Interessante observar que apesar da Jamaica ser uma ilha cercada pelo estonteante mar azul do Caribe, ela não costuma figurar na wish list dos brasileiros. Talvez pela fama de ser um destino caro (e é mesmo). Talvez pelo estigma de já ter vivido um período muito violento. Ou talvez pelo seu lado B traduzido em drogas e hotéis hedonistas.
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Jamaica
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Jamaica. Esse país pequenino cercado por todos os lados de um azul caribenho estonteante tem a marca de dois gigantes: Bob Marley, a maior expressão do reggae de todos os tempos e Usain Bolt, uma lenda viva que lança seus raios por todas as pistas de atletismo por onde passa.
Robert Marley. Cantor, compositor e guitarrista - nascido no dia 6 de fevereiro de 1945, teria hoje 68 anos, não fosse um terrível câncer de pele que o levou aos 36 anos. Viveu poucos anos, mas intensamente. Espalhou o balanço do reggae pelos quatro cantos do mundo e deixou uma legião de fãs rastafaris, além de 12 filhos. Era um grande defensor da maconha como fonte de comunhão, embora nem todos seus seguidores fossem adeptos ao uso.
Sua música falava sobre paz, questões sociais e política. E, foi exatamente por causa da política que sofreu um atentado em 1976. Sua casa foi alvejada por tiros. Ele, sua mulher e seu empresário foram atingidos e se recuperaram. As marcas ainda estão nas paredes da casa que hoje é um museu. Nessa época, ele foi morar na Inglaterra onde ganhou fama internacional.
Robert Marley. Cantor, compositor e guitarrista - nascido no dia 6 de fevereiro de 1945, teria hoje 68 anos, não fosse um terrível câncer de pele que o levou aos 36 anos. Viveu poucos anos, mas intensamente. Espalhou o balanço do reggae pelos quatro cantos do mundo e deixou uma legião de fãs rastafaris, além de 12 filhos. Era um grande defensor da maconha como fonte de comunhão, embora nem todos seus seguidores fossem adeptos ao uso.
Rastafaris comemorando o data do aniversário de Bob Marley, em Kingston.
Sua música falava sobre paz, questões sociais e política. E, foi exatamente por causa da política que sofreu um atentado em 1976. Sua casa foi alvejada por tiros. Ele, sua mulher e seu empresário foram atingidos e se recuperaram. As marcas ainda estão nas paredes da casa que hoje é um museu. Nessa época, ele foi morar na Inglaterra onde ganhou fama internacional.
Os fãs do Rei do Reggae têm um estilo de vida todo especial.
Depois de sua morte, Bob Marley e sua música ganharam força e até um certo status mítico. Ele foi considerado o primeiro pop star do Terceiro Mundo e eleito pela revista Rolling Stones como o décimo primeiro músico mais influente do mundo.
Já Usain Bolt, aos 26 anos, dono de um temperamento despojado e extrovertido, é considerado o maior velocista de todos os tempos. É o único atleta bicampeão Olímpico da história com recordes nos 100, 200 metros rasos e revesamento 4 x 100. Um verdadeiro herói nacional.
A brincadeira das crianças jamaicanas inclui sempre o atletismo.
A criançada tenta a sorte grande treinando em escolas simples ou onde quer que tenha um gramado pela frente. Nem sempre as condições são as melhores. Geralmente correm descalços ou de meias. O país não tem boas pistas para treinamento. Mesmo assim, os jamaicanos vêm ganhando fama mundial na modalidade e muitas medalhas. Buscam inspiração no ídolo, apelidado de "Relâmpago". Usain Bolt costuma dizer: "Sempre há limites. Eu não conheço os meus". Outra pessoa dizendo isso soaria prepotente, mas ele pode. Afinal, é o homem mais veloz do mundo e seu modo brincalhão de ser nunca atrapalha sua concentração nas pistas.
A garotada treina em gramados sem muita infra-estrutura para seguir os passos de Usain Bolt.
As meninas também levam o esporte à sério.
Esses dois gigantes fazem parte da história de uma nação de quase 3 milhões de habitantes negros, na sua maioria. A Jamaica, inicialmente chamada de Xamayca, foi descoberta pelo espanhol Cristóvão Colombo, em 1494. Tem quase a mesma idade do Brasil. Colombo usou a ilha como sua propriedade privada por muitos anos. Em 1670, o domínio da ilha passou para as mãos dos ingleses que a exploraram por 200 anos. Nessa época, com o auxílio do trabalho escravo, o país se tornou o maior exportador mundial de açúcar. O número de negros era 10 vezes maior do que o de brancos. Então, começaram a surgir movimentos para a abolição da escravatura. Assim, sua autonomia foi crescendo e de 1958 e 1962 passou a ser chamada de Federação das Índias Ocidentais. A partir daí se tornou uma nação soberana.
Na década de 70 teve muitos problemas sociais com altos índices de violência e o turismo praticamente acabou. De uns anos para cá a situação do país cujo lema é "no problem" voltou a se estabilizar e grandes cadeias hoteleiras instalaram suas propriedades "all inclusive" e hotéis do tipo "hedonistas" que começaram a trazer novamente os turistas para a ilha. É por essas e outras que a Jamaica tem fama de liberal e ousada.
KINGSTON
Na década de 70 teve muitos problemas sociais com altos índices de violência e o turismo praticamente acabou. De uns anos para cá a situação do país cujo lema é "no problem" voltou a se estabilizar e grandes cadeias hoteleiras instalaram suas propriedades "all inclusive" e hotéis do tipo "hedonistas" que começaram a trazer novamente os turistas para a ilha. É por essas e outras que a Jamaica tem fama de liberal e ousada.
Sandals Royal Plantation - um dos hotéis mais exclusivos da Jamaica.
KINGSTON
Kingston é a capital da Jamaica. A cidade basicamente se divide em duas áreas: New Kingston e Downtown. Vou ser bem realista: não há muito que se ver em Kingston. Apesar de ser à beira-mar, não tem nenhuma praia perto. Um dia é suficiente para explorar a cidade. Depois, é preciso rumar para o que o país tem de melhor: suas praias azuis cristalinas.
Os hotéis em Kingston não oferecem muito conforto. O melhor é o Pegasus. E, é bem fraco em todos os sentidos. Quartos antigos, com cheiro de mofo, decoração simples ao extremo, serviço ruim e café da manhã básico.
Kingston é o centro comercial da Jamaica e se espalha desde o porto até as encostas das Blue Mountains.
Os hotéis em Kingston não oferecem muito conforto. O melhor é o Pegasus. E, é bem fraco em todos os sentidos. Quartos antigos, com cheiro de mofo, decoração simples ao extremo, serviço ruim e café da manhã básico.
Downtown é onde fica a área comercial. Bancos, escritórios e nos seus arredores alguns guetos que tem fama de não serem muito seguros. Ali fica o museu de arte jamaicana National Gallery e o Mercado de Artesanato (bem fraco). O que consegui ver de bonito nessa área foi o por do sol dourado.
Por do sol em Kingston, Jamaica.
Em New Kingston ficam as atrações mais interessantes, apesar de não haver muitas: Bob Marley Museum, Devon House, Parque da Emancipação, Jardim Botânico e Zoológico.
MUSEU BOB MARLEY
Essa visita foi absolutamente inusitada! Nunca imaginei que fosse um lugar tão doido. Literalmente! Tive a sorte de visitar o museu exatamente no dia do aniversário de Bob Marley. Dia em que o Rei do Reggae completaria 68 anos se estivesse vivo e era feriado nacional. O museu estava festivo, animado, repleto de rastafaris empunhando enormes cachimbos da paz sem nenhuma cerimônia, apesar do policiamento constante do local. Uma festa de arromba.
Seguidores da "religião" do reggae.
Curiosa que sou fui logo perguntando se a maconha era liberada no país. Na verdade, não é. Um cigarro é vendido por 0,50 centavos de dólar americano. A multa para quem for pego portando a droga é de 1 dólar americano e se a pessoa estiver fumando é de 50 dólares. Como o salário mínimo no país tem o valor quase equivalente ao da multa (salário mínimo jamaicano = 60 U$). Muita gente vai para a prisão por não ter como pagar. Mas, mesmo assim, eles fumam em qualquer lugar.
Um grupo de reggae embalando a tarde na casa de Bob Marley.
Quando eu já estava tonta de tanta fumaça resolvi conhecer o interior da casa para poder respirar um ar mais puro. O valor do tour guiado é 20 U$ dólares americanos por pessoa. A casa é pequena e simples. Tem dois andares que podem ser visitados em menos de uma hora. Os discos de ouro e platina de Bob Marley estão em exposição, trajes usados nas suas performances e também tem uma parede coberta com artigos publicados em jornais sobre seus shows. O quarto e a cozinha estão exatamente como ele deixou quando foi morar em Londres, depois de sofrer o atentado. E, as marcas das balas nas paredes da casa que fica na rua Hope Road seguem lá. Mas, confesso que o que valeu mesmo a visita foi a loucura da festa no pátio.
Festa no Museu Bob Marley, Kingston.
DEVON HOUSE
A casa construída pelo primeiro milionário jamaicano do país é hoje um dos lugares mais simpáticos da cidade para almoçar, fazer um lanche ou tomar um sorvete.
Devon House.
George Stiebel era um homem de origem modesta. Seu pai era um judeu alemão e sua mãe uma dona de casa jamaicana. A fortuna veio da mineração de ouro. Ele apostou numa velha mina abandonada na América do Sul e seu tiro foi certeiro. Voltou rico para a Jamaica e comprou 99 propriedades numa época em que nenhum jamaicano tinha acesso a nada. O local onde construiu a casa é apenas uma dessas propriedades. A mansão foi feita em 1881.
Sala de jantar da Devon House.
Um dos tantos quartos da Devon House.
Alguns anos depois do falecimento do milionário a casa foi vendida para a família Melhado e a seguir para a família Lindo. Em 1965, o governo a assumiu para que fosse demolida. Mas, o Ministro do Desenvolvimento - Edward Seaga - conseguiu intervir e evitar sua destruição. Ela passou por várias reformas e hoje está aberta à visitação guiada.
Pátio interno da Devon House.
O valor do ingresso é de 9 U$ dólares americanos para conhecer o interior da casa e o bilhete inclui um sorvete de casquinha da sorveteria que fica no pátio do complexo e é considerada a melhor da cidade.
A sorveteria e uma pequena loja ficam na área onde eram os estábulos da Devon House.
A confeitaria ocupa a antiga cozinha da casa.
Em uma das laterais da Devon House ficam o bar e o restaurante.
A casa ocupa uma enorme área verde e foi declarada Patrimônio Nacional Jamaicano, em 1990. Esse foi o lugar mais elegante e charmoso que visitei em Kingston.
HOPE JARDIM BOTÂNICO E ZOOLÓGICO
O Jardim Botânico ocupa uma vasta área de 200 acres de uma antiga propriedade canavieira. É arborizado e muito bem cuidado com plantas exóticas e flores. Já, o Zoológico, que fica no mesmo local, é fraquinho e está em obras. A entrada do zoológico custa 2 U$ dólares americanos e para o Jardim Botânico é gratuito.
Jardim Botânico de Kingston.
Pavão no Zoológico de Kingston.
PARQUE DA EMANCIPAÇÃO
No coração de New Kingston fica o Parque da Emancipação, na Knutsford Boulevard, em frente ao hotel Pegasus. O parque é bem cuidado. Tem fontes de água, pista de jogging, gramados convidativos, flores e a escultura de bronze Redemption Song (de Laura Facey-Cooper) que se refere à escravidão.
Estátua de bronze Redemption Song na entrada do Parque da Emancipação.
Um homem e uma mulher saem de dentro d'água simbolizando o fim do sofrimento da escravidão na Jamaica.
Parque da Emancipação.
Meninas jamaicanas passeando no Parque da Emancipação, em Kingston.
OUTRAS INFORMAÇÕES INTERESSANTES
BEBIDA NACIONAL
O rum jamaicano é famoso no mundo todo. O melhor deles é o Appleton.
O café das Blue Mountains também é muito apreciado pelos amantes do café.
COMIDAS TÍPICAS
Ackee and salt fish é a comida mais famosa da Jamaica. É uma fruta feita com peixe salgado. Dizem que se a fruta não for feita da maneira adequada, ela solta um gás tóxico que pode envenenar a pessoa. A fruta precisa abrir sozinha antes de ser cozida. Eu até provei no hotel (pois habitualmente tem no café da manhã de qualquer hotel), mas não gostei muito. Gosto é gosto e não se discute!
Jerk Chicken é um frango feito em latões com um molho muito apimentado que eles chamam de Jerk sauce. Não tem como escapar. Todo cardápio oferece os "jerks"como primeira opção.
Festivals são bolinhos fritos feitos de farinha. Parecem bolinhos de chuva, mas são mais salgados. O melhor lugar para prova-los é em Faith Pen - barraqinhas tipo pé sujo no caminho para Ocho Rios. Mas, tem em todos os lugares, até no café da manhã dos hotéis.
Patties são uns pastéis que parecem folhados por fora e muito apimentados por dentro. O mais tradicional é o de carne. Os melhores são da Juicy, Tastee e da confeitaria da Devon House. Se quiser com pouca pimenta peça "mild".
Confeitaria da Devon House. Ótimo lugar para provar os Patties.
NOITE JAMAICANA
As melhores boites de Kingston ficam na região de New Kingston. Não cheguei a viver essa experiência, mas uma amiga que morou na Jamaica disse que é para ir sem preconceitos quanto às diferenças, pois um baile funk pode parecer sem graça se comparado com as danceterias da capital. As mulheres se vestem com roupas engraçadas e espalhafatosas.
PARA FAZER PASSEIOS PELA CIDADE E ARREDORES
A empresa JUTA monopoliza os serviços de transporte no país. Os carros estão sempre à disposição nos hotéis. Eles cobram em torno de 80 dólares americanos para um dia de passeio pela cidade e 250 para sair da cidade. É caro. Mas, como a mão é inglesa fica difícil alugar carro para rodar pelo país, pois as estradas são estreitas e serpenteiam as montanhas.
IDIOMA
Inglês é a língua oficial contudo eles falam uma espécie de dialeto chamado de Patois, uma mistura de espanhol, inglês e francês.
FLOR NACIONAL
Hibisco.
QUANDO IR
O melhor período é de dezembro a abril pois chove menos e é mais fresco. De junho à novembro é a época de furacões. Evite. O pior mês é setembro.
COMO IR
Do Brasil, o mais fácil é ir até Miami e de lá pegar um voo de 45 minutos até a Jamaica.
VISTO
Brasileiros não precisam de visto para permanecer até 30 dias no país. Se ficar mais do que isso basta entrar em contato com o consulado para providenciar o visto.
FUSO HORÁRIO
Duas horas atrás do horário de Brasília
MOEDA
Dolor jamaicano. Mas, o dólar americano é usado normalmente em todos os lugares.
MOEDA
Dolor jamaicano. Mas, o dólar americano é usado normalmente em todos os lugares.
LUGARES QUE VALE A PENA VISITAR
Frenchman's Cove, Blue Lagoon, Ocho Rios, Port Antonio, Sumerset Falls, James Bond Beach, Dunn's River Falls, Montego Bay, Negril
Ocho Rios.
A capital jamaicana é uma cidade espalhada, relativamente grande, não muito segura, com péssimos hotéis e restaurantes, e bem sem graça. Minha primeira impressão sobre Kingston não foi das melhores, apesar da simpatia dos jamaicanos e da limpeza da cidade. (Pode ser que eu ainda venha a mudar de ideia.) Fiquei dois dias na cidade, o que poderia ter sido abreviado para apenas um sem nenhum problema. O ideal é partir logo para as praias paradisíacas do país: Ocho Rios ou Negril. Isso sim! Vale muito a pena!
Aguarde o próximo post com o melhor da Jamaica!
Depois de uma viagem em busca da espiritualidade circulando por três países de religiões diferentes: Índia (hinduísta), Butão (budista) e Emirados Árabes (islâmico) resolvi escolher um lugar para relaxar. Mudei de ares. Do Oriente para o Ocidente. Da Ásia para o Caribe.
Destino: Jamaica.
Cercada por um mar azul caribenho deslumbrante. Repleta de hotéis tipo "all inclusive", alguns bem safadinhos! Terra de Bob Marley e Usain Bolt. Bastante liberal em alguns aspectos... Embalada pelo reggae. Colorida, quente e animada. Dona de uma beleza natural singular. Montanhas, praias e cachoeiras em total sintonia.
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