Numa curva do rio Parnaíba, em frente às dunas de Morro Branco, Seu Zé, um repentista do Piauí, catava marisco ao amanhecer quando passamos de barco. Fez um sinal para que nos aproximássemos e subitamente começou a cantoria exaltando sua terra, acompanhado apenas pelo som das conchas que sacudia numa cesta: “Ilha Grande é tão bonita, é gostosa de viver! Ilha Grande tem as dunas, tem as aves pra se ver e até tem os mariscos pra gente sobreviver”. Pois foi exatamente nessa curva do rio, com uma melodia improvisada, que senti a magia do Delta do Parnaíba e me emocionei mais uma vez com a força do nosso Brasil.
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Gentileza, drink de caju e bons ventos carimbaram minha chegada ao Rancho do Peixe, na pacata praia do Preá, entre as dunas do Parque Nacional de Jericoacoara e de Barrinha. Enquanto isso, o sol começava a se despedir e uma centena de pipas de kitesurfe coloriam o horizonte. Com essa energia mágica, aceitei imediatamente o convite para desacelerar, me conectar com a natureza e tirar os sapatos. Afinal, a pousada é pé na areia e vive na costura de um tempo sem pressa. Também sem pressa, segui eu até encontrar o bangalô número 25, de frente para o mar. Um refúgio perfeito na Terra do Vento. Aliás, uma casa para chamar de minha!
Já faz mais de vinte anos que atravessei, de jardineira, pela primeira vez, aquelas dunas belíssimas com destino ao pacato povoado de Jericoacoara, depois de encarar 300 quilômetros de chão desde Fortaleza. A paixão foi imediata. Um vilarejo de pescadores sossegado, isolado à beira-mar, movido pelo embalo das ondas e do vento. Ainda nem era cultuado pelo turismo. Seu charme rústico saltava aos olhos e flechava o coração em questão de segundos. Tanto que voltei muitas vezes para a paz de Jeri.
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