Ouvir os segredos que o silêncio revela é um luxo cada vez mais valioso. O silêncio leva a uma viagem pra dentro. Traz descobertas e conhecimento a quem está disposta a ouvi-lo. Ele fala. Abre novas formas de sentir o mundo. Na verdade, os barulhos do dia a dias nos distraem. Quanto mais somos perturbados mais queremos distrações, quando na verdade o silêncio é cheio de respostas e nos faz perceber coisas que geralmente deixamos escapar. Abaixo indico lugares incríveis para viver a grandiosidade de silêncio.
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Aterrissar em Chiloé é a certeza de descobrir um pedacinho intocado do Chile. O arquipélago é formado por mais de 40 ilhas idílicas, aninhadas entre o norte da Patagônia e o sul da região de Los Lagos. Fiquei curiosa desde a primeira vez em que ouvi falar sobre o destino. E como lugares genuínos tem um imã que me atrai, quando dei por mim já estava chegando. Menos de duas horas de voo foram o suficiente para cobrir os 1.200 quilômetros que separam a cosmopolita capital Santiago da pitoresca cidade de Castro, que ganhou seu primeiro aeroporto no final de 2012. Antes disso, a conexão do continente com o arquipélago era feita somente pelo mar, de ferry, entre Pargua e Chacao. Se por um lado, o isolamento era uma realidade até poucos anos atrás, por outro, a cultura nativa se manteve preservada, sendo hoje seu grande trunfo.
Você já voou com a SKY Airline? Essa companhia aérea low cost chilena tem mais de 20 anos no mercado e está presente em oito países das Américas. Atualmente, é a única empresa do ramo ao redor do mundo que contempla uma frota formada 100% por Airbus A320 e A321 NEO – modelos mais leves, rápidos e ecológicos.
Com porte elegante, pelo dourado e olhos atentos, um guanaco atravessou na frente do carro embelezando ainda mais minha chegada ao Tierra Patagonia. Esses animais vivem nas regiões mais altas do hemisfério sul e são, juntamente com os pumas, símbolo do Parque Nacional de Torres del Paine, onde eu viveria dias inesquecíveis na gelada primavera do sul do Chile.
A curiosidade é o sentimento que domina uma visita à
longínqua Ilha de Páscoa com seus estranhos gigantes de pedra. Uma estrela
solitária, em pleno Pacífico, cercada de mistérios por todos os lados. Ao cair
da noite, a escuridão toma conta de tal maneira que só a lua cheia e os
pontinhos brilhantes das constelações conseguem atenuar seus segredos. Conforme
nasce o dia, a ilha vulcânica vai se revelando aos poucos e exibe quase 900 moais
deixados pela civilização Rapa Nui, a meio caminho entre a América e a Oceania.
Santiago do Chile se reinventou nos últimos 25 anos. Outrora
singela, é hoje uma cidade extremamente convidativa. Ostenta bairros elegantes,
tem bons restaurantes, vinhos maravilhosos, hotéis charmosos, grandes shoppings,
museus, parques. Deixou no passado muitos de seus problemas. Se transformou
numa metrópole moderna, de economia estável. Somado a isso, sua localização é
privilegiada. Tem uma costa extensa banhada pelo Oceano Pacífico, voltada para a
Oceania. Por isso, passou a ser um bom ponto de partida para alguns destinos localizados
nessa região, entre eles o paradisíaco Tahiti.
Era 1990. Em plena ditadura. Ano em que Pinochet deixava o comando do país. Vi uma cidade atormentada. Insegura. Sofrida. Tensa. Mal tratada. Um povo oprimido. Guardas ostensivamente armados pelas esquinas. Andar pelas ruas era perigoso. À noite, nem pensar. Foi assim que conheci Santiago do Chile há exatos 24 anos. Nem é tanto tempo assim. Mas, as mudanças são gigantescas. O Chile agora é outro país. Forte. Moderno. Estável. Convidativo. Acolhedor.
E a viagem ao Deserto do Atacama se aproximava do final. Último dia. O destino era o tão aguardado Salar de Tara.
Algumas pessoas que já haviam estado por lá tinham dito que era o lugar mais espetacular do Atacama. Então, não poderia ficar de fora da programação de jeito nenhum. Mas, foi preciso bater pé para que o hotel Explora cumprisse com o programado. Como o local é distante de San Pedro de Atacama - 140 quilômetros, sendo 40 sem asfalto - os hotéis fazem de tudo para evitar as saídas para o Salar de Tara. Sabendo disso, agendei o passeio no dia em que cheguei dizendo que era minha prioridade número um. Ainda assim, tive dificuldades com o hotel que ficava sempre tentando me convencer de que era distante e sem muitos encantos. Foi preciso ser firme com o gerente. Eles incluem esse destino na lista de opções do hotel, quando vendem as excursões, antes da chegada dos turistas no Atacama. No entanto, na prática, já havia alguns meses que os carros do hotel não iam até lá.
A saída estava prevista para as 8:30 da manhã, depois de um necessário chá de coca, já que a altitude era grande, 4800 metros. O trajeto é longo. Mas, a estrada é linda. Atravessa os Andes, quase encontra a fronteira com a Bolívia, passa pelo lago Quipiaco e o cenário vai mudando conforme a altitude.
Os telefones perdem a comunicação. Não há qualquer sinal de contato com San Pedro de Atacama. Nosso guia tinha um celular via satélite para o caso de haver algum problema. Encontramos apenas um outro carro no caminho de terra depois que termina o asfalto. Pouca gente circula por lá (o que considero uma dádiva). O motorista precisa conhecer muito bem o trajeto. Não há placas de sinalização e com o vento, as trilhas vão sendo cobertas com areia.
Depois de percorrer 100 quilômetros de asfalto inicia um percurso de mais 40 quilômetros pela areia, com direito a muitas paradas para fotos. Os olhos ficam inquietos com as nuances de cores que vão surgindo. A começar pelo solo que assume tons alaranjados e é repleto de formações rochosas em formatos exóticos, que não existem em nenhum outro lugar. São os Moais de Tara, também chamados de Los Monges. Essas pedras imensas foram esculpidas pelo vento e impressionam pela sua altura. Algumas tem mais de 30 metros.
A seguir, mais um longo trajeto de areia, com bandos de vicunhas despreocupadas, penitentes (aqueles blocos de gelo que nunca derretem apesar de estarem no meio do deserto) e perdizes muito grandes.
De repente, a "cereja do bolo". Depois de uma curva fechada, a surpresa da Catedral de Tara. Um paredão de rochas de origem vulcânica esculpido no formato de um cânion que desemboca no Salar de Tara. Mágico. Esplêndido. Abençoado. Um verdadeiro oásis com vegetação verde. E, repleto de flamingos em fase de reprodução fazendo suas danças de acasalamento.
Algumas pessoas que já haviam estado por lá tinham dito que era o lugar mais espetacular do Atacama. Então, não poderia ficar de fora da programação de jeito nenhum. Mas, foi preciso bater pé para que o hotel Explora cumprisse com o programado. Como o local é distante de San Pedro de Atacama - 140 quilômetros, sendo 40 sem asfalto - os hotéis fazem de tudo para evitar as saídas para o Salar de Tara. Sabendo disso, agendei o passeio no dia em que cheguei dizendo que era minha prioridade número um. Ainda assim, tive dificuldades com o hotel que ficava sempre tentando me convencer de que era distante e sem muitos encantos. Foi preciso ser firme com o gerente. Eles incluem esse destino na lista de opções do hotel, quando vendem as excursões, antes da chegada dos turistas no Atacama. No entanto, na prática, já havia alguns meses que os carros do hotel não iam até lá.
A saída estava prevista para as 8:30 da manhã, depois de um necessário chá de coca, já que a altitude era grande, 4800 metros. O trajeto é longo. Mas, a estrada é linda. Atravessa os Andes, quase encontra a fronteira com a Bolívia, passa pelo lago Quipiaco e o cenário vai mudando conforme a altitude.
Os telefones perdem a comunicação. Não há qualquer sinal de contato com San Pedro de Atacama. Nosso guia tinha um celular via satélite para o caso de haver algum problema. Encontramos apenas um outro carro no caminho de terra depois que termina o asfalto. Pouca gente circula por lá (o que considero uma dádiva). O motorista precisa conhecer muito bem o trajeto. Não há placas de sinalização e com o vento, as trilhas vão sendo cobertas com areia.
A estrada de San Pedro para o Salar de Tara tem 100 quilômetros de asfalto mais 40 de terra.
No trajeto, vulcões...
… salares...
… lagos...
… vicunhas, e…
… penitentes.
Os penitentes são peças enormes de gelo esculpidas pelo vento, que nunca derretem.
Depois de percorrer 100 quilômetros de asfalto inicia um percurso de mais 40 quilômetros pela areia, com direito a muitas paradas para fotos. Os olhos ficam inquietos com as nuances de cores que vão surgindo. A começar pelo solo que assume tons alaranjados e é repleto de formações rochosas em formatos exóticos, que não existem em nenhum outro lugar. São os Moais de Tara, também chamados de Los Monges. Essas pedras imensas foram esculpidas pelo vento e impressionam pela sua altura. Algumas tem mais de 30 metros.
El Indio, um dos Moais de Tara. Ele recebeu esse nome por parecer um índio. Ao fundo, o Salar Águas Calientes (há vários salares com esse nome no Atacama).
El Indio tem mais de 30 metros de altura. Observe como as pessoas ficam pequeninas ao seu lado.
Minha pergunta é: como essa pedra gigantesca foi parar assim em pé e não cai com a ação do vento?
As sombras dos Moais de Tara formam figuras interessantes. Essa rocha parece um animal atento ao que acontece ao seu redor.
Essa outra rocha tem o formato de uma pessoa rezando e a sombra sugere mãos em oração.
Essa rocha parece um imenso canhão apontando para o céu.
Muitos penitentes pelo caminho.
As vicunhas, primas magrinhas das lhamas, estão sempre presentes nas grandes altitudes do Atacama.
Catedral de Tara.
Foi nesse cenário surreal que sentei para meditar enquanto o guia e o motorista preparavam um almoço super especial com direito a mesa arrumada com toalha xadrez, cadeiras, pratos e talheres. Um momento para ficar registrado eternamente na memória.
Aqui chegou ao fim o relato de uma viagem muito especial. O Deserto do Atacama tem uma paisagem que certamente nasceu de um momento de inspiração máxima da natureza. Vulcões, lagos, salares, flamingos, vicunhas, lhamas, geiseres, cactus gigantes, penitentes, sol e neve numa convivência totalmente harmônica. Uma paisagem de beleza rara que se mantém intocada esperando pelos aventureiros que vem em busca de beleza e liberdade de espírito.
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