas sentam no chão duro de pedras e ficam ali por horas tomando sol. Inusitado. Para quem prefere mais conforto há bares com espreguiçadeiras deliciosas perto do mar.


Ilha de Lokrum.
Praia da Ilha de Lokrum.
OUTRAS INFORMAÇÕES IMPORTANTESA visita deve começar pelos muros que são um dos seus principais ícones. Foram construídos no século X e mais tarde foram sendo reforçados. Sua extensão é de aproximadamente dois quilômetros e em algumas áreas sua altura chega a 25 metros. O acesso é feito por uma escadaria perto do Monastério Franciscano, atrás do Portão Pile. O visual que se tem a partir das passarelas sobre as muralhas é imperdível.
As muralhas de Dubrovnik.
Vista deslumbrante de Dubrovnik a partir da muralha.
Uma das entradas de Dubrovnik é pelo Portão Pile. Bem ao estilo medieval, o acesso à essa porta é feito por uma ponte sobre um fosso. Agora, o fosso não tem mais água. Virou um jardim. Uma imagem de São Brás adorna o portão. Ao atravessa-lo se chega à rua principal, Stradun. Momento de êxtase. As construções mais lindas se sucedem: a Fonte de Onofrio (de 1438), o Monastério Franciscano (que tem no seu interior uma das farmácias mais antigas da Europa, 1391), a Coluna de Orlando junto à Igreja de São Brás (padroeiro da cidade). No meio disso tudo cafés, sorveterias e restaurantes simpáticos. Mais à frente, o Palácio Sponza (antiga Casa da Moeda, de 1516), o Palácio do Reitor (de 1441, foi o centro político-administrativo e agora é um museu municipal) e a catedral. Nessa altura já se está quase saindo do centro antigo pelo outro portão, o Portão Ploce. Esse lado da cidade é voltado para um porto animadíssimo de onde partem embarcações de passeio.
Portão Pile sempre repleto de turistas e a imagem de São Brás.
A Fonte de Onofre fazia parte do sistema de abastecimento de água da cidade. A água vinha do rio Dubrovcka que fica a 12 quilômetros de distância.
O Palácio do Reitor foi o centro político e administrativo da República por muito tempo.
Em primeiro plano a igreja de São Brás e ao fundo a cúpula da catedral de Dubrovnik.
O Palácio Sponza hoje abriga os Arquivos do Estado.
Conhecer os principais pontos de interesse é relativamente rápido. Um dia e está tudo visto. No entanto, Dubrovnik deve ser trilhada lentamente. De dia, um giro pelo centro antigo, pausa para um café ou quem sabe um sorvete se o calor estiver castigando. Para completar um mergulho em uma das tantas praias e ilhas nos arredores da cidade e à noite, o prazer de sentar num restaurante qualquer. Ao cair do dia, mesas surgem no meio das ruas, onde antes não havia nada. E, elas não ficam vazias. Se enchem de vida e de turistas ávidos por degustar uma comida que ainda é fresquíssima e feita com carinho. Onde quer que se vá, a escolha será acertada. Os restaurantes mais caros não são necessariamente os melhores em Dubrovnik. Nem vou indicar restaurantes dessa vez, pois me surpreendi com a qualidade de tudo que experimentei. Desde um simples pãozinho até um prato mais elaborado. A escolha dos restaurantes foi feita na base da vontade. Era o restaurante que me escolhia. Deu muito certo!
Restaurante Nautika. Tem uma das cozinhas mais bem elaboradas da cidade. Mas, o principal é a vista durante o por do sol.
A cozinha croata tem influência de outros países do litoral mediterrâneo, como a Itália, Espanha, Grécia, Turquia. É uma mistura que dá certo. Somado à isso tem o peixe fresco e os produtos cultivados na região.
Diariamente, uma feira livre era montada bem cedo ao lado do hotel. Muito interessante. À moda antiga. Aspargus, tomates, cenouras, folhas, frutas, mel, presunto cru, além de artesanato e sachês de lavanda. Antes do almoço, a feira sumia em poucos minutos e o reduto dos feirantes dava lugar às mesas dos restaurantes.
Feira livre em Dubrovnik.
O mesmo local passa a ser ocupado por mesas de restaurantes a partir da hora do almoço. E, cedinho, no dia seguinte a feira recomeça.
TELEFÉRICO DE DUBROVNIK
A cidade conta com um bondinho que conecta as muralhas com o Monte Srd. Ele voltou a funcionar há pouco tempo, pois foi destruído em 1991, durante a guerra. O percurso dura menos de cinco minutos e a vista é linda. Dá para ver toda a cidade murada, o mar, as ilhas e as montanhas da Bósnia Herzegovina que ficam muito próximas da cidade.
Teleférico de Dubrovnik.
Vista a partir do mirante do teleférico. Na frente o mar...
... e atrás, a imensidão das montanhas da Bósnia Herzegovina.
Há muitas coisas interessantes perto de Dubrovnik. A Ilha de Lokrum, por exemplo, fica a menos de um quilômetro do porto e é imperdível. No centro da ilha tem os restos de uma antiga abadia beneditina, de 1023. Mas, as pessoas costumam ir até a ilha muito mais em busca de suas belezas naturais. Há um lago de água doce, super gelado, cercado de pedras e vários locais indicados para quem quer dar um mergulho no mar. O acesso é feito pelo meio das pedras. Muito interessante. As pessoas sentam no chão duro de pedras e ficam ali por horas tomando sol. Inusitado. Para quem prefere mais conforto há bares com espreguiçadeiras deliciosas perto do mar.
Porto de Dubrovnik, de onde partem barcos para Lokrum.
Ilha de Lokrum.
Praia da Ilha de Lokrum.
SUGESTÕES DE BATE E VOLTA
- MONTENEGRO (para visitar as cidades de Kotor, Budva e Sv. Stefan)
- ILHA DE KORCULA
- PARQUE NACIONAL DE MLJET
DOCUMENTOS: brasileiros não precisam de visto para entrar na Croácia. É preciso apresentar apenas o passaporte. E, os trâmites na alfândega são simples e com boa agilidade.
MELHOR ÉPOCA: o verão é a melhor época para visitar a Croácia, de junho à setembro. Fui no final de junho e achei perfeito. Os lugares ainda não estavam muito cheios e a temperatura girava entre 20 e 30 graus. Com esse mar espetacular não dá para ir numa época fria que não dê para aproveitar. Julho e agosto costumam ser lotados.
IDIOMA: croata. Bem difícil. Mas, o inglês é falado por muita gente e o italiano também. Eles são simpáticos e sempre querem ajudar.
SEGURANÇA: o país é muito tranquilo. Dá para andar pelas ruas de noite sem problemas. Mulheres sozinhas podem visitar a Croácia sem risco.
GORJETAS: a prática é de 10%.
PRAIAS DE NUDISMO: são muito comuns. É uma tradição na Croácia. Há muitas praias designadas como Naturistas.
FUSO HORÁRIO: a Croácia está quatro horas à frente do Brasil.
MOEDA: Kuna. A Croácia acaba de entrar para a Comunidade Europeia, mas ainda não aderiu ao euro. 1 dólar = 5,7 kunas.
COMO CHEGAR: o mais prático é ir de Alitália direto do Brasil para Roma e de Roma fazer um voo de menos de uma hora até Dubrovnik. Também é possível ir de barco a partir de Veneza ou de trem saindo de Trieste.
HOTÉIS: Dentro das muralhas adorei o Pucic Palace. O hotel é pequeno, tem apenas 19 quartos de decoração super aconchegante. O padrão é cinco estrelas. O banheiro é moderno, com banheira. Atendimento super simpático e impecável. Café da manhã servido num terraço delicioso.
Hotel Pucic Palace, Dubrovnik.
Outra boa opção para quem não se importar de ficar fora das muralhas é o Hilton Imperial Dubrovnik. Ele é fora, no entanto bem pertinho. Basta sair pelo Portão Pile e andar uns 50 metros. Tem padrão cinco estrelas. Mas, por ficar fora do centro antigo, o preço cai.
Mar cristalino, de um tom azul indescritível e com o fundo cheio de pedrinhas. Barcos em profusão. Clima festivo. Bons restaurantes ao ar livre. Gente animada. Praias de nudismo. Campos de lavanda. E, muita história para contar. Hvar, a ilha mais longa do mar Adriático, é um pedacinho do paraíso cuja história remonta ao período neolítico (3.500 -2500 a.C). Muito depois, no século IV a.C. os gregos ocuparam a ilha. Então, vieram romanos, bizantinos, soberanos croatas, venezianos, austro-húngaros. E, todos eles deixaram seus rastros pelos vilarejos de Hvar. Uma longa e rica trajetória.
Não foi por acaso que a Croácia se transformou num dos grandes destinos turísticos da Europa. Especialmente, no verão. Quando se pode desfrutar dos seus 4.800 quilômetros de costa e de suas 1.185 ilhas. A mistura perfeita de beleza natural com história, conquista de cara.
Ilha de Hvar.
HVAR
A ilha de Hvar tem 8 povoados (Hvar, Stari Grad, Vrboska, Zavala, Poljica, Bogomolje e Sucuraj). Hvar é onde chegam os ferryboats e onde a maior parte dos visitantes se hospeda.
Mapa com as ilhas mais visitadas da Dalmácia.
A ilha é longa, como dá para ver no mapa acima. Para ir de Hvar (oeste) até Sucuraj (leste) leva-se bem mais de uma hora, pois é preciso atravessar a ilha de ponta a ponta. Hvar é um vilarejo pequeno. Não circulam carros dentro da cidade (apenas alguns de serviço). Tudo é feito a pé. Perfeito.
Beira-mar de Hvar e acima o forte.
A praça Trg Svetog Stjepana é o principal ponto de encontro e onde ficam os prédios mais importantes: a Catedral de Santo Estevão com seu campanário do século XVII e o arsenal que já foi um estaleiro usado para construir embarcações de guerra e em 1612 abrigou o primeiro teatro público dos Bálcãs no andar superior.
Barcos dos moradores de Hvar.
A praça fica a 100 metros do cais do porto, onde chegam os ferryboats que vem de Split. De dia, é enorme a quantidade de pessoas que aguardam a chegada dos barcos para oferecer hospedagem em casas particulares. Afinal, o fluxo de turistas é enorme e a cidade não tem muitos hotéis. Então, a saída, muitas vezes, é ficar hospedado em um quarto alugado na casa de uma família croata. Deve ser uma experiência interessante.
Cais do porto, Hvar.
HOTÉIS
Optei pelo hotel Amfora Hvar Grand Beach Resort. Mas, na chegada levei um susto. O hotel é enorme! Não combina com o charme da ilha. Tem várias piscinas de frente para o mar, música alta, gente saindo pelo ladrão. Os quartos são espaçosos e confortáveis, mas nada demais. Decididamente, os hotéis não são o ponto alto de Hvar.
O mais charmoso é o hotel boutique Riva. Ele fica de frente para o cais do porto, exatamente onde chegam os ferryboats. Os quartos são super bem decorados, mas à noite funciona um beach club super barulhento no térreo. Para quem quer cair na gandaia é boa opção. Diárias em torno de 350 euros.
Outro hotel bem localizado é o The Palace. Fica na praça principal da cidade, onde tudo acontece. O movimento noturno é todo por ali. Tem 73 quartos bem simples. É um hotel 3 estrelas. As diárias são em torno de 300 euros.
Piscina do hotel Amfora, vista da janela do quarto.
LAVANDA
Hvar é famosa por seus campos de lavanda. Produtos feitos com a lavanda são típicos, como saquinhos contendo a lavanda seca ou pequenos frascos com óleo de lavanda. Há muitas barracas espalhadas pela cidade, especialmente perto do porto que vendem essas lembranças. Encontrei esse link de um Globo Repórter que fala sobre a Croácia e seus campos de lavanda.
Sachês de lavanda típicos de Hvar.
STARI GRAD
A cidadela mais perto de Hvar é Stari Grad que se chega em 20 minutos de carro. Não é perto e não tem muita facilidade de transporte. Há poucos horários de ônibus e os táxis são bem caros. Algumas pessoas optam pelo aluguel de vespas. Vale a pena conhecer. A cidade foi fundada pelos siracusos, no século IV a.C. Circular pelas vielas é mágico. As casas são todas parecidas e muda apenas a cor das janelas. Na praça principal fica a igreja de Santo Estevão e o Palácio Bianchini. A cidade é mínima e tem uma escola internacional de pintura e escultura.
Stari Grad.
Beira-mar de Stari Grad.
Por do sol em Stari Grad.
À noite, é muito seguro caminhar pelas vielas de Stari Grad.
ONDE IR
Uma vez em Hvar é preciso explorar os arredores. E, opções não faltam. É até difícil escolher de tanta coisa linda que a região oferece. Fiquei apenas dois dias. Muito pouco. Não deu para ver quase nada. Consegui conhecer:
COMO CIRCULAR
Ferryboats são um modo fácil de acessar Hvar e as outras tantas ilhas do arquipélago da Dalmácia (região mais explorada da Croácia). É possível alugar barcos de todos os tamanhos dependendo da sua disponibilidade financeira. Também há taxi-boat para ir aos locais mais próximos. Vale a pena ficar uma semana em Hvar para conseguir circular pelas ilhas com calma.
Uma vez em Hvar é preciso explorar os arredores. E, opções não faltam. É até difícil escolher de tanta coisa linda que a região oferece. Fiquei apenas dois dias. Muito pouco. Não deu para ver quase nada. Consegui conhecer:
- Hvar e algumas de suas praias (gostei muito de Borca, se diz Bortia, uma praia de nudismo),
- Stari Grad
- Ilhas Pakleni, repletas de pinheiros de onde se extrai uma resina para vedar barcos. Almocei na ilha Palmizana num restaurante excelente chamado Laganini.
Praia de Borca, em Hvar.
Fiquei com muita vontade de conhecer:
- a ilha medieval Korcula que muitos dizem ser a mais bonita da Dalmácia
- a ilha Mljet com seu belo parque nacional
- a ilha Solta repleta de enseadas e com algumas ruínas
- a ilha de Brac onde fica a praia de Bol, um dos principais cartões postais da Croácia
- a ilha de Vis com litoral recortado e heranças dos tempos dos gregos
- a ilha de Bisevo onde fica a Gruta Azul
COMO CIRCULAR
Ferryboats são um modo fácil de acessar Hvar e as outras tantas ilhas do arquipélago da Dalmácia (região mais explorada da Croácia). É possível alugar barcos de todos os tamanhos dependendo da sua disponibilidade financeira. Também há taxi-boat para ir aos locais mais próximos. Vale a pena ficar uma semana em Hvar para conseguir circular pelas ilhas com calma.
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