Entre o Mar Negro e as montanhas nevadas do Cáucaso, Sochi
não tem exatamente aquela imagem “séria e carrancuda” que fazemos da Rússia. Tem
um astral mais leve. A começar pelo clima. Enquanto Moscou amarga com
temperaturas muito abaixo de zero, em Sochi os termômetros marcam até 15 graus centígrados
durante o dia e ao redor de 5 à noite. Não é à toa que essa
região é conhecida como a “Riviera Russa”. E, talvez seja exatamente esse clima
ameno o responsável por descontrair a sisudez russa e dar ares tão liberais a
Sochi que é conhecida como reduto gay, desde os tempos do comunismo, apesar do constrangimento
demonstrado ultimamente por Putin.
A verdade é que até bem pouco tempo era raro encontrar
alguém que soubesse localizar Sochi no mapa. Os olhos do mundo só se voltaram
para o extremo sul da Rússia recentemente com os preparativos para os Jogos
Olímpicos de Inverno, ocorridos de 7 a 23 de fevereiro de 2014. Mas, esse
megaevento foi só o começo de um investimento pesado na área esportiva. Em
outubro, a cidade estreará um circuito de Formula 1, recebendo seu primeiro
Grande Prêmio. E, a seguir, terá o Estádio Olímpico Fisht servindo como palco
de alguns jogos da Copa do Mundo de 2018.
É. Os russos não estão dormindo no ponto. Eles não têm
poupado esforços nem dinheiro para atrair o turismo para a região e mostrar mais
uma vez o seu poder. Foram gastos mais de 50 bilhões de dólares para dar vida a
essa edição dos Jogos Olímpicos de Inverno, ultrapassando até mesmo os recordes
de investimento dos chineses nos Jogos Olímpicos de Pequim, em 2008. Realmente,
de cair o queixo. No entanto, uma coisa os dois países têm em comum: a barreira
da língua. Conseguir se comunicar em Sochi é tão ou mais complicado do que em
Pequim. O comunismo deixou as pessoas ilhadas em sua língua por muito tempo.
Isso vai ter que mudar!
A música é uma forma de aproximar as pessoas, já que a língua ainda é uma barreira.
DO MAR À MONTANHA
Minha primeira surpresa ao chegar na cidade foi com as
instalações das duas sedes criadas especialmente para os Jogos de Inverno. Uma delas debruçada sobre o Mar Negro, no distrito de Adler e outra nas montanhas
nevadas de Krasnaya Polyana e Rosa Khutor. Esse foi o complexo mais bem
dimensionado em termos de distância feito até hoje. Tudo perto, compacto, de
fácil acesso e sem economia.
Na sede litorânea estão seis construções de design arrojado ao
redor da gigantesca Pira Olímpica. O Estádio Olímpico Fisht foi visto pelo
mundo todo ao servir de palco para a abertura dos jogos. A alguns passos, o Ice
Cube Curling foi feito especialmente para o bizarro curling aquele esporte das
vassourinhas, a Adler Arena para a patinação de velocidade, o Iceberg Palace
para a patinação artística e para o short track speed skating, o Bolshoy Ice Dome e a Shayba Arena para o hóquei. Isso
sem falar nos prédios construídos para acomodar a imprensa e os patrocinadores.
Adler Arena Skating Center.
Ice Cube Curling.
Curling. Esporte um tanto diferente do convencional. Ganhou instalações exclusivas.
Adler em si não tem grandes atrativos além de duas igrejas
ortodoxas que parecem ter sido construídas em uma cidade cenográfica e um
parque com shows de golfinhos e baleias. Tudo circundado por muitos viadutos
recém construídos e uma infinidade de novos hotéis ainda com cheiro de tinta.
Aliás, os hotéis são um capítulo à parte. O número de quartos foi praticamente dobrado
para receber os turistas durante os jogos. Aproximadamente 50 novos hotéis
foram construídos em Sochi e arredores.
Complexo formado pelos hotéis Radison e Aivazovsky.
A quarenta quilômetros dali foi criado outro megacomplexo na
montanha de Krasnaya Polyana. O Ruski Gorki Center para o salto de esqui; o
Laura Park para o biatlhon, ski nórdico e cross-country; o Sliding Center Sanki
para os insanos bobsled, skeleton e luge; e, a estação de Rosa Khutor para o
esqui alpino, freestyle e snowboard. Esses pontos estão conectados por nada
mais nada menos do que 18 cable cars novíssimos. Alguns são enormes e têm
capacidade para até 22 pessoas sentadas. Não tem como não ficar de queixo caído com as instalações e também com a coragem dos atletas.
Rosa Khutor Extreme Park.
Galera abusada no Extreme Park de Rosa Khutor voando no ski slopestyle. Lindo!
Luge duplo, no Sanki Sliding Center. Só para os bravos. Foto oficial do IOC.
Também no Sanki Sliding Center, a coragem dos que voam no skeleton. Foto oficial do IOC.
No Russki Gorki Jumping Center grandes saltos no ski jumping. Foto oficial do IOC.
Laura Cross Country Ski and Biathlon Center.
Para conectar o complexo do mar ao da montanha foi
construída uma nova estrada usada exclusivamente pela frota de carros e ônibus
olímpicos, no período dos jogos. Como se isso não bastasse também foi feita uma nova linha férrea,
que dizem ser a segunda maior do país.
Estação final da linha de trem - Krasnaya Polyana - construída para os jogos.
CURIOSIDADE: Um fato interessante é que a neve dos anos
anteriores foi estocada com receio de que faltasse durante os jogos. E, isso
foi providencial. Realmente teria faltado. O inverno não foi rigoroso. As
correntes geladas que vem da Ásia durante o inverno não foram suficientes para
manter as montanhas nevadas. Até algumas estações de esqui estavam fechadas por
falta de neve. Quem queria esquiar ou praticar snowboard tinha que subir três
lifts, de quase dez minutos cada, para alcançar o topo da montanha.
QUER ESQUIAR?
Hospedar-se em Adler ou Sochi fica completamente fora de mão para
quem pensou em ir à Rússia para esquiar. Krasnaya Polyana é ótima opção. O
lugarejo parece ter acabado de ser construído. Um shopping relativamente
pequeno, mas super caprichado estava abrindo suas portas ao público ainda com
muitas lojas vazias. Parece que a cidade não ficou totalmente pronta a tempo
dos jogos. Ao lado do shopping, o imenso hotel Marriott Krasnaya Polyana, com
398 quartos. Tudo novíssimo. É da praça central de Gornaya Karusel que partem
os lifts para quem vai esquiar. Equipamentos e roupas são alugados numa loja exatamente em frente à subida do
bondinho.
A montanha nevada serve como moldura para Krasnaya Polyana.
Krasnaya Polyana parece ter sido recém construída.
Preços para esquiar: o aluguel de roupas e equipamentos fica
ao redor de 1200 rublos, o acesso às montanhas sai por 1600 rublos e se precisar
fazer aula vai precisar desembolsar 4000 rublos por 2 horas de aula realizada
individualmente. Poucos são os instrutores que falam inglês. Indico o professor
Andrey super paciente e um craque. Telefone de contato: + 7 918 407 3526.
Uns 500 metros depois de Krasnaya Polyana fica a simpática Rosa
Khutor. Uma gracinha de cidadela. Limpíssima. Cuidada. Novinha. Lembra algumas
cidades suiças. Tem praticamente uma única rua que acompanha o curso de um
rio formado pelas águas do degelo das montanhas. Indico os hotéis Park Inn,
Radisson e Mercure para quem quiser esquiar na região.
Rosa Khutor é uma cidadezinha linda.
Muitos cable cars sobem para as montanhas a partir de Rosa Khutor.
Cidade vista de dentro do cable car. Apenas uma rua.
Praça central de Rosa Khutor muito policiada durante os jogos.
Rosa Khutor é o melhor lugar para se hospedar nas montanhas.
Todas as noites eram encerradas com esse espetáculo durante os Jogos Olímpicos.
E SOCHI?
Vocês devem estar curiosos para saber sobre Sochi. Bem, ela
fica a uns 40 quilômetros de Adler e se estende por um longo trecho paralela ao mar. Tem bastante
trânsito. É uma cidade bem grandinha. Arborizada. Tem um Parque Nacional com
cachoeiras concorridas no verão. Também conta com vários novos hotéis como o JW
Marriott Sochi Golf Resort, o Cortyard Marriott Sochi Plaza e o Hyatt Regency.
Tem a vida cultural atrelada a um Teatro de Verão e outro de Inverno. Mas,
sinceramente, Sochi foi o que
menos me encantou. A praia tem água gelada e repleta de pedras escuras. Nosso
Brasil tem tantas praias lindas de areia branquinha. Eu diria que para os
brasileiros certamente as montanhas farão mais sucesso do que a praia. É
suficiente uma passada breve em Sochi para visitar o Museu da Cidade, conhecer
a residência de verão de Stalin e a Vila de Dagomys onde morou o último czar
russo, Nicolau II, até 1917.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES
Num domingo de sol em Sochi.
Sochi enfeitada para receber os Jogos Olímpicos de Inverno. Bosco patrocinador oficial.
Praia de Sochi. Geladíssima!
Navios no porto de Sochi.
Como chegar: a melhor maneira de chegar à Sochi a partir do
Brasil é de Turkish Airlines via Istambul. Mas, também há vôos pela Alitalia
via Roma, pela Aeroflot vindo de Moscou e alguns outros. Tive muitos problemas com a Turkish no retorno. O avião atrasou duas horas para chegar em São Paulo, as bagagens levaram 40 minutos para chegar na esteira, perdi o voo de conexão para o Rio, a mala chegou quebrada e ninguém se responsabilizou por nada. Tive que dormir em São Paulo. Paguei hotel por minha conta, refeições e transporte. Isso sem contar com a mala que joguei fora e com a dor de cabeça. Não fiquei satisfeita com a Turkish!
Clima: no verão a temperatura fica entre 15 e 25 graus
centígrados (junho a agosto) e no inverno costuma variar de 4 a 10 graus (dezembro a fevereiro). Sempre agradável. Nada
de extremos como no norte da Rússia.
Moeda: rublo. 15 rublos = 1real.
Língua: russo. Quase ninguém fala outra língua. É preciso se virar na mímica.
Moeda: rublo. 15 rublos = 1real.
Língua: russo. Quase ninguém fala outra língua. É preciso se virar na mímica.





