Cuzco foi a antiga capital do Império Inca. Sua riqueza histórica é enorme e sua altitude maior ainda... O "umbigo da civilização Inca" fica a nada mais nada menos do que a 3.440 metros de altitude. Suficiente para deixar muita gente sem forças para a aventura!!! Mas, nada que não se resolva com dois ou três dias de aclimatação, alguns remedinhos milagrosos, muitas xícaras de chá de coca ou muño e umas folhinhas de coca para mascar... A cidade peruana, apesar de ser atualmente bastante populosa e singela economicamente, é impregnada por traços culturais profundos somados ao estigma místico dos Andes. Cuzco foi declarada Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO, em 1983.
Tive a sorte de chegar em Cuzco exatamente no dia do Carnaval e...
...apesar da chuva leve, presenciei uma manifestação artística riquíssima.
Aliás, eles gostam muito de chuva e dizem que água é vida!
A ANTIGA CIVILIZAÇÃO INCA
O Império Inca foi uma das civilizações de maior poder na América do Sul no período de 1200 a 1500 d.C. Seu território ia do Equador à Argentina. Os Incas tinham grande organização econômica quanto à distribuição de suas riquezas, impressionantes manifestações artísticas e uma arquitetura que impressiona até os dias de hoje. Eles adoravam a terra (Pachamama) e o sol (Inti). O rei era considerado sagrado e filho do sol. Assim, conta a lenda que foi o sol que enviou uma família para fundar Cuzco - a cidade sagrada onde viveria Tahuantinsuyo, o Império Inca. Tinham a família e seu território como núcleo central, mesmo que precisassem se afastar de suas raízes, mantinham esses vínculos. Dizem que no total o Império Inca teve treze reis, desde o lendário Manco Cápac até o último e controvertido Atahualpa que perdeu a vida lutando contra os espanhóis, todos provenientes da mesma família, o bastão sempre passava de pai para filho. O esplendor máximo dos Incas pode ser visitado em Machu Picchu; nas Fortalezas de Ollantaytambo; em Saqsaywuaman e no Templo de Koricancha, em Cuzco.

Complexo arqueológico de Saqsaywuaman.
PELA CIDADE
Na época da invasão espanhola, a cidade foi muito destruída. Foram deixados em pé, apenas os muros com pedras milimetricamente encaixadas umas às outras, para servir como base para novas casas e igrejas, resistentes aos terremotos da região. Assim, a mistura arquitetônica é a marca registrada de Cuzco.
Pelas ruas da cidade é evidente o legado dos incas nas paredes de pedras que servem como base para as casas de arquitetura colonial.
CURIOSIDADE: as construções Incas impressionam pela perfeição das muralhas de pedras e pela diversidade de modos de encaixes na arquitetura.
Vários modos de encaixes das pedras na arquitetura Inca.
O coração da cidade é a
Plaza de Armas. Ali, as igrejas, colunatas e casarões foram construídos sobre as ruínas de palácios e templos incas para mostrar o poder do espanhóis, após a conquista de Cuzco por Francisco Pizarro. Mas, os vestígios desse império poderoso estão por toda parte, nas incríveis fundações de pedras encaixadas como quebra-cabeças, sem o uso de argamassa.
Plaza de Armas, ponto central de Cuzco.
Interessante observar que onde os espanhóis encontravam templos e locais de culto aos deuses imediatamente construíam uma igreja no local. Por isso, a cidade tem um número de igrejas que impressiona. São muitas. Muitas mesmo! Na foto acima, é possível observar as cúpulas de seis igrejas, sendo que a
Catedral foi edificada sobre o antigo templo de Suntur Wasi (Casa de Deus) e sobre o Palácio Inca de Wiracocha.
Catedral de Cuzco.
A Igreja Compañia de Jesús, também na Plaza de Armas, foi construída sobre o templo Amaruacancha que era o Palácio do Inca Huayna Cápac.
Outras praças interessantes, museus e muitas igrejas podem ser visitados a pé. Caminhando lentamente... Pois, o cansaço impera!!! Na
Plaza Regocijo foi onde encontrei o melhor restaurante de Cuzco. O
Chicha de Gaston Acurio.
Plaza Regocijo.
O bairro de
San Blas, que fica a quatro quadras da Plaza de Armas é considerado um dos mais pitorescos da cidade. Tem ruas muito estreitas, escadarias e ladeiras... Ufa!... É o Bairro dos Artesãos. Muitos mochileiros escolhem ficar hospedados nas casas de San Blas que oferecem alojamento com preços baixos. Vale dar uma olhada na igreja de San Blas (que não está lá em muito boas condições de conservação, mas foi fundada em 1560).
Ladeiras de San Blas.
A pérola do centro de Cuzco é o
Convento de Santo Domingo - Koricancha. Na era inca, ali ficava o principal templo dedicado ao deus Sol. Os espanhóis rapidamente edificaram sobre ele um convento e igreja, em 1534. Porém um terremoto destruiu grande parte do convento em 1650, muita coisa foi reconstruída. No entanto, as pedras que serviam como base seguem em pé até hoje. O
Museu de Koricancha guarda muitos objetos que foram encontrados no local durante escavações, inclusive uma múmia.
Koricancha.
Múmia no Museu de Koricancha.
Mãe e filha sentadas nas escadarias do convento em trajes típicos.
Outro prédio interessante é o
Palácio do Arcebispo. O prédio tem influência árabe e foi construído sobre as bases do palácio do Inca Roca. Atualmente abriga o
Museu de Arte Religiosa. Ele fica na rua Hatunrumiyoc onde se pode ver a
"Pedra dos 12 ângulos", um muro inca que foi parte do palácio de Roca e mostra um trabalho impecável no encaixe de grandes pedras.
Pedra dos 12 ângulos.
Um pouco mais distante do centro fica o
Complexo Arqueológico de Saqsaywuaman. Muita gente vai andando até lá, mas são dois quilômetros ladeira acima, não recomendo. Melhor é pegar um taxi ou alugar um carro, pois tem muita coisa que vale a pena conhecer no
Vale Sagrado.
O complexo engloba 33 sítios arqueológicos. É enorme. A área mais importante do complexo é a
Fortaleza de Saqsaywuaman que dizem ter sido construída com propósitos religiosos para se adorar os deuses Inti (Sol), Quilla (Lua), Chaska (Estrelas), Illapa (Raio) e outras divindades. Porém os espanhóis imaginavam que fosse um posto militar. Provavelmente tenha sido construído entre 1431 e 1508, durante o reinado dos Incas Yupanqui e Wayna Qhapag. O que surpreende é o tamanho das pedras usadas nas construções. Calcula-se que algumas pesem ao redor de 90 toneladas ou até mais. Como eles movimentavam esse peso???
Fortaleza de Saqsaywuaman.
Andando mais três quilômetros está o
Complexo Arqueológico de Q'enqo onde, dizem, que se realizavam cerimônias religiosas importantes de culto à fertilidade. Seu nome significa "labirinto". No local há um anfiteatro com um monolito central de 6 metros que talvez tenha sido esculpido com alguma figura, mas hoje é desfigurado quem sabe por obra dos espanhóis!!?? Na parte inferior, tem uma caverna, onde talvez fossem feitos os rituais. E, os Incas tinham uns rituais bem macabros... Na parte superior, há uma série de muretas de pedras e escadarias pequenas que dizem representar uma serpente. Além disso, algumas pedras fazem referência a uma cabeça de felino e uma ave, elementos de conotação religiosa Inca. Também se especula que talvez o local tenha sido um observatório de astronomia. Muitas suposições...
Q'enqo.
Imagine fazer isso tudo andando. Bem cansativo... Pois, ainda mais adiante fica Pukapukara, a 7 Kms de Cuzco, possivelmente um complexo militar e local de armazenamento de alimentos. Era ali que ficava a comitiva do rei quando ele ia a Tambomachay (um pouco mais adiante) para descansar e tomar banhos nas fontes do complexo.
Como dá para perceber, os arredores de Cuzco tem muitas preciosidades. É preciso tempo e atenção para descobri-las.
Pukapukara.
INGRESSO ÚNICO
Para conhecer todas essas ruínas, sítios arqueológicos, museus e lugares históricos compre um ingresso único (130 soles por pessoa) que dá acesso a 16 locais (consegui conhecer 12 desse total).
- Sacqsayhuamán
- Q'enqo
- Pukapukara
- Tambomachay
- Chinchero
- Pisac
- Ollantaytambo
- Moray
- Centro Qosqo de Arte Nativa
- Monumento de Pachacuteq
- Museu de Arte Popular
- Museu Histórico Regional
- Museu Municipal de Arte Contemporânea
- Museu do Sítio de Qoricancha
- Pilillacta
- Tipón